Entre os comportamentos que considero verdadeiramente desprezíveis encontram-se os apertos de mãos firmes e cordiais.
Um aperto de mão firme e cordial parece saído de um curso intensivo de "Criatividade, Empreendedorismo e Inovação". Estes cursos não servem para nada, e esta é uma das razões: toda a vida houve quem soubesse dar apertos de mão firmes e cordiais. São os chamados vigaristas.
Um aperto de mão firme e cordial inspira confiança, o que é um péssimo sinal. Vê-se logo que, mais tarde ou mais cedo, nos vão querer vender qualquer coisa. E quando essa coisa se estragar, eles nunca mais nos vão atender o telemóvel.
Quem sabe destes assuntos é o dr. Mário Soares, que anda nisto há muitos anos, tornando-se por isso um profissional de referência obrigatória. Um aperto de mão firme e cordial tem como objectivo afirmar conceitos sagrados, como honra, lealdade e compromisso. Mas não vive no pântano dos valores ultrapassados pela história, porque sabe que estes conceitos correspondem a normas de comportamento obsoletas e está preparado para agir em conformidade.
Para evitar sarilhos, é importante desenvolver um aperto de mão frouxo e afectado. Se possível, húmido. Assim não se promete nada, e aumentam-se as probabilidades de afastar a outra pessoa para todo o sempre. Que é o objectivo final de qualquer aperto de mão.
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