Domingo, 15 de Outubro de 2017

Roubar aos pobres para dar aos ricos

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O António Costa vai passar a chular os putos em 2018, indo-lhes ao dinheiro de bolso que ganham com os biscates de férias com uma retenção na fonte de 10% para o IRS. É preciso ir buscar a algum lado o dinheiro que vai distribuir pelos funcionários públicos, pelos reformados e pelas reduções no IRS, e estes putos, que conseguem receber numas férias duzentos ou trezentos euros, alguns poderão mesmo chegar aos quinhentos, também devem contribuir.

Do ponto de vista fiscal é uma perfeita estupidez, porque quando estes rendimentos forem englobados na declaração de IRS dos pais não pagarão IRS, por ficarem abaixo do limite da dedução específica para rendimentos de trabalho de 4.104 euros, e a retenção na fonte que lhes for feita feita em 2018 vai ser integralmente reembolsada aos pais em 2019.

Do ponto de vista ideológico a medida tem, no entanto, todo o sentido. Os socialistas e a blocalhada detestam, tanto quanto os putos que inventam um negócio e formam uma empresa e se transformam em capitalistas, a quem largam Raquéis Varela a morder-lhes nas canelas nos Prós & Contras, os capitalistas em potência que trabalham nas férias para juntar umas coroas em vez de simplesmente continuarem dependentes da mesada dos pais, a quem preferem os pós-doutorandos em ciências humanas que, passados dos 30 anos, ainda andam a bolsas, vivem na casa dos pais e dão entrevistas ao Público a denunciar a precaridade da sua situação como investigadores. Ou, de uma maneira geral, toda a gente que vive dependente do Estado e que, em caso de necessidade ou conveniência, pode ser aumentada nos anos de eleições.

Do ponto de vista da demagogia orçamental também faz algum. As retenções na fonte serão contabilizadas como receita fiscal em 2018 e contribuirão para um deficit catita no final do ano, o último deficit apurado antes das eleições legislativas de 2019. Já o seu reembolso será contabilizado como despesa fiscal, mas só em 2019, e só contribuirá para o deficit de 2019 que só será apurado depois das eleições.

Mas é do ponto de vista eleitoral que a medida tem mais sentido. O dinheiro de bolso que o fisco confiscar aos putos em 2018 será reembolsado aos pais no Verão de 2019, imediatamente antes das eleições legislativas. Se o eleitorado for tão parvo como o António Costa assume que é ao tomar iniciativas como esta agradecer-lhe-á votando nele.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:55
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Domingo, 8 de Outubro de 2017

Selecções do Reader's Digest - à volta do dia das eleições

O que dizem as capas dos jornais de referência à volta do dia das eleições?

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O Expresso recorreu ao velho truque, que resulta sempre, de editar à sexta-feira o jornal para ser lido no sábado, dia de reflexão, propondo um sentido de voto e chave da leitura dos resultados.

2017-10-07 Expresso capa Rui Rio.jpg

Obtidos os resultados esperados, o Expresso seguiu o rumo planeado.

O Pinto Balsemão foi, miseravelmente, o pior primeiro-ministro que o PSD deu a Portugal, e talvez o pior da democracia. Depois, dedicou-se com sucesso variável ao negócio de vender presidentes como se vendem sabonetes, que só não o conseguiu vender a ele porque ele não prestava mesmo para nada, e agora, depois de ter vendido a Barbie que chegou a primeiro-ministro, mais graças à sua putice que ao merchandising dele, quer-lhe encontrar um Ken. Se o partido lhe for na conversa é porque o merece.

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Uma capa com uma fotografia do Passos Coelho com ar de facínora e uma notícia sobre agressões da Igreja Católica? Se calhar é do Público...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:00
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

A questão racista, ou, vai chamar racista à tua tia

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O Público e a blocalhada inventaram uma questão racista que não existe em Portugal, onde há tanto racismo como noutro país qualquer, e andam a fazer uma lavagem ao cérebro à opinião pública martelando-a com uma profusão de artigos de opinião travestidos de notícias factuais para tentar instalar no centro da discussão pública essa questão, procurando explicar as manifestações de racismo que se verificam em Portugal com um racismo sistémico de que só nos livraríamos, todos os portugueses, pedindo desculpa por alguma coisa de vergonhoso que fizeram os nossos antepassados, ou os antepassados de outros portugueses, ou até se calhar os antepassados deles.

Ora é racista quem diz, ou pelo menos pensa, coisas como "ó preto, vai para a tua terra", e não quem é nacional de um país que teve, há séculos, traficantes de escravos, ou, há décadas, alguns colonos que tratavam bárbara ou exploravam selvaticamente os nativos das colónias que trabalhavam para eles. No limite, quem herdou fortunas realizadas nesses negócios usufrui de um benefício directo deles de que se deve envergonhar. O que não é o meu caso.

E não é racista quem não as pensa nem as diz. Como é o meu caso.

As indignidades racistas cometidas por portugueses no passado remoto ou menos remoto, e até no presente, responsabilizam-me tanto, e fazem-me sentir o exactamente o mesmo grau de culpa e vontade de pedir desculpa a alguém, como as vigarices de um primeiro-ministro corrupto como o José Sócrates. Nem eu nem os meus filhos ou netos alguma vez vamos pedir desculpa pelas vigarices dele, mesmo que nos embarace vivermos integrados numa comunidade que, tendo ele os traços de carácter tão escancarados, o elegeu para primeiro-ministro, até por maioria absoluta, ou que elegeu mais tarde, ainda que através de uma complexa engenharia constitucional que divide as responsabilidades da eleição com o voto dos eleitores, o seu colaborador mais próximo enquanto governou, que também tem os traços de carácter igualmente escancarados. Nem pelo tráfico de escravos, nem pelos abusos colonialistas cometidos por portugueses no passado.

Mas eles persistem nessa cruzada, e o último alvo da sua investida foi a estátua do padre António Vieira no largo Trindade Coelho, em Lisboa, que um bando de activistas liderado pelo conhecido Mamadou Ba intentaram derrubar através da deposição de flores e de uma performance poética, ou, nas suas próprias palavras, integrando "investigadores, professores, artistas e activistas de diversas nacionalidades" com o objectivo de "reflectir, discutir e agir promovendo a construção de uma narrativa crítica, para a eliminação do racismo e da desigualdade", tendo no entanto sido impedidos de aceder à estátua por, informa-nos o Público com a sua objectividade habitual, neonazis.

O padre António Vieira bateu-se, numa época em que bater-se por causas como essas podia resultar, não em ser entrevistado pelos jornalistas activistas do Público ou criticado pela direita nas redes sociais, mas em, por exemplo, ser condenado à morte na fogueira depois de devidamente torturado, pela abolição da escravatura e pelos direitos dos índios. Coisa que é mais do que duvidoso que os ascendentes deste bando de idiotas que o fazem agora em teatrinhos de rua ou nas páginas do Público, do Norte ou do Sul do Equador, tenham feito.

De modo que, já que estamos em maré de generalizações ao pretender obrigar todos os portugueses a sentirem culpas e pedirem desculpas pelos crimes de alguns portugueses há poucas ou muitas gerações atrás, eu proponho mais uma generalização. O Mamadou que sinta culpa e peça desculpa pelos escravos que os seus ascendentes capturaram para vender aos traficantes portugueses que os levaram para revenda no Brasil. Se os ascendentes do Mamadou se dedicaram a essa profissão ou não, se o Mamadou herdou parte da fortuna que eles acumularam a exercer esse negócio ou não, é detalhe que a generalização trata de tornar irrelevante. Por isso, o Mamadou que peça primeiro desculpa por ter capturado e por nos ter vendido os escravos, e só depois nos venha sugerir que também a peçamos por termos revendido no Brasil os escravos que ele nos vendeu. Genericamente, entenda-se.

De resto, o título foi um understatement que corrijo já, filtrados que estão os leitores pela paciência de terem chegado ao fim destas linhas. Onde se lê vai chamar racista à tua tia deve-se ler vai chamar racista à puta que te pariu.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:41
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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017

Last Tango in Almada

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O primeiro-ministro António Costa explicou ao secretário-geral do PCP Jerónimo de Sousa que "A nossa vitória não é derrota de nenhum dos parceiros parlamentares ... Estes resultados reforçam o PS, mas reforçam sobretudo o quadro da maioria parlamentar que permitiu a mudança", e que ser devorado pela criatura que ajudou a nascer não dói nada.

Quando se refizer da surpresa, o camarada Jerónimo de Sousa há-de revelar que não estava nada à espera, que nem com manteiga lhe foi agradável, mas que está lá para garantir aos seus sindicatos vitórias que seriam impossíveis se outra maioria mandasse, e que um homem tem que se sacrificar pelos seus.

O camarada Carlos Brito ressucitou para dizer "ai, eu até gosto".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 23:56
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Avenidas novas

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Aqui há umas décadas, a Avenida da Liberdade era uma rua cheia de putas que acenavam dos passeios centrais aos automobilistas que a percorriam à noite, nomeadamente pelas faixas laterais. Nessa época conseguia-se transitar de carro em Lisboa, conseguia-se estacionar nas faixas laterais, e circulava-se pela direita na Avenda da Liberdade.

As putas desapareceram, e agora a Avenida da Liberdade é uma avenida nobre onde os generais angolanos montam apartamentos às suas amantes favoritas e os patos bravos montam duplexes aos seus políticos favoritos que gostam de viver na mesma rua que elas.

Não mudou nada, só aumentaram os preços.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 23:44
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Family guy

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Ontem, em mais uma acção de rua da campanha eleitoral da candidatura que integro, em que paramos para conversar com todas as pessoas que conversam connosco quando as cumprimentamos e lhes distribuimos um prospecto informativo da candidatura ou simplesmente quando vêem que estamos a fazer uma campanha eleitoral e nos interpelam espontaneamente, veio à conversa connosco um eleitor habitual do PNR.

[Para os que não sabem, filiei-me no PSD a seguir às eleições de Outubro de 2015, no dia em que percebi que o golpe constitucional do António Costa com o BE e o PCP seria juridicamente blindado e que sustê-lo forçando um governo formado por quem ganhou as eleições seria politicamente insustentável, com chumbos no parlamento que paralizariam a governação, e quando fui convidado por pessoas íntegras, trabalhadoras e capazes para integrar a lista de candidatos da coligação PSD/CDS à Junta de Freguesia da Venteira, concelho da Amadora, não fui nem seria capaz de dizer que não.]

Não é nenhum cabeça rapada dos que vão para o Bairro Alto agredir africanos pacíficos. É um pai de família, deve andar por volta dos quarenta, trabalhador que se pode designar de operário especializado, com um discurso de conservador, de pessoa que respeita princípios como o trabalho a família e a decência, chamemos-lhe assim porque honra é um termo em desuso. E é natural de Rio Maior, se bem que more e vote na Amadora, e, sendo demasiado jovem para ter vivido o PREC em Rio Maior, tem bem presentes os testemunhos da família sobre o que fizeram, e para resistir a quê, os Riomaiorenses.

E anda chateado.

Anda chateado com o milagre da reposição de rendimentos a quem nunca os chegou a perder, porque nunca teve sequer que se interrogar se num fim de mês qualquer chegaria a receber o salário, ele, que nunca chegou a perder o emprego mas, no pico da crise, chegou a estar três meses sem receber porque a empresa para quem trabalha não tinha dinheiro para pagar salários.

E sobre políticas de rendimentos tem ideias tão claras e cristalinas como qualquer catedrático de Economia que mereça o título que detém. Tem bem claro que austeridade não é uma opção que se toma para fazer mal às pessoas, mas o estado natural quando se acaba o dinheiro. Tem bem claro que a austeridade em Portugal não resultou da má vontade das autoridades europeias, mas do facto de o governo anterior ter estoirado o dinheiro até ao fim e de nos ter colocado à mercê das condições impostas por quem esteve disposto a resolver-nos esse problema emprestando-nos dinheiro que mais ninguém emprestava. Tem bem claro que os cortes de rendimentos resguardaram na medida do possível as pessoas de rendimentos mais baixos e foram violentos essencialmente para pessoas de rendimentos altos ou muito altos, mas de emprego e rendimento garantido todos os fins de mês, e tem bem claro que são estes os maiores beneficiários da reposição de rendimentos. Se um dia houver uma subscrição pública para financiar a construção de uma estátua ao Pedro Passos Coelho pelo modo como salvou Portugal da bancarrota, ele contribuirá na medida das suas possibilidades sem a mais pequena dúvida.

Anda chateado com os grevistas da Autoeuropa que, usufruindo de salários e regalias que mais nenhuns operários usufruem em Portugal, a começar por ele próprio, e acomodados a usufruirem deles em toda a segurança apenas por lá estarem e sem terem que dar o litro para os merecerem, querem recusar adaptar os seus horários de trabalho às necessidades de sucesso e mesmo de sobrevivência futura da empresa, mesmo que essa adaptação implique receberem substancialmente mais sem aumentarem o horário de trabalho.

Anda chateado com o CDS, o seu partido natural de voto alternativo ao PNR, por ter desfeito a coligação em Loures por causa de o candidato do PSD André Ventura ter feito afirmações que ele considera de mera constatação da realidade e de apelo ao cumprimento da lei, ele e a maioria das pessoas, até eleitores do BE, inquiridas numa sondagem de opinião.

Anda chateado por ver perseguidas pelas autoridades e mesmo criminalizadas opiniões que ele tem e que considera tão legítimas e respeitáveis como as opiniões opostas que tendencialmente têm vindo a ganhar terreno como únicas o obrigatórias, como, por exemplo, as do comentador que disse que não queria as bloquistas para casar, nem dadas, ou as do André Ventura sobre a impunidade de facto que é tolerada aos membros da comunidade cigana que não cumprem a lei.

Anda chateado porque sente que a sociedade, empurrada por uma pequeníssima elite minoritária que sempre teve tudo sem conquistar nada e é desproporcionalmente acolhida, acarinhada e exibida na comunicação social, e com uma capacidade de intervenção política ainda ampliada pela configuração actual da base de sustentação do governo, anda a ignorar, encurralar e perseguir gente como ele que, em bom Português, se pode designar como a regular, decent, working, God believing, family guy.

Anda chateado, e com razão.

Da conversa connosco resultou ele ter acabado por afirmar que votaria na coligação PSD/CDS nas eleições autárquicas do dia 1 de Outubro, ficando cá nesse fim-de-semana em de o ir passar à sua amada terra. Não por ter assumido que estava a falar com racistas, xenófobos, sexistas, homofóbicos, nacionalistas ou adeptos da ditadura, os lugares-comuns que a opinião pública dominante politicamente correcta cola automaticamente a qualquer eleitor habitual do PNR sem sequer procurar saber o que ele pensa, mas simplesmente por ter sido escutado com atenção e respeito, e acordo naquilo que suscitou acordo em quem falou com ele.

E da conversa com ele resultou também uma certeza. Gente mais do que normal que se anda a sentir ignorada, encurralada e mesmo perseguida por uma sociedade manipulada por elites minoritárias com quem a esmagadora maioria da sociedade nem sequer se identifica, se não se vir minimamente escutada e respeitada pelos partidos do sistema, quer por lhes ignorarem as preocupações, quer por simplesmente os ambicionarem erradicar, vira-se para os partidos dos extremismos, que se apercebem da sua existência e do seu descontentamento, quando não medo, e se posicionam com oportunismo em posição de o canalizar para conquistarem um poder que depois não têm competência nem capacidade para exercer. Gente mais do que normal, repito.

E eu, que não sou trumpófilo, nem sequer moderado, gostava que a estupidez dos extremistas do politicamente correcto que, por trás de uma fachada de luta pelo direito à diferença andam de facto a lutar pela imposição de ser igual, fosse moderada, em vez de encorajada por oportunismo político, pelo bom-senso dos moderados, pelo menos dos que o têm, que no PS parecem escassear cada vez mais, mas no PSD e no CDS deviam ser mais assertivos do que têm sido, para não parecerem menos representativos do que são.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 13:50
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Vai morrer, ó velha!

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Um grupo de jovens da Juventude Socialista filmou, e depois apareceu publicado nas redes sociais, um vídeo durante uma acção de campanha da candidatura do PS às eleições autárquicas do município de Penafiel em que, do andar de cima de um autocarro sem tampa, e ao passar por uma senhora de idade que agitava uma bandeira partidária de outro partido, talvez do CDS? um dos jovens socialistas lhe gritou, como informam os jornais,

  • "Vai morrer, ó velha... PS! PS! PS! Vai-te fo***, velha do car****! Havia de te dar um ataque!",

que eu estou em condições de transcrever para a afirmação real "Vai morrer, ó velha... PS! PS! PS! Vai-te foder, velha do caralho! Havia de te dar um ataque!". Num aparte, curiosamente não encontrei a notícia no Público, certamente por não ter sido suficientemente diligente na pesquisa.

A Juventude Socialista varreu o assunto para debaixo do tapete com um comunicado em que condenou a atitude imprópria e irreflectida do jovem e apresentou um pedido de desculpas à visada e à comunidade penafidelense, e ao mesmo tempo condenou a publicação do vídeo através "de um perfil falso", o que explica ser o "expediente habitual para fazer campanha suja". Condenou os excessos da irreverência generosa da juventude, mas também a maldade da mão que sai detrás do arbusto, nas palavras sábias de um anterior primeiro-ministro de Portugal, que os expôs publicamente. Tudo está bem quando acaba bem.

Mas estará tudo bem?

"Vai morrer, ó velha!" é quase um mimo comparado com as boçalidades que se lêem regularmente nas redes sociais, com as que são publicadas, moderadas por alguma prudência e muitas vezes disfarçadas de exercício de humor, na comunicação social, onde se encontram regularmente apelos à morte de pessoas e até sugestões de soluções para a concretizar, como contratar um pistoleiro do cinema para as balear nos testículos, e até com alguma propaganda partidária, onde o apelo à morte, neste caso de traidores, assume traços heróicos e patrióticos que o tornam, mais do que uma possibilidade, um imperativo cívico.

Esta radicalização do discurso e banalização do apelo à morte por parte de estratos sociais antes aparentemente civilizados verifica-se principalmente desde o início da legislatura anterior, quando foi preciso recorrer a soluções muito penosas para muita gente para tentar, e acabar por conseguir, mas não era nada evidente para muita gente que se conseguisse e, para alguma, era mesmo evidente que não se conseguiria, retirar Portugal do lixo, não no sentido que atribuem ao termo as agências de notação quando a dívida soberana é de duvidoso reembolso, mas no da falência e do risco iminente de desmoronamento do Estado e da sociedade que o anterior governo socialista tinha conseguido provocar.

E é mais do que reforçado pelos modos brutais que o próprio primeiro-ministro usa quando se dirige à oposição, quer em intervenções públicas, quer em entrevistas, quer, ainda mais claramente, no próprio parlamento a que presta contas da actividade do governo.

As coisas são o que são, e a radicalização progressiva das relações entre forças políticas diferentes que se tem observado, não circunstancialmente, mas como um movimento estruturado e objectivado, e se traduz, já, num crescente apelo à violência, para já verbal, resultará no que resultar e eu não sei prever.

Mas, no passado, nunca resultou em coisa boa e resultou frequentemente em fascismos. E, curiosamente, mais vezes em fascismos de direita do que em fascismos de esquerda, ou socialismos, o que não indicia grande inteligência de quem a promove à esquerda. Mas longe vão os tempos em que toda a inteligência e cultura, e já agora moralidade, se encontravam na esquerda, e toda a direita era estúpida, pelo menos até ter aparecido um centrista a quem era concedido, excepcionalmente e sem constituir exemplo, o benefício de ser considerado inteligente, o saudoso Francisco Lucas Pires. Inteligente e nunca radical, acrescento eu. De modo que ver a esquerda a ser pouco inteligente na radicalização e no apelo à violência não é novidade nenhuma nos tempos que correm, em que alguma falta de inteligência é um grande activo para se conseguir acreditar nas quimeras que ela promete e os enganos com que mascara a realidade para ir parecendo que as está a conseguir criar.

Mas, mesmo sem ser capaz de prever para onde nos levará esta radicalização, uma coisa, ou duas, posso, até eu, anónimo desinformado, concluir.

Quando um comentador que nasceu na esquerda radical, depois se integrou no PSD que o encheu de honras e prebendas e onde se tornou até um liberal radical que colocava em causa a própria existência do estado social europeu, e quando o PSD deixou de lhe dar a importância que acha que merece não se desligou da filiação do partido mas regressou a um estilo de intervenção pública de social democrata radical que voltou a deliciar a esquerda radical de onde saltara para a direita que hoje apelida de radical, diz que esta radicalização da vida política através de "citações falsas ou manipuladas, boatos, calúnias e insultos" é "um fenómeno novo e não adianta dizer que o mesmo existe à esquerda, porque não é verdade", mente.

E quando um político hoje em dia baseia o seu populismo na descrispação por que finge lutar e que se gaba de ter conseguido está simplesmente a aldrabar o país.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:23
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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

A bolsa ou a dívida

O ministro das Finanças, que habitualmente tem exibido alguma propensão para o auto-elogio, teve uma reacção surpreendentemente moderada ao aumento da notação atribuída pela Standard & Poor's à dívida pública portuguesa de BB+ para BBB-, ou seja, acima de lixo, quando recomendou pragmatismo ao optimismo devido à circunstância de a dívida pública portuguesa permanecer a quarta maior do mundo.

No momento chegou a parecer que a moderação do comentário tinha a intenção de evitar que a euforia causada nos partidos da esquerda pelo aumento da notação os encorajasse a aumentarem também as suas exigências para aprovarem o OE 2018, um reforço ao célebre discurso do primeiro ministro sobre o passo maior que a perna.

Mas logo no dia seguinte a gabarolice voltou, e percebeu-se que a chamada de atenção para a dimensão da dívida tinha sido apenas um teaser para a promessa de fazer em 2017 uma redução de dívida de proporções históricas, que se vai já iniciar em Outubro com um reembolso de 6 mil milhões de euros, que quase faz esquecer que a dívida pública aumentou 17,6 mil milhões de euros nos 20 meses desde que o governo tomou posse até ao final de Julho deste ano, a um ritmo espantoso de 880 milhões por mês. Quase.

E, de facto, reduzir a dívida em 6 mil milhões de euros apenas num mês parece uma excelente notícia. Parece, mas não é, porque a redução não representa nenhum enriquecimento nem empobrecimento do país.

Porquê?

[Agora vou pedir aos muitos leitores que percebem disto muito mais do que eu alguma paciência enquanto explico aos que percebem ainda menos do que eu.

Se eu tiver 1.000 euros no banco e pedir emprestados mais 1.000 fico mais rico ou mais pobre? Não fico mais rico nem mais pobre, fico com mais 1.000 euros no banco do que tinha mas fico a dever mais 1.000 do que devia, ou seja, se decidir reembolsar a dívida que contraí agora ficarei de novo com os 1.000 euros iniciais. E se tiver 1.000 euros no banco e uma dívida de 5.000 e amortizar 1.000 euros da dívida fico mais rico, ou mais pobre? Nem uma coisa nem outra, fico também na mesma. Não é o montante que eu tenho no banco que define a minha riqueza, ou eu teria enriquecido quando contraí o empréstimo e empobrecido quando o liquidei, nem o que eu devo, ou eu teria empobrecido quando contraí o empréstimo por aumentar a dívida e enriquecido quando o reembolsei por reduzi-la, mas a subtracção do que devo ao que tenho. Para a mesma dívida sou mais rico se tiver mais dinheiro no banco, para o mesmo dinheiro sou mais rico se dever menos. Isto é assim comigo e, por mais que alguns economistas tentem apelar a que as pessoas não tentem perceber as finanças públicas e deleguem a sua análise aos peritos por serem muito mais complexas que as finanças domésticas, é assim com as nações.

E agora os que percebem de finanças públicas mais do que eu podem voltar à leitura.]

Porque a medida correcta das nossas responsabilidades não é o volume da dívida, mas a dívida líquida dos depósitos, ou seja, aquilo que ainda teremos para pagar se decidirmos usar todo o dinheiro que temos disponível para amortizar dívida. E quando reembolsamos 6 mil milhões de euros de dívida reduzimos o volume da dívida mas também reduzimos exactamente no mesmo valor o montante que temos em depósitos. Ficamos na mesma.

E como tem evoluído a dívida na óptica de Maastricht líquida de depósitos da administração central?

Dívida Líquida Depósitos 2015-01 a 2017-07.jpg

Tem evoluído muito bem.

De Janeiro a Novembro de 2015, enquanto fomos desgovernados pelos neoliberais do governo Passos Coelho, cresceu 5,5 mil milhões de euros, cerca de 500 milhões por mês. Depois de em 2014 e 2013 ter crescido ao ritmo de 570 milhões por mês, e em 2012 e 2011, os anos da falência, um pouco acima dos mil milhões. E em 2010, com os socialistas ao leme do governo, ter crescido ao ritmo de 2,150 mil milhões por mês. Os luxos pagam-se caros.

Desde que o governo actual iniciou a pequena revolução de rigor financeiro que nos acabou por tirar do lixo, até ao final de Julho a dívida líquida de depósitos cresceu 16,3 mil milhões, ao ritmo de 815 milhões por mês. Ao longo de 2016 cresceu 5,5 mil milhões de euros, ao ritmo de 462 milhões por mês, e desde o início deste ano cresceu 6,4 mil milhões, ao ritmo de 915 milhões por mês. E em Outubro? Em Outubro, o reembolso vai abater em 6 mil milhões a dívida, e nos mesmo 6 mil milhões os depósitos movimentados para a reembolsar, de modo que, do reembolso, a dívida líquida de depósitos não se vai alterar num cêntimo, e alterar-se-á apenas, e como é normal, na medida em que os gastos forem superiores às receitas, ou seja, se houver deficit, o que a fará aumentar, ou se as receitas ultrapassarem os gastos, ou seja, se houver excedente, o que a fará reduzir. É tão simples como seria na casa de qualquer um de nós, desde que estivesse estupidamente endividado.

Já percebemos que a gabarolice de reduzir a dívida em 2017 pode impressionar os incautos mas é uma aldrabice porque, ainda que se venha a verificar, pelo menos em % do PIB, já que em termos absolutos em euros parece muito improvável que se reduza, não representa qualquer redução das nossas responsabilidades com os credores líquidas das nossas disponibilidades para as respeitar.

E percebemos também que, no último ano do governo anterior, e depois de três anos e meio de esforço insano e impopular que constituiu aparentemente um suicídio político, os gastos com o Estado, para além do que lhe pagávamos nos impostos, nos empobreciam ainda em aumento das responsabilidades líquidas com os credores ao ritmo de 500 milhões de euros por mês, o que já dava uma soma mensal catita de 50 euros por cidadão, ou 150 euros cá em casa, e com o governo actual, aparentemente a ressurreição política da abundância e dos afectos, andamos a empobrecer para além do que pagamos em impostos ao ritmo de 815 milhões por mês, ou 81,5 euros mensais por cada um de nós, 250 cá em casa, em números redondos.

Mas não devemos ter motivos para grande preocupação, porque o deficit está a ser controlado pelo governo a níveis historicamente baixos, pois não?

[Vamos voltar às finanças de dona de casa, mas desta vez podem ficar a ler mesmo os que percebem de finanças muito mais do que eu.]

Ter deficit elevado, ou seja, gastar mais do que se ganha, é bom ou é mau? O mero bom senso responde que é mau, apesar de haver linhas de pensamento económico, mesmo na academia, mesmo entre reputados catedráticos de economia, que defendem que é bom, porque acreditam na existência de multiplicadores mágicos que fazem a economia crescer muito mais do que o dinheiro que lhe é injectado pelo deficit. Mas, sem recorrer ao pensamento mágico, o deficit é mau, porque para o pagar é necessário recorrer ao crédito, que no futuro terá que ser pago. Mas é mau essencialmente, ou até exclusivamente, por isso. Se alguém nos oferecesse dinheiro para financiar o deficit ou nos pagasse a dívida, o deficit seria óptimo. Permitiria levar vida de rico sendo pobre, e, com excepção de alguns milionários que gostam de brincar aos pobrezinhos nas férias, é melhor levar vida de rico do que vida de pobre. O deficit não é um problema em si, o problema é termos que o pagar.

E ter dívida elevada, ou dívida líquida das disponibilidades, é bom ou é mau? É mau, porque nós, ou alguém por nós, terá que a pagar, e ser expropriado da sua liberdade de usar como entende o dinheiro que ganha para ser forçado a usá-lo num montante determinado por nós como nós entendemos. É uma pesada herança, uma autêntica pulhice inter-geracional, gastarmos mais do que ganhamos à custa de forçar alguém a ter para gastar menos do que ganha. Mas fechemos o parêntesis dos considerandos morais, que raramente ajudam a analisar e resolver os problemas, e fiquemos por ser mau ter dívida elevada.

E, sendo mau ter dívida elevada, mas agradável ter deficits elevados, por que razão seguimos com muito mais atenção o deficit do que a dívida? Porque o deficit é uma boa medida da evolução da dívida. Para ser mais preciso, a diferença entre o que se paga e o que se recebe é aritmeticamente igual à variação da dívida líquida de depósitos, asserção matemática que me vou escusar de demonstrar mas podem tomar por boa. Melhor ainda, enquanto a evolução da dívida resulta das necessidades de financiamento do deficit, o deficit resulta directamente de decisões que se podem parcialmente gerir. É possível determinar, pelo menos parcialmente, onde e quanto se gasta e quanto se paga, e é possível determinar, pelo menos parcialmente, através da fiscalidade, quanto se recebe. Tudo junto, sendo uma boa medida da evolução da dívida, que constitui a nossa responsabilidade real, e sendo directamente gerível, tem todo o sentido seguir com toda a atenção o deficit.

Mas se o deficit é uma boa medida da evolução da dívida, porque razão é que o ritmo de aumento da dívida líquida de impostos tem disparado ao mesmo tempo que o deficit tem diminuído para mínimos históricos? Porque é que a evoluções de montante semelhante da dívida líquida de impostos entre Janeiro e Novembro de 2015 e em 2016 corresponderam deficits tão diferentes de cerca de 3% e de 2%, repectivamente? Porque é que este ano, em que se espera um deficit de 1,5%, ou seja, cerca de 3 mil milhões de euros, a dívida líquida de impostos já aumentou em sete meses mais do dobro desse valor? O Joaquim Sarmento tem feito pesquisa nesse domínio para perceber a diferença acentuada entre valores que deviam ser aproximados, acabou mesmo de publicar o capítulo O que se Passa com a Dívida Pública? dedicado a este tema na Nota de Conjuntura de Agosto de 2017 do Forum para a Competitividade, nomeadamente para avaliar a existência de buracos negros nas contas, e chegou à conclusão que é improvável que existam, pelo que a diferença se deve ao facto de o deficit contabilístico ser apurado nos termos de critérios que o afastam muito significativamente da mera diferença entre as despesas e as receitas que determina, essa sim, a evolução da dívida líquida de depósitos. E o grosso da diferença está na contabilização ou não contabilização dos resgates nos bancos, que aliás tem sido manipulada pelo governo para parecer que está a gerir com rigor, ao não incluir no deficit o que fez este ano na CGD, e que o governo anterior geriu sem rigor, ao ter prescindido de retirar do deficit o que também ele próprio fez no Banif no final de 2015, elevando a 4,4% o deficit desse ano que, sem o resgate, ou com ele fora do deficit, teria já sido inferior a 3% e permitido a saída de Portugal do procedimento por deficits excessivos. Assim, conseguiu ser ele a receber o mérito dessa retirada, pequena vigarice que até é quase benigna num governo vigarista por sistema que governa por focus groups.

Pelo que a resposta à pergunta anterior é sim, devemos ter motivos para grande preocupação apesar de o deficit estar a ser controlado pelo governo a níveis historicamente baixos, porque a dívida líquida de impostos, aquilo que nos compromete e às gerações futuras, está a voltar a crescer a níveis historicamente preocupantes.

E a lição que se tira disto tudo é que incentivos errados fomentam comportamentos indesejáveis.

Tal como um sistema de incentivos à rede de vendas de uma empresa baseados no volume de vendas estimula os vendedores a procurarem vender a preços o mais reduzidos que consigam, até abaixo do custo, resultando em reduções da margem de vendas ou até em vendas com prejuízo, enquanto um sistema de incentivos baseado na margem de venda os estimula a maximizarem o lucro da empresa, o hábito e a cultura de avaliar a execução orçamental com base no deficit contabilístico em vez de a avaliar com base na evolução da dívida permite aos governos fazerem um brilharete com deficits historicamente baixos ao mesmo tempo que nos arruinam e às gerações futuras com dívida historicamente elevada.

Se queremos deixar de ser enganados por governantes demagogos como os actuais, e até promover a sua substituição por governantes sérios, que também os há, é imperativo passarmos a seguir com mais atenção a evolução da dívida líquida de depósitos e a atribuir ao deficit contabilístico a importância relativa que realmente tem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:23
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

Para acabar de vez com o direito à greve

2017-09-14 PSD nunca mais - Ana Cavaco.jpg

Enquanto vamos no caminho para o socialismo, o direito à greve é sagrado e consagrado na Constituição, até porque as greves são uma importante arma de combate político, sendo que geralmente são boas, as que são convocadas para combater a direita, mas há uma minoria de perversas, as que são instrumentalizadas pela direita.

E ao chegar ao socialismo? Ao chegar ao socialismo os direitos dos trabalhadores estão assegurados por definição, ou pelo menos o direito mais fundamental deles todos, o de viver em socialismo, e só pode haver greves se forem instrumentalizadas pela direita. Os socialismos reais, os que ao longo dos últimos 100 anos existiram e existem no mundo real, resolveram o problema partindo os dentes à reacção, ou seja, proibindo as greves.

Mas, dizem-nos os guias desta nossa viagem a caminho do socialismo, os socialismos reais não foram nem são realmente socialismos, foram e são regimes que até podem ter começado por uma revolução socialista, alguns com estimulantes banhos de sangue que partiram os dentes à reacção, mas que depois degeneraram e se transformaram em sistemas de capitalismo de estado, ou ditaduras, ou cleptocracias. Aquilo em que se tornaram, e o modo como lidam e lidaram com os direitos e liberdades burgueses, como lhes chamava o teórico da coisa Álvaro Cunhal num raro momento de transparência sobre o seu pensamento político, não são representativos do que podemos esperar de um socialismo autêntico, mas dos desvios ao socialismo a que essas experiências foram sujeitas, nalguns casos por desvio da linha justa dos líderes, na grande maioria por pressão do imperialismo americano do Tio Sam, que como toda a gente sabe é sempre responsável pelos desvios e desmandos dos socialismos. De onde, não podemos extrair da proibição da greve nos socialismos reais a previsão do que acontecerá ao direito à greve no socialismo autêntico que nos espera no amanhã que canta.

O que fazer então para antever com alguma probabilidade de acerto o que acontecerá no futuro ao direito à greve? O melhor preditor disponível é a posição dos socialistas que temos na realidade, porque são eles que nos estão a conduzir neste caminho para o socialismo e a determinar para que socialismo é que nos vamos finalmente dirigir. E o contexto histórico actual, em que estão imbuídos de alguma euforia por terem finalmente visto a revolução retomar o caminho do socialismo depois de quase 40 anos de desvios reaccionários e, mais recentemente, neoliberais, é propício a que se libertem e exprimam mais livremente do que antes o que trazem na alma e recalcavam. Um bocado como aconteceu quando, extinta a censura, o povo invadiu em massa as salas de cinema portuguesas para ver um certo filme agora datado mas com uma belíssima banda sonora do saxofonista argentino Gato Barbieri.

E o que dizem eles das greves que não são convocadas por eles próprios? Que são convocadas por tresloucadas que integram orgãos dirigentes do Partido dos tachos, das cunhas e das negociatas para os amigos, integrado numa reputada organização de malfeitores que em Portugal adoptou a firma de PàFia.

A mensagem é muito feliz na forma, porque recorre à palavra de ordem, um dos meios mais eficazes para interiorizar através de métodos mecânicos convicções nos pobres de espírito a quem se dirige. Mas é também particularmente feliz no conteúdo. Informa que as greves instrumentalizadas pela direita são convocadas por tresloucadas, gente que se enquadraria muito bem nos programas de reeducação desenhados pela psiquiatria soviética para recuperar os contra-revolucionários e outros atralhos que não compreendiam as virtudes do socialismo, por vezes libertando-os do fardo da vida, frequentemente acompanhados de toda a família e amigos que podiam ter estado expostos a essa doença terrível e contagiosa, a dúvida. Informa que o partido onde elas militam está infestado de boys for the jobs e corruptos, informação de utilidade suprema num contexto em que, certamente por manipulação dos media pelo patronato capitalista que os controla, chega a parecer que é outro partido que detém confortavelmente a palma nesse domínio. E informa que os partidos da reacção estão ligados por uma associação criminosa. Tudo clarinho e bem explicado, e com o poder de síntese notável que a palavra de ordem confere ao discurso.

O que nos assegura que estamos em boas mãos. Se queremos acabar de vez com o direito à greve não temos mais do que acelerar o caminho para o socialismo que os nossos, da democracia portuguesa, esclareça-se, pais fundadores nos deixaram escrito a pedra no preâmbulo da Constuição.

Boa viagem!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:05
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Segunda-feira, 11 de Setembro de 2017

O Outono bloquista

2017-08-23 labirinto.jpg

Quando a Comissão de Censura e as editoras começam a colaborar preventivamente para evitar a publicação de conteúdos que possam perturbar a moral e os bons constumes, sabes que estás a entrar numa espécie de Primavera mercelista em sentido oposto: no Outono bloquista. Se lhes deixares a rédea solta, prepara-te para uma longa noite fascista.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:53
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