Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

Calmamente e pela voz de um italiano

O que eu penso sobre o actual governo e situação italiana, como estrangeiro residente, fica bem descrito nas palavras de Gad Lerner, jornalista de intervenção posicionado à esquerda e com grande fé no Partido Democrático e no actual primeiro-ministro:

 

"Letta come Monti: il governo del “portate pazienza”

DOMENICA, 5 MAGGIO 2013

 

E atentem no primeiro comentário ao post:

"catone · Lunedì, 6 Maggio 2013, 12:14 Am

 

Cari compagni di sventura è inutile prendersela con il Buon Letta. Sono finiti i soldi! Chiunque ci governi,(salvo Gesu Cristo che moltiplicava i pani ed i pesci) ci accompagnerà progressivamente verso la povertà fino ad incontrare il livello dei popoli emergenti del terzo mondo. Non a caso Grillo teorizza la decrescita felice, magari,sarà sicuramente infelice. Siamo come i polli di Renzo 1. La apparente ripresa del Giappone e dgli USA è drogata dalla liquidità creata stampando moneta. Attualmente il debito pubblico complessivo degli stati sovrani è 11 volte il PIL mondiale. La bolla finanziaria esploderà come una bomba atomica, quanto prima, è solo questione di tempo!"

 

Sabemos onde estamos.

 

1: "I polli di Renzo" ou "os frangos de Renzo" lutavam inutilmente entre si antes que inevitavelmente lhes fosse cortado o pescoço.

 

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publicado por João Pereira da Silva às 08:37
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Sábado, 4 de Maio de 2013

Cato hodiernus

Estou farto, refarto deste tipo e deste paleio. Tem um fonds de commerce, que é a corrupção: Portugal tem há séculos um atraso relativo, em numerosos domínios, em relação à maior parte dos países com os quais partilha o continente? Corrupção. As dívidas privada e pública não têm precedentes, pelo seu montante? Corrupção. O País não cresce, mas cresce o desemprego, a emigração e o desespero? Corrupção.

 

Tem costas largas, a corrupção. E que bom seria que o Mundo fosse tão simples: contratava-se o Dr. Paulo Morais para inteirar a Assembleia de Republica, entretanto depurada de gente fortemente suspeita, das medidas legislativas que esta devia tomar; refundiam-se as leis penais, incluindo processuais, eliminando truques, obstáculos e alçapões; davam-se meios e poderes aos magistrados do Ministério Público, que entretanto também sofreria uma varredela justiceira. E o País floresceria, finalmente liberto desta cáfila que o sufoca.

 

É que os partidos, a administração pública, as instituições, tudo está minado de corruptos. Tanto que o próprio Morais, que já andou pela política militante, se afastou com nojo. E fez mal, porque o eleitorado (ao menos a parte do eleitorado que entope indignada as caixas de comentários dos jornais on-line) não deixaria certamente de lhe confiar o voto, dando-lhe a oportunidade de expulsar do templo, democraticamente, os vendilhões.

 

Claro que os vendilhões se haveriam de defender, exigindo-lhe um mínimo de prova ou consistência. Por exemplo, quando Paulo destaca "o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública", acrescentando que "68% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária", e salientando que "só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses", conviria porventura fazer a demonstração.

 

É que, no caso BPN, haverá decerto quem devesse ter feito companhia ao Dr. Oliveira e Costa; e a nacionalização foi manifestamente um erro (num juízo ex post facto, porque durante o processo não faltaram vozes isentas a defendê-la), assim como ainda hoje não se compreende que a SLN tenha sido deixada de fora. Mas eram corruptos todos os envolvidos? Teixeira dos Santos, porventura o principal responsável pela decisão, também? E é esta história lamentável, cujo custo total será, supõe-se, de aí uns 6,5 mil milhões, que explica a dívida pública, que já vai aí nuns 200 mil milhões?

 

No caso das PPPs, o que se vai sabendo das blindagens dos contratos e do desequilíbrio dos direitos e obrigações das partes desperta (mais: impõe) suspeitas. Mas o problema será fácil de resolver, isto é, é fácil fazer a prova da corrupção, e renegociar os contratos com base nisso? Entendamo-nos: eu sou pela renegociação, e acho que ela só tardou e deu poucos resultados por causa do medo pânico de abalar interesses da União, da banca internacional e da nossa - mas isto nada tem directamente a ver com corrupção.

 

68% da dívida privada resulta de especulação imobiliária?! 68%? Não será 68,04%? Aqui este paisano estava convencido que aquela dívida resultava, na sua maior parte, do crédito à habitação; que este era concedido com garantias sobre os imóveis (garantias mais garantidas não há); que a procura de imóveis resultou do juro baixo que o Euro permitiu e das leis do arrendamento salazaro/comunista. Morais vê aqui "especulação" e sonha com os especuladores na cadeia - afinal os especuladores são uma subcategoria de corruptos.

 

Com Paulo Morais temos sempre direito ao dedo em riste, ao olhar indignado, aos lábios trementes, e às acusações descabeladas. Boa parte do que diz não dá matéria para queixas-crime, excepto contra incertos. E no único caso que lhe ouvi a acusar uma pessoa concreta, a acusação não tinha fundamento.

 

Paulo Morais faz mal à luta contra a corrupção. Esta é para gente com poucas ilusões e muito conhecimento sobre os homens, o Estado e a tradição. E implica trabalho, paciência, frieza e realismo. Não implica discursos moralistas de Catões de aldeia. 

publicado por José Meireles Graça às 00:57
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

THE CASE OF THE ITSY BITSY TEENY BIKINI TOP V. THE (MORE) ITSY BITSY TEENY WEENY PASTIE

Na tão liberal América, as câmaras municipais têm extensos poderes regulamentares. Daí as proibições de fumar, mesmo ao ar livre, em certas zonas, a apreensão de bancas de limonada a miúdos empreendedores que querem ganhar uns dólares, e toda uma extensa lista de loucuras das quais, de vez em quando, nos chegam ecos.

 

Por cá, graças a Deus, o asneirol é em geral exclusivo da Assembleia da Republica e do Governo - sempre há a vantagem de, em princípio, os frades à civil, os motoristas de táxi e os Mirabeau lojistas serem filtrados antes de chegarem às esferas rarefeitas do Poder.

 

Mas não há garantias: na Saúde e na Fiscalidade tem ultimamente soprado um vento malsão, com a febre anti-tabagista e o delírio controleiro a exercerem efeitos deletérios nos responsáveis daquelas áreas.

 

Não que sejam as únicas. A própria Assembleia da Republica resolveu em má-hora dar poderes ao Banco de Portugal para infernizar a vida das empresas e este está habilitado doravante - e já o está a fazer - a compensar a sua tradicional e ostensiva incapacidade para supervisionar os bancos com o reforço da supervisão dos clientes dos bancos, que sempre são mais maneirinhos.

 

Mas, realmente, o meu assunto de hoje não é este tipo de inépcias governativas: o título, que não entendi à primeira, é o de uma sentença judicial que analisa o problema da cobertura dos mamilos das strippers, dado, supõe-se, o impacto considerável que estes podem exercer na estabilidade das casas de família. Assunto da maior seriedade, portanto.

 

O Juiz lavrou um texto notável. Tanto que o nome de Fred Biery merece ficar, e ficará decerto, nos anais da Jurisprudência. E nós os leigos, que tendemos a desmaiar de tédio com a leitura, mesmo em diagonal, de peças forenses, não podemos coibir-nos de imaginar o que seria se este homem fizesse parte do nosso Tribunal Constitucional. Mas sobre isso digo nada, que o sentido de humor está muito desigualmente distribuído. 

publicado por José Meireles Graça às 17:03
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