Sexta-feira, 24 de Março de 2017

O erro de Dijsselbloem

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Não me vou debruçar sobre as reacções à metáfora do Jeroen Dijsselbloem (nome escrito por copy&paste, que a cabeça já não dá para memorizar sequências tão longas de consoantes quase sem vogais), que foram tratadas aqui de um modo a que eu não tenho nem consigo acrescentar nada.

Vou apenas procurar abster-me de ser contaminado por elas para tentar perceber o significado exacto do que foi exactamente dito por ele, aliás, um bom ponto de partida para o comentar, se bem que um travão ao reflexo condiciondo que tão bem sabe, principalmente a quem não é mesmo capaz de perceber.

E o que ele disse exactamente foi o mesmo que teria dito se dissesse eu não posso gastar o meu dinheiro todo a comprar a prestações férias em destinos exóticos ou plasmas (pronto, o tempo dos plasmas já passou e agora os LED estão ao preço da uva mijona, quem não se sentir confortável com esta parte da metáfora que encontre um destino de investimento em equipamentos domésticos opulentos mais actualizado) e pedir-lhe de seguida a sua ajuda, ou, eu não posso gastar o meu dinheiro todo a financiar a compra de bancos para lá meter os amigos do governo socialista ou os investimentos que ele considera estratégicos para encher o olho do eleitorado e os bolsos dos amigos e pedir-lhe de seguida a sua ajuda, e o resultado teria sido o mesmo, apesar de as metáforas serem diferentes.

Não poderia, nem com o esforço sobre-humano que o primeiro ministro António Costa faz por pescar eleitores nas águas do Bloco de Esquerda recorrendo a palavras de ordem que lhes são queridas, ser acusado de sexista, racista e xenófobo. Poderia talvez ser acusado de querer manter o povo na mais triste miséria sem poder conhecer in loco destinos exóticos nem impressionar os vizinhos com o flat screen gigante na sala, o que corresponde mais ou menos à definiçao de neo-liberal, ou de querer impedir o banco público de cumprir o seu desígnio de financiar a propaganda, e os amigos, dos governos socialistas sob o lema financiar a economia e, principalmente, as pequenas e médias empresas, o que também corresponde mais ou menos à definição de neo-liberal.

Mas teria despertado exactamente a mesma união nacional de reacções de repúdio, nem que fosse pela interferência, ainda por cima de um estrangeiro da Europa dos ricos, ainda por cima de caracóis e nome insoletrável. Porque não foi a linguagem da metáfora que incomodou os que se sentiram incomodados, foi o facto de ter sido certeira. Não se pode estoirar o dinheiro como se caísse mais dinheiro do céu e, quando se percebe que afinal não cai, ir bater à porta do vizinho para lhe propor estoirar também o dele.

Os países em crise que ele citou na entrevista, ou pelo menos este país em crise, sentiram-se portanto insultados com a metáfora. Em parte, cheios de razão, e em parte sem ter necessariamente razão.

Tiveram razão por, ao terem enfiado o barrete, e de lhes ter servido perfeitamente, o terem acusado de ter tricotado um barrete à medida deles, como se provou nos parágrafos anteriores. Mas, tal como a lei é abstracta e um homicida não pode acusar o legislador de ter criminalizado o homicídio para o tramar a ele, se bem que a lei se lhe aplique perfeitamente, o comentário que recorreu à metáfora proibida também se limitou a enunciar um juízo de valor abstracto de validade universal, ainda que se aplique perfeitamente a esses países. Tivessem evitado gastar mal o dinheiro e não enfiariam o barrete do comentário.

E não tiveram necessariamente razão quando se sentiram atingidos como se ele tivesse dito os países em crise não podem gastar o seu dinheiro todo em agardente e mulheres e pedir depois ajuda aos países do norte, porque ele não construiu a metáfora em torno de uma referência a esses países, mas a ele próprio. Se ele se referiu a ele próprio mas pretendia incluí-los a eles, só ele saberá, e nós também sabemos, mas ele pode dizer o que lhe convier ou preferir e, mesmo sabendo, porque o topamos à légua, não temos provas para o contradizer. Fica a nossa interpretação contra a palavra dele, e em tribunal, pelo menos do tipo de tribunal que é suposto existir em democracias liberais, ou de tipo europeu, como dizia o Álvaro Cunhal quando queria impressionar as jornalistas estrangeiras, dificilmente seria condenado.

Quer isso dizer que, tendo despertado a fúria e a indignação de toda a gente, ou de quase toda a gente, para permitir algum grau de dissidência que provavelmente haverá, e até talvez o escrevinhador destas linhas seja um desses dissidentes, o homem não trouxe afinal lenha para se queimar e acabará por sair ileso deste episódio cujas consequências não passarão do diz que disse?

Não. O homem fez um erro e eu estou em posição de revelar à populaça informações sufucientes para justificar o seu linchamento.

Ele disse eu não posso gastar ... e depois pedir a sua ajuda. É mentira. Ele pode gastar ... e depois pedir a minha ajuda. Tem é que ser suficientemente estúpido para admitir que eu sou um otário que empresta dinheiro a estroinas que gastaram o dinheiro todo em ___________________ (consoante a metáfora, putas e vinho verde, férias exóticas e plasmas, bancos e investimentos estratégicos socialistas), contam com o dinheiro dos outros para o continuar a gastar com a mesma ligeireza, e se for preciso ainda respondem aos que lhes vão perguntar quando regularizam os empréstimos que a dívida é insustentável e têm que lhes fazer um abatimento, ou não recebem mesmo nada. O que corresponde à cultura de calote financeira da maioria parlamentar de sustentação do governo socialista português. Podendo-se, fica provado que, ao dizer que não se pode, o holandês dos caracóis fez uma insinuação falsa e merece, por isso, condenação.

Podem trazer o pelourinho e a lenha, o problema está resolvido e a história pode fnalmente ter um final feliz.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 22:51
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Terça-feira, 21 de Março de 2017

Não se fixar na árvore para não perder a perspectiva da floresta

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O programa socialista de redução da lista de espera para cirurgias de ortopedia é genial: eliminam-se os doentes mais antigos da lista de espera e ela reduz-se automaticamente. E se eles se queixarem que ainda não foram operados mas já não estão na lista de espera? Metem-se lá de novo.

Numa perspectiva míope e de curto prazo não se consegue perceber como é que isto resolve o problema, e fica-se mesmo com a ideia que os doentes até saem prejudicados por, depois de esperarem hipoteticamente dois anos, serem repostos no fim da lista e ficarem com hipoteticamente mais dois anos para esperar. Esta perspectiva é evidentemente criticável por, como se costuma dizer, ao fixar-se na árvore, perder a perspectiva da floresta, ao fixar-se egoisticamente nos problemas específicos de uns poucos de doentes, pouco mas de mil no caso que suscitou esta discussão, esquecer a medida do bem comum da generalidade dos doentes.

Quem consegue passar além dela corre ainda o risco de cair numa segunda armadilha. Se os doentes saem da cabeça da lista de espera mas são de seguida recolocados na cauda, a lista de espera não diminui, apenas se recompõe, ou se reordena. Mais um erro. Quem olha para os fenómenos quantificáveis sem ter o cuidado de os analisar à luz das estatísticas que realmente interessam para os descrever corre o risco de extrair conclusões precipitadas e, pior do que isso, enganosas. Ora o que é de facto mais importante para os doentes à espera de cirurgia, para as pessoas? O tamanho da lista de espera, ou o tempo que têm que esperar? O tamanho é importante para os burocratas que operacionalizam estes programas, é um problema da tecnocracia economicista. O que interessa às pessoas é mesmo o tempo que esperam pela sua cirurgia, e a estatística adequada para o medir é o tempo médio de espera.

E chegamos finalmente à chave do enigma. Quando se retira da lista de espera um doente que já esperava há dois anos e se reintroduz o doente na lista, o seu tempo de espera é reposto a zero. Quando se faz o mesmo a mil e duzentos doentes, o tempo médio de espera de todos os doentes que fazem parte da lista, a tal estatística que melhor retrata o que é importante para eles, reduz-se significativamente, dependendo do tamanho total da lista, mas reduz-se mesmo, qualquer que seja o seu tamanho.

O lendário génio socialista consegue, pois, e finalmente, reduzir o tempo médio das listas de espera para cirurgia ortopédica mas, ainda mais extraordinário, sem colocar em causa as metas orçamentais e os nossos compromissos com as instituições internacionais, porque o faz sem dispêndio de recursos, e muito menos sem cometer a perversidade de financiar hospitais privados para fazer aquilo que os públicos não conseguem fazer, que era o que os neoliberais que os precederam queriam de facto, dar dinheiro a ganhar ao grande capital: uns apaganços nos ficheiros informáticos do ministério bastam para resolver o problema.

E assim se vê como o socialismo consegue colocar as pessoas acima de tudo o resto e resolver os seus problemas bastando-lhe para isso abrir as perspectivas. Um dia destes, levado pelo entusiasmo, sou bem capaz de avançar aqui com uma soluçao socialista para o problema da dívida insustentável. Só deixo uma pista: é com a ajuda da tecla Delete. E depois, seja o que Deus quiser...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:56
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Coro da Primavera

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Mesmo a astronomia já não é o que era, e o equinócio de 21 de Março agora calhou ao 20, pouco depois das 10 da manhã de Portugal e GMT. Começou a Primavera.

E para celebrar o primeiro dia da Primavera, com os pólenes, os passarinhos e as abelhas, o you know what I mean e outros fenómenos da mesma ordem, nada como relembrar o compositor, em co-autoria com o saxofonista Jackie Branston, da primeira canção de rock & roll gravada em disco em 1951, a Rocket 88, inspirada no último modelo da Oldsmobile, o Rocket 88, nessa época o que se idolatrava era a liberdade de andar por onde se quisesse e quando se quisesse proporcionada pelo automóvel, ainda não tinha chegado a ditadura da bicicleta politicamente correcta, e podiam-se compor canções inspiradas em automóveis sem pagar imposto de vício, o Ike Turner.

O verdadeiro pai do rock & roll acabou por ser de facto o Chuck Berry, que morreu no sábado com 90 anos. Foi aquele que inspirou as maiores figuras da história do rock & roll, que começaram tentando imitá-lo com versões esforçadas, mas longe das originais, das suas canções. A primeira canção gravada pelos Rolling Stones foi o Come on, e uma das primeiras gravadas pelos Beatles o Roll over Beethoven. Mais tarde, quando se tornaram super-estrelas planetárias, iam humildemente ter lições com ele e procurar aprender a sua arte.

Eram esforçados, aprenderam muito com ele, acabaram por se chegar a auto-intitular the greatest rock & roll band in the world sem grande exagero, mas ele estava tocado pelo génio que só meia-dúzia de criaturas tiveram a graça de receber ao longo da história, e que lhe permitia brincar assim.

Mas, atalhando razões, hoje é o Ike Turner que se celebra neste dia. Quem diz o Ike Turner, diz a célebra cantora, agora suíça, então americana, que em tempos foi casada e cantou com ele, Tina Turner. A Tina Turner também foi tocada pelo génio. Um dia, o Dick Cavett perguntou no seu talk show à Janis Joplin, outra tocada pelo génio, por quem era capaz de sair de casa para ir assistir a um espectáculo, e ela respondeu prontamente Tina Turner, e informou o entrevistador, que não conhecia, que era the best chick ever. E era provavelmente verdade.

Bom, então hoje deixo-vos o Coro da Primavera interpretado pela Tina Turner e whoever a acompanhou nesse dia de 1969. Mandem deitar as crianças antes de porem o filme a tocar. Depois não digam que eu não vos avisei. A Primavera não perdoa.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:39
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Domingo, 19 de Março de 2017

Uma p., mas uma p. que f. bem

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Todas as profissões têm, pese embora o princípio da igualdade plasmado no Artº 13º da Constituição da República Portuguesa, os seus expoentes e os seus membros mais fracos, e a de comentador não escapa a esta infeliz regra.

No Diário do Governo Público de hoje o comentador (do PSD, para as estatísticas destinadas a provar a presença sufocante e a carecer de limpeza urgente do PSD no espaço do comentariado) José Pacheco Pereira publicou um comentário sobre a Operação Marquês com críticas à condução do processo, nomeadamente por fazê-lo crescer de modo exponencial sem produzir acusação em vez de ir levando a tribunal as acusações que já estão solidamente provadas e ir investigando paralelamente as novas suspeitas que vão surgindo, e a riqueza opulente do currículo do arguido propiciará o aparecimento regular de novas suspeitas durante pelo menos as próximas décadas, que genericamente eu sou capaz de subscrever e tenho muitas vezes manifestado a quem me lê.

Para contextualizar a sua opinião sobre o processo que critica, o comentador começa por fazer um breve resumo das qualidades do arquido José Sócrates, focada nas cumplicidades políticas que permitiram a sua ascenção e o exercício das malfeitorias que dedicou a sua passagem pelo poder a fazer. Em quais?

  • Na do presidente Jorge Sampaio, que nomeou um governo para lhe dar tempo de tomar conta do partido e, quando ele ficou pronto para concorrer às eleições, derrubou o governo que tinha nomeado a pretexto de se ter fartado dele? Não.
  • Na do Partido Socialista, que o elegeu para o chefiar e para se candidatar a primeiro-ministro e sempre o defendeu heroicamente enquanto exerceu o seu mandato? Também não.
  • Nas dos seus colaboradores mais próximos no governo ou no partido, ou mesmo nos dois, como a do actual primeiro-ministro e seu companheiro de tertúlias televisivas e então número dois do Sócrates, António Costa? Nunca, Deus o livre!

Mas isto são perguntas de retórica, porque todos os leitores já adivinharam que cumplicidades com o Sócrates é que poderiam alguma vez ser denunciadas pelo Pacheco Pereira: a cumplicidade da direita e, especificamente, do PSD.

É preciso ser senhor de um nível superlativo de trafulhice, comparativamente com o qual o Sócrates é um mero menino de coro provinciano para, num relato sucinto do seu percurso de ascenção e queda, só apontar como referência ao papel de outros agentes políticos:

  • "...A direita que o louvou como o social-democrata do PS, como aquele que tinha roubado o programa ao PSD, que andou ali a fazer-lhe a corte nos interesses e na política, agora, certamente por complexo de culpa, vai lá apedrejá-lo como se nada tivesse que ver com o homem. Mais, em vários momentos cruciais, protegeu-o de acusações muito semelhantes àquelas de que hoje lhe faz o Ministério Público. Na comissão de inquérito parlamentar, por cuja existência pugnei bastante sozinho, o PSD indicou como seu porta-voz Agostinho Branquinho, que depois de assistir à inquirição dos responsáveis da Ongoing, envolvidos na trama de Sócrates, acabou por ir para lá trabalhar como assalariado. Mas a verdade, é que quando se tratou de chegar às conclusões do inquérito, por uma intervenção pessoal de Branquinho, Miguel Relvas e Passos Coelho, travaram tudo o que incriminava Sócrates, porque não era politicamente conveniente e era um ataque pessoal. Repito o que já escrevi há muitos anos sobre Sócrates e as cumplicidades do PSD: estamos conversados... "

Identificados com a mestria ímpar que lhe é própria os verdadeiros responsáveis pela ascensão e pelas malfeitorias do Sócrates enquanto primeiro-ministro, a direita e o PSD, há que chamar a atenção para o facto de o comentador Pacheco Pereira ser, acumulando com a militância reconhecidamente leal no PSD, uma espécie de comentador avençado do governo do primeiro-ministro António Costa, que simbolicamente o galardoou com a sua primeira nomeação política ao fim de apenas duas semanas de governo para o Conselho de Administração da Fundação de Serralves. O comentário é genial mas não lhe saiu a despropósito nem como um mero acaso. Saiu-lhe com o propósito bem definido de evitar questionar a associação entre o seu amigo, colega de antigas tertúlias televisivas, e padrinho de nomeações António Costa, e toda a máquina de cumplicidades socialista que mantém no terreno e manteve no passado, e o Sócrates que, com o tempo, se transformou num passivo político, e a substituir essa interrogação comprometedora pelo apontar de dedo aos eternos suspeitos nas suas crónicas, a direita e o PSD. Duplamente genial, no conteúdo, e em colocá-lo ao serviço do propósito.

Este comentador é uma p., mas uma p. que f. bem!

 

PS: Para o caso de andarem por aí esbirros da polícia dos costumes, que não há mas eles gostavam que houvesse, a vasculhar as redes sociais à procura de oportunidade para me colocar um processo em cima por abuso da liberdade de expressão, neste novo tempo socialista a liberdade de expressão é uma excentricidade de que se tende a abusar, esclareço desde já que o título desta publicação significa "Uma pessoa, mas uma pessoa que fala bem".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:06
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Fazer o Bem olhando a quem

2017-03-15 Offshores acordos de troca de informç

Hoje, logo pela manhãzinha, saiu mais uma iteração da campanha de propaganda para desviar as atenções dos SMS entre o banqueiro António Domingues e o ministro Mário Centeno meticulosamente planeada pelas agências de comunicação que assessoram o governo, regularmente ministrada pelo jornal Público, e depois amplificada pelos bloquistas do BE e do PS, incluindo o primeiro-ministro, que, no entanto, pode alegar em sua defesa que papagueia as conclusões sugeridas pela campanha, não para enganar os portugueses com demagogia, mas porque, dada a sua evidente ignorância em todos os assuntos que não sejam a sua própria sobrevivência política em que é um perito, acredita nelas, no parlamento e nas televisões.

Como diria o antigo presidente Américo Thomaz, esta iteração segue-se à anterior, onde foi revelado o terrível crime, ou melhor, a presunção de terrível crime, de o anterior secretário de estado Paulo Núncio ter estado antes de entrar para o governo, como advogado da sociedade Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, ligado ao registo de nada menos do que 120 novas empresas na Zona Franca da Madeira, e antecede a próxima, que ainda não conhecemos mas podemos ter a esperança segura de vir a ser igualmente sugestiva e suscite indignação suficiente para distrair os alvos da campanha de comunicação de perceberem o significado real desta iteração, tal como esta foi lançada para os distrair do significado real da anterior que já foi aqui discutido.

E o que nos propõe esta iteração?

Que nos indignemos, qualquer que seja o conteúdo o objectivo é sempre uma proposta de nos indignarmos o suficiente para desligarmos as funções do raciocínio do cérebro e as substituirmos pelas da emoção, por o governo anterior não ter enviado ao parlamento para ratificar 7 dos 10 acordos de troca de informação fiscal com paraísos fiscais que lhe foram deixados pelo secretário de estado Sérgio Vasques do governo socialista que o precedeu depois de uma, diz-nos o jornal, maratona alucinante por destinos exóticos até Dezembro de 2010, em que celebrou 15, dos quais 5 terão sido ratificados nos poucos meses que o governo socialista ainda perdurou, e outros 10, acordados com Antígua e Barbuda, Belize, Guernesey, Ilha de Man, Jersey, Libéria, São Cristovão e Nevis, Santa Lúcia, Ilhas Turks e Ilhas Virgens Britânicas, ficaram por ratificar.

E que perversidade pode conter esta retenção de acordos?

Não se percebe bem, o que é mais vantajoso do que desvantajoso para a mensagem porque, dado o seu encadeamento numa sucessão de mensagens a sugerir perversidades, e na incapacidade de a compreender na sua essência, intui-se que tem perversidade. O próprio sub-título da notícia "por decisão do Governo liderado por Passos Coelho, deixou sete deles na gaveta. Porquê?" sugere um intuito de maldade e outro de a esconder. Já a fotografia identifica o painel de suspeitos que merecem a condenação do país, o Paulo Núncio, o Paulo Portas e a Maria Luís Albuquerque. A culpa não pode morrer solteira, mas também não deve ficar casada mas monogâmica. Certamente não houve tempo de procurar uma fotografia que lhes acrescentasse o Pedro Passos Coelho, mas percebe-se que também deve ter culpas no cartório.

Mas, se quisermos fazer parte da ínfima minoria que lê, para além do título, do sub-título e do boneco, e daí tira a pinta à mensagem, as letrinhas pequeninas do texto da notícia, o que ficamos a saber?

Que afinal o "Porquê?" por responder no subtítulo está respondido na notícia. O governo anterior não enviou os acordos para ratificação no parlamento porque os acordos eram de eficácia duvidosa, ou seja, "O assunto foi deixado na gaveta, para proteger o interesse nacional ... os acordos de cooperação sobre informação fiscal assinados com aqueles offshores não acautelavam que a troca de informação fosse efectiva", significando que não era garantido que pudessem ser accionados para fiscalizar eventuais delitos fiscais de contribuintes portugueses que recorressem a essas praças financeiras.

Já se fossem ratificados, como foram dois deles com territórios integrantes do Reino Unido, Jersey e a Ilha de Man, esses paraísos fiscais deixariam de fazer parte da lista de paraísos fiscais, aliviando as penalidades, nomeadamente fiscais, nomeadamente em sede de IMI, a que estão sujeitas em Portugal as empresas sediadas em paraísos fiscais, com vantagem evidente para os portugueses com património colocado em nome de empresas sediadas nesses paraísos fiscais.

E que os governos socialistas têm uma produtividade vertiginosa a desclassificar paraísos fiscais, tendo o governo socialista anterior ratificado 5 dos 15 acordos nos poucos meses que sobreviveu à sua assinatura, e tendo o governo socialista actual já ratificado outros 5 em apenas um ano de desclassificação, faltando-lhe apenas ratificar os outros 2.

Eu, se tivesse a felicidade de ter património sediado em paraísos fiscais, teria muito a agradecer aos governos socialistas, aos anteriores e aos actuais, por me aliviarem das penalidades a que ele tem sido sujeito.

Fazem o Bem olhando a quem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:02
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

O charme discreto dos paraísos fiscais, ou, gente fina é outra coisa

2017-03-13 Paulo Núncio Madeira.jpg

Eu não sou deputado, nem dirigente, nem militante, nem sequer do CDS. Sou um mero militante de base, e muito recente, de outro partido do centro-direita, um soldado raso da política. Mas, se fosse, teria uma valiosa sugestão a apresentar aos meus camaradas? companheiros? (não sei como é que os centristas se chamam uns aos outros dentro do partido...) para usarem livremente como entendessem.

O parlamento está cada vez mais interessado em perceber todas as actividades do ex-secretário de estado centrista (e daí o parágrafo anterior) Paulo Núncio enquanto advogado especialista em assuntos fiscais antes de ter ingressado no XIX Governo Constitucional, e está mesmo disposto a voltar a chamá-lo para o inquirir sobre as notícias que o jornalismo por encomenda de investigação do Público vai revelando.

Agora quer perceber se a sua actividade entre 1997 e 2007 como advogado fiscalista e responsável pelo escritório no Funchal da MLGTS Madeira Management & Investment SA, sucursal da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados na Madeira que prestava serviços de assessoria jurídica às empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira, em que esteve ligado ao registo de nada menos que cerca de 120 novas sociedades, se destinava a ajudar 120 delinquentes fiscais a fugirem às suas obrigações declarativas ou 120 criminosos de delito comum a fazerem a lavagem do dinheiro obtido nas suas actividades ilegais, que como é largamente sabido por todos, desde algures mais ou menos no miolo do PS para a esquerda, e até à extrema, são as únicas motivações para colocar dinheiro em paraísos fiscais?

A dúvida tem todo o sentido, e vale mesmo a pena questioná-lo e perguntar-lhe se é um facilitador de bandidos.

Mas a compreensão do tema poderia ser ainda mais completa e clarificada se, em vez de o parlamento se limitar a inquirir o reponsável pela filial, mero consultor da sociedade, fosse directamente ao centro de decisão e chamasse também a depor o sócio mais senior da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados o ilustre advogado socialista, antigo MES, ex-conselheiro de estado e ex- e actual administrador não executivo ou presidente da mesa da assembleia geral de diversos bancos e empresas do regime, José Manuel Galvão Teles, para lhe perguntar, para variar, se abriu a filial na Madeira para ajudar os clientes a melhor cumprirem as suas obrigações declarativas e fiscais e a asseguratem-se de que o dinheiro que pretendem transferir para a Madeira provém integralmente de actividades legais.

Além de oferecer uma perspectiva mais elevada e, portanto mais clara, da assessoria aos off-shores, este advogado socialista teria ainda a vantagem de, devido ao seu passado político, ter uma credibilidade acrescida junto dos inquisidores inquiridores socialistas, bloquistas e comunistas, evitando o embaraço de uma inquisição inquirição em que quem pergunta não acredita em quem responde e, não estando mais disponíveis os instrumentos do interrogatório musculado de outros tempos, não se conseguir sair da cepa torta.

O CDS tem aqui uma oportunidade para, em vez de se limitar a assumir uma posição defensiva e reactiva face à tentativa de assassinato político da esquerda parlamentar ao seu militante, ajudar o parlamento a ter uma compreensão mais lúcida e profunda do verdadeiro significado de registar 120 novas sociedades na Zona Franca da Madeira. O país agradece.

Isto sugeriria eu se fosse deputado, dirigente, militante ou sequer do CDS. Como não sou, não cometo a deselegância de o sugerir.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:21
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Sá, paga o que deves! ou o que se pode aprender da política de casos do governo de Portugal

O Jornal 18.7.80.jpg

Antes de a esquerda, de toda a esquerda da moderada socialista à radical trotskista, incluindo os desertores do MES entretanto transferidos para partidos mainstream onde deixaram de combater a social-democracia para abraçar o conforto da proximidade do poder, se ter recentemente proclamado como a genuína herdeira política do Sá Carneiro e da social-democracia, montou-lhe a primeira grande campanha de assassinato de carácter da democracia portuguesa, orquestrada pel' O Diário, o jornal oficioso do PCP nessa época, ecoada por toda a imprensa, e multiplicada por milhares de paredes pintadas a exortá-lo "Sá, paga o que deves!", repescando um negócio que tinha corrido mal meia dúzia de anos antes.

A campanha teve um impacto mediático estrondoso, tendo em conta a velocidade e débito a que a informação circulava nessa época em que não havia internet nem redes sociais. E tinha todos os ingredientes para resultar. Baseava-se num arrazoado de factos confusos e difíceis de relacionar e compreender claramente, e ainda mais difíceis de desmontar e refutar a conclusão proposta, que por isso impeliam os leitores, para não falar nos transeuntes que apenas liam os graffiti nas paredes, a formar as suas convicções, se acreditavam que os factos comprovavam um crime ou uma insinuação torpe?, através da sua preferência individual em acreditar ou não que o Sá Carneiro era um caloteiro. E assim foi. Quem achava que ele era o coveiro dos valores de Abril acreditou que era também caloteiro, quem depositava nele a esperança de erradicar os delírios revolucionários e finamente começar a construir uma democracia moderna que fizesse Portugal progredir acreditou que era inocente. Tinha todos os ingredientes para resultar, mas infelizmente não resultou. O Sá Carneiro foi re-eleito poucos meses depois com uma maioria absoluta ainda mais ampla do que a que tinha conquistado no ano anterior, e o seu ímpeto reformista só foi travado com o assassinato à bomba pouco depois destas segundas eleições.

Foi o início de uma política de casos que tem perdurado durante décadas e não perece mostrar nenhuma tendência para esmorecer no seu ímpeto.

Nestes anos todos a esquerda aprendeu a usurpar-lhe a identidade ideológica, mas de resto não aprendeu mais nada, e continua a repetir o que sempre fez, a fazer política através de sucessões de casos que procuram distrair os eleitores dos sucessos ou falências da governação do país para a difamação dos adversários políticos através da insinuação da prática de crimes em casos sustentados na revelação de factos de significado confuso sobre temáticas complexas e inacessíveis, às vezes até a cidadãos bem informados, onde é difícil perceber claramente se podem indiciar crimes ou não, e por isso impossíveis de desmontar e refutar as conclusões propostas pelos denunciantes. E sempre com resultados semelhantes.

Perfeitamente ilustrada no caso montado para atacar a anterior ministra das finanças por estar a tentar resolver discretamente uns contratos de swap ruinosos celebrados ao longo da legislatura anterior, por ordem do governo socialista anterior, e com o objectivo de maquilhar as contas públicas, o mesmo partido que montou a campanha para a atacar. Sendo um assunto tecnicamente complexo que quase ninguém percebe, prestou-se perfeitamente a simplificações analíticas do tipo swap = vigarice e ministra que tem o problema dos swaps nas mãos = vigarista que deram a muita gente a fezada que a ministra era mesmo vigarista e um alvo fácil nas eleições. E mais uma vez com o resultado habitual: o partida da ministra veio a ganhar as eleições, ao contrário de todas as expectativas, incluindo as das sondagens.

Agora que está determinado que o caso Lista VIP, tal como a generalidade dos múltiplos casos lançados à opinião pública maioritariamente pelo BE, na legislatura anterior, e pelo governo, nesta, foi um aborto jurídico, que tinha sido um aborto político já se tinha provado nas eleições realizadas poucos meses depois, vale a pena, mais do que rever tudo o que se disse e quem o disse na altura, subir pelo rio acima à procura da nascente do caso. E com quem se tinha reunido o então candidato socialista a primeiro-ministro exactamente um mês antes de o caso Lista VIP ser denunciado com estrondo? Com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, o incontornável bloquista Paulo Ralha que tem colaborado diligentemente em quase todos os casos lançados ao país desde que o António Costa passou a chefiar o PS. Uma mera coincidência, certamente...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:20
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Quinta-feira, 9 de Março de 2017

As explicações sobre a censura da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas ao professor Jaime Nogueira Pinto

2017-03-08 Marcelo explicações Nogueira Pinto.jp

O doutor Rebelo de Sousa pediu explicações à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sobre a censura à conferência do professor Jaime Nogueira Pinto por pressão, formal e através da ameaça de agressões, da associação de estudantes liderada por dirigentes bloquistas. Fica-lhe bem, mesmo que a reacção dele neste caso não tenha sido tão rápida como tem sido haitual, talvez por, ao contrário do que tem sido habitual, e como foi por exemplo na piadola que dirigiu à doutora Teodora Cardoso, ter preferido combinar a resposta antes de fazer a pergunta?

Ó senhor doutor Rebelo de Sousa, essas explicações até eu lhas posso dar!

Desde que perdeu em Novembro de 1975 a capacidade para fazer o gosto ao dedo, e à natureza democrática social-fascista do seu ódio às liberdades civis, nos domínios da censura, dos saneamentos e da intimidação pela violência verbal e física, a esquerdalhada esperava uma oportunidade de o Partido Socialista ser conquistado pelos seus deserdados que lá se foram insinuando ao longo de décadas na procura de uma vida melhor e mais próxima do poder e da distribuição de benefícios que o exercício do poder facilita, o que finalmente sucedeu com a ascensão do António Costa ao controlo do partido, e com a substituição do Presidente da República, o mais alto magistrado da nação responsável por garantir a preservação dos direitos constitucionais, por uma figura apatetada que confunde a preservação dos direitos constitucionais com um concurso de miss simpatia para conquistar, através da distribuição de afectos aos próprios e de alfinetadas aos que eles odeiam, a afeição dos que os violam.

O que explica este surto de brigadas facistas a impedir com sucesso a livre expressão dos inimigos da sua revolução através de ameaças verbais e físicas, e a cedência das instituições públicas à sua intimidação violenta, é justamente o encorajamento à intimidação decorrente da ausência de um verdadeiro Presidente da República e do abandono do país à maioria minoria que circunstancialmente se instalou no poder onde prevalecem estes saudosistas do PREC.

O que explica o cancelamento é o modo como exerce as funções presidenciais. Erga-se, se ainda é capaz!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:06
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017

Do it yourself: ameaçar jornalistas

2017-03-08 SMS Costa - João Vieira Pereira.jpg

Ao contrário do Pablo Iglesias, o menino bonito de olhos azuis e rabo de cavalo que beija na boca os colegas de bancada do Podemos em pleno parlamento, estou convencido que mais para escandalizar os burgueses das outras bancadas do que para saborearem os fluidos corporais uns dos outros, e que necessita de uma legião de amigos próximos para ameaçar os jornalistas pessoalmente ou por telefone e de trolls para os ameaçar nas redes sociais, o nosso primeiro-ministro António Costa, sendo ele próprio um troll assumido e de talento, até na figura que não tem nada de bonito e estou convencido que teria grandes dificuldades em recrutar colegas de bancada dispostos a beijá-lo na boca, trata ele mesmo pessoalmente das ameaças a jornalistas sem necessidade de mais do que um telemóvel com capacidade para enviar SMS e, desejavelmente, escrita inteligente T9, ou corrector ortográfico se for um dos de última geração, para evitar nas mensagens escritas os erros com que assassina o Português sempre que abre a boca para falar, até para ameaçar o Português ele é um troll.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:23
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Terça-feira, 7 de Março de 2017

Levanta-te tu!

753854.jpg

As universidades já foram instituições onde nasceram belas frases como "é proibido proibir", mas isso foi chão que deu uvas, hoje são locais onde se endoutrinam as criancinhas nos princípios de "tudo o que não é autorizado é proibido", nomeadamente as ideias subversivas, que nem sempre são detectáveis sem recorrer à insinuação, se bem que a insinuação seja sempre que um homem quer, e ainda mais a sua expressão, que essa, sim, é mais fácil de detectar.

Não é nova, esta vigilância das criancinhas sobre a utilização da palavra para espalhar ideias subversivas. Logo nos primeiros tempos a seguir ao 25 de Abril, um amigo assistiu, com os que a terra há-de comer, os dele, que não os meus, mas a história é tão boa que a tomo por real mesmo sem ter sido dela testemunha directa, numa reunião de alunos da sua escola, a uma cena que ficaria bem em qualquer filme Felliniano:

- Caros colegas...

- Esse gajo não pode falar, porque esse gajo é nazi!

- Eu não sou nazi, sou nacional socialista!

- Desculpa, pá, se és socialista podes continuar.

Hoje em dia os alunos mais lúcidos e activistas das universidades dedicam-se a escolher quem pode, e quem não pode, não pode, falar aos outros alunos da universidade, os mais burros e influenciáveis, de modo a proteger estes contra a inoculação de ideias subversivas dentro das próprias instalações da universidade. Proibem, através da ameaça de uma carga de porrada, académicos de direita de discursar numa conferência, tal como proibem, através de uma sugestão de enforcamento, um discurso de um governante neoliberal a jovens da sua agremiação política. São uma comissão de censura jota, e também estúpida, mas nunca aconteceu uma comissão de censura ser suspeita do crme de inteligência, o que atesta a capacidade destes jovens para o fim em vista.

Um dia, sendo estudantes de universidades públicas, lá acabarão por acabar o curso, e lá nos poderão mais à frente aparecer como deputados, magistrados, fiscalistas especialistas em paraísos fiscais ou até defensores dos direitos dos animais. E o que fazer se de facto um deles nos aparecer à frente, por exemplo, num tribunal, a mandar-nos levantar? Eu aconselho seguirmos os conselhos do João César Monteiro.

Só corremos o risco de falhar na primeira parte da frase, "Levanta-te tu!", porque não é provável que meninos com a educação destes se dignem um dia levantar como sinal de respeito a quem quer que seja, como está mais que testado. Na segunda parte, "meu filho da puta", acertamos sem a mais pequena sombra de dúvida.

E, estabelecida a árvore genealógica, demos o serão por terminado.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:24
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