Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

A Arte de Furtar ou "Não, tu, padre, não me engodas..."

A fazer companhia à jornalista f. na vanguarda do empreendimento de virar o bico ao prego no caso dos socialistas apanhados a gamar, e a deixar gamar, dinheiro para as crianças com doenças raras na associação Raríssimas tem estado o simpático deputado João Galamba, que generalizou a oportunidade de gamanço detectado nesta para todas as IPSS, que como toda a gente sabe são instituições de caridadezinha criadas com a intenção de amenizar a miséria criada pelo capitalismo e desde modo eternizá-lo por refrear a indignação e a revolta popular que um dia o hão-de derrubar, e por causa do governo Passos, que deixou de as obrigar a ter, e pagar, um ROC, desse modo diminuindo a intensidade do seu escrutínio público abaixo do que tem a administração pública.

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É uma nova frente de batalha nesta guerra mediática pelo branqueamento dos socialistas apanhados a gamar, a jornalista f. tinha optado por denunciar a má fé da sua colega jornalista da TVI Ana Leal ao ter identificado socialistas no assalto à associação mas ter fechado os olhos a pàfianos como Maria Cavaco Silva, que a própria associação identifica como apoiante, recorrendo como ele à falácia da generalização, neste caso específico através da insinuação que, havendo não-socialistas com ligações à associação, também deviam ser considerados suspeitos de gamanço.

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Também, não, porque ela própria, e ele também, tinham dado a publicidade adequada aos desmentidos do marido da deputada Sónia Fertuzinhos ter alguma vez sido informado como ministro das práticas de gestão da associação de que tinha sido vice-presidente até entrar para o governo, e ao da mulher do ministro Vieira da Silva que subsidiou a associação depois de ter saído da sua direcção de ter sido a associação e não outra associação a financiar-lhe a viagem à borla que usufruiu por convite dela.

De maneira que, se fecharmos os olhos ao actual secretário de estado socialista que participou com a generosidade que lhe foi possível no trabalho meritório da associação a troco de uma insignificante avença, para gamar na associação, só sobra mesmo Maria Cavaco Silva. Ela e o deputado do PSD Ricardo Baptista Leite, a jornalista é mesmo pouco perspicaz e passou ao lado do nome dele, que tinha acabado de ser convidado para fazer parte da direcção da associação e fazia parte da lista que ia ser votada na próxima assembleia-geral que ela publicou e onde descobriu em letrinha miudinha o nome que denunciou.

O exercício de generalização é abusivo, porque mistura pessoas que apoiavam a associação com o seu nome, ou fariam no futuro parte da sua direcção, com pessoas que aceitaram da associação pagamentos em dinheiro ou em espécie, e pessoas que fizeram parte da sua direcção durante o período em que as práticas de gestão danosa eram praticadas, e mesmo lhes confiaram dinheiro público depois de as terem dirigido, mas é uma boa tentativa de espalhar a porcaria por toda a sala de modo a disfarçar a origem do mau cheiro. E, como falam para convertidos, os argumentos são suficientemente sólidos para os convencerem.

Mas, e regressando ao deputado João Galamba, tal como as mulheres da vida são as que conhecem melhor as taras mais improváveis dos homens que as frequentam, os avençados de unidades de missão também sabem que, com o elevado escrutínio a que ele explica que é sujeita, a administração pública também pode ser usada para gamar. Ele próprio foi um dos avençados que participaram nas campanhas eleitorais do primeiro-ministro José Sócrates, liderando a vertente das redes sociais, ao mesmo tempo que usufruia de uma compensação financeira como avençado, por ajuste directo, da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados (UMCCI).

Pelo que, parafraseando outra mulher da vida, lhe podemos dizer "Não (diz uma), tu, padre, não me engodas...".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:28
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

Sobre o ensino universitário tendencialmente gratuito

Um adolescente tem boas notas, é responsável e aplicado, os pais metem-no a fazer o secundário num daqueles colégios que preparam os alunos para a média, consegue acabar o secundário com média de 19 e entra em Medicina. Consegue terminar a licenciatura, as boas notas anteriores eram um bom preditor de que teria essa capacidade, e depois consegue completar com sucesso o internato e obter o grau de especialista. Dá o salto para o estrangeiro, onde vai ganhar, pela medida dos salários portugueses, uma pequena fortuna. E nós continuamos sem médico.

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Esta não é a história dos médicos que conhecemos, ou pelo menos dos que eu conheço pessoal ou profissionalmente, que estão esmagadoramente a trabalhar no país onde se formaram ou, se estão no estrangeiro, trabalham em missões humanitárias enquadrados por organizações de voluntariado. Dedicam-se à comunidade e devolvem-lhe o que investiu neles. Tal como provavelmente a esmagadora maioria dos médicos portugueses.

Mas é a ambição de, diz o estudo A carreira médica e os factores determinantes da saída do SNS realizado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto cujos resultados acabam de ser publicados, metade dos jovens médicos que estão a fazer a formação da especialidade no Norte. E como admito que a latitude não deva ser um factor determinante para formar este tipo de preferências, será a ambição de metade dos jovens médicos portugueses que estão a fazer a especialidade.

A ambição deles não tem nada de ilegítimo. Possuem, ou estão em vias de adquirir, uma formação valiosíssima, trabalharam aplicadamente desde a adolescência para a adquirir, têm a possibilidade de exercer um trabalho de grande utilidade social, onde quer que o venham a exercer, e ponderam todas as opções profissionais que têm pela frente privilegiando as que lhes oferecem melhores perspectivas laborais e remuneratórias. Não há nada que se lhes possa apontar.

Mas a saída para o estrangeiro de médicos especialistas acabados de formar é um péssimo negócio para todos os portugueses genericamente e para os contribuintes em particular.

Os cursos universitários custam muito mais do que é cobrado aos alunos das universidades públicas em propinas, cerca de mil euros por ano para a licenciatura. E se há cursos que envolvem custos moderados por serem ministrados essencialmente à base de papel e tinta, como os de Direito, há outros que envolvem custos elevados, nomeadamente os que exigem a disponibilidade de laboratórios e equipamentos por vezes muito sofisticados, como os de Engenharia. Ou de Medicina. As estimativas do custo de formar um médico especialista rondam os cem mil euros para a licenciatura de seis anos, para os quais os próprios contribuem em propinas com cerca de seis mil, e duzentos a quatrocentos mil para a especialidade.

Se os médicos especialistas acabados de formar emigram, o investimento da comunidade na sua formação, que pode atingir valores da ordem dos quinhentos mil euros, não tem retorno nenhum, ou terá, mas na comunidade que os acolher sem ter investido na sua formação.

Não sendo a oferta de formação aos médicos um prémio pelas boas notas conseguidas no secundário, mas um investimento num bem social maior, a saúde dos portugueses, seria importante a comunidade dispor de instrumentos para garantir que esse investimento é efectivamente utilizado para contribuir para o fim que o justifica.

Não tendo já chegado ao socialismo cujo caminho a Constituição nos obriga a percorrer, não temos à nossa disposição instrumentos como os das ditaduras que respondem pelo nome de democracias populares, em que o indivíduo não tem mais direitos do que os que lhe advêm de ser propriedade do Estado, de que o mais óbvio é de servirem o Estado, e não podemos tratar os médicos do modo que são tratados, por exemplo, pelo regime socialista cubano, que os proibe de emigrar e, quando é oportuno colocá-los ao serviço de sistemas de saúde de outros países, cobra pelo seu trabalho honorários de advogado de negócios e paga-lhes a eles salário de empregada doméstica. Não os podemos proibir de sair.

O problema, ou o risco potencial de o problema se concretizar, não resulta da liberdade de escolha deles, que é um dado em sociedades livres como aquela em que vivemos e queremos, eu pelo menos quero, viver, mas de a comunidade investir neles sem qualquer compromisso deles que lhe ofereça uma garantia mínima de retorno do investimento. O problema é de o ensino ser tendencialmente gratuito e, no caso específico da formação em Medicina, cobrado muito abaixo do custo real. Se o curso de Medicina tivesse propinas compatíveis com a cobertura dos seus custos, o investimento da comunidade estaria liquidado no fim do curso e não haveria prejuízo para a comunidade se eles emigrassem.

Mas se os alunos de Medicina tivessem que suportar propinas que cobrissem integralmente os seus custos, cerca de cem mil euros ao longo dos seis anos da licenciatura seria algo como mil e quinhentos euros por mês onze meses por ano, abrir-se-ia uma frente de ineficiência na alocação de recursos. O curso seria limitado, não aos alunos com provas dadas de terem potencial para virem a ser no futuro os melhores médicos, mas aos que tivessem capacidade de pagar propinas nestes montantes. A qualidade média dos médicos formados seria certamente inferior à que pode ser conseguida se todos forem elegíveis para entrar e forem seleccionados por critérios que indiciem a sua capacidade para virem a ser bons médicos. E se as notas obtidas no secundário são uma medida adequada ou não para a aferir é outra discussão, mas que são uma tentativa de aferição quantificada do seu potencial como futuros médicos é indesmentível. E o ensino tendencialmente gratuito permite alargar o recrutamento de estudantes a todos, independentemente da classe social de origem, os que têm mais potencial para o transformar em conhecimento em benefício da comunidade.

O problema pode ser então reformulado como encontrar modo de a comunidade garantir o retorno do investimento que faz no ensino sem negar liberdades cívicas aos diplomados mas também sem impedir jovens com capacidade mas sem meios de se diplomarem.

E mesmo para este problema mais complexo há muitas soluções provadas.

Desde o ensino tendencialmente gratuito mas sujeito ao compromisso de no fim do curso o formando ficar a trabalhar durante um determinado período para o Estado, ou para o que a comunidade determinar como relevante para reaver aquilo que investiu nele, e sujeito a uma indemnização que compense os custos da formação se o formando quiser sair antes de ter completado esse compromisso com a comunidade, como se faz por exemplo para os pilotos formados na Força Aérea...

... ao ensino com propinas ajustadas à cobertura dos custos reais mas suportado pela concessão aos formandos que o necessitam de crédito a ser reembolsado ao longo da vida profissional pós-formação, como é prática corrente em países onde vigoram versões mais light do Estado Social do que na União Europeia, como os EUA...

... há muitas formas de, com mais Estado Social formal ou menos Estado Social formal, conciliar a maximização de eficiência que permite o acesso ao ensino dos melhores independentemente da sua classe social de origem e da sua capacidade financeira, com a garantia de a comunidade não investir nos que forma sem qualquer garantia de retorno desse investimento. De conciliar a justiça social com a eficiência na alocação dos recursos públicos. De fazer Estado Social sustentável

Oferecer ensino gratuito a todos como se fosse a única possibilidade de o fazer, e permitir aos que podem, que frequentemente até são dos que à partida tinham menos necessidade de apoio do Estado para estudarem, que recolham em privado os resultados desse investimento público é que é um desperdício de recursos, um desperdício do nosso dinheiro, porque o Estado Social somos nós, e não dinheiro caído do céu, que o pagamos.

Estado Social, sim, mas minimamente inteligente para poder servir para enriquecer a comunidade em vez de lhe drenar recursos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:08
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Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Falemos de sexo

Cinquenta anos depois da revolução sexual chegou a contra-revolução sexual e, num mundo em que a esquerda tomou as rédeas da fiscalização da moral pública e dos bons costumes, o puritanismo ganhou.

Hoje em dia o problema mais sério que qualquer humano sexuado tem para resolver deixou de ser conceber formas de manifestar o interesse sexual por uma parceira ou um parceiro com sucesso, ou seja, de modo a suscitar reciprocidade no interesse, mas como pode manifestá-lo dentro da lei, ou seja, de modo a não arriscar a exposição à censura ou ao ridículo social, ou mesmo uma pena de prisão. Para um encontro em que se deposite alguma esperança deve-se levar, não uma embalagem de preservativos, mas o Código Penal.

Não admira nada a afluência aos acampamentos do BE onde os meninos podem ver meninas nuas no duche ou são organizados combóios onde podem aproveitar, e até são incitados a fazê-lo, para se apalparem uns aos outros, tudo em ambiente controlado como gosta a nova moral esquerdista para autorizar o exercício do pecado em qualquer das suas vertentes, seja a do sexo, a de consumir substâncias ilegais, ou a do exercício de qualquer actividade económica. É legal, e é o que há.

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Mas as acusações de assédio sexual com mais de trinta anos que se andam a relevar quase diariamente, sempre envolvendo figuras públicas, começam a meter nojo.

Em caso de assédio sexual, digno de mulher com M grande, ou de homem com H quando é o caso, é dar uma bofetada ou uma joelhada nos tomates ao autor do assédio. Em não o avaliando possível ou aconselhável por qualquer motivo, por exemplo pelo ascendente físico do autor sobre a vítima, apresentar denúncia pública ou mesmo queixa policial na primeira oportunidade. Em havendo em jogo interesses, por exemplo profissionais, que as tornassem demasiado penalizadoras para a vítima, esperar para as apresentar quando o assédio em local de trabalho começasse a ser social e criminalmente penalizado e as vítimas protegidas de retaliações, e em Portugal já começou há mais de vinte anos.

Quem não aproveitou todas as oportunidades que teve para o fazer e faz agora, passados mais de trinta anos, revelações sobre alegadas tentativas de assédio sexual, todas tendo como autores figuras públicas, chega a parecer que os anónimos e os pobres não as faziam, a surfar a crista de uma onda de denúncias quase todas impossíveis de provar por ser a palavra das vítimas contra a dos agressores mas de que também é impossível aos acusados ilibarem-se por ser a palavra dos agressores contra a das vítimas, parece-me motivado por outros objectivos que já não são o de obter justiça e reparação para uma situação de que se foi vítima. Não acredito em nenhuma, e acho que merecem ser tratadas como injúria e difamação. Por mim, podem meter as denúncias num sítio que eu cá sei. E que não revelo para não cometer nenhum atentado à moral vigente, ou mesmo uma ilegalidade.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:31
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Os gangsters e o teste do algodão

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Todos os partidos têm entre os seus militantes gangsters, não no sentido alegórico de pessoas cujo carácter e métodos de actuação reprovamos e que se movimentam individual ou colectivamente para contrariar os nossos interesses ou o que interpretamos ser o interesse colectivo, mas no sentido literal de andarem com malas de dinheiro ou darem, ou mandarem dar, valentes cargas de porrada a quem se lhes atravessa no caminho e atrapalha no exercício da actividade.

A política também se destina a determinar quem gere os recursos públicos, e a possibilidade de gerir recursos públicos é um atractivo irresistível para quem vê nela uma oportunidade para os gerir para seu benefício pessoal, pelo que a política atrai gente desonesta, e, tal como noutras profissões que têm inerente a delegação de alguma autoridade que aconselha a serem de acesso revervado a gente honesta, desde polícias, a magistrados, a fiscais de obras, é virtualmente impossível encontrar métodos eficazes para a detectar e lhe impedir o acesso à profissão. E os partidos também não tem métodos para impedir a admissão de gente que se filia para vir a ter a possibilidade de gerir recursos públicos em seu favor, nem de esta encontrar ou trazer para dentro do partido mais gente com as mesmas ambições, a mesma flexibilidade ética e capacidades que complementem as suas em diferentes áreas de actuação, incluindo, mas não exclusivamente, o exercício de violência física quando é conveniente.

Esta gente que exerce cargos políticos com a finalidade de se apropriar de recursos públicos em seu benefício pessoal provoca danos colectivos evidentes, a corrupção está mais do que caracterizada e qualificada para valer a pena enumerá-los aqui, e é, e bem, pelo menos nos tempos mais recentes porque nem sempre foi, mas também é verdade que nem sempre foi alvo de uma reprovação social tão intensa e generalizada como é actualmente, de modo que talvez se possa dizer que a justiça, para além de se guiar pela Lei, como devia, também se parece guiar pela pressão social, como não é óbvio que deva, perseguida pela justiça. Perseguição que também está mais do que caracterizada e qualificada para valer a pena detalhá-la aqui.

Mas, em paralelo com este efeito pernicioso, esta gente também proporciona um importante benefício de que nem sempre toda a sociedade se apercebe e, consequentemente, de que nem sempre se coloca em posição de usufruir. É que esta gente costuma ter uma apurada sensibilidade e capacidade de avaliar o carácter dos outros no domínio de serem favoráveis ou, pelo menos, permissivos, às suas actividades, ou de serem intolerantes com elas e, comulativamente, capazes de, pela denúncia ou mesmo pelo exercício do poder, as contrariar.

Ou seja, esta gente tem uma capacidade mais apurada do que o comum dos cidadãos, militantes ou eleitores para identificar

  • quem lhe pode fazer fretes e quem lhe pode fazer frente,

e essa capacidade pode ser preciosa para as pessoas honestas mas sem a sensibilidade nem a informação de que ela dispõe fazerem através dela uma avaliação dos candidatos que tem que escolher para diversos cargos electivos, por critérios que muitas vezes serão exactamente opostos aos dela.

E, infelizmente, não faltam oportunidades para nos apoiarmos nas escolhas de gangsters partidários para avaliarmos o carácter de personalidades de políticos que, por um motivo ou outro, gostaríamos de conseguir avaliar.

Umas das clássicas foi a sova que os militantes socialistas de Felgueiras aplicaram ao, à época, presidente da Federação Distrital do Porto do Partido Socialista, Francisco Assis, quando se deslocou a Felgueiras depois de, na sequência de lhe ter sido decretada pelo tribunal a medida de coação de prisão preventiva no processo em que era arguida por motivos de corrupção, a presidente da Câmara Municipal de Felgueiras ter fugido para o Brasil, a federação liderada por ele lhe ter retirado a confiança política e ter solicitado aos restantes vereadores socialistas a apresentação da demissão para provocar a dissolução da Câmara Municipal e criar a oportunidade convocar eleições intercalares para eleger um novo presidente, e perante a recusa destes em se demitirem, lhes ter retirado a confiança política também a eles.

Mais do que relatado, o episódio foi filmado e ficou escrito na pedra como um documento que perpetua o modo de actuação dos gangsters dos partidos.

E este episódio disse, a quem lhe interessava saber, que o PS tinha no seu seio gangsters capazes de recorrer à agressão física, neste caso ao linchamento, para defender os autores, prescindo de lhes chamar alegados porque os preciosismos da linguagem juridicamente precisa são essencias para o exercício da justiça num estado de direito mas dispensáveis para cidadãos como eu tirarem as conclusões que entendem dos factos que conhecem, de actos de corrupção, mas que também que tinha dirigentes capazes de enfrentar, mesmo colocando em risco a sua integridade física, os autores de casos de corrupção e os seus apoiantes em diversas vertentes de apoio, desde o institucional à agressão física.

E disse, a quem isto interessa, e independentemente de partilhar com ele opiniões, ideologias e interesses partidários, ou os seus contrários, que o Francisco Assis se revelou um político de uma dignidade admirável.

E disse também que os gangsters souberam muito bem identificar quem estava com eles e quem estava contra eles, ou seja, quem lhes fazia fretes e quem lhes fez frente. A presidente da CM Felgueiras fazia-lhes fretes, os vereadores socialistas também, e o Francisco Assis fez-lhes frente. Eles nunca se enganam e por isso nunca enganam que olha para o que eles fazem.

Mas o PS não é, ainda que não se conseguisse deduzir do que eu disse no início que penso que é suficiente claro para o fazer, o único partido onde militam gangsters. No PPD/PSD também os há, e também com provas dadas.

Há, por exemplo, dirigentes locais condenados por agressões a outros dirigentes locais e autarcas do mesmo partido. Há dirigentes distritais não-condenados por fraude fiscal qualificada e falsificação de documento no fim de um processo em que se deu como provado que receberam uma pequena fortuna de construtores civis em malas de dinheiro. Quase resistia a juntar a estes exemplos de gangsters clássicos que praticam a agressão física ou trasportam dinheiro em malas os de novos gangsters, os perfis verdadeiros ou falsos que são colocados nas redes sociais para lançar porcaria sobre adversários internos no partido, mas desisti de resistir e apresento um modesto exemplo retirado de um perfil do Facebook de alguém que é alegadamente, e aqui recorro ao alegadamente por poder não se tratar de uma pessoa real mas de um perfil falso, se bem que com origem facilmente contextualizável, militante do PSD e critica o ainda presidente do partido com a elevação que se pode comprovar.

Rui Rio - Nuno d Orey Brás tapado.jpg

Os gangsters estão lá, as suas qualidades e capacidades comprovadas, e os danos sociais que causam concretizados.

Mas, e o tal benefício potencial que se pode retirar da observação das escolhas que eles fazem e, através delas, a aferição que fazem do carácter dos escolhidos e dos preteridos, a expectativa revelada por eles próprios de quem lhe pode fazer fretes e quem lhe pode fazer frente?

Nesta caso concreto é clarinho como a água. Todos apoiam o mesmo candidato à presidência do PSD, e o candidato que eles apoiam não é o candidato Pedro Santana Lopes. É o outro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:17
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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

A afeição da esquerda pelo Estado

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Num país em que morrem atropeladas pessoas a fugir de incêndios em cadeiras de rodas torna-se muito fácil interpretar o sentido de a maioria parlamentar obtida pela soma das minorias que perderam as eleições legislativas ter garantido que os dirigentes da Autoridade Nacional para a Protecção Civil continuarão a ser escolhidos pelo cartão do partido e não por concurso, e que os herdeiros das vítimas terão que pagar o IMI das ruínas das casas delas, mesmo que as casas tenham sido destruídas pelo fogo.

É a possibilidade de capturar o Estado para dar empregos a amigos e extorquir dinheiro aos mesmos cidadãos que abandona à sua sorte quando estão em perigo que sustenta a afeição da esquerda pelo Estado.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 17:45
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Domingo, 19 de Novembro de 2017

O caminho das estrelas

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Em abstracto devemos deixar o planeta às gerações vindouras tão limpo, e tão fresco, dizem-nos agora, como o recebemos. Em concreto, devemos deixar o planeta.

[Hoje vou imitar o Professor Francisco Louçã a imitar o Professor Rebelo de Sousa e inaugurar aqui um espaço de divulgação científica para dar um toque cultural e cosmopolita ao meu comentário, quase todo baseado nos temas maçadores da política e da economia com breves incursões pelos pequenos problemas do dia-a-dia das pessoas normais que o tornam mais útil mas ainda menos erudito]

O princípio de que, quando o abandonamos, devemos deixar qualquer lugar onde permanecemos pelo menos tão limpo como o encontrámos é indiscutível, e um dos mais básicos que devem ser incutidos pelas famílias às crianças, e sem os quais as crianças correm o risco de crescerem para se transformar em  criaturas boçais que se recusam a entregar as chaves da associação de estudantes quando perdem as eleições ou que dedicam as suas vidas adultas a procurar mistelas políticas para conseguirem governar sem terem ganho as eleições. Tão básico como habituá-las a fazer a cama, mesmo à custa do risco de contrariar a sua natureza de a deixar desarrumada para a mãe a fazer, traumatizando-as e fazendo delas crianças menos felizes do que um bom cirurgião deve ser.

Se nos der para fazermos um pique-nique não devemos, e se o fizermos não passamos de porcalhões, deixar restos de comida nem lixo no local. Ponto parágrafo.

E com o planeta é a mesma coisa. Ponto final.

É verdade que o conceito abstracto de deixar o planeta no estado em que o encontrámos é mais difícil de formular concretamente do que o mesmo conceito aplicado ao local do pique-nique. Há aspectos que são evidentes. Não devemos despejar venenos em locais onde possam envenenar animais ou plantas, nomeadamente na água que corre sempre para baixo nem no ar que os leva para todo o lado. Há outros aspectos menos evidentes mas também inteligíveis. Não devemos largar na natureza resíduos que ela não tenha capacidade para absorver devidamente na sua função de reciclagem permanente de tudo o que lhe aparece. Há outros menos, como o aquecimento global.

O efeito de estufa existe e é bem conhecido, e resulta de o vidro ser transparente à radiação com comprimentos de onda próximos do da luz solar, que são os emitidos por qualquer corpo a cerca de seis mil graus centígrados de temperatura, pelo que a luz solar que entra aquece o interior da estufa, mas ser opaco à radiação infravermelha emitida pelos corpos à temperatura do interior da estufa, umas dezenas de graus centígrados, pelo que a radiação entra mas não sai e o interior da estufa aquece mais do que o ambiente exterior.

Que há gases que, como o vidro, são mais transparentes à luz solar do que à radiação infravermelha, e que o dióxido de carbono é um deles também é um facto. E o metano. Que a actividade humana no mundo actual, nomeadamente na produção da energia que a humanidade consome, produz mais dióxido de carbono do que no tempo da pedra lascada, também é um facto.

Que tudo isto faça aquecer o planeta de modo suficientemente intenso para provocar alterações climáticas tão catastróficas que o torne inabitável, é convicção de muitas pessoas. Que esta convicção seja suportada pelas opiniões de muitos centistas, também é um facto. Que essas opiniões sejam solidamente fundamentadas no conhecimento científico já é mais duvidoso.

A Meteorologia é, sendo uma ciência da natureza, o estudo de fenómenos tão complexos que não se conseguem extrair conclusões do mero conhecimento fundamental, pelo que muita da ciência do clima acaba por se basear na estatística. Como as ciências humanas. E, tal como nas ciências humanas, a estatística tanto pode ser usada para tentar aprofundar o conhecimento dos fenómenos estudados desmentindo as convicções que se têm sobre eles, e é assim que a ciência avança, como para comprovar opiniões que se têm sobre eles de modo a formar opiniões prevalecentes. Presta-se a ser transformada em ideologia. E é verdade que hoje em dia qualquer um que formule qualquer dúvida relativamente à opinião vigente sobre o aquecimento global e às consequências catastróficas a que vai inapelavelmente conduzir, algumas das quais até já deviam até ter acontecido se as previsões dos cientistas se tivessem cumprido, é tratado como um néscio, cientificamente ao nível de qualquer criacionista, e eticamente como ambicionando a destruição do planeta e da humanidade. Pior ainda, um trumpista!

E tudo isto está a conduzir a humanidade à emergência da descarbonização. Trocamos o carro pela bicicleta, pelo menos os que têm pernas e equilíbrio. Trocamos as centrais térmicas pelos elegantes moinhos de vento, que nos aparecem em números grandes e letra miudinha na factura de electricidade. Demolimos as casas dos pobres com eficiências térmicas baixas, que precisam de aquecedores no inverno, para construir belíssimos condomínios energeticamente sustentáveis. É este o admirável mundo novo.

E o nuclear? O nuclear produz a energia mais barata disponível no mercado sem emitir dióxido de carbono. Mas a energia nuclear serve para fazer bombas. Todas as formas de energia servem para fazer armas, mas toda a gente sabe que é muito mais humano morrer à paulada ou à pedrada do que incinerado instantaneamente a um milhão de graus centígrados numa explosão atómica. Nuclear não, obrigado!

Descarbonização sem nuclear, portanto. Alguém tem dúvidas? Eu não. E pur si muove...

Mas temos um problema.

Ao contrário da energia solar, que é renovável, o Sol não é uma fonte de energia renovável. O Sol consome-se ao produzir a energia que emite, consome, e não vou entrar em detalhes técnicos, que nem sequer domino, Hidrogénio do seu núcleo. E à medida que for consumindo o seu núcleo, o Sol vai arrefecer e inchar, e acabará por se apagar. Vai inchar, dizem os astrónomos, até um diâmetro que se estima entre os diâmetros da órbita da Terra e da de Marte. Atalhando razões, o Sol há-de engolir a Terra. Também se estima que isto demorará alguns milhares de milhões de anos, bem mais do que as poucas décadas ou alguns séculos que os ideólogos do aquecimento global nos dão de vida se não descarbonizarmos sem nuclear. Mas também é verdade que muito antes de o Sol chegar a engolir a Terra a torrará ao longo do seu processo de crescimento. Nunca demorará menos de milhões de anos, mas é um destino fatal.

O que significa que a humanidade se extinguirá inapelavelmente, com poluição ou sem ela, com construção energeticamente sustentável ou sem ela, a andar de bicicleta ou de todo-o-terreno, com moinhos de vento ou centrais nucleares, a não ser que consiga chegar a outro local habitável fora do sistema solar, um exoplaneta, ou planeta de outra estrela que não o Sol, que reúna as condições de sobrevivência que a Terra nos oferece. O que justifica o esforço actual da astronomia na procura de exoplanetas potencialmente habitáveis, que os vai encontrando.

O problema é que para lá chegar é preciso viajar distâncias muito longas. A estrela mais próxima de nós, a Proxima Centauri, e nessa ainda não foi descoberto nenhum exoplaneta dos que servem para viver, está a mais de quatro anos-luz. Não vale a pena traduzir esta distância em quilómetros, é um número com treze zeros, mas a luz que nos chega dessa estrela demora quatro anos a chegar até nós, o que significa que quando olhamos para ela a vemos como era há quatro anos. Ou que se telefonássemos para alguém que lá estivesse, a conversa "- Chegaste bem? - Cheguei. - Diverte-te e traz-me uma lembrança. - Está bem, beijinhos." demoraria 16 anos.

Mas o problema da viagem é ainda maior. Para a viagem durar quatro anos teria que ser realizada à velocidade da luz, trezentos mil quilómetros por segundo, o que, em número, não tem nada de especial, mas é fisicamente impossível, até porque a energia cinética necessária para viajar à velocidade da luz é equivalente à energia da matéria que é necessário acelerar para a levar até essa velocidade, ou seja, seria necesssário consumir a matéria para a acelerar. Quatro anos de viagem estão fora de questão.

Mas vamos supor que se conseguirá um dia descobrir tecnologia capaz de transformar eficientemente matéria em energia cinética de modo a conseguir acelerar corpos até velocidades próximas da da luz, por exemplo, metade da velocidade da luz, o que corresponde a um quarto da energia cinética.

Então, será possível fazer a viagem de ida em oito anos e meio, porque serão necessários seis meses para os acelerar a intensidades suportáveis pelos viajantes semelhantes à da gravidade terrestre, em que a velocidade média só será de metade da velocidade de cruzeiro, e outros seis para os travar à chegada, mais sete anos e meio em velocidade de cruzeiro. Ao fim desses oito anos e meio poderão fazer uma transmissão a dizer que chegaram, que será recebida na Terra quatro anos depois. Se esperarem lá mais quatro anos pela primeira resposta da Terra poderão então iniciar a viagem de regresso que os devolverá à procedência ao fim de vinte e cinco anos de viagem, com notícias sobre se o exoplaneta que visitaram tem ou não tem condições para acolher a vida da Terra. Isto, em tempo.

Em energia, consumirão um quarto da massa para acelerar até à velocidade de cruzeiro de metade da velocidade da luz, e consumirão outro tanto para desacelerar para conseguir pousar no planeta. No regresso consumirão outro quarto na aceleração e outro tanto na desaceleração, pelo que fica ela por ela.

Fisicamente uma viagem destas poderá ser uma possibilidade, e demorará dois meios-anos para acelerar e travar acrescidos de seis anos por ano-luz de distância do exoplaneta. E se aquele não servir pode-se repetir a exploração com outro um pouco mais longe, até encontrar um que sirva. Fisicamente, a humanidade e, mais genericamente, a vida na Terra, pode ter uma escapatória.

Mas tecnologicamente ainda não tem.

Não se acelera a velocidades que permitem fazer viagens destas em décadas em vez de milénios de bicicleta. Nem em veículos movidos a energia eólica ou solar. Nem com motores de explosão interna, ou de reacção, ou electricos, nem sequer nos motores de foguetão mais eficientes que é fisicamente possível conceber. A humanidade ainda não descobriu nenhuma tecnologia que lhe permita armazenar e transformar qualquer tipo de energia em energia cinética doseável em quantidades suficientes para atingir as velocidades que tornam possível realizar uma viagem destas.

E pode não estar a caminhar no sentido necessário para alguma vez a chegar a descobrir. A única energia conhecida na física teórica que, em abstracto, pode criar a possibilidade de fazer em concreto viagens destas se for dominada pela tecnologia é a nuclear. E do conceito físico teórico à engenharia que o concretiza ainda vai um caminho muito longo. Que a diabolização do Nuclear não, obrigado! não encurta.

Temos alguns milhões de anos para resolver o problema. Muito tempo. Mas cada dia que passa é menos um dia que sobra. Andarmos a brincar aos conservacionistas que até andam de bicicleta nas cidades para descarbonizar e, pela descarbonização, salvar o mundo do aquecimento global de um grau, mas ao mesmo tempo diabolizarmos o melhor que a ciência nos disponibiliza para o descarbonizarmos e o único meio de um dia, com muito esforço e alguma sorte, nos permitir transportar a vida terrestre para outro lado onde possa ser vivida antes de ser assada a quatrocentos graus na Terra, é um recuo. Um suicídio.

Temos muito tempo. Mas temos cada vez menos. E o juízo também parece ser cada vez menos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:15
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

O bom capitalista

2017-11-17 Isabel dos Santos.jpg

Financiamento

Não sei de onde vem a imensa fortuna que a empresária Isabel dos Santos investe um pouco por todo o lado, nomeadamente em Portugal, onde tem investidos alguns milhares de milhões de euros, parte deles a título pessoal, e parte em associação com entidades angolanas como a Sonangol.

Desde a independência, Angola foi transformada pelos dirigentes do MPLA numa plutocracia cleptocrata, ou vice versa, facto que aliás confirma a tendência que se verifica normalmente nos regimes socialistas, de modo algo discreto enquanto mantêm as economias fechadas e mais evidente quando as abrem, e a acumulação de fortuna que ela pessoalmente conseguiu pode não ter sido alheia a esta circunstância.

É muito plausível que, no mínimo, tenha construído a fortuna em monopólios que lhe foram concessionados por ser filha do presidente e, no máximo, a tenha construído em infernos inimagináveis. Eu não sou polícia para investigar se neste caso o que é plausível é mesmo verdadeiro, total ou parcialmente, pelo que honestamente não posso mais do que ter alguma dúvida sobre a origem dos fundos que ela investe. Onde não foi certamente foi na venda de ovos em que, ainda criança, ela se iniciou no mundo dos negócios.

Isto tudo, e muito mais que me escuso de enumerar aqui, para dizer que não sou capaz de garantir nem a transparência nem a ética na origem dos fundos com que ela se financiou para investir em Portugal.

Investimento

Mas conheço, tanto quanto um espectador com um mínimo de atenção consegue conhecer, os investimentos que ela tem feito em Portugal.

Tem investido quase sempre em empresas boas, bem geridas e rentáveis, que actuam em mercados concorrenciais e, portanto, nem extraem da economia rendas de monopólio para transferir para os accionistas nem estão dependentes de favores ou desfavores dos poderes políticos mais intervencionistas, foi até vítima de uma iniciativa legislativa do governo António Costa eticamente duvidosa por ser especificamente dirigida a impossibilitá-la de impedir legalmente uma operação de que ela discordava de outro accionista do BPI, não é conhecida por interferir na gestão das empresas onde investe nem por utilizá-las para albergar amigos, não lhe é conhecido nenhum saque à tesouraria das empresas que domina para financiar aventuras empresariais, nunca arruinou nenhuma empresa, não lhe são conhecidos negócios obscuros.

Ou seja, fazendo os capitalistas com o seu dinheiro aquilo que lhes dá na gana dentro do que lhes é possível fazer, a capitalista Isabel dos Santos faz exactamente aquilo que fez do capitalismo o sistema económico mais decente e próspero da história da humanidade, ou seja, dirige os fundos de que dispõe para investir em projectos competitivos e entrega a sua gestão a gestores profissionais competentes e independentes dos accionistas com a missão de rentabilizarem o investimento, resultando tudo no incremento da competitividade e no enriquecimento desses projectos, da economia e da sociedade, e também dela como investidora.

Em Portugal a empresária Isabel dos Santos é um capitalista exemplar. Fosse a generalidade dos capitalistas portugueses como ela, e a economia portuguesa seria bem mais próspera, e os portugueses de uma maneira geral bem menos empobrecidos por não serem regularmente chamados a salvar com o dinheiro que têm, em impostos, e que não têm, em incremento da dívida pública, empresas e bancos que os capitalistas portugueses, frequentemente com o apoio e a ajuda de governantes, arruinaram.

Para nosso bem, oxalá a purga que está a ser feita pelo governo actual angolano aos beneficiários mais evidentes da plutocracia cleptocrata, ou vice versa, do governo anterior, a começar pelos filhos do anterior presidente, seja com o objectivo de exterminar a plutocracia cleptocrata, seja com o de substituir os plutocratas cleptocratas por outros, não afaste a empresária Isabel dos Santos de Portugal. Se isso acontecer, é muito provável que quem lhe suceda faça pior.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:00
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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

O Público, um caso de estudo do jornalismo activista

O Acção Socialista Público publicou hoje pela manhãzinha uma notícia do jornalista José António Cerejo com o título "Comissão Europeia e Ministério Público chegaram a conclusões opostas no caso Tecnoforma", que informa que o OLAF, o organismo de luta anti-fraude da CE, em 2015, e o MP, em 2017, chegaram a conclusões diferentes sobre a existência de irregularides, o OLAF dizendo que as houve, e o MP que não, num projecto subsidiado envolvendo a Tecnoforma, a empresa onde o Pedro Passos Coelho foi consultor e depois administrador.

2017-11-13 Notícia tecnoforma.jpg

Tenha sido essa a motivação para publicar hoje esta notícia, ou não, ela é muito oportuna para o governo, que tem andado a ser massacrado nos últimos dias por uma questão tão arreliadora quanto de importância relativa, a realização de um evento social da conferência comercial Web Summit no Panteão Nacional, que a tradicional trafulhice arrogante e descuidada do primeiro-ministro quando tentou sacudir a responsabilidade da ocorrência para cima do governo anterior transformou numa caixa de Pondora onde ele, outros governantes actuais, e outras figuras do actual regime socialista, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foram apanhados a mentir. Ao distrair o público desta trapalhada, o Público dá-lhes tempo para respirarem e se reposicionarem melhor, talvez mesmo para organizarem um focus group que os ajude a formular uma resposta politicamente mais eficaz do que tem sido até agora. Mesmo que não a consigam, enquanto o pau vai e vem folgam as costas do Costa. Como disse o José Meireles Graça no Facebook, a Tecnoforma é, para o Pedro Passos Coelho, o que são os submarinos para o Paulo Portas, uma coisa que emerge quando dá jeito, e agora deu mesmo jeito.

E a questão da oportunidade não é de somenos importância, porque a conclusão do OLAF que sustenta a existência de irregularidades não é de agora e já tinha sido noticiada pelo mesmo jornalista há mais de dois anos, no final de Julho de 2015, também com um conveniente sentido de oportunidade a poucas semanas das eleições de Outubro. E o despacho de arquivamento do MP é de Setembro deste ano, já tem cerca de dois meses. E a notícia foi publicada hoje.

Não me vou meter na análise dos factos noticiados, nem se indiciam ou não, com solidez ou fragilidade, as irregularidades que os transformaram em notícia. Habituei-me ao longo de toda a legislatura anterior a ser periodicamente exposto a informação que parecia sugerir que o Pedro Passos Coelho era um campeão dos negócios obscuros, e ainda me pergunto porquê ele? que constituiu ao longo da carreira um património e sempre manteve um nível de vida de classe média, e não mais, que é proporcionado pelo salário declarado da ordem dos cinco a sete mil euros por mês, e não os que, com salários da mesma ordem de grandeza, conseguem exibir níveis de vida muito mais prósperos e ao mesmo tempo constituir patrimónios muito mais valiosos, como se o dinheiro desses salários desse para tudo, o que quem os recebe tem perfeita noção que não dá? E habituei-me a descobrir depois, e sempre, que a sugestão afinal não passava de insinuação desmentida pelos factos.

O que me interessa hoje é uma técnica específica utilizada pelo Público para usar a notícia como arma de combate político: o destaque que lhe é dado no site do jornal, tanto em termos de localização como de conteúdo.

Desde o início do dia, ou pelo menos desde que liguei o computador pelas nove da manhã, o topo da página online do jornal foi sempre ocupado pela chamada para esta notícia. Já é hora de jantar e continua a ser. O que está bem. Quando se quer fazer jornalismo activista não se pode desperdiçar um factor tão importante no destaque da informação que se quer realçar como a sua localização.

Mas, curiosamente, o título da chamada para a notícia no topo da página online foi sempre diferente do título da notícia. De manhã, o Público destacou a notícia com o título "Caso Tecnoforma. Bruxelas contraria Ministério Público e diz que houve fraude".

2017-11-13 Notícia tecnoforma - capa manhã.jpg

Os títulos têm alguma semelhança mas semânticas diferentes. O da notícia é factual, porque de facto o OLAF e o MP chegaram a conclusões diferentes. O do destaque é falso, porque implica uma precedência cronológica entre a conclusão do MP, que arquivou o processo por não detectar irregularidades, e a do OLAF, que a contrariou dizendo que houve fraude, que é falsa. A conclusão do OLAF foi publicada em 2015, pelo que não pôde contrariar a do MP, que nessa altura ainda não existia para ser contrariada e foi apenas publicada dois anos e picos mais tarde. A descrever a precedência cronológica real, o título devia ser algo como "Caso Tecnoforma. Ministério Público contraria Bruxelas e diz que não houve fraude".

Este título seria factual, mas seria demasiado pífio como arma de jornalismo activista. Diz o bom senso que quem contraria depois está, não só na posse da informação que contraria, mas também possivelmente de informação adicional que não detinha quem fez a afirmação antes. Que quem corrige, corrige por ter erros para corrigir. Que quem diz por último, diz melhor. E por isso é uma sugestão muito mais convincente da existência de fraude dizer que o OLAF corrigiu o MP do que o contrário. Ou insinuação.

E este título, o falso, foi um sucesso. Foi este que jornais de referência como o Acção Socialista Expresso do Dr. Pinto Balsemão, por um lapso embaraçoso tinha-me esquecido de dizer que o Acção Socialista Público também é um jornal de referênciautilizaram quando divulgaram a notícia do Público: "Tecnoforma. Bruxelas contraria decisão do Ministério Público e diz que houve fraude". Talvez os jornalistas de jornais de referência citem notícias de outros jornais de referência lendo apenas o que está no topo da página online do jornal, sem se darem à maçada de clicarem para a página da notícia e descobrirem o seu título real, para não falar no conteúdo? Ou talvez, e porque eles citam partes do conteúdo da notícia parece mais provável, a tenham mesmo lido e se tenham mesmo apercebido que o título que adoptaram é falso, mas o tenham preferido, talvez por serem também praticantes do jornalismo activista? Em todo o caso, cumprida a missão deste título depois de estar espalhado pelos quatro cantos do mundo, havia que o substituir por outro para também cumprir finalidades adicionais.

E ao fim da tarde o título da chamada de atenção para a notícia, que permaneceu no topo da página online do Público, mudou para "Investigadores de Bruxelas defendem que Tecnoforma tem que devolver seis milhões".

2017-11-13 Notícia tecnoforma - capa tarde.jpg

Da leitura do título da chamada de atenção, no entanto de exactamente a mesma notícia, com o mesmo título e o mesmo conteúdo, a coisa mudou de nível, e já não se perde tempo a discutir visões alternativas do caso, e se terá ou não havido irregularidades, e de que gravidade, mas passou-se directamente para a sentença.

A dúvida é perniciosa para o activismo, que requer mais voluntarismo que reflexão, e se a primeira chamada de atenção arrumava com a dúvida sobre qual das conclusões seria mais correcta, uma vez que a conclusão do OLAF de ter havido fraude refutou a anterior do MP de não ter havido, esta segunda chamada de atenção já dá a fraude por completamente adquirida e já só discute a penalidade a aplicar.

E, sejamos honestos, se o jornalismo activista se dirige a pessoas burrinhas e de opinião já formada com a finalidade de lhes sustentar aquilo em que crêem, o facto de ser feito com cuidado só denota um profissionalismo louvável. O Público está de parabéns. Ou de parabenses, como eu escrevo no Facebook para não ficar a letrinhas vermelhas.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:21
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Domingo, 12 de Novembro de 2017

Sobre festanças em cemitérios

2017-11-12 Web Summit Costa Medina.jpg

Pelo que leio por aí, se um dia o lenocínio tiver sido legalizado pelo governo anterior e a prostituição tiver passado a poder ser exercida como uma actividade económica com enquadramente empresarial e fiscal, e não apenas como um biscate na economia paralela, qualquer pai que coloque as suas filhas, ou filhos para ser gender neutral, na vida não deverá ser alvo de censura social, porque apenas se limitará a aproveitar para fazer dentro da lei aquilo a que a lei o autorizará a fazer. Como se permissão constituísse obrigatoriedade. A culpa será do governo anterior.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:45
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Uma asneira dita com convicção não é uma asneira, é uma opinião

2017-10-31 Mariana Mortágua.jpg

O meu pai dizia, já não me lembro se de autoria própria, se citando algum dos mestres que teve ao longo da vida, e já não tenho possibilidade de lho perguntar para me esclarecer, "Uma asneira dita com convicção não é uma asneira, é uma opinião". Se a frase não era da autoria dele podia bem ser, porque continha a mistura de bonomia e ironia nas proporções exactas que faziam o retrato dele e que eu tento, com o gosto genuíno por elas que lhe herdei nos genes, e alguma aproximação na parte da ironia, mas muito longe na da bonomia, não desonrar.

A deputada Mariana Mortágua tem sempre opiniões para dar e vender, tanto no parlamento, como nos écrans de televisão de onde raramente se ausenta mais de vinte e quatro horas, como em colunas que lhe são concedidas para as publicar em jornais. Tanto a qualidade do asneirol como o débito estão assegurados, e a convicção é o seu middle name, de modo que, de opiniões, estamos conversados.

E publicou mais uma destas, com a graça de "A borla fiscal ao Estado chinês", no Jornal de Notícias, onde lamentou o excelente negócio realizado pelos investidores chineses na EDP por, diz ela, terem conseguido receber nos últimos anos, que são cinco, digo eu, 725 milhões de euros em dividendos, que conseguem subtrair ao IRC através do recurso a holdings em paraísos fiscais e às engenharias fiscais habituais, mesmo entre capitalistas socialistas.

Eu, por mim, nem lhe leria a opinião, sei que ela diz as suas asneiras sempre com grande convicção mas que não têm nada que se aproveite, mas como vi gente a citar esta, porque lhe parecia bem apanhada, achei que valia a pena desenganá-la. À gente que citou esta opinião. Vamos lá então ao desengano.

  • A EDP pagou ao investidor chinês 725 milhões de euros em dividendos nos últimos cinco anos. Dinheiro perdido pelo Estado português?

Asneira! O Estado português recebeu à cabeça 3 mil milhões de euros do investidor chinês pelas acções que lhe vendeu, mais do quádruplo do que já teria deixado de receber em dividendos, e isto se os lucros e a política de dividendos tivessem sido semelhantes sem a entrada do accionista chinês, hipótese que não tenho meios de validar mas posso aceitar como boa para seguir em frente na discussão. Entre o dinheiro certo que recebeu à cabeça e o incerto que tem deixado de receber o Estado ainda está a ganhar, portanto, 2.275 milhões de euros até agora. Além disso, com esses 3 mil milhões pôde amortizar dívida e deixar de pagar os juros correspondentes que, se a dívida amortizada remunerasse os credores a juros de 4% semelhantes aos dos empréstimos do FMI, significaram 120 milhões por ano de poupanças, ou já 600 milhões de ganhos certos acumulados nestes cinco anos. Tudo junto, o Estado português ainda tem no bolso mais 2.875 milhões de euros do que teria se não tivesse privatizado a EDP. As privatizações são ruinosas para o Estado, mas muito moderadamente ruinosas, pelo menos quando se sai da retórica das colunas de opinião da Mariana Mortágua para se fazerem algumas contas.

  • A EDP entregou aos chineses dinheiro do bolso dos consumidores?

Asneira! É tão estúpido dizer que pagar dividendos aos accionistas de uma empresa é entregar-lhes dinheiro do bolso dos clientes, como seria dizer que um banco paga os juros aos depositantes com dinheiro tirado do bolso dos devedores que lhe pagam juros. Os dividendos são a remuneração dos capitais próprios investidos nas empresas, na mesma medida em que os juros são a dos empréstimos recebidos. As responsabilidades contratuais são diferentes para com credores e accionistas, os empréstimos têm de ser pagos e os juros são fixados contratualmente, enquanto os capitais próprios não têm que ser devolvidos e os dividendos são o que puder ser, e pode não poder ser nada, pelo que é expectável os accionistas desejarem uma remunerção contingente dos capitais investidos superior à remuneração certa exigida pelos credores, mas tudo, dividendos e juros pagos, constitui remuneração de capitais investidos na empresa, sejam na rubrica de Capitais Próprios, sejam na de Passivo.

  • O dinheiro investido por estrangeiros na compra de activos financeiros não cria emprego?

Asneira! Os três mil milhões de euros do investimento financeiro pagos pelos novos accionistas estrangeiros aos accionistas portugueses que lhes venderam as participações foram injectados na economia nacional onde ficaram disponíveis para, entre outras coisas, investir, e onde têm a mesma capacidade de criar emprego que quaisquer outros três mil milhões de euros investidos por portugueses ou estrangeiros em projectos de investimento físico.

Aliás, é justamente esta possibilidade de canalizar poupanças feitas por quaisquer aforradores para investimentos feitos por quaisquer investidores que os primeiros nem sequer conhecem, não lhes metem o nariz nos negócios, e a quem não pedem mais do que remunerar os capitais investidos o suficiente para rentabilizar as suas poupanças, esta independência entre os que poupam porque têm competência e capacidade para poupar, mas não necessariamente para investir, e os que investem porque têm competência e capacidade para investir e multiplicar o investimento, mesmo que não disponham de capital suficiente, esta oportunidade de cada um fazer aquilo que sabe melhor, que faz do capitalismo o sistema mais formidável de criação de prosperidade, liberdade e democracia da história da humanidade.

Tudo junto, o sucesso até agora do investimento chinês na EDP medido pelos dividendos que já conseguiu receber não é caso para nos alarmar, e tanto mais quanto a associação aos accionistas chineses lhe puder ter aberto as portas a novos negócios fora do tradicional de extracção de rendas do monopólio e de reembolso dos favores prestados ao governo socialista Sócrates & Pinho, onde a empresa possa ampliar os seus lucros e o valor para todos os accionistas, incluindo os chineses, mas também os portugueses. No limite é o facto de a empresa enriquecer mais ou menos em novos negócios por ter estes accionistas que determina se Portugal enriquece ou não por ter privatizado a empresa.

Mas já não é tão evidente assim a utilidade de as Universidades portuguesas atribuirem licenciaturas em Economia a pessoas que não utilizam os conhecimentos que lhes foram ministrados para qualquer finalidade onde pudessem ser socialmente úteis, nomeadamente para a economia, mas apenas para colorir com linguagem técnica, que impõe respeito aos leigos por lhes parecer erudita, mesmo que seja para dar forma vocal ou escrita a asneiras, as histórias da carochinha em que acreditam ou que acreditam que devem contar às massas, como se a Economia fosse uma alternativa a Românicas e a Germânicas.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:20
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