Domingo, 7 de Dezembro de 2014

Na grande casa da democracia

 

Assembleia-da-Republica-02.jpg

 

Podiam estar entretidos, de umas bancadas para as outras, com a PlayStation; podiam consultar sites com o horóscopo, ou procurar romenas nos anúncios classificados; podiam espatifar o orçamento para telemóveis em chamadas anónimas; ou para os membros do seu próprio grupo parlamentar, sentados 3 filas acima, o que seria a mesma coisa; podiam construir petardos com os Decretos-Lei, torcendo-os num rolinho, cuspinhando as extremidades, e pregando com eles no tecto do hemiciclo; podiam puxar os cabelos à dra. Nilza de Sena; ou Zina de Lena; ou Lina de Neza; ou o bigode à dra. Sónia Fertuzinhos; podiam colar pastilhas elásticas aos assentos das cadeiras; ou macacos do nariz; podiam até, com a ajuda do Photoshop, fazer circular imagens pândegas do dr. José Magalhães gordo como uma mesa de camilha.

 

Para mim, os deputados à Assembleia da República serão sempre um motivo de orgulho e um exemplo a exibir aos nossos filhos.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 18:50
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Não sei do que estão à espera

Não sei do que estão à espera, para ir a Évora, os ex-ministros, secretários de Estado, antigos e actuais deputados, presidentes de empresas públicas e outros boys, jugulares e próceres sortidos que ainda não visitaram Sócrates.

Ir a Évora é um dever. E declarar, como fez Silva Pereira, que "acredita na inocência" de Sócrates, uma redundância.

Claro que acreditam todos na inocência - só podem. Porque a memória do eleitorado pode não durar mais de seis meses, mas a dos políticos, comentadores e espectadores atentos da vida pública é mais durável: Abril de 2011, o XVII Congresso do PS, o discurso empolgante de António Costa, e o triunfo apoteótico do então Primeiro-Ministro, que acabava de fazer falir o País, estão na memória de todos.

À excepção da casa de Paris e dos réditos da Octapharma, tudo, absolutamente tudo, de que Sócrates é acusado, e ainda mais, andava pelas redes sociais, quando não pelos jornais; e os proventos que terão permitido a vida faustosa no estágio parisiense têm por força que ter sido adquiridos antes.

Ninguém teve dúvidas, ninguém desconfiou, ninguém viu? Nem os números um, dois e três, nem os próximos, nem os íntimos? Nem Costa, o delfim, nem Vitorino, o lúcido, nem Siva Pereira, o alter-ego? Nem os senadores Soares, Almeida Santos, Manuel Alegre?

"Este congresso foi uma grande lição de unidade", declarou Sócrates sob uma chuva de aplausos.

Pois foi. E é por ter sido que quem lá estava deve ir, em romaria, a Évora, repetindo para si mesmo o mantra: Sócrates está inocente! Porque, se não estiver, também pode e deve ir - mas de penitência.

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publicado por José Meireles Graça às 03:08
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Mas ouvi-los?

ECOSOC não é uma marca de tomadas eléctricas respeitadoras do ambiente, ou de calçado em madeira para passeios sadios na Natureza. Não. É a sigla que identifica uma das agências da ONU, no caso a plataforma central para reflexão, debate e pensamento inovador sobre desenvolvimento sustentável.

Passeei durante algum tempo pelo sítio da Agência. E concluí que é um daqueles fóruns internacionais dedicados nominalmente a coisas nobres e úteis, na realidade pretextos para sustentar burocratas e garantir viagens e mordomias a parasitas e políticos supranumerários.

Não é que não nos convenha que haja pensamento inovador e o desenvolvimento sustentável não seja um objectivo louvável; é que o pensamento inovador vem de pessoas, não agências intergovernamentais, e o que se entende por desenvolvimento sustentável não é pacífico. Sucede que as universidades, os meios de comunicação social, a actividade editorial, garantem a difusão das ideias. O que uma agência constituída por representantes de países garante é, sob a capa de preocupações soi-disant científicas e altruístas, o contrabando de agendas políticas e jogos de poder.

Portugal tem alguma coisa a aprender com Cuba, o Turquemenistão ou o Benim? E mesmo que tivesse, ou tenha em relação a outros países que, como aqueles três faróis do progresso, fazem parte da ECOSOC, a que propósito é que temos que aturar recomendações sobre o abandono das medidas de austeridade?

Podemos ser contra a austeridade, a favor da austeridade, a favor da austeridade com outro ritmo, mais rápido ou mais lento, ou aplicada menos aos cidadãos e mais ao Estado. E também podemos ser a favor do calote, ou de qualquer outra loucura - nós podemos. E os credores também podem, por exemplo, fechar-nos a torneira, e decerto não está ao nosso alcance impedi-los disso ou fechar-lhes a matraca.

Os credores, porém, têm um interesse directo. Mas vós, ó peritos, já que estais por aí porque não ides passear para as margens do Hudson? A gente sabe que, em Nova Iorque, em Bruxelas ou noutros lugares aprazíveis, temos que manter uns depósitos de jorges sampaios - faz parte dos usos e das nossas obrigações internacionais.

Mas ouvi-los?

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publicado por José Meireles Graça às 19:06
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Fábrica Nacional de Leis

Marcelo diz, ao Domingo, coisas, e com essas coisas não poucas pessoas se abastecem de opiniões para a semana. O homem é geralmente considerado um grande comunicador, do que é prova a sua larga audiência, e as coisas que diz são sempre da mesma natureza: Fulano disse ou fez isto mas as pessoas perceberam aquilo - esteve mal; ou disse ou fez aquilo, com grande habilidade, e as pessoas ficaram muito agradadas - esteve bem; o político A está a jogar bem para conquistar ou manter o Poder, e o B mal porque as pessoas ou não o perceberam, porque se explicou mal, ou perceberam-no perfeitamente mas não querem aquilo, razão pela qual B não deveria ter dito o que disse. Penetrados de admiração, os chefes de família abanam aprovadoramente a cabeça e dizem, com a boca cheia da sobremesa que ainda não acabaram de mastigar: o Professor sabe muito disto!

Não sei, porque deixei de o ouvir há anos, se ainda recomenda livros no fim do programa. Mas costumava recomendar todos os publicados, com excepção da lista telefónica, deles dando nota da mesma forma que aos acontecimentos, tendências e opiniões: pela badana.

Nunca ninguém lhe ouviu uma opinião desalinhada ou uma dúvida profunda sobre as escolhas que o País fez nos últimos 40 anos: a aprovação da Constituição, a adesão à CEE, a evolução para a UE e o Euro, os poderes relativos dos actores do Estado, as leis eleitorais, os referendos - Marcelo espera que na área a que pertence, que é a do arco da social-democracia, isto é, o outro nome do tachismo bem-pensante, se desenhe um consenso, e lá fica ele, com engenho, a consensualizar.

Parece que no Parlamento há deputados que se dedicam a ver imagens de gajas no Facebook, vídeos publicitários, e outras actividades menos recomendáveis, como falarem uns com os outros, por telefone, enquanto decorrem os debates. E isto escandalizou uma moça de 16 anos, cuja mãezinha escreveu ao ilustre professor, e ao Governo, indignada com este magno escândalo.

“Vai ser o fim do mundo”, declarou com severidade o oráculo da opinião, que acrescentou: "Atenção caríssimos deputados, depois digam que estão a contribuir para a democracia portuguesa".

Em atenção à jovem vilafranquense, à mamã preocupada, à distinta comunidade dos chóferes de taxi, e aos admiradores de Marcelo, devo informar que um Parlamento não é uma empresa, nem seria desejável que o fosse, ainda que possível: uma empresa está organizada hierarquicamente segundo um organograma para produzir um bem ou serviço, o Parlamento reúne um certo número de cidadãos depositários de uma escolha livre para realizar o bem comum consoante a visão que desse bem tem cada um dos partidos. Os parlamentares não são funcionários sob a direcção do Presidente (este é apenas um primus inter pares), são representantes do Povo que os elegeu. Isto significa que se os deputados de um certo grupo traírem o mandato que lhes foi confiado, e que não consiste em produzir leis a metro, cabe aos eleitores penalizá-los, se assim o entenderem. Por mim, não exijo aos deputados que elegi que estejam sempre no Plenário ou comissões a fingir que se interessam por assuntos para os quais não têm preparação nem interesse; antes pretendo que nas áreas que lhes estejam alocadas contribuam para a feitura de leis razoáveis. Por outro lado, não vejo por que razão os deputados haveriam de estar sempre segregados no casão deles como num degredo, nem com que direito jornalistas ou visitantes lhes espiolham os computadores e os telemóveis.

Um conjunto de regras idiotas contidas, suponho, no instrumento a que chamam Regimento, obriga a que os deputados (que o aprovaram por estarem tolhidos de medo da opinião pública, uns, nem saberem o que lhes falta, outros, e serem comunistas, portanto funcionários por definição, os restantes) se deixem tratar como operários numa linha de montagem. E, é claro, isto leva a que cada jornalista, ou já agora, visitante, se ache no direito de agir como o pequeno patrão que vigia as idas à casinha dos empregados.

Marcelo não acha nada disto, e está decerto bem acompanhado. Mas é triste que quem ajuda a fazer a opinião não sirva para mais do que dar caução a preconceitos, invejas disfarçadas de superioridade moral, e ideias de funcionário sobre o que um Parlamento deve ser.

 

publicado por José Meireles Graça às 22:21
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Nódoas.

 

Tudo indica que Sampaio da Nódoa sonha com o cargo que foi da Nódoa do Sampaio, não é?

publicado por Raul Almeida às 00:18
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