Redescobri um blogueiro, que costumava ler com agrado e que perdi de vista - não sabia que tinha um novo blogue. Activei aquela coisa do RSS Feed, e pimba: o primeiro post que recebo é este.
Quer-se dizer: aqueles de nós que têm emprego procuram empurrar para a parte profunda do cérebro a ideia de ficar sem ele; os que são patrões têm medo de deixarem de o ser, mesmo que as coisas para alguns não estejam a correr mal; todos os que pagam impostos olham à esquerda e à direita a ver se há maneira de fintar o Estado, ao menos numa parte - a maior possível mas se for poucochinho migalhas são pão; o Governo não chega ao fim da legislatura, nem o Orçamento ao fim do ano, e a UE parece cada vez mais um gigante com pés de barro; a dívida pública cresce, a incerteza já não - quase todos sabem que assim não pode ser, embora ninguém saiba ainda como pode ser.
E Luciano Amaral vem dizer que o pior desta crise é capaz de estar aqui ao lado, em Espanha. E não, não é de economia que está a falar.
A UE, o Euro, eram passos necessários para o enterrar definitivo da ideia obsoleta da nacionalidade. E a famosa bicicleta do aprofundamento não podia parar, porque é da natureza das bicicletas caírem em parando.
Porém, do velocípede em questão já ninguém cura da velocidade: está feito num oito.
Para quem não teve oportunidade de ouvir, deixo o segmento mais importante da entrevista que o dr. Mário Soares deu à Radio France Culture. Vai sem tradução, que é para não adulterar:
"Sétiune situaçiõ de grande crise, qui nuçó mantrã de tenir, êje pançe que se guvérnemã é um guvérnemã qui égzizte lá, qui é tã guvérnemã qui fé débétize. Tuletã.
Parce quil di une chôze, apré il di alôtre, apré i anfã. Icé tujur il valétre plupápizte que le pápe, il valétre plu forte que lá tróica.
Lá tróica disse sé necessér ã miliõ, il vondir sé necessér da miliõ, êtuce lá. Ê la situaciõ sé que tule pêí é contre le regime. Pále regime! Tule pêí é danse mômã contre le guvérnemã."
O magnífico Luis Delgado foi hoje convidado a deixar cair sobre os portugueses os seus comentários às "tensões no seio da coligação" (corre o boato que até lhe pagam para isso). Faço os possíveis por não perder, sempre que tenho tarefas domésticas compatíveis. Esta noite apanhou-me sentada no sofá, em frente à televisão, com um alguidar em cima dos joelhos a tirar o fio ao feijão-verde.
Conheço pessoas que, como eu, gostam de acompanhar programas imbecis ao fim do dia que é "para espairecer", ou "para descansar a cabeça", e assim se justifica a presença das telenovelas, dos concursos de perguntas, dos jogos de bola, dos documentários da BBC, do Prós & Prós, das "mesas redondas", e das "entrevistas de fundo" nas casas de alguns portugueses depois do jantar. Tenho as minhas preferências. Inclino-me para a "Quadratura do Círculo" (confesso que não resisto às momices de Pacheco Pereira, que é quem mais me diverte), para o "Expresso da Meia-Noite" (eles garantem uma boa média de politólogos por semana), e para aquelas emissões relativamente curtas, a seguir aos noticiários, em que as raparigas contratadas pivoteiam comentadores "presentes em estúdio". Se for dia de Luis Delgado, dou logo o serão por ganho.
Recordo com doçura o dia em que este loiro de crâneo sedutor alertou o país para a existência de "empresas de utilidades", que eram, no seu entender, a EDP, a PT, e a GALP (entre outras), com poder para fazer coisas diabólicas. Mas o risco era muito reduzido, porque se essas empresas "se atrevessem" a alterar a sua residência fiscal para fora do país "seria uma revolta social de todo o tamanho", e "o facebook dava cabo delas". Foi a 3 de Setembro de 2011, sei bem, que suspirei de alívio enquanto me entretinha a descascar ervilhas.
Hoje, Luis Delgado estava mais apreensivo. Parecia-lhe inacreditável que o primeiro-ministro "não tivesse mão" no seu parceiro de coligação, uma vez que este representava um partido muito mais pequeno. Era inadmissível que Pedro Passos Coelho estivesse, desta maneira, subalternizado por Paulo Portas. E sugeria "em estúdio" uma série de descomposturas que ele, Luis Delgado, teria dado a Paulo Portas caso estivesse no lugar do primeiro-ministro: "Eu tinha-o chamado e tinha-lhe feito apenas 3 perguntas" - e punha Paulo Portas na ordem. "Mainada".
Gostei de o ouvir. Eu estava apoquentada porque me parecia inacreditável que o primeiro-ministro se apresentasse subalternizado por Vítor Gaspar, um funcionário contratado por ambos. Mas eu não sou como dizem que são todas as mulheres: não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Ou me ocupo do país ou tiro o fio ao feijão-verde.
60% de dívida pública máxima, 3% de défice - anda por aí, algures, um estudo que demonstra que para 2 ou 3% de crescimento isto está muito bem.
Não o vou procurar, o estudo. Que estudos económicos demonstram preconceitos, e eu tenho outros (preconceitos, não estudos). Para mim, fora de guerras, calamidades, depressões e despesas de investimento sobre cujo retorno não haja a menor dúvida, o défice deve ser zero. E mais: como os cenários orçamentais devem ser pessimistas, a execução superavitária, se houver, é uma coisa boa: os mercados emprestam com tanta maior facilidade e tanto menor preço quanto menos se precisa.
Tudo isto é um raciocínio perigosamente fascista: estão a ver, de quando o País crescia a taxas asiáticas (quase o dobro do que se verificava no espaço que viria a ser o da UE), o equilíbrio era a regra e a despesa pública não chegava a 25%.
Este discurso, actualmente raro, costuma ser despachado com escárnio: e a miséria, hem? e o atraso? e os índices humilhantes, na educação, na saúde, nas vias de comunicação? e a ausência de globalização e a adesão à AECL, no início da década de 60? Hum?
Hum o caraças. Que as comparações estáticas entre o agora e o antes são um abuso de raciocínio: todo o Mundo cresceu e em todo o Mundo se registaram melhorias de índices. E mesmo que, como na saúde, haja não apenas progresso absoluto mas também relativo (isto é, subida no ranking comparativo dos países) está por perceber quanta marcha-atrás terá que ser feita até que se atinjam níveis sustentáveis de despesa pública, na saúde e no resto.
E antes que venham para aí bolsar nas caixas de comentários insultos de salazarista!, facho!, e coisas piores, esclareço que, ainda que a gestão económica do País tenha sido nos últimos 38 anos, como foi, uma litania de disparates - nem por isso deixei de pensar que a única legitimidade admissível para governar é ter sido escolhido livremente pelos governados.
Tudo isto para dizer que não preciso de ser convencido da bondade da disciplina nas contas e, portanto, que deveria talvez receber esta notícia com alegria.
Mas não. Ser democrata implica inclinarmo-nos perante a vontade da maioria, mesmo quando - e se calhar sobretudo quando - a maioria escolhe miragens e compra banha da cobra. Ser democrata é isso - e ser patriota implica partir do princípio que quando estrangeiros nos governam, por muito lúcidos que sejam, não somos mais do que cidadãos de segunda.
E, salvo melhor opinião, ainda está para nascer aquela sociedade onde quem parte e reparte não escolha a melhor parte.
Os europeístas de todos os bordos dirão: que tolice, esta é a maneira de termos uma voz numa União de iguais, e salvarmos o precioso Euro, qual colonização qual quê.
Dream on, baby.
"O presidente do BPI defendeu que essa é uma pergunta que deve ser feita às grandes empresas, aquelas que, segundo o próprio, têm capacidade para 'absorver pessoas' e de as 'utilizar de forma útil'. Para Fernando Ulrich, 'com voluntarismo', é possível criar emprego no País."
Um paisano lê isto e fica pasmado: Como?! O Presidente do BPI nunca foi consultado "por nenhum responsável" sobre a forma de criar empregos? Como é possível?
Realmente as associações empresariais, os sindicatos, os governos que temos tido, e o actual não é nisto diferente, são completamente refractários ao aproveitamento de muito contributo positivo do que de melhor temos por aí em gestão, criação de valor, espírito empresarial e assim. É verdade que Ulrich nunca se deu à maçada de concorrer a nenhuma eleição, para aplicar directamente as suas luzes, mas também nunca quis. Nem seria aliás necessário: em os eleitos fazendo o que Ulrich diz, o céu despejava sobre esta atribulada terra assinaláveis benefícios, ao menos em matéria de emprego.
É certo que Ulrich, se o contribuinte não lhe tivesse posto a mão por baixo via troika, estaria possivelmente a perorar num jornal, sem o prestígio que lhe dá o ser um dispensador de empréstimos e criador de emprego, e com a pecha de ter levado um banco à falência ou à integração noutro mais sólido, o que não é exactamente a melhor das recomendações. Mas isso são detalhes, o mérito objectivo das sugestões de Ulrich fala por si. Só no BPI, imagine-se, admitia aí uns 500 desempregados, desde que (supõe-se) comprassem um fato e aprendessem a digitar um teclado, levar papéis de um lado para o outro e dizer inanidades.
E isto só no BPI. Porque se se acrescentasse a SONAE, a Portugal Telecom, a EDP e a Jerónimo Martins, ai!, a taxa de desemprego vinha por aí abaixo. E com grandes benefícios para o consumidor, que uma só funcionária duma caixa no Continente a pegar no cartão, passá-lo na máquina, e fazer deslizar os produtos, é realmente pouco: três seria a conta que Deus fez.
Bom, a coisa está-se a compôr, afinal há soluções. Agora, o que é preciso é falar com os outros leviatãs do empresariado e tratar da logística. Com sorte, a taxa de desemprego ainda pode baixar em mais de 1%.
Algumas dúvidas porém me assaltam: se somos nós que continuamos a pagar aos desempregados, o que é que ganhamos com a manobra? Se estas empresas não estão a admitir pessoal, porque hão-de os desempregados que já não são mas que continuam a ser acreditar que terão lugar daqui a dois anos? E se a ideia é boa, porque não para as PMEs, já que são elas, e não as grandes, as responsáveis pela maior parte do emprego?
Ulrich, Ulrich, és um grande ratão. Vou-te dizer em Francês, que eu não gosto de expressões popularuchas: pour nous, tu viens en petite voiture.
Hoje encontro-me em serviço externo.
Para assuntos urgentes, é favor contactar pelo telefone número zeroitecentos tarzentos e não sei quê - de valor acrescentado.
Amanhã já devo estar de regresso, mas com jetelégue.
A propósito de muitas coisas. De comentários, de comentários aos comentários, de opiniões, de reacções, de sugestões, de estados de alma, de presunções, de irritações, de interesses a defender, de vir a propósito, de receio, de ser posto em causa, de julgar.
A propósito de tudo isto, que leio e ouço, e sabendo que é mesmo assim, porque resulta do (bom) e livre exercício de expressão (que, também aqui exerço!), lembrei-me desta história - com moral - que me contavam quando era pequena:
"Vivia no monte um homem muito velho que tinha na sua companhia um neto.
Certo dia o velho resolveu descer ao povoado com o seu burro fazendo-se acompanhar do neto. Seguia a pé o velho e sentado no burro ia o neto. Ao passarem por uma povoação logo foram criticados pelos que observavam a sua passagem: - O garoto que é forte montado no burro e o velho coitado é que vai a pé! Então o velho mandou apear o neto e montou-se ele no burro.
Andaram um pouco mais para matar a sede e encontraram duas mulheres a encherem os seus cântaros que elas disseram: - Olha para isto! A pobre criança a pé e ele repimpado no burro! Ordenou então o velho ao neto: - Sobe rapaz, seguimos os dois montados no burro! O rapaz obedeceu de imediato e continuaram a viagem.
Mas um pouco mais adiante um homem enfrentou-os com indignação: - Apeiem-se homens cruéis, querem matar o burrinho?!
Descendo do burro, disse o velho ao rapaz. - Desce, continuamos a viagem como começamos. Está visto que não podemos calar a boca ao mundo. Daqui para a frente faremos o que acharmos correcto!"
O comprador vê cuidadosamente os dentes ao bicho, examina-lhe os cascos e o mais que os compradores de cavalos examinam, informa-se sobre a saúde, a história e o preço - em suma, vê se há potencial no negócio.
Não se deixa impressionar pela treta do vendedor. Este, por princípio, põe a besta nos cornos da Lua e afiança despedir-se dela com desgosto. Mas as circunstâncias de vida impõem-lho, diz, com uma lágrima furtiva que lhe corre pela face transida de desgosto.
O negócio é assim. Agora, se vem o amigo do vendedor, entendido em cavalos, e rosna: Ah, esta alimária tem uma doença grave, é teimosa e velha...o comprador foge a sete pés.
Cá para mim, a este amigo, que talvez o seja mas de outra alimária - a onça - ficavam-lhe bem uns patins.
Mas parece que não.
(*)
Hoje é dia de orçamento, o documento que, via fugas, antes de o ser já o era.
É um documento trágico: quase ninguém acredita que a pauperização da classe média seja caminho para lado algum. Não porque seja possível pagar dívidas sem apertar o cinto, mas porque o violento esbulho do rendimento ainda disponível é feito em nome de uma inevitabilidade sem outra esperança que não seja os credores abrirem os olhos a tempo de verem que nem para eles estão a ser bons.
Entendamo-nos: o caminho que alguma esquerda defende (renegociar a dívida sem reforma séria do Estado, sem diminuir as despesas sociais, e sem nenhuma receita para o crescimento que não seja o consumo) esbarra na incredulidade dos credores e no senso comum. E a ideia de que se pode dizer aos mercados que para já não pagamos, mas que o crédito deve continuar a fluir para importarmos combustíveis, alimentos, matérias-primas para a indústria e o mais que mantém o país de pé - ou decorre de ignorância, ou ingenuidade, ou má-fé.
Nas circunstâncias a que nos deixamos chegar o Governo que temos teve uma curta oportunidade de reformar o Estado, se tivesse concentrado todos os seus esforços na correcção do défice pelo lado da despesa e não hesitasse no tratamento a dar aos poderes fácticos do sector financeiro, dos plutocratas, dos sindicatos, das associações patronais e das opiniões estatistas, que são quase todas. Não foi assim e agora é tarde. Haveria convulsões, a popularidade ficaria num frangalho, o ambiente social não seria muito diferente do que é, a berrata das esquerdas seria, se possível, ainda mais estrídula, quando houvesse eleições perdê-las-ia - mas nem a queda do produto seria tão grande, nem a perspectiva de recuperação tão distante, nem a autoridade para discutir com os credores tão enfraquecida.
Numa palavra, preferiu-se a água choca do diálogo social, dos panos quentes, das reformazinhas, dos cortezinhos e das medidinhas. Quando, numa reforma do instituto das fundações, se faz um corte de apenas 30% à Fundação Mário Soares, um monumento dispendioso ao ego daquele heróico fóssil; quando se tratam com panos quentes os empresários de retorno garantido das PPPs e a banca que está por detrás; quando se deixa em paz o sorvedouro da RTP; ou quando se deixa cair a reforma dos municípios, para não perturbar as doces sinecuras dos senhores autarcas treteiros e sempre grávidos do próximo melhoramento - está tudo dito.
Alguma coisa ficará, muito mais do que ficaria se fôssemos pastoreados por um Seguro, ou um Costa, ou qualquer outro da longa lista de criadores de riqueza via Decreto-Lei e dinamismos públicos sortidos. Mas será pouco.
Para quem defende o que eu defendo, e que agora me dispenso de repetir, um pouco de cinismo autorizaria que pensasse: quanto pior, melhor. Nada disso: pena-me que o Governo mais à direita em quase 40 anos deixe de si a imagem de ter querido fazer tarde o que não teve coragem de fazer cedo; de ter sido forte com os fracos, por ter que ser, sem ter sido forte com os fortes, como devia; e que em momento algum tenha parado para pensar que há futuro sem Euro e que, se não acredita já no caminho que os credores apontam, deveria ter o carácter de dizer: não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí.
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* Fotografia: Margarida Bentes Penedo
Ponhamos de lado o Lehman Brothers, as dezenas de pequenos bancos deixados falir, as condenações americanas nos casos de polícia, a crise do sub-prime e o que ela desencadeou. Tudo chegou cá, e ajudou a fazer os estragos que ainda não reparámos.
Mas os nossos bancos, se não andaram embrulhados na organização de pacotes de lixo imobiliário e de futuros, nem por isso deixaram alegremente de embarcar no crédito à habitação e ao consumo, além do financiamento da dívida pública, dos concessionários das PPPs e quanto delírio desenvolvimentista nos trouxe onde estamos. E ainda que os incentivos do Estado e da taxa de juro associada ao Euro recomendassem a prática, no caso da habitação e do consumo; e que o poder de coerção do Estado, nos restantes, desse garantias de alguma segurança:
Não era difícil perceber que tarde ou cedo emprestar dinheiro aos empregados das empresas para comprarem apartamentos e plasmas, ao mesmo tempo que o crédito era negado a quem lhes pagava os ordenados, não podia acabar bem; e só muita desatenção, tráfico de influências e ignorância da História, justificavam as compras de dívida pública, tanto da nossa como, pasme-se, a de outros, inclusive gregos.
Cabe perguntar então como é possível que tanta gente de fato às riscas, bom corte de cabelo e economês emproado, assessorada por tanto académico albardado de diplomas, pôde ser tão inacreditavelmente estúpida.
Haverá decerto muitas explicações. A principal, para mim, é que todo o banqueiro sabe, entre nós, que não pagará o pato: entre garantias e avales do Estado, favores de intermediação com o BCE, extorsões várias com a bênção do Banco de Portugal, e abundância da procura, sempre o prémiozinho à gestão será confortável. E com a certeza de que o pavor do risco sistémico levará a que de uma forma ou outra o Estado ponha a mão por baixo, fica completo o quadro da irresponsabilidade que recomenda o comportamento aventureiro, privilegiando o curto-prazo.
Numa PME, as regras são simples: Falhas? Então tens bandeiras pretas à porta, os trabalhadores a chamarem-te ladrão, os sindicalistas a darem entrevistas e os intelectuais da gestão e da economia confirmados no seu desprezo dos empresários de vão-de-escada.
No banco tens, na pior das hipóteses, um pára-quedas dourado. Podes ser cooptado para um conselho de administração, ir fazer consultadoria, ser requestado para entrevistas, fundar empresas, ou simplesmente gozar a vida.
Se, para não dar o triste pio, aceitares apoio público, nem precisas de estar grato: basta que te queixes do preço, substancialmente inferior ao que cobras à inesgotável clientela. E podes, com segurança e pesporrência, vir para a praça pública abundar em considerações sobre sacrifícios, inevitabilidades e medidas.
Não há o risco de falta de aplausos: os banqueiros costumam falar apenas onde o aplauso esteja garantido. E não há o risco de pessoas como eu estarem na plateia - as pessoas como eu não vão ouvir discursos de banqueiros, a menos que lhes convenha fingir que ignoram que farinha é aquela.
Mas, pelos vistos, há o risco de, por acaso, estar na plateia quem, porventura não pensando o que eu penso, nem por isso tenha paciência para aturar vaidosos, inconscientes e arrogantes. E não hesite em dizê-lo.
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