Costa é um homem desesperado. De putativo presidente da república passou a putativo primeiro-ministro. Depois quase passou a putativo "homem que já era". A sua ascensão, fruto de uma carreira política que parecia dedicada aos mais alto vôos foi posta em causa na campanha e nas eleições de dia 4 de Outubro. Se se tivesse demitido tudo estaria perdido. Terminalmente. Longos anos de ambição deitados ao lixo em poucos minutos de discurso de assumpção da derrota. Uma derrota inaceitável para os sonhos de grandeza a curta distância.
Sem opções alternativas imediatas de liderança, os soaristas que o transportaram ao poder no PS, agarraram Costa, e, na primeira fila, enquanto este discursava, dizendo-se contra a 'maioria negativa', mostravam feições dignas, calmas e responsáveis, contentes com o pupilo capaz de enfrentar a travessia do deserto que se avizinhava em nome da maior honra do partido. Enganaram-se. Costa bebe a sua inteligência estratégica também de um colectivo de jovens do PS que tem pressa de chegar ao poder. São os "jovens turcos" e estão bem representados na entourage de Costa. Lendo-os, antecipa-se quase sempre o que Costa irá dizer ou fazer. Dão-lhe força. São o "futuro". E Costa precisa de alguém que lhe dê o suporte para estar nesse mesmo futuro.
Os jovens turcos estão próximos do BE e do PCP. Conviveram e cresceram nos blogs políticos de esquerda e extrema-esquerda. Mobilizam-se e reforçam-se mutuamente criando uma força significativa.À medida que foram crescendo, conseguiram também, ir ganhando adeptos em grande parte da comunicação social. A campanha de Costa, sem guito, num PS falido, foi muito suportada pelo voluntarismo destes "turcos" do PS e media que veem o poder de imediato mesmo à mão. E poderão obtê-lo.
Catarina Martins tem tudo a ganhar e pouco a perder aceitando fazer parte de um governo unido. Poderá entrar no espaço eleitoral do PS, mostrar serviço anti-austeridade para fins de próximas eleições, alargar a base do Bloco e demonstrar como também se deve considerar o Bloco como futura força de governo. A dedicada Mortágua está aí para ajudar mediaticamente a vender o Bloco de todos os cidadãos e não apenas dos sectores de protesto. É um salto com atracção irresistível.
O PCP nada tem a perder. Basta não ir para o governo, ficar a fazer fiscalização na assembleia enquanto o Bloco e PS tomam medidas populares sobretudo no tocante ao rendimento por via estatal. Um ganho, e uma atitude de defesa dos trabalhadores valorizada pelo eleitorado comunista.
Cavaco Silva poderá bloquear musculadamente o acordo e indigitar mesmo assim a coligação PSD-CDS, mas arriscamos uma convulsão política de custos desconhecidos.
Talvez seja o momento de deixar o povo português assumir as consequências das decisões tomadas e pagar o preço sem que haja um grupo de cidadão ilustrados que forçadamente assume a responsabilidade do poder em nome de um ilusório "bem maior" de estabilidade. Ilusório, porque o bem maior é aprendermos à nossa custa sofrendo as consequências de todos os nossos actos, incluindo os eleitorais.
Há o pormenor de grande parte da nossa soberania residir em obrigações decorrentes de tratados com a UE. Contudo, esse detalhe, se o PS, Bloco e PCP, forem inteligentes e camuflarem bem, partes mais agrestes dos seus programas, facilmente será ultrapassado.
Posto isto, acho mesmo que avança o acordo de esquerda.
Nos regimes comunistas mandava o comité central. No regime que se prepara para Portugal, mandará o "mediaté": um conjunto amplo de utilizadores de redes sociais e comentadores nos media, encarregues de definir a "realidade" e indicar os caminhos que o braço executivo realizará, incluindo quem deve ser promovido ou punido, que políticas são social e politicamente correctas. O regime apoiar-se-á em consultores estrangeiros: Varoufakis, Stiglitz, Krugmam, Munchau, e Sachs, entre outros, a definir pela grande internacional neo-socialista.
Em Portugal, o "mediaté" terá um grupo restrito de censores e fiscalizadores chefiado por Fernanda Câncio e Ana Matos Pires. Câncio indentificará os dissensores, Matos Pires decretará o seu internamento psquiátrico. Pacheco Pereira fará a teoria geral da justificação da necessidade e bondade colectiva do regime.
Relaxem. A felicidade ser-nos-á dada ao virar da esquina.
José Manuel Trigoso defendeu: “Os ciclistas andam na estrada, podem andar no meio dos veículos, podem ter comportamentos que deem origem a acidentes e, por isso, faz todo o sentido que, em defesa deles próprios e dos outros, exista uma obrigatoriedade de seguro, pelo menos para terceiros, de responsabilidade civil”.
Pois é, Zé Manel, realmente: um ciclista esborracha-se contra a traseira de um ligeiro e, ao preço a que estão os pára-choques e os farolins, fica-se a rir, ainda por cima com a fealdade que resulta de o fazer sem os dentes que perdeu? Não pode ser.
Nem percebo porque não recomenda também seguro de responsabilidade para peões: já não é o primeiro que se atravessa inopinadamente no trajecto de um veículo, que para evitar o atropelamento vai abalroar um outro. E nem falemos de patins em linha, que aquilo, na realidade, além de seguro também deveria obrigar a carta de condução de patins, com as subcategorias de travão à frente, de costas ou de lado.
Uma dúvida porém assalta o meu espírito desconfiado: o amigo tem avença da Ordem dos Advogados? Das companhias de seguros? Dos bancos?
Não, não tem? Ah, acha que há falta de licenças, alvarás, autorizações, seguros, taxas, alcavalas, minas e alçapões?
Também não? Bem, já sei: tem que fazer prova de vida. Compreendo, mas recomendaria que se rebelasse, por exemplo, contra o hábito deplorável de alguns condutores tirarem, nos semáforos, catotas do nariz. Sempre nos ficava de graça e não dava ideias a um estado metediço, e a um sector financeiro sôfrego.
Concordo com o José Meireles Graça quando refere alguns aspectos positivos da União em Curso da Esquerda Esclarecida e Inteligente disposta a Apascentar os Pobres Estúpidos que Ainda Votam à Direita
Mas, vou mais além. Não é apenas desejável essa União: ela é necessária e o melhor que pode acontecer ao pais.
Precisamos de uma vacina de efeito duradouro contra os delírios intelectuais de gente desmemoriada e irrealista.
A vacina deveria ter sido inoculada em 2011, e só não o foi, porque Passos Coelho, num acesso impetuoso de idealismo e falta de paciência para esperar que o poder lhe caísse nos braços, forçou eleições (com a ajuda do BE e PCP, - lol ! ) e agarrou o estado antes que fosse dado o passo que faltava para o abismo. Foi, como agora entendemos, um erro. Seria muito melhor deixar o PS governar por mais 4 anos durante os quais seríamos a Grécia de 2014 por antecipação. Seria o suficiente para estupidificar ainda mais eleitores.
Agora, Passos pode corrigir o erro. Basta refastelar-se no cadeirão (que já ninguém lhe tira) e deixar que o Governo Unido das Esquerdas Reunidas tome o poder e implemente as suas políticas esclarecidas-anti: fim do estado-social-austeridade-grande-capital-exploração dos fracos-etc..
O povo, coitado, o estúpido, esse continuará a votar à direita. O outro, o inteligente maioritário que vota Mortágua, Jerónimo e Poucochinho Costa, terá tempo para levar à prática as suas nóbeis teorias. Custará talvez ao país a curto e médio prazo, mas ganharemos como nação, quando, a longo prazo, ficarmos em maior número ainda mais estúpidos, votando mais uma vez massivamente à direita e, se calhar, por duas legislaturas. Mais estúpidos, mas menos pobres.
PS1: por precaução, convém começar a verificar aquilo que fica registado nos arquivos de blogs e redes sociais. Os PREC da vida são conhecidos por "tratar de modo especial" os que cometem delito de opinião.
PS2: Os mapas apresentados mostram claramente que os inteligentes estão em maioria entre aqueles que não fundaram Portugal e aqueles que são mais analfabetos. Como estúpido, não sei que conclusão tirar.
Tenho pena que a rábula que o patético Costa anda a fazer com a comunistada não seja para levar a sério.
Porque o PREC II teria interessantes consequências: uma parte do PS fundaria o PSDS (partido social-democrata a sério), indo roubar militantes ao PSD; o PSD passaria a PSDMP (partido social-democrata mas pouco); o CDS-PP passaria a PPD (partido popular de direita), perdendo alguns militantes para o PSDMP e indo buscar muitos mais aos abstencionistas; o PCP e o BE conservariam os nomes mas não a votação, por altura das novas eleições, impostas pelos credores aquando do IV resgate, ficando com quatro cadeiras no Parlamento (uma delas pertencendo obrigatoriamente, por direito de tempo de antena em dobro, à deputada Apolónio, e outra a Jerónimo, por acumulação de diuturnidades); e um novo governo de coligação faria metade das reformas que ficaram por fazer aquando do III resgate, no dobro do tempo que seria necessário para fazer a totalidade.
Não me parece mau negócio.
Nem de propósito: diz-se aqui que "geralmente, credita-se a introdução do termo 'intelectual' a Georges Clemenceau durante o caso Dreyfus". E este famoso caso é a inspiração para Pacheco Pereira, o nosso intelectual por antonomásia (completo com o exílio na Marmeleira, a pose de buda cabeludo, a biblioteca que se diz imensa e a obra obscura sobre a história do PCP) se lançar num texto prolixo e contraditório sobre o papel dos intelectuais no nosso tempo.
Por um lado, lamenta que homens como Zola, Raymond Aron, Sartre ou Bertrand Russell já não existam; e insinua, com razão, que Krugman, Stieglitz, Piketty e Varoufakis (!) não se lhes comparam. Por outro, reconhece que "a maioria dos intelectuais do século XX mostrou um fascínio com tudo o que era errado, tudo o que representou um imenso sofrimento para a maioria das pessoas comuns, que era suposto a sua voz proteger. Refiro-me à enorme capacidade de justificação e legitimação que os intelectuais do século XX tiveram com o comunismo e o fascismo".
Um detalhe: suponho que por "fascismo" Pacheco tenha querido dizer "nazismo". Porque, na hierarquia da abominação, o fascismo foi um parente pobre e, se usa tanta treta para dizer tão pouco, conviria ao menos que fosse rigoroso no uso das palavras. Mas o argumento principal não convence: porque se a maioria dos intelectuais do século passado sofreu do vício que lhes é atribuído - o não perceberem a inerente desumanidade dos regimes totalitários - então estamos melhor com as nulidades que Pacheco lista como expoentes do pensamento contemporâneo, e nada há por conseguinte a lamentar.
Tudo isto é um disparate pegado. As personalidades citadas são todas economistas, e nem os próprios imaginarão decerto que a dimensão económica é tudo o que conta nos nossos dias, ou que todas as coisas têm uma dimensão económica. Mas Pacheco, podendo escolher outros, escolheu aqueles.
Porquê? Porque todas aquelas notabilidades são contra a austeridade. E Pacheco também.
Ou seja, conhecendo o seu público, Pacheco embrulha o seu ódiozinho de estimação à crença e prática dos seus inimigos políticos actuais numa tese abstrusa que mete personagens históricas ilustres, nomes sonantes da contemporaneidade opinativa, e zás - toma lá Passos, que já almoçaste.
Foi o que sempre fez - olhai pra mim, que sou diferente e profundo e por isso não penso o que os demais pensam, excepto se me derem importância, caso em que estou disposto a fazer cedências.
Na juventude, podia ter sido um comunista como os que não eram diletantes, mas não - no PCP entra-se pela porta baixa, e por isso navegou em organizações obscuras (OCMLP, PCP(ml) ou lá o que foi), grupelhos hoje esquecidos; quando se converteu às alegrias da democracia burguesa podia ter ido para o PS, mas outros antifascistas havia lá muitos - por isso foi para o PSD, que o recebeu de braços abertos, e veio a ser um feroz cavaquista, apoiou a invasão do Iraque, e passeou a sua superioridade pela Assembleia da República e pelo Parlamento Europeu.
Recentemente, tinha o ouvido de Manuela Ferreira Leite e outros próceres do partido a que ainda pertence. Mas no saco de gatos que aquela agremiação sempre foi a facção a que pertencia perdeu. E ei-lo de braço dado com a oposição interna, e a externa, até que tome o poder alguém que lhe pergunte: qual o caminho, divino Pacheco? - caso em que, rendido, ministrará os seus preciosos conselhos, que consistem em geral em estar do lado errado da história e apostar em cavalos perdedores.
Exagero? Há por aí alguém que acredite que, caso Manuela tivesse tido o encargo de aplicar o programa da tróica, as coisas teriam sido muito diferentes, salvo talvez num pequeno grau e com uma retórica um pouco mais doce? E que imagine que o celebrado Pacheco, desde que fosse ouvido pelo Poder, teria o mesmo discurso que hoje tem, e não referiria, em vez de Krugman, os seus críticos?
O homem abastarda a função dos intelectuais - deles se espera que, certos ou errados, defendam ideias, que poderão ser ou não as dos seus amigos, e não que defendam amigos, usando as ideias como armas.
Isto é uma forma particular de corrupção. E, de tão transparente, é também uma forma de burrice. Mas esta não é em geral reconhecida: o homem sabe quem foi Zola, e Dreyfus - aquilo é uma cabeça.
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