Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

O partido dos fantoches e ventríloquos

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O Partido Socialista já foi o partido de gente

  • como o Mário Soares e o Salgado Zenha que, goste-se deles ou não, e para o bem e para o mal, algumas vezes para o muito bem e outras para o muito mal, foram os mais determinantes resistentes, não os únicos mas os mais determinantes, os que polarizaram o povo, não o da muralha de aço mas o real, os militares que ainda não tinham caído ou nunca viriam a cair nos braços do comunismo mas dificilmente o teriam evitado, os partidos políticos democráticos e, não menos importante, os governos de países que estavam mais dispostos a deixar cair este pequeno país periférico nas mãos do comunismo em que parecia querer cair do que a apoiar democratas que pareciam não ter qualquer capacidade de criar uma alternativa ao comunismo, contra o avanço, que chegou a parecer imparável, da ditadura da besta comunista em 1975,
  • como o António Arnaut que, décadas depois de ter criado o Serviço Nacional de Saúde, com as qualidades e os defeitos que tem, se dispõe a sofrer pessoalmente com os defeitos que atingem o povo que não tem alternativa para se tratar e se submete a listas de espera intermináveis para cirurgias a que tem condição social e económica para se furtar recorrendo aos prestadores de saúde privados,
  • até de jovens como o Francisco Assis, com coragem para enfrentar de caras secções de facínoras corruptos do próprio partido e correr o risco, aliás concretizado, de ser sovado e só ter conseguido ser retirado do local e sobreviver com protecção policial, como acontecera também ao Mário Soares quando enfrentou os facínoras comunistas na Marinha Grande, e que hoje continua a ser tão odiado pela liderança do partido e seus jagunços como o era na altura pela liderança dessa secção e seus jagunços,

agora, desde que o António Costa tomou o partido à bruta, mas de quem nasce bruto não se pode esperar diferente, é um partido de fantoches e ventríloquos, patetas em funções de responsabilidade sem preparação nem dignidade para as assumir e que não sabem o que hão-de dizer a papaguear o que lhes dizem para dizer outros patetas em funções de responsabilidade sem preparação nem dignidade para as assumir e que também não sabem o que hão-de dizer mas têm ascendente sobre os primeiros para os fazer dizer aquilo que lhes mandam dizer. Nivelados pelo chefe, e exibindo como única competência a de tentarem ser tão ordinários como ele.

Um esgoto a céu aberto.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:31
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Sábado, 22 de Abril de 2017

Sobre a arte de bem montar uma farsa

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Morreu uma adolescente de 17 anos num hospital do Serviço Nacional de Saúde por ter sido contagiada com sarampo, doença para a qual não estava imunizada por não ter sido vacinada, no decorrer de um internamento por uma doença menos grave e não letal, a mononucleose.

O SNS é regularmente apontado pelos seus responsáveis como um dos melhores do mundo com base em estatísticas e comparações várias e, relativamente ao sarampo, é mesmo classificado pelo próprio Director-Geral de Saúde, um dinossauro da burocracia que já enterrou mais ministros do que a viúva negra maridos, talvez por ao longo das últimas décadas ter conseguido com sucesso ser ele o porta-voz das boas notícias no domínio da saúde, por exemplo, o espectacular dispositivo de resposta à gripe A, e delegar nos ministros as más notícias, por exemplo a fortuna gasta em milhões de vacinas para a gripe A que foram adquiridas mas nunca ministradas, como motivo de inveja lá fora.

O DGS foi, prontamente como lhe é tradicional, o primeiro a reagir, apontando as baterias à falta de vacinação, e tendo mesmo sugerido, depois deixou cair à medida que se apercebeu que tanto a tutela como o poder político não estavam para aí virados, a obrigatoriedade da vacinação.

E estava dado o mote, a culpa não era da falta de condições para proteger os doentes contra o contágio por outras doenças nos estabelecimentos do SNS, mas da recusa de vacinação, tanto dos doentes que contagiam os outros, como dos que se deixam contagiar. Esta linha de argumentação é brilhante e está destinada ao sucesso garantido, até porque basta dar o pequeno salto de associar a falta de vacinação à recusa de vacinação, e esta a crenças próprias de seitas religiosas ou atitudes naturalistas de hippies retardados, para iniciar uma guerra ao obscurantismo pelo iluminismo, e qual de nós não adere entusiasticamente a uma guerra em que se sente elevado pela superioridade civilizacional e moral, que no entanto a Zita Seabra explicou cristalinamente que justifica as maiores barbaridades, que tão bem sabe? E assim se iniciou mais uma cruzada contra o obscurantismo da falta de vacinação.

Montada a pira de lenha no pelourinho para o julgamento na praça pública pelo burocrata-mor, foi imediatamente regada com gasolina por médicos mediáticos, e quem aparece primeiro ganha pontos no campeonato do mediatismo, como o pediatra Mário Cordeiro com tiradas a dar títulos como "O movimento antivacinas é idiota e é uma afronta aos mortos" ou "Pais que não vacinam filhos são negligentes e deviam ser responsabilizados". Já havia um embrião de sentança, os pais destas crianças com sarampo são idiotas e deviam ser criminalizados. E os burocratas e os médicos ilibados, digo eu que é uma consequência lógica da anterior.

Mas, mesmo nos tribunais da opinião pública que tendem a ser muito mais expeditos a dissipar as dúvidas e a chegar a sentenças definitivas do que os tribunais de justiça, chegam a ouvir-se testemunhas, e chegou a vez aos jornalistas. A jornalista do Expresso não teve dúvidas em denunciar que "Mãe da rapariga de 17 anos é antivacinas..." mas, pior ainda, "...e adepta da homeopatia", informação que lhe tinha sido passada por fonte médica. Estava dissipada qualquer dúvida sobre a pertença destes pais às forças do obscurantismo. Que andamos todos a combater, digo eu. A notícia foi posteriormente actualizada com informação prestada por familiares dos pais que explicaram que a jovem não tinha sido vacinada contra o sarampo na altura prevista por indicação médica, por ter feito um choque anafilático grave em reacção a outra vacina, mas o título da notícia, que é a única coisa que interessa, não foi alterado num milímetro, e ficou para a posteridade que "Mãe da jovem que morreu com sarampo é antivacinas". Podia-se, pois, passar à execução da pena e pegar fogo à pira e aos pais.

E foi o que aconteceu. No pelourinho das redes sociais, no julgamento dos pais que recusam vacinar os filhos pelos cidadãos que defendem a vacinação, aqueles pais foram condenados ao ridículo do obscurantismo desalmado que lhes fez matar a própria filha. Assunto arrumado.

A alegação de que não tinham vacinado a menina por indicação médica depois do choque anafilático não foi considerada relevante pelos membros do júri, que somos todos nós. Provavelmente foi uma desculpa esfarrapada para fugirem às responsabilidades. E apareceram logo médicos a esclarecer que, mesmo com o choque anafilático anterior, os pais poderiam à mesma ter vacinado a menina, nem que a internassem num hospital para lhe dar a vacina e controlar os efeitos da reacção alérgica num ambiente medicamente controlado. Aliás, a desculpa era desinteressante por transferir a responsabilidade dos pais para a pediatra da menina, e nem o DGS nem os médicos mediáticos gostarem muito de apontar o dedo a outros médicos quando o podem apontar a pais obscurantistas.

E a quem saiu a sorte grande neste julgamento mediático?

Ao Ministério da Saúde, que, com todos ocupados a discutir o obscurantismo dos pais, ninguém questionou seriamente sobre como é possível um doente ser internado num hospital com uma doença benigna e sair de lá para o cemitério com uma doença mortal que apanhou por contágio no hospital onde era suposto ter sido tratado da doença que levou e protegido de contágios de outras doenças. Mas esta é uma daquelas perguntas a que não interessa procurar resposta, para não estragar o ambiente de descrispação em que, graças a Deus, ou ao presidente e ao primeiro-ministro, vivemos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:05
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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

Sobre a falta de vergonha

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É preciso mais do que um bocado de lata para um banco que, quando é mal gerido, e, quando o é, é-o pelo facto de ser público e seguir recomendações ou ordens da tutela, e as tutelas socialistas não se têm furtado a fazer-lhe recomendações e a dar-lhe ordens em nome do financiamento dos sectores estratégicos da economia, das pequenas e médias empresas, e dos empresários amigos dos governantes socialistas, tem a garantia de reposição do capital em falta por extorsão dos contribuintes, e acabou de ser recapitalizado por uma das maiores operações de extorsão dos contribuintes da história de Portugal, que delapida o capital, quando o tem e quando não o tem, em sedes majestáticas e fundações culturais que não cumprem função cultural nenhuma mas dão patine ao nome aos gestores que as fundam, competir pela consignação de 0,5% do IRS com pequenas organizações não governamentais que cumprem funções sociais e humanitárias notáveis e imprescindíveis nas áreas onde o Estado, e é melhor não falar da banca para não desatar a dizer palavrões, falha redondamente, até porque canaliza o dinheiro dos contribuintes para capitalizar bancos públicos e não lhe sobra para acudir às necessidades do estado social que são deixadas para trás, e agora já nem chega para manter o Metro, o INEM e os hospitais em funcionamento, e que se vêem permanentemente aflitas e gastam grande parte das suas energias e do tempo de quem as mantém vivas à procura financiamento para as suas actividades sociais e humanitárias.

Não, o meu IRS consignado não vai para a Fundação CGD Culturgest, vai para o Banco Alimentar, como poderia ir para outras organizações não governamentais igualmente generosas, esforçadas e meritórias. Para os banqueiros pedintes mando, e convido todos a mandarem, manguitos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:00
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Domingo, 16 de Abril de 2017

Títulos pavlovianos para formatar cabecinhas de alho chocho

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A investigadora Raquel Varela, uma das mais ilustres pastoras de almas no Tempo Novo depois de ter feito parte da vanguarda ideológica dos indignados e dos okupas que se rebelaram nos anos da troika contra o neoliberalismo e o capitalismo desregulado, decidiu agregar numa única tese quase todo o conhecimento que existe, explicando de uma só penada o desemprego estrutural e o assistencialismo familiar e Estatal, o lumpen-proletariado, Trump, a Cornucópia e a juventude, dando-lhe o sugestivo título de Trump em Torremolinos.

Não dominando a ciência da Tudologia, não ouso desafiar a ligação encontrada pela investigadora entre todas estas coisas, e deixo a análise dos fundamentos teóricos e dos aspectos metodológicos que conduziram à formulação das conclusões da publicação aos que a dominam. Só tomo nota que a autora não deixa de fazer menção ao lumpen-proletariado, uma brilhante construção do socialismo para arrumar de vez com a dúvida que alguma contra-revolução ainda tinha sobre a adesão entusiástica do povo à revolução socialista e que alguns retrógrados ainda hoje persistem em ter, explicando que os que não aderem são lumpen-proletariado e, portanto, casos perdidos que não contam para a média daquilo que é o verdadeiro povo, e que hoje se aproxima mais dos pós-doutorados em ciências sociais do que dos operários e camponeses, soldados e marinheiros, e muito menos dos que não são sindicalizados, ou sindicalizados mas em sindicatos amarelos da UGT. O lumpen-proletariado é a água que se pode sacudir do capote revestido de Scotchgard para a revolução socialista seguir em frente com o povo a segui-la.

Mas percebo alguma coisa da ciência dos títulos, e o título Trump em Torremolinos é notável a todos os títulos.

Em três palavrinhas apenas remete Donald Trump para o domínio dos selvagenzinhos que exportamos regularmente nas férias da Páscoa para vandalizar hotéis do sul de Espanha. Tocada a campainha, as glândulas salivares entram em acção e os cães de Pavlov aliviam-se da ansiedade com a certeza de um petisco na iminência de chegar. E os leitores da investigadora Raquel Varela também. Assunto arrumado.

Mas um título tão brilhante, por eficaz a atingir os resultados pretendidos, merece ser investigado. O trabalho de campo da minha investigação cientifica recorreu ao método de contar o número de ocorrências da palavra "Trump" na tese através da ferramenta informática "Personalizar e controlar o Google Chrome -> Localizar... ", e revelou que a palavra aparece 3 vezes:

  • no título "Trump em Torremolinos";
  • na introdução, onde a autora explica que vai "...de uma penada só debater o desemprego estrutural e o assistencialismo familiar e Estatal, o lumpen-proletariado, Trump, a Cornucópia e a juventude";
  • e na frase "Trump de um lado lança bombas, a ONU enviada enxadas para enterrar corpos".

A análise revela que a tese tem um nível de polivalência notável. Podiam-se substituir as 3 ocorrências da palavra "Trump" por "Putin", ou "Assad", sem alterar em nada o seu sentido. Se se retirasse a palavra "ONU" da frase, qualquer lançador de bombas seria elegível para chegar ao título da tese. Deixando-se limitar pelo preciosismo, "Trump" não seria ele próprio elegível, uma vez que lançou bombas mas os corpos não foram enterrados pela ONU.

Mas isso não interessa.O verdadeiro conteúdo da tese está no título, e o título não precisa do texto para se fazer entender. Pelo menos pelo lumpen-intelectual que consome títulos da investigadora Raquel Varela à procura de campainhas que lhe diminuam a ansiedade da dúvida e a substituam pelo conforto da certeza que o Donald Trump é dos maus, e que eles, e ela, são dos bons.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:28
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Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

Suspender Schengen

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Senhores terroristas,

 

A vossa comodidade é a nossa preocupação.

No próximo mês haverá uma visita papal a Fátima, e o Papa Francisco estará em Portugal nos dias 12 e 13 de Maio.

O senhor primeiro-ministro cultiva a imagem do aluno mais rebelde da turma a Finanças Públicas, o que lhe dá uma certa aura de James Dean, só que em bastante mais feio e gordinho, mesmo se se esforça por ter boas notas nos exames, às vezes com alguma batota, mas a Segurança e Cooperação ambiciona ser o melhor aluno, ou não tivesse ele um passado de ministro das polícias. E não vai deixar fugir a oportunidade de se mostrar um durão, suspendendo Schengen, ou seja, repondo os controlos de fronteiras entre o dia 10 e o dia 14 de Maio e mandando as televisões filmar polícias de metralhadora e colete à prova de bala, uma ou outra barreira de arame farpado mediaticamente exposta, talvez até um ou outro blindado, para impressionar o mundo. Nesses dias, o mundo, genericamente, e Portugal, especificamente, estarão mais seguros.

Mas temos a noção que estas alterações, mesmo sem impedir a vossa actividade, poderão perturbar a circulação de terroristas. De modo que vos queríamos deixar alguns conselhos. Terrorista prevenido vale por dois.

Se pretendem estar em Portugal durante a visita papal devem organizar a vossa viagem de maneira a minimizar os eventuais transtornos a que o controlo de fronteiras vos poderá sujeitar. Como é expectável, neste período os passageiros que chegarem por terra, mar e ar serão sujeitos a controlos de fronteira que, mesmo sem grande risco de lhes conseguir interceptar armas ou engenhos explosivos, os obrigarão a incómodas esperas, mais longas do que é habitual. Assim, será do vosso interesse chegarem a Portugal antes do fecho das fronteiras, ou seja, até ao dia 9 de Maio, de modo a passarem a fronteira muito mais rápida e comodamente, e terão ainda alguns dias livres para conhecer o nosso belo país, eleito repetidamente no Facebook como um dos melhores destinos de férias do mundo.

Bom, para dizer a verdade, estamos certos que os verdadeiros terroristas já se terão lembrado disto e tratado de reservar a sua chegada para antes do dia 10 de Maio. Também estamos certos que as autoridades portuguesas têm noção que, se alguns terroristas quiserem entrar em Portugal para cometer um atentado, entrarão à vontade antes do fecho das fronteiras. Pelo que, mesmo tendo a noção que a suspensão de Shengen contribui zero para a prevenção de algum eventual atentado terrorista, será pelo menos uma bela oportunidade para mostrar aos portugueses e ao mundo que o governo zela pela nossa segurança e pela dele.

Bem hajas, António Costa.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:38
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

É para isto que os meninos andam a ser educados.

Os finalistas da geração mais bem preparada de sempre de Portugal, os que se tiverem tido média de 19 vírgula picos e se conseguirem acabar o curso daqui a meia dúzia de anos nos podem retalhar o peito para nos destroçar o coração, ou os pulmões, compraram uma férias em Torremolinos com bar aberto desde as 10 da manhã, e dedicaram o resto do dia a tentar demolir o hotel, ou pelo menos as convenções, instalando televisores nas banheiras, sofás nos elevadores e lançando pelas janelas colchões voadores. Uns labregos.

[Eu também já fiz uma viagem de finalistas. Fui a Londres em Abril de 1974, fui a 7 e regressei a 17. Ficámos numa residencial da universidade de Londres perto de Russel Square que não vandalizámos. Vimos pela primeira vez televisão a cores, e que bonito era ver futebol a cores... Não nos embebedámos, se bem que alguns tenham experimentado o seu primeiro charro, e outros perdido a inocência, na época não era nada mau perder a inocência aos 16 anos, uns com amadoras, outros com profissionais, um dos quais não chegou a perder porque aquilo era um esquema de pagar bebidas e a ele acabou-se-lhe o dinheiro antes de chegar ao último nível. A maior parte foi ver o Oh! Calcutta! e o Last Tango in Paris, que só alguns, como o João Gonçalves, que era da selecção nacional de juvenis de handball, tinha visto até aí quando jogava lá fora. Éramos just a bunch of regular decent guys. Uma semana depois acabava a ditadura, e um ano e meio depois começava a democracia. Por enquanto ainda dura.]

Os papás, e nada como os representantes dos papás para representar os papás, correram a explicar que era muito natural, e os da Confap, uma espécie de Fenprof do encarregados de educação, e eu digo isto tendo sido presidente de uma associação de pais, a do Instituto Gregoriano de Lisboa, meteram as mãos às ancas e esclareceram que, se não fosse para os meninos partirem aquela merda toda, os tinham mandado rezar para Fátima. Em resumo, a expulsão do hotel, antes de terem sequer completado a demolição, foi um exagero.

Já o ministro, esse pau mandado na Fenprof e, pelos vistos, da Fenprof dos encarregados de educação, pôs água na fervura, e disse que é preciso perceber com serenidade o que aconteceu antes de julgar os meninos.

2017-04-11 Fidelidade -Tiago Brandão Rodrigues.jp

Em resumo, explicam os pais, explica o ministro, é para isto que os meninos andam a ser educados.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:20
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Sábado, 8 de Abril de 2017

O arquitecto do regime

Há uns bons pares de anos, numa segunda-feira de manhã, a capa de uma revista veio comover a nação que vivia o auge do cavaquismo com euforia. O arquitecto do regime, que fazia projectos milionários para tudo o que fosse eregível, e facturava ao governo muitas dezenas de milhares de contos (e muitas dezenas de milhares de contos ainda são dinheiro, mas naquela altura eram muito mais) por meros ante-projectos de urbanizações a eregir em manicómios deslocalizados para fora do centro da cidade, figura central do jet-set da época, até empresário da noite, era um dos donos do Bananas, e senhor de uma riqueza ostentada sem vergonha, deslocava-se de Rolls, também se dedicava ao cinema amador. O título da notícia era algo como "As loucuras do arquitecto", ou "Pau para toda a obra", já não me lembro bem. Mas lembro-me que, antes da hora de almoço, o jornalismo de investigação que se praticava na era pré-internet nas grandes empresas multinacionais quando havia grandes debates públicos a decorrer já tinha descoberto, na empresa onde eu trabalhava, que, nas Páginas Amarelas, o gabinete do arquitecto vinha na página com o separador "Pronto a Comer", na secção "Projectos de Arquitectura". Nas multinacionais, quando se investiga, investiga-se a sério.

Entretanto o regime mudou, o Cavaco Silva, ou porque não lhe apeteceu, ou porque pensou que ia perder, não se voltou a candidatar a primeiro-ministro, e o cavaquismo acabou e foi substituído pelo socialismo, entremeado com algumas interrupções neoliberais rapidamente postas na ordem pelos socialistas, mesmo quando perdem as eleições. E, com o socialismo, mudou o arquitecto do regime.

Hoje em dia não há peido que se dê no Portugal socialista sem um tripezinho Siza para o segurar, ou um candeeirozinho Siza para o iluminar.

Do museu ao auditório da escola, do bairro de uma grande cidade destruído por um incêndio ao pavilhão de uma exposição universal, vai a todas as que têm promotores públicos, um dia hei-de tentar perceber se por concurso público ou por ajuste directo? se bem que tenha a intuição que mais por este do que por aquele, porque o talento não se leva a concurso. Temos, pois, o novo arquitecto do regime.

Acontece que eu tenho alguma dificuldade em compreender, para usar uma expressão na moda, o que faz de um arquitecto cuja obra é uma pain in the ass para os desgraçados que são forçados a usufruir dela um grande arquitecto, para além da facturação do gabinete?

  • A começar pelos milhares ou milhões de utentes da estação de Metro do Chiado que entram na estação pelo meio e, para apanhar o combóio por baixo de onde entraram, são obrigados a calcorrear toda a estação até às escadas que estão nas extremidades, e fazer o mesmo caminho de regresso no cais...

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  • ...aos que passam circunstancial ou regularmente nos pátios dos edifícios do Chiado, todos eles em pedra nua cheia de esquinas vivas que parecem lá colocadas para que as pessoas que tropeçam ou escorregam na calçada, que inunda quando chove, e caem, rachem a cabeça ou os ossos...

 2016-10-03 Siza Vieira Chiado.jpg

  •  ...aos, e aqui tenho de me felicitar por não ser forçado a ser utente, habitantes dos bairros sociais que, para chegar a casa ou sair, são forçados a usar escadas bizarramente altas, íngremes e sujeitas à intempérie, que parecem colocadas lá apenas para matar os velhotes que os habitam, seja de exaustão, por terem que as subir carregados com os sacos de compras, seja de tropeção nos degraus de cimento, a rebolarem até ao chão de pedra.

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 A mim que, na arquitectura, me impressionam menos os Pritzker do que o cuidado com "as pessoas" que são condenadas a viver dentro dela, ou a ergonomia, só posso esperar que o regime mude rapidamente, para aparecer um novo arquitecto que nos torne a vida menos penosa e perigosa e mais agradável e segura.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:36
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017

MBA rápido em Jornalismo, na especialidade Entrevista Política

2017-04-07 Pacheco Pereira Bom trabalho, mau traba

Hoje lanço aqui um MBA rápido em Jornalismo, na especialidade de Entrevista Política, com uma garantia de empregabilidade de 100% na Impresa, o grupo de comunicação social do dr. Pinto Balsemão. O curso é gratuito, mas ofereço a garantia de devolução das propinas se o candidato não conseguir o tão desejado lugar nos quadros deste afamado grupo.

O curso é suportado cientificamente numa investigação empírica exaustiva conduzida ao longo de anos na observação de percursos profissionais de sucesso de jornalistas lambe-botas e lambe-cus, fundamentação científica que permite assegurar os resultados prometidos.

O estudo de caso que se propõe como exercício é preparar um guião para uma boa entrevista ao líder da oposição. Para os alunos não gastarem os neurónios, a abundância de neurónios não é um pré-requisito para o ingresso no grupo Impresa, a resolvê-lo, apresenta-se desde já a solução e despacha-se o curso mais repidamente.

 

Guião para uma boa Entrevista ao Líder da Oposição.

  • O senhor está com raiva por causa dos sucessos do Governo a resolver problemas que o senhor deixou por resolver?
  • O senhor, que disse que o governo nunca conseguiria atingir o deficit, o que é que diz agora, engole as palavras?
  • O senhor continua a torcer para haver a necessidade de um segundo resgate?
  • O senhor está à espera de a geringonça estoirar para conseguir finalmente regressar ao governo?
  • Se voltar ao governo, o senhor vai voltar a cortar os salários e as pensões?

[Se incluiu estas perguntas na sua solução, o entrevistador já obteve a aprovação no curso e um lugar garantido nos quadros da Impresa. A resposta seguinte permite ascender à classificação de Aprovado com louvor e Distinção e dá acesso directo ao ingresso na Quadratura do Círculo e a sete mil e quinhentos euros por mês a título de direitos de autor, que pode acumulaar com outros rendimentos e lhe dá um desconto no IRS]

  • O senhor continua a ser um neoliberal que faz tudo para desvirtuar a matriz social-democrata do PPD/PSD e a herança ideológica do dr. Sá Carneiro?

Obrigado pela vossa comparência no curso, espero que vos tenha sido útil e proveitoso, e deixo-vos a sugestão de levarem sempre convosco a imagem de São Pacheco, o santo padroeiro dos vira-casacas, que neste mundo nada é imutável e a capacidade de adaptação a circunstâncias que se alteram dinamicamente é crucial para os lambe-botas e lambe-cus de sucesso.

 

* Imagem do santo tomada de empréstimo ao seu suposto autor, o blogue wehavekaosinthegarden.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:50
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Domingo, 2 de Abril de 2017

Descargas de suiniculturas e esgotos a céu aberto, para quê?

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O Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas. Estranhamos sempre, mas já estamos habituados ao cheiro.

Apesar de o Passos Coelho andar relativamente sossegado, decidiram agora fazer-lhe uma descarga, por motivos que só eles saberão, regressando ao velho tema da Lista VIP.

A informação que o fisco guarda sobre os contribuintes e a sua vida contributiva é útil, e até imprescindível, para perceber se eles cumprem integralmente as suas obrigações fiscais. Não serve para os funcionários vasculharem os rendimentos e o património dos vizinhos, nem para comissários políticos infiltrados na administração fiscal a poderem distribuir a quem entendam para finalidades de utilização no combate político em que participam. Como foi abundantemente utilizada na última legislatura, em que, nomeadamente, a vida contributiva do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi exaustivamente vasculhada e discutida, mesmo no parlamento, por dois dos partidos da oposição, o PS e o BE, o PCP costuma ter mais pudor a fazer oposição por essa via, talvez por ter sido em 1980 o precursor em Portugal da política de casos com o caso da dívida do Sá Carneiro à banca e de ter aprendido então, com o resultado da eleição que se seguiu em que a AD reforçou a maioria absoluta de 1979 por outra ainda mais clara em 1980, que a política de casos entusiasma os convencidos mas não necessariamente o eleitorado e não parece converter ninguém. Como, aliás, se veio a confirmar nas eleições de 2015, em que todo o investimento da oposição nos casos que envolveram o Passos Coelho, em que a mera menção da palavra "Tecnoforma" fazia salivar os cães de Pavlov socialistas e bloquistas convencidos que estavam prestes a capturar caça grossa, não evitou a sua vitória inesperada nas legislativas de 2015.

Isto para dizer que,

  • o conceito de Lista VIP é um instrumento valioso para detectar precocemente a consulta, que não seja por motivos processuais legítimos e verificáveis, a dados fiscais de alguns contribuintes específicos que, pelo seu relevo social, económico ou político, são alvo de uma curiosidade acrescida da comunicação social ou de adversários, políticos ou de outras naturezas, com vista à obtenção de vantagens que lhes possam advir do conhecimento desses dados;
  • que eu próprio gostaria de fazer parte de uma qualquer Lista VIP que fizesse desencadear um alarme se algum hipotético vizinho meu funcionário do fisco que não simpatizasse comigo aproveitasse a possibilidade de acesso às bases de dados do fisco para vasculhar os meus impostos;
  • mas que tenho a noção que se toda a gente, com grande ou com quase nula probabilidade de suscitar o interesse não profissional dos funcionários do fisco, fizesse parte da Lista VIP ela se tornaria inoperativa pelo excesso de alarmes, pelo que a sua existência é tanto mais útil quanto mais reduzida for a lista de contribuintes que suscitem esse interesse, mesmo que seja tão proibido vasculhar os meus dados como vasculhar os do presidente ou os de algum contribuinte que faça parte de alguma Lista VIP;
  • e que os grandes detratores da Lista VIP não são os contribuintes alvo da desigualdade de não fazerem parte dela, nem os funcionários que deixam de poder preencher os seus tempos livres bisbilhotando o cadastro fiscal dos famosos, mas os comissários políticos que, devido à fiscalização acrescida que ela proporciona, se vêem impedidos de vasculhar os dados dos contribuintes integrados nela para os divulgar a quem entendam.

Posto isto, o jornalismo de combate do Público regressou, pois, à Lista VIP, e esta vez ilustrada com histórias específicas, que depois de ler a notícia, apesar de extensa, se resumem a uma história.

E qual é a melhor história que o Público encontrou para ilustrar o acesso não autorizado a dados de contribuintes detectado pelo sistema de alarmes da Lista VIP? Uma consulta ao IMI do Cavaco Silva por um costista funcionário do fisco para publicação no Público? Uma devassa de um sindicalista bloquista ao IRS do Passos Coelho para passar a informação ao grupo parlamentar do BE para entalar o primeiro-ministro no hemiciclo?

Nada disso! Uma funcionária das finanças da Amadora, onde o Passos Coelho morou antes de se mudar para Massamá, e amiga pessoal dele, a quem ele telefonou para lhe pedir uma informação sobre a sua própria declaração de IRS, que ela consultou para lhe responder pelo telefone. O resto da notícia é uma misturada confusa e extensa de factos e relatos do que foi sendo explicado por inúmeros participantes sobre a origem, desenvolvimento e existência ou inexistência da Lista VIP, a quem a comunicação social e a política deram uma vida mais importante do que a devassa do sigilo fiscal dos contribuintes para finalidades de combate político.

De uma penada, esta feliz ilustração do Público mata vários Coelhos.

  • A Lista VIP destinava-se a impedir o acesso dos inimigos do Passos Coelho às suas informações fiscais dele para beneficiar politicamente os mandantes deles, mas afinal apanhou uma amiga dele a aceder aos dados dele a pedido dele, isentando de qualquer malfeitoria os adversários políticos que pretendia fiscalizar.
  • Esta história é complicada demais para o leitor típico do Público, o consumidor mais típico da moderna verdade a que temos direito, a perceber, mas se é denunciada no Público, é sobre o Passos Coelho, e aparece misturada com a Lista VIP, malfeitoria destinada a esconder as infracções fiscais dos poderosos, significa certamente que o Passos Coelho fez alguma aldrabice conjuntamente com uma amiga que tinha na administração fiscal.

É, portanto, uma boa descarga das suiniculturas que recorrem ao Público para se aliviarem delas. Contém frases como "Em pleno caso Tecnoforma, Passos ligou a uma funcionária do fisco sua amiga por causa do IRS. O acesso foi apanhado no alarme VIP e aparece no inquérito arquivado pelo Ministério Público. NIF de Paulo Núncio foi acrescentado à lista mas a razão é um mistério." cheias de palavras-chave como "Tecnoforma", "arquivado", ou "mistério", que exalam o mau-cheiro característico das descargas que elas têm sempre esperança de fazer colar aos visados.

O motivo de as fazerem agora, consumindo matéria fecal que poderiam guardar para um dia mais tarde em que fosse mais necessária, não é claro? Tal como não é fácil perceber porque não aprendem com as experiências passadas, em que as descargas em que depositaram tantas esperanças afinal não conseguiram garantir-lhes o que ambicionavam, vitórias nas eleições, e continuam a fazê-las? Rotina? Instinto? Não se sabe.

A verdade é que continuam a fazê-las regularmente. E que o Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas, e que as estranhamos sempre mas já estamos habituados ao cheiro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:05
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Os trabalhos do Grupo de Trabalho sobre a Dívida

2017-01-26 Costa the con man.jpg

 

Se há pecado que não se pode apontar ao António Costa é o da imprevisibilidade. Aldraba sempre, nunca decepciona as esperanças que se depositam nele de se lhe ver sempre sairem inovadoras e fantásticas aldrabices.

Se há coisa que não seja necessária para conhecer as posições dos socialistas costistas no governo, é necessário especificar por extenso porque outros socialistas, ou estes na oposição, têm posições diferentes, e dos bloquistas sobre a dívida é formar grupos de trabalho mistos. Toda a gente conhece as suas posições, onde convergem, na ambição de a dívida não vir a ser paga pelos portugueses, e onde divergem, na preferência dos bloquistas por não a pagar aos credores recorrendo a processos de "renegociação" necessariamente musculados, e na dos socialistas por embarretarem os parceiros europeus e os convencerem a pagá-la eles recorrendo a processos de "mutualização". Também são posições que não são derimíveis em grupos de trabalho, porque a confiança de cada um deles na exquibilidade e nos benefícios da sua via preferida é formada através da fé, e não há folhas de cálculo que convençam qualquer deles que a proposta do outro é mais exequível ou melhor. Aliás, as folhas de cálculo prestam-se tão bem a apoiar a tomada e decisões quando são programadas objectivamente, como para tentar enganar os outros quando são programadas para lhes tentar provar a opinião que se leva para a discussão.

Mas se os grupos de trabalho não servem para os partidos afirmarem as suas opiniões sobre o tema, nem para os derimirem e chegarem a um entendimento comum, para que é que servem? Servem para o António Costa aldrabar os tontos dos bloquistas e os manhosos dos socialistas que sonham fazer tremer as pernas do banqueiro alemão com a ameaça da reestruturação da dívida, deixando-os discuti-la em mais um daqueles grupinhos de trabalho que os vão ocupando e acalmando, e lhes vão acalentando as esperança de um dia isto virar socialista no sentido bolivariano do termo, o Grupo de Trabalho sobre a Dívida.

Exactamente aquilo que se faz quando, para ter meia hora de sossego no escritório, se põe uma cassete da Disney no leitor de vídeo e se deixam as crianças na sala, na esperança de que elas não descubram por si só o Canal 18 enquanto estão sozinhas, o grupo de trabalho era apenas para os entreter caladinhos, e até deixou na sala um secretário de estado para garantir que as crianças não descobriam mais do que deviam a mexer no telecomando.

Para motivar ainda mais as crianças e fazê-las sentir que têm superpoderes prontos para serem colocados ao serviço da revolução socialista, o governo decidiu adiar a revelação do relatório do grupo de trabalho para 26 de Abril, depois de ser divulgado a 21 de Abril o resultado da revisão da notação da dívida portuguesa pela agência de notação DBRS, como se a sua revelação pudesse desencadear o tal tremer de pernas, no caso presente, as da única agência de notação que, por mais que os juros da dívida pública portuguesa aumentem, persiste em classificá-la como dívida de confiança que um dia, se Deus quiser, alguém há-de reembolsar.

Mas até lá, pelo sim, pelo não, e como o mundo é pequeno e a agência de notação pode ir lendo as notícias que saem nos jornais portugueses, o governo já avisou o mercado que os meninos estão a fazer o trabalho que lhes distribuiu para fazer mas o governo não vai assinar o relatório, as conclusões são apenas para emoldurar na galeria de retratos do caminho para o socialismo, e vai continuar todo como dantes. A dívida não vai ser alvo de um processo de renegociação nem de reestruturação. Não porque o governo pretenda pagá-la, também nisto o António Costa não decepciona as expectativas, mas porque pretende, ou diz que pretende, no caso dele o que pretende e o que diz são variáveis independentes, convencer os parceiros europeus a pagarem-na eles com o dinheiro dos seus contribuintes, de acordo com o princípio socialista os contribuintes que paguem a crise, com vantagem óbvia se forem contribuintes para a nossa crise mas eleitores para outros governos.

Fora isto, ou melhor, incuindo isto, continua todo calmo, tudo na mesma.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:48
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