Há um aspecto decepcionante no entusiasmo com a competição olímpica de voleibol de praia feminino. A sugestão de que se o clima britânico fizer o que lhe compete em Agosto (e chover) as jovens núbeis vão sentir-se inclinadas a vestir-se como as atletas da equipa saudita, ou seja, embrulhar-se em roupas, tem sido recebida com uivos de angústia. Aparentemente, "os homens" estão indignados com esta perspectiva, tendo antecipado o pratinho de ver quatro pares de mamas a abanar para cima e para baixo, como cachorrinhos irrequietos, durante umas tardes.
Ai sim? Se eu fosse homem, e se o "evento" tivesse lugar no meu quintal de trás, suponho que era capaz de espreitar pela janela de vez em quando. Mas se o fizessem no quintal do meu vizinho acho que não levantava o rabo da cadeira para ir ver. Talvez dissesse à rapaziada que "ia andar por ali", só para parecer normal - "Uuuui, e tal, voleibol de praia feminino, pá, acho que vou lá pedir muitos raminhos de salsa nos próximos dias, etc. etc." - mas a ideia não me excitava muito, com toda a franqueza.
Onde eu seria mais estereotipicamente normal é que um campeonato de voleibol de praia feminino disputado entre jovens copiosamente revestidas me interessaria menos do que é possível expressar. Seria um programa tão atraente como, por exemplo, uma conferência perpetrada por Boaventura Sousa Santos sobre as "Causas Económicas das Carências Sociais". Não é sequer passível de ser registado como "interesse". No entanto, se Boaventura Sousa Santos estivesse vestido de biquini e aos saltos para cima e para baixo com as mamas dele a andar à roda, nesse caso eu era capaz de alinhar por uma questão de curiosidade. O que quero dizer é que o único interesse (se é que o tem) do voleibol de praia é a porção de carne feminina deixada a descoberto pelos reduzidos equipamentos da modalidade. Só Deus sabe como é que se transformou num desporto olímpico.
Este é o outro lado da ideia (que agora agita os movimentos "das mulheres" e a esquerda bem pensante) de que as Olimpíadas são sexistas porque as mulheres não são tratadas como os homens. Competem, na totalidade, por menos medalhas. E a participação delas é, em muitos casos, levada menos a sério do que a dos seu equivalentes masculinos. Uma das razões possíveis é que em competições que envolvam força, velocidade, e capacidade de reacção, as mulheres não são nem de perto tão boas como os homens. E não são nem de perto tão boas por uma margem muito larga. Para dar dois exemplos, o tempo mais rápido estabelecido por uma mulher nos 1.500 metros é de 3:50:46, da chinesa Yunxia Qu. O record masculino é de 3:26:00. No lançamento de dardo a disparidade é ainda maior - 80 metros para as mulheres, 104,8 para os homens.
Estou convencida que a maior parte das pessoas percebe isto e consegue, mesmo assim, ficar emocionada com a excelência do atletismo feminino. No fim de contas, cada um só pode jogar com as cartas que lhe foram distribuidas. Mas isto explica bastante porque é que existe uma tendência para favorecer as competições masculinas; elas representam o melhor do mundo, sem necessidade de qualificações. Devo acrescentar que o mesmo argumento se aplica ao ténis feminino ou ainda, pior que todos os outros, ao futebol feminino. Estou convencida que uma equipa formada exclusivamente por deputados à Assembleia da República ganharia facilmente à equipa feminina nacional, se contasse com Abel Batista na baliza, e optasse por um moderno 4-4-2, com Bernardino Soares a meio-campo atacante, armado em bandido.
Mas esta verdade evidente não é aceite, por razões certamente delirantes. Na página da Peter Tatchell Foundation está um manifesto chamado "London 2012: Justice for Women - End gender discrimination at the Olympics" que lamenta a desigualdade nos jogos olímpicos, e alega que isso se baseia no "postulado sexista de que as mulheres são o sexo mais fraco". Presumo que estão cientes de que, sexista ou não, este postulado está absolutamente correcto. Ou não?
O manifesto inclui coisas como "acabar com os estereótipos de género, homofobia, transfobia", e o "fim da prostituição", e "um mundo de paz, e harmonia, e igualdade", a ser estabelecido "imediatamente e sem discussão". Penso que todos podemos concordar com isto.
Também há grandes protestos contra a equipa olímpica feminina da Arábia Saudita, ou a efectiva falta dela. No que tem sido visto por alguns como um compromisso histórico, os sauditas concederam em enviar duas mulheres a participar em Londres - apesar de nenhuma das duas viver no pardieiro desértico islamista medieval. Além disso, as autoridades sauditas exigiram que estas duas mulheres competissem enfiadas no sambenito do costume, como os homens sauditas gostam de ver vestidas as suas mulheres. Escusado será dizer que as suas mulheres não vão competir no voleibol de praia.
Isto tem que acabar, diz Tatchell - bem como a exigência das autoridades iranianas de que as suas beibes se cubram um bocado. Com certeza que sim. Isso é uma coisa que nós aqui vemos como tremendamente ofensiva e incivilizada, e como uma evidência clara de uma atitude perniciosa em relação à igualdade das mulheres.
Mas em quantos países do médio-oriente é que as mulheres são discriminadas - todos excepto Israel? Devemos banir todos os árabes de participar nos jogos olímpicos até terem posto a casa deles na ordem que nós gostamos? Ou talvez todos os países Islâmicos? Não consigo ver alguém tão politicamente correcto como o Tatchell, ou neste caso o macacal do Justice for Women, assinar este tipo de proposta. E ainda podemos ir mais longe: será que os desportistas gay são tratados (digamos assim) com igualdade no Uganda, ou na Nigéria, ou no Zimbabwe? Ficaríamos com umas Olimpíadas disputadas entre a Suécia e a Dinamarca.
De qualquer maneira, para aqueles que estavam ansiosos pelo voleibol de praia feminino, deixem-me que vos sugira uma fonte de prazer alternativa. Deitem uma olhadela à nadadora australiana Stephanie Rice, que vai sem dúvida usar muito poucas roupas e até talvez o fato de banho com que posou para uma revista recentemente. É uma jovem muito atraente que há pouco tempo se meteu num sarilho por descrever os sul-africanos como "bichonas". Mas não digam ao Tatchell.
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Nota:
Este post foi inteiramente plagiado do Rod Liddle, colunista do Spectator e membro do Partido Trabalhista. Quem não gostar, pode pôr na beirinha do prato.
Já não conto as excepções aos cortes aplicados aos vencimentos dos trabalhadores do Estado.
Entendamo-nos: se não houvesse excepção nenhuma, nem por isso as contas do Estado ficariam significativamente melhores - estamos a falar, em relação à dimensão do problema das contas públicas, de peanuts; em alguns casos haverá gestores que poderiam ser tentados a pegar nas malas e passar-se para a concorrência ou sair da função pública. E até pode ser que a concorrência queira um ou outro, e que a saída deste ou daquele causasse um dano de valor muito superior ao da poupança; há, já agora, quem tenha recusado funções públicas por não aceitar o que o Estado paga, e isto ainda antes das reduções.
Mas: i) Suspeita-se que as empresas públicas (e as privadas, quando vivam em conúbio com o Estado) estão inçadas de gestores e consultores de aviário, e tais suspeitas são legítimas face aos casos que se conhecem e ao peso absurdo que o Estado tem na vida económica; ii) Os brilhantes gestores pagos a peso de ouro no banco público (nos privados também, mas isso só é da nossa conta porque somos chamados a empréstimos e garantias forçadas a que os restantes sectores da economia não têm acesso) deram com os burros na água de uma forma de tal modo gritante que conceder-lhes qualquer benefício da dúvida já é muito; iii) A política é a arte do possível, e não é possível esperar compreensão de quem sofreu reduções e assiste pávido às excepções de que são objecto alguns ungidos cujo principal mérito é terem passado e números de telefone. Para já não falar do Banco de Portugal, que, parece, vive em regime de extraterritorialidade para efeitos de nos vir ao bolso.
O passado, em muitos casos, não se recomenda; e fora melhor que toda esta gente se limitasse a ter os números de telefone de fornecedores e clientes.
Deve haver quem no Governo ache que ganha com isto; e que zangar-se com quem conhece é muito pior do que zangar-se com quem não conhece. Faz mal: quem conhece são meia dúzia de gatos de fatos às riscas e com egos do tamanho da estupidez; e quem não conhece é o resto.
São milhões. E nem a paciência é tão grande como se imagina, nem a memória tão curta como se supõe.
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