Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

Wird Portugal das nächste Griechenland? *

* Vai Portugal ser a próxima Grécia?

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O ministro das finanças português Mário Centeno deu ao jornal alemão Bild uma entrevista onde, de acordo com os jornais portugueses, e para citar apenas alguns exemplos, pressiona Europa a debater perdão da dívida grega, defende alívio da dívida da Grécia com ou sem FMI, defende revisão do Plano de Estabilidade e Crescimentodiz que regras para a dívida têm muito para melhorar, e que até a Reuters noticiou como Portugal finance minister says EU should discuss Greek debt relief, Bild reports. Como comprovam os títulos dos jornais portugueses, a Europa rende-se ao esplendor deste notável português, de quem aguarda sofregamente as sugestões para conseguir sobreviver neste mundo minado, e ele usa o seu esplendor, não em proveito próprio nem no dos portugueses que ele governa, mas para interferir a favor dos mais aflitos, os gregos. Um senhor.

Já o Bild adoptou para a entrevista o título Wird Portugal das nächste Griechenland?, que significa, é fácil de adivinhar mesmo sem ter aprendido Alemão, Vai Portugal ser a próxima Grécia?, uma versão em linguagem jornalística do tradicional Estás aqui, estás a dar com os burrinhos na água.

Os jornais alemães gostam de, de vez em quando, entrevistar doidos que governam países do Club Med, não para sensibilizarem os alemães para a pressão deles para lhes aliviarem a dívida e as dos outros países do clube, continuando a conceder-lhes crédito sem se preocuparem se ele vai chegar a ser reembolsado ou sequer se vai ser usado para resolverem de modo sustentável os problemas que os levaram a essa dependência do crédito, mas para os prepararem para, no dia que o governo alemão decidir cortar a esses países, que repõem rendimentos aos cidadãos e contribuintes mais ricos com o dinheiro que não têm mas pedem emprestado, o abastecimento de dinheiro fácil e barato que lhes dá uma ilusão de prosperidade que não têm e os estimula a gastar o que não têm, perceberem os motivos do corte com o passado. Como se fosse necessário fazê-lo? como se houvesse mais algum alemão para além da Angela Merkel e do Wolfgang Schäuble, que são no entanto fustigados pelos governantes europeus mais idiotas como a origem dos problemas financeiros que eles próprios, ou outros como eles, criaram com a sua irresponsabilidade e o seu populismo, que precisasse de ser convencido que é um fardo inútil continuar a usar o seu dinheiro para financiar demagogos como eles?

E, mesmo sem atingir os níveis de comédia do Yanis Varoufakis, o ministro Mário Centeno não os desiludiu, e retribuiu a entrevista com graçolas como:

  • - O que vale o Pacto Europeu para o Crescimento e a Estabilidade? As regras europeias são para aderir estritamente ou podem-se violar de vez em quando? - Tal como os alemães fizeram em 2002 e 2003, quer você dizer?
  • - O seu governo começou a abandonar a austeridade bem sucedida. Portugal foi uma história de sucesso até ao seu governo ter chegado. - Mas isso é totalmente errado. Não revogamos nenhuma reforma! Pelo contrário. As coisas estão a melhorar em Portugal. Pouco antes das eleições, tivemos estagnação. Agora temos uma tendência muito positiva no mercado de trabalho, o aumento dos números do emprego, crescimento estável. Nós não reformamos a estrutura! Nós não mudamos nada!
  • - E por isso é suficiente de agora em diante os funcionários públicos só trabalharem 35 horas? - Olhe, um funcionário em Portugal trabalha em média 400 horas a mais por ano do que um empregado na Alemanha. Mulheres e homens.
  • - O FMI quer novo perdão de dívida. É um pré-requisito para participar do quarto pacote de resgate. No entanto, o governo federal prometeu que o FMI vai participar mesmo sem perdão de dívida. - Bem, este é um paradoxo que o governo alemão deve resolver. O ministro Schäuble está num dilema. E vamos ajudá-lo no Eurogrupo a resolver este dilema.

Nas mãos de uma espécie de village idiots que fazem caretas e manguitos àqueles a quem pedem esmolas por nossa conta, isto só nos pode correr bem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:17
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