Sábado, 10 de Outubro de 2015

Votámos? Assumimos.

Costa é um homem desesperado. De putativo presidente da república passou a putativo primeiro-ministro. Depois quase passou a putativo "homem que já era". A sua ascensão, fruto de uma carreira política que parecia dedicada aos mais alto vôos foi posta em causa na campanha e nas eleições de dia 4 de Outubro. Se se tivesse demitido tudo estaria perdido. Terminalmente. Longos anos de ambição deitados ao lixo em poucos minutos de discurso de assumpção da derrota. Uma derrota inaceitável para os sonhos de grandeza a curta distância.

Sem opções alternativas imediatas de liderança, os soaristas que o transportaram ao poder no PS, agarraram Costa, e, na primeira fila, enquanto este discursava, dizendo-se contra a 'maioria negativa', mostravam feições dignas, calmas e responsáveis, contentes com o pupilo capaz de enfrentar a travessia do deserto que se avizinhava em nome da maior honra do partido. Enganaram-se. Costa bebe a sua inteligência estratégica também de um colectivo de jovens do PS que tem pressa de chegar ao poder. São os "jovens turcos" e estão bem representados na entourage de Costa. Lendo-os, antecipa-se quase sempre o que Costa irá dizer ou fazer. Dão-lhe força. São o "futuro". E Costa precisa de alguém que lhe dê o suporte para estar nesse mesmo futuro. 

Os jovens turcos estão próximos do BE e do PCP. Conviveram e cresceram nos blogs políticos de esquerda e extrema-esquerda. Mobilizam-se e reforçam-se mutuamente criando uma força significativa.À medida que foram crescendo, conseguiram também, ir ganhando adeptos em grande parte da comunicação social. A campanha de Costa, sem guito, num PS falido, foi muito suportada pelo voluntarismo destes "turcos" do PS e media que veem o poder de imediato  mesmo à mão. E poderão obtê-lo. 

Catarina Martins tem tudo a ganhar e pouco a perder aceitando fazer parte de um governo unido. Poderá entrar no espaço eleitoral do PS, mostrar serviço anti-austeridade para fins de próximas eleições, alargar a base do Bloco e demonstrar como também se deve considerar o Bloco como futura força de governo. A dedicada Mortágua está aí para ajudar mediaticamente a vender o Bloco de todos os cidadãos e não apenas dos sectores de protesto. É um salto com atracção irresistível.

O PCP nada tem a perder. Basta não ir para o governo, ficar a fazer fiscalização na assembleia enquanto o Bloco e PS tomam medidas populares sobretudo no tocante ao rendimento por via estatal. Um ganho, e uma atitude de defesa dos trabalhadores valorizada pelo eleitorado comunista.  

Cavaco Silva poderá bloquear musculadamente o acordo e indigitar mesmo assim a coligação PSD-CDS, mas arriscamos uma convulsão política de custos desconhecidos.

Talvez seja o momento de deixar o povo português assumir as consequências das decisões tomadas e pagar o preço sem que haja um grupo de cidadão ilustrados que forçadamente assume a responsabilidade do poder em nome de um ilusório "bem maior" de estabilidade. Ilusório, porque o bem maior é aprendermos à nossa custa sofrendo as consequências de todos os nossos actos, incluindo os eleitorais. 

Há o pormenor de grande parte da nossa soberania residir em obrigações decorrentes de tratados com a UE. Contudo, esse detalhe, se o PS, Bloco e PCP, forem inteligentes e camuflarem bem, partes mais agrestes dos seus programas, facilmente será ultrapassado.

Posto isto, acho mesmo que avança o acordo de esquerda.

publicado por João Pereira da Silva às 10:26
link do post | comentar
Sexta-feira, 9 de Outubro de 2015

Novo Regime e o "Mediaté"

Picture1.jpg

Nos regimes comunistas mandava o comité central. No regime que se prepara para Portugal, mandará o "mediaté": um conjunto amplo de utilizadores de redes sociais e comentadores nos media, encarregues de definir a "realidade" e indicar os caminhos que o braço executivo realizará, incluindo quem deve ser promovido ou punido, que políticas são social e politicamente correctas. O regime apoiar-se-á em consultores estrangeiros: Varoufakis, Stiglitz, Krugmam, Munchau, e Sachs, entre outros, a definir pela grande internacional neo-socialista. 

Em Portugal, o "mediaté" terá um grupo restrito de censores e fiscalizadores chefiado por Fernanda Câncio e Ana Matos Pires. Câncio indentificará os dissensores, Matos Pires decretará o seu internamento psquiátrico. Pacheco Pereira fará a teoria geral da justificação da necessidade e bondade colectiva do regime. 

Relaxem. A felicidade ser-nos-á dada ao virar da esquina. 

 

publicado por João Pereira da Silva às 07:39
link do post | comentar
Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Licença para patins

José Manuel Trigoso defendeu: “Os ciclistas andam na estrada, podem andar no meio dos veículos, podem ter comportamentos que deem origem a acidentes e, por isso, faz todo o sentido que, em defesa deles próprios e dos outros, exista uma obrigatoriedade de seguro, pelo menos para terceiros, de responsabilidade civil”.

 

Pois é, Zé Manel, realmente: um ciclista esborracha-se contra a traseira de um ligeiro e, ao preço a que estão os pára-choques e os farolins, fica-se a rir, ainda por cima com a fealdade que resulta de o fazer sem os dentes que perdeu? Não pode ser.

 

Nem percebo porque não recomenda também seguro de responsabilidade para peões: já não é o primeiro que se atravessa inopinadamente no trajecto de um veículo, que para evitar o atropelamento vai abalroar um outro. E nem falemos de patins em linha, que aquilo, na realidade, além de seguro também deveria obrigar a carta de condução de patins, com as subcategorias de travão à frente, de costas ou de lado.

 

Uma dúvida porém assalta o meu espírito desconfiado: o amigo tem avença da Ordem dos Advogados? Das companhias de seguros? Dos bancos?

 

Não, não tem? Ah, acha que há falta de licenças, alvarás, autorizações, seguros, taxas, alcavalas, minas e alçapões?

 

Também não? Bem, já sei: tem que fazer prova de vida. Compreendo, mas recomendaria que se rebelasse, por exemplo, contra o hábito deplorável de alguns condutores tirarem, nos semáforos, catotas do nariz. Sempre nos ficava de graça e não dava ideias a um estado metediço, e a um sector financeiro sôfrego.

publicado por José Meireles Graça às 17:19
link do post | comentar

Vacina PREC II

Picture1.jpg

 

Concordo com o José Meireles Graça quando refere alguns aspectos positivos da União em Curso da Esquerda Esclarecida e Inteligente disposta a Apascentar os Pobres Estúpidos que Ainda Votam à Direita

Mas, vou mais além. Não é apenas desejável essa União: ela é necessária e o melhor que pode acontecer ao pais.

Precisamos de uma vacina de efeito duradouro contra os delírios intelectuais de gente desmemoriada e irrealista. 

A vacina deveria ter sido inoculada em 2011, e só não o foi, porque Passos Coelho, num acesso impetuoso de idealismo e falta de paciência para esperar que o poder lhe caísse nos braços, forçou eleições (com a ajuda do BE e PCP, - lol ! ) e agarrou o estado antes que fosse dado o passo que faltava para o abismo. Foi, como agora entendemos, um erro. Seria muito melhor deixar o PS governar por mais 4 anos durante os quais seríamos a Grécia de 2014 por antecipação. Seria o suficiente para estupidificar ainda mais eleitores.

Agora, Passos pode corrigir o erro. Basta refastelar-se no cadeirão (que já ninguém lhe tira) e deixar que o Governo Unido das Esquerdas Reunidas tome o poder e implemente as suas políticas esclarecidas-anti: fim do estado-social-austeridade-grande-capital-exploração dos fracos-etc..

O povo, coitado, o estúpido, esse continuará a votar à direita. O outro, o inteligente maioritário que vota Mortágua, Jerónimo e Poucochinho Costa, terá tempo para levar à prática as suas nóbeis teorias. Custará talvez ao país a curto e médio prazo, mas ganharemos como nação, quando, a longo prazo, ficarmos em maior número ainda mais estúpidos, votando mais uma vez massivamente à direita e, se calhar, por duas legislaturas. Mais estúpidos, mas menos pobres.

PS1: por precaução, convém começar a verificar aquilo que fica registado nos arquivos de blogs e redes sociais. Os PREC da vida são conhecidos por "tratar de modo especial" os que cometem delito de opinião.

PS2: Os mapas apresentados mostram claramente que os inteligentes estão em maioria entre aqueles que não fundaram Portugal e aqueles que são mais analfabetos. Como estúpido, não sei que conclusão tirar. 

 

publicado por João Pereira da Silva às 08:09
link do post | comentar
Quarta-feira, 7 de Outubro de 2015

PREC II

Tenho pena que a rábula que o patético Costa anda a fazer com a comunistada não seja para levar a sério.

Porque o PREC II teria interessantes consequências: uma parte do PS fundaria o PSDS (partido social-democrata a sério), indo roubar militantes ao PSD; o PSD passaria a PSDMP (partido social-democrata mas pouco); o CDS-PP passaria a PPD (partido popular de direita), perdendo alguns militantes para o PSDMP e indo buscar muitos mais aos abstencionistas; o PCP e o BE conservariam os nomes mas não a votação, por altura das novas eleições, impostas pelos credores aquando do IV resgate, ficando com quatro cadeiras no Parlamento (uma delas pertencendo obrigatoriamente, por direito de tempo de antena em dobro, à deputada Apolónio, e outra a Jerónimo, por acumulação de diuturnidades); e um novo governo de coligação faria metade das reformas que ficaram por fazer aquando do III resgate, no dobro do tempo que seria necessário para fazer a totalidade.

Não me parece mau negócio.

publicado por José Meireles Graça às 23:26
link do post | comentar

Zola doméstico

Nem de propósito: diz-se aqui que "geralmente, credita-se a introdução do termo 'intelectual' a Georges Clemenceau durante o caso Dreyfus". E este famoso caso é a inspiração para Pacheco Pereira, o nosso intelectual por antonomásia (completo com o exílio na Marmeleira, a pose de buda cabeludo, a biblioteca que se diz imensa e a obra obscura sobre a história do PCP) se lançar num texto prolixo e contraditório sobre o papel dos intelectuais no nosso tempo.

 

Por um lado, lamenta que homens como Zola, Raymond Aron, Sartre ou Bertrand Russell já não existam; e insinua, com razão, que Krugman, Stieglitz, Piketty e Varoufakis (!) não se lhes comparam.  Por outro, reconhece que "a maioria dos intelectuais do século XX mostrou um fascínio com tudo o que era errado, tudo o que representou um imenso sofrimento para a maioria das pessoas comuns, que era suposto a sua voz proteger. Refiro-me à enorme capacidade de justificação e legitimação que os intelectuais do século XX tiveram com o comunismo e o fascismo".

 

Um detalhe: suponho que por "fascismo" Pacheco tenha querido dizer "nazismo". Porque, na hierarquia da abominação, o fascismo foi um parente pobre e, se usa tanta treta para dizer tão pouco, conviria ao menos que fosse rigoroso no uso das palavras. Mas o argumento principal não convence: porque se a maioria dos intelectuais do século passado sofreu do vício que lhes é atribuído - o não perceberem a inerente desumanidade dos regimes totalitários - então estamos melhor com as nulidades que Pacheco lista como expoentes do pensamento contemporâneo, e nada há por conseguinte a lamentar.

 

Tudo isto é um disparate pegado. As personalidades citadas são todas economistas, e nem os próprios imaginarão decerto que a dimensão económica é tudo o que conta nos nossos dias, ou que todas as coisas têm uma dimensão económica. Mas Pacheco, podendo escolher outros, escolheu aqueles.

 

Porquê? Porque todas aquelas notabilidades são contra a austeridade. E Pacheco também.

 

Ou seja, conhecendo o seu público, Pacheco embrulha o seu ódiozinho de estimação à crença e prática dos seus inimigos políticos actuais numa tese abstrusa que mete personagens históricas ilustres, nomes sonantes da contemporaneidade opinativa, e zás - toma lá Passos, que já almoçaste.

 

Foi o que sempre fez - olhai pra mim, que sou diferente e profundo e por isso não penso o que os demais pensam, excepto se me derem importância, caso em que estou disposto a fazer cedências.

 

Na juventude, podia ter sido um comunista como os que não eram diletantes, mas não - no PCP entra-se pela porta baixa, e por isso navegou em organizações obscuras (OCMLP, PCP(ml) ou lá o que foi), grupelhos hoje esquecidos; quando se converteu às alegrias da democracia burguesa podia ter ido para o PS, mas outros antifascistas havia lá muitos - por isso foi para o PSD, que o recebeu de braços abertos, e veio a ser um feroz cavaquista, apoiou a invasão do Iraque, e passeou a sua superioridade pela Assembleia da República e pelo Parlamento Europeu.

 

Recentemente, tinha o ouvido de Manuela Ferreira Leite e outros próceres do partido a que ainda pertence. Mas no saco de gatos que aquela agremiação sempre foi a facção a que pertencia perdeu. E ei-lo de braço dado com a oposição interna, e a externa, até que tome o poder alguém que lhe pergunte: qual o caminho, divino Pacheco? - caso em que, rendido, ministrará os seus preciosos conselhos, que consistem em geral em estar do lado errado da história e apostar em cavalos perdedores.

 

Exagero? Há por aí alguém que acredite que, caso Manuela tivesse tido o encargo de aplicar o programa da tróica, as coisas teriam sido muito diferentes, salvo talvez num pequeno grau e com uma retórica um pouco mais doce? E que imagine que o celebrado Pacheco, desde que fosse ouvido pelo Poder, teria o mesmo discurso que hoje tem, e não referiria, em vez de Krugman, os seus críticos?

 

O homem abastarda a função dos intelectuais - deles se espera que, certos ou errados, defendam ideias, que poderão ser ou não as dos seus amigos, e não que defendam amigos, usando as ideias como armas.

 

Isto é uma forma particular de corrupção. E, de tão transparente, é também uma forma de burrice. Mas esta não é em geral reconhecida: o homem sabe quem foi Zola, e Dreyfus - aquilo é uma cabeça.

publicado por José Meireles Graça às 12:12
link do post | comentar

Pesquisar neste blog

 

Autores

Posts mais comentados

Últimos comentários

Marxismo Cultural o tanas:-» BOYS E GIRLS DE SOROS...
E prontos...Manuel Vilarinho Pires gastou algum do...
Que a Igreja é humana, faz parte da definição. Uma...
No vosso 'post' «Um passeio primaveril» escrevi al...
José Meireles Graça, o seu apontamento é bom, expl...

Arquivos

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

adse

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

censura

cgd

cgtp

comentadores

cortes

crescimento

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desemprego

desigualdade

dívida

educação

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fiscalidade

francisco louçã

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

populismo

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

saúde

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vital moreira

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds