Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

The five minute MBA para ministros das Finanças socialistas (3)

Regresso às aulas no MBA rápido para jovens socialistas que pretendam vir a assumir a pasta da Finanças em governos socialistas, desenvolvido em parceria entre a Universidade de Harvard e a Universidade de Verão do Partido Socialista.

Hoje o tema é a "Gestão Estratégica dos Recursos Humanos", designação sonante que encerra alguns mistérios que vamos tratar de esclarecer aqui. Para nos ajudar no estudo de caso temos, nada mais, nada menos, que o ministro José Vieira da Silva, ilustre marinhense e assistente convidado no incontornável ISCTE onde estas questões da estratégia são estudadas há décadas.

E o problema para se resolver hoje é o seguinte:

  • Como satisfazer as clientelas nacionais e regionais de um partido afastado há quase cinco anos do controlo do aparelho do Estado mas que elegeu o novo chefe na esperança de o recuperar e as ambições do BE de começar a ter alguma influência na nomeação de boys for the jobs for the boys alinhar a direcção e as chefias do Instituto de Emprego e Formação Profissional com a nova estratégia do governo do PS assente na valorização das políticas públicas ativas de promoção do emprego e de combate à precariedade?

O problema é um clássico da gestão estratégica socialista dos recursos humanos, e eu espero dos meus alunos socialistas não menos do que terem a resposta certa na ponta da língua:

Hoje estão todos passados e é uma aula mais ligeira, que a praia está convidativa, mas para os habituais marrões interessados em compreender a mecânica das coisas deixo aqui uma informação útil de natureza empírica. A gestão estratégica dos recursos humanos resulta mesmo, e os novos gestores estão, de facto, a interpretar e implementar correctamente e com sucesso a nova estratégia do governo e a implementar políticas públicas ativas de promoção do emprego e de combate à precariedade. Só por esta informação, valeu a pena esperarem pelo professor no piano à saída da sala de aula.

Ah, que distraído que eu sou! a aula de hoje não era sobre gestão estratégica de recursos humanos, era sobre "Stand-up Comedy", uma competência ainda mais importante para os governantes socialistas. Deixo a correcção juntamente com as minhas desculpas por qualquer coisinha. Boa praia.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:43
link do post | comentar

The five minute MBA para ministros das Finanças socialistas (2)

A segunda aula do MBA rápido dirigido aos jovens socialistas que pretendem vir a assumir a pasta da Finanças em governos socialistas, desenvolvido em parceria entre a Universidade de Harvard e a Universidade de Verão do Partido Socialista, é em horário nocturno, para não perturbar o dia de praia dos governantes socialistas.

Hoje vamos falar sobre "Privatizações", um tema ainda mais apaixonante e mais complexo do que o de ontem. As privatizações são, simultaneamente, uma ameaça para a coligação, que incorporou vários partidos, e mesmo vários membros do partido do governo, com alergias declaradas ao tema, e uma oportunidade formidável de proporcionar bons negócios a bons amigos que são amigos do seu amigo. Uma ambiguidade de interesses que só pode ser resolvida com grande flexibilidade ética e política, que vamos procurar ensinar aqui.

O caso de estudo de hoje é a solução para o problema:

  • Qual é o modo mais eficaz de reduzir o valor de um banco a zero, para o poder vender a amigos ao preço da uva mijona?

A resposta certa é uma solução mais do que testada e comprovada:

  • É pôr a correr o boato que o banco vai ser liquidado.

Quem chegou aqui tem nota positiva, e pode ir para a discoteca festejar mais este sucesso académico, tendo em atenção que amanhã é dia de praia e as olheiras ficam sempre mal a quem quer parecer bonito. Mas, dada a riqueza do tema, há uma pergunta adicional para os alunos que queiram ter acesso à nota máxima:

Ah, pois, nestas perguntas inesperadas é que se distinguem os bons alunos dos alunos excepcionais, os que continuavam a ir para a escola em Julho, quando os outros já estavam de férias há muito tempo a ouvir o relato do Portugal-Coreia do Norte! A resposta certa é:

Para os que apreciam as tecnicalidades, vale a pena reflectir um pouco sobre os pontos fortes e as dificuldades da solução do anúncio pelo próprio primeiro-ministro.

O ponto mais forte é a credibilidade, porque toda a gente sabe que os primeiros-ministros socialistas são credíveis, se não no conteúdo, pelo menos na forma: derivado à introspecção, é suposto um primeiro-ministro conhecer as decisões tomadas pela própria pessoa do primeiro-ministro.

A maior dificuldade é convencer o primeiro-ministro a dizer o que alguns analistas neoliberais podem interpretar como uma machadada irremediável na reputação de um banco e, portanto, na viabilidade da sua continuação em operação, justamente o objectivo de quem pretende reduzir a zero o valor do banco para o poder vender aos amigos ao preço da uva mijona. O problema acaba por ser circunstancialmente menos complexo de resolver do que parece, porque os primeiros-ministros socialistas são geralmente vaidosos e palavrosos, e incapazes de compreender o alcance do que lhes dizem para dizer, de modo que é fácil convencê-los a dizer coisas, desde que se lhes diga que é bom para eles e ameaçador para os inimigos, por exemplo, os neoliberais de Bruxelas, dizê-las.

Por hoje é tudo, e peço-vos desculpa por ter sido uma aula mais complexa do que é habitual, mas o ensino elitista de uma Universidade que pretende formar os melhores dos melhores socialistas assim o exige. Continuem a seguir-me e um dia poderão vir a ser excelentes governantes socialistas. Ide em paz.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:24
link do post | comentar
Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Heróis do mar e do relvado

The Portuguese, for their part, played true to national and historical type. Theirs is a land that has always used its scarce resources wisely, cannily, stretching them to the utmost extent. How else could a sliver of land on the western extreme of continental Europe build for itself an empire of such magnitude. There is a dourness of resolve, a defensive fortitude, an indefatigable stubbornness to the Portuguese that served them well in empire and served them on the football field on Sunday night.

 

O Europeu já lá vai e o entusiasmo também - na mesma terra onde a arrogância tradicional dos hospedeiros levou uma ensinadela quis o acaso que um atentado nos viesse lembrar que o corpo do Ocidente tem um tumor, que dele nos vamos ocupar nos próximos tempos, sempre que pulsar, a ver se atinamos como impedir que cresça, e se o podemos lancetar ou extirpar. Esse tumor é o islamismo, mesmo que a maior parte dos meus colegas médicos não concorde com o diagnóstico, por julgar tratar-se de uma inflamação passageira, a curar com rezas multiculturais e mezinhas solidárias.

 

Dos atentados terroristas falarei noutra maré, porque creio que não faltarão ocasiões - a nossa insignificância e a exiguidade da comunidade muçulmana põem-nos, relativamente, ao abrigo de atentados (ainda que a diligência do patético Costa, a convidar imigrantes, e o patrocínio do homúnculo Medina, a subsidiar a construção de mesquitas, façam o possível para nos atrair mais esse atributo da modernidade suicida), mas lá que haverá mais atentados na Europa - haverá. O Islão não é compatível com a irreligiosidade das consciências e dos comportamentos, nem com um Estado neutro em matéria de costumes e igualitarista no que toca a direitos das mulheres, e portanto a identidade das comunidades muçulmanas só pode afirmar-se contra a identidade dos nacionais dos países que as acolhem, logo que as dimensões lhes permitam ter bairros, escolas e instituições próprias.

 

Mas este post não é sobre atentados, é mesmo sobre futebol. O futebol dentro das quatro linhas, a despeito dos esforços dos comentadores, não é difícil de perceber: as regras não são muitas (menos de 20), o objectivo é evidente, e só não ganha sempre o clube ou selecção que tem melhores jogadores porque o jogo, sendo de equipa, obriga a que cada um se abstenha de brilhar, a benefício de quem esteja mais bem colocado para progredir, sob pena de ver os seus esforços anulados pela defesa contrária; e obriga a que o treinador disponha as suas peças no terreno de modo a anular o que a equipa contrária sabe fazer (o que implica conhecê-la) e tire o melhor partido do que os jogadores próprios sabem fazer nas posições que lhes convêm (o que implica conhecê-los). Isto, mais a preparação física, o ocasional golpe de génio de jogadores sobredotados (como Cristiano ou Quaresma), o espírito de sacrifício, a capacidade de ler o jogo e fazer as correcções necessárias, com a prata de que se dispõe, faz a equipa ganhadora - sempre que a combinação destes factores for mais hábil, ou inerentemente melhor, do que a do opositor.

 

É preciso também sorte. E mesmo que a sorte não explique uma sucessão de vitórias, nem o azar uma sucessão de derrotas, não existe menos por isso: quem achar que, no futebol e na vida, a sorte e o azar não existem, pode trocar por acaso favorável e acaso desfavorável - sempre a coisa, ficando igual, parece diferente e mais aceitável.

 

Este paleio parece, e é, lógico, mas sabe a pouco. Sucede que Tunku Varadarajan, o autor lincado no início (cidadão britânico nascido na Índia e vivendo em Brooklin, diz a wikipédia) captou na carreira da nossa selecção algo que intuímos lá esteve. E podemos então pensar, se nos quisermos deixar embalar por arroubos nacionalistas, que o nosso Ronaldo foi dizendo para os seus botões que:

 

Aqui ao leme sou mais do que eu:/Sou um povo que quer o caneco que é teu;/E mais que Deschamps, que me a alma teme/E roda nas trevas do Stade de France,/ Manda a vontade, que me ata ao leme,/Do engº Ferdinand.

 

Gosto de acreditar que a selecção de todos nós, por alguma alquimia difícil de explicar, nos representou com as nossas qualidades e os nossos defeitos.

 

Porque, além do mais, se não quisermos pensar assim, teremos que concluir que Fernando Santos, como Mourinho antes dele, trocou a beleza do espectáculo pela eficácia - as equipas de Mourinho também não costumam jogar bonito.

 

E isto devia preocupar as pessoas que gostam de futebol e não apenas da pertença a uma paixão clubística, e que gostariam de chamar ao interesse pelo jogo quem disso anda arredio - a maior parte da população. Porque os estádios da maior parte dos clubes em Portugal estão quase sempre mal cheios, ou meio vazios. O espectáculo da selecção atraiu, pela paixão, pelo drama e pela expectativa, até mesmo quem não vê jogos habitualmente - somos todos portugueses, mas não somos todos, nem sequer a maior parte, a despeito do massacre televisivo, adeptos de futebol.

 

Querem os estádios cheios, são entendidos em futebol, e gostariam que quem não teve quem em pequeno lhe incutisse o vício do clube, que é na realidade a desculpa para o conforto de pertencer a uma tribo, visse o espectáculo? Resolvam dois problemas: um é o da violência nos estádios, que afasta as mulheres e as famílias; e outro é o das regras, que consentem, e recomendam, que mais importante do que marcar golos é não os sofrer. Os nossos treinadores, artigo de exportação cobiçado em todo o lado, fazem émulos. E, a prazo, o futebol tenderá a parecer, salvo o ocasional fogacho, um jogo de xadrez executado por robôs.

 

Mas eu, como se vê, de terrorismo, e de futebol, não entendo nada.

publicado por José Meireles Graça às 17:06
link do post | comentar

The five minute MBA para ministros das Finanças socialistas

Hoje vou iniciar no Gremlin Literário uma formação dirigida aos jovens socialistas que, mais tarde ou mais cedo, serão chamados a retribuir à Pátria aquilo que a Pátria lhes deu assegurando a pasta das Finanças em governos socialistas, desenvolvida numa colaboração entre a Universidade de Harvard e a Universidade de Verão do Partido Socialista.

O tema da lição de hoje é a boa execução orçamental em linha com o programado:

  • Como é que se consegue cumprir um orçamento ambicioso que reduz o financiamento ao mesmo tempo que aumenta os custos?

A resposta certa é:

Para os mais interessados em tecnicalidades, esta boa prática da gestão financeira socialista é desaconselhada no sector privado porque, além de promover a ruína da economia pela dependência generalizada das empresas da banca, não para financiar o investimento, o crescimento e a criação de emprego, mas para irem evitando, enquanto conseguem obter crédito, rupturas de tesouraria que se podem propagar em cadeia às empresas a quem as que entram em ruptura de tesouraria deixam, por sua vez, de pagar, a contabilidade rege-se por critérios económicos para a determinação do momento de contabilização dos custos, ou seja, reconhece-os no momento em que os produtos e serviços são consumidos ou, simplificando, as facturas são contabilizadas quando são recebidas dos fornecedores, e não quando lhes são pagas.

Já no sector público, a promoção da ruína da economia pelo atraso nos pagamentos funciona do mesmo modo que no privado, até amplificada pela escala da intervenção do Estado na economia, mas oferece interessantes possibilidades de gestão orçamental aos gestores socialistas, porque a contabilidade pública obedece a critérios de tesouraria e os custos só são reconhecidos quando são pagos aos fornecedores, o que permite gerir em linha com o orçamento mesmo gastando mais, ou apresentar orçamentos inexequíveis mas simular que são executados rigorosamente até a marosca ser descoberta.

Para não cansarem muito as cabecinhas socialistas, hoje fico por aqui.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:24
link do post | comentar

Pergunta de algibeira

Qual dos conselheiros de estado denunciou a falta de patriotismo do Cavaco Silva por ter apoiado as sanções?

Reposta de algibeira.

Não se sabe, mas tem de ser alguém que, simultaneamente cumpra duas condições: seja asno e não tenha percebido nada do que o Cavaco Silva disse na reunião; tenha um ódio do caraças ao Cavaco Silva. O que não é extraordinariamente selectivo no Conselho de Estado.

Aceitam-se apostas.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:30
link do post | comentar
Domingo, 17 de Julho de 2016

História triste com fim lamentável

ef2e991f3b6c799d5c0d4abbe4bdaee6f1164eb2.jpg

Costa queria chegar ao governo e ter tudo resolvido após 4 anos em que o PS tudo fez para dificultar qualquer acção estratégica ou táctica de gestão da coisa pública que pudesse mostrar sucesso da governação de Passos.

Os problemas do Estado eram enormes em 2011. Eram muito grandes em 2015. Costa como não tem equipa, nem nunca geriu coisa alguma com complexidade semelhante na vida, quando confrontado com os desafios exigentes da governação, perdido e vendo que nada consegue fazer para resolver, apesar da não-oposição destrutiva do PSD e CDS, opta por anunciar publicamente os graves riscos, criando uma quase crise bancária, e uma crise de dívida que só não é de ruptura por causa do QE do BCE.

No fundo, e depois da entrevista de ontem de Passos, fundamentada, calma e que mostra consciência tranquila face ao executado, fica ainda mais óbvia a extrema incompetência técnica e política do governo e da geringonça. Ninguém em juízo perfeito pode crer que Costa, apaniguados e senhoritas do BE possam ter qualquer solução.

A única via que lhes resta é criarem o caos para depois reinarem sobre as cinzas de um país que nem sequer os queria no governo.

Uma triste história que terá um lamentável fim.

publicado por João Pereira da Silva às 08:33
link do post | comentar
Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

O horror é um horror

Não há definição suficiente para o horror. Não há palavras que o definam convenientemente. O horror para ser entendido, deve ser sentido fisicamente, no estômago, na mente, espalhando-se por todo o corpo e dando a sensação de que não aguentamos, que morremos imediatamente de desgosto, de dor, de um sofrimento tão absoluto que a morte imediata é um alívio. Pode acontecer de muitos modos. Para um pai, ou uma mãe, assistir à morte de um filho define o horror.

No Bataclan os terroristas terão, segundo notícias que até agora foram abafadas pelas autoridades francesas, torturado, cortado cabeças, esventrado pessoas, cortado testículos, inserindo-os na boca de homens vivos. Horror que filmaram para fins de propaganda do Daesh.

Porque nos querem proteger abafando a cruel realidade que nos traz a morte com cada vez mais frequência na Europa? Que fim serve, o ocultar da dimensão do ódio que nos movem os radicais médio-orientais? Que vontade de controlo é satisfeita com o ocultar dos corpos de crianças inocentes esmagadas ontem pelo camião de Nice? Porque diacho não hão-de mostrar às potenciais vítimas (todos nós) o que lhes pode suceder numa qualquer próxima manifestação pública?

- Porque os governos da Europa não têm coragem para combater efectivamente a ameaça. A ameaça cresce, e cresceu, por políticas apoiadas pelos nossos governos, Brincaram às invasões, às primaveras, às deposições de ditadores em países tampão e agora pagamos o custo das opções que deram muito dinheiro a ganhar a muita gente das cúpulas, das elites ocidentais. Logo, o impacto deve ser minorado para esconder as vontades de compreensão do porquê nos estarem a matar agora.

Esquecendo a arqueologia da origem, o que tem de ser feito agora para evitar que mais europeus morram é de uma dureza extrema para uma cada vez mais importante parte da população europeia, a muçulmana. A guerra, e é disso que se trata, não pode ser ganha na Síria, no Iraque ou em qualquer outra zona estrangeira. Deve ser combatida cá, com controlo de entrada nas fronteiras, monitorização e acompanhamento interno até talvez à terceira geração, reforço dos sistemas de informação, e repressão forte e segura cada vez que há um novo atentado. Muita firmeza que os actuais governos não estão a demonstrar a custo de centenas de vidas inocentes e a custo da própria capacidade de re-eleição face ao avanço dos radicais como Le Pen e outros. Como sempre foi na história: Crime e Castigo.

É uma história de corrupção moral (dos nossos líderes) de corrupção financeira (das nossas elites) e de miséria humana por parte dos que elegemos.

Dito isto, quando disserem que é preciso esconder as imagens de horror das crianças esmagadas em Nice, pensem que ao não o fazerem - ver com os próprios olhos a morte horrorosa e gratuita de inocentes - estão a proteger os verdadeiros responsáveis: a ajudá-los a esconderem-se.

publicado por João Pereira da Silva às 18:01
link do post | comentar

O Louçã resolve

Juntaram-se as melhores cabeças de Portugal para resolver o problema do deficit, e resolveram-no.

Quem são elas? Toda a gente sabe. O professor Francisco Anacleto Louçã, conselheiro de estado no reinado do professor Marcelo e bloquista eterno, os investigadores do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra coordenado pelo conhecido sociólogo rapper Boaventura "de" Sousa Santos e que deu à Pátria figuras como a eurodeputada Marisa Matias, o deputado José Manuel Pureza ou a ministra Maria Manuel Leitão Marques, para não falar do histórico sindicalista Manuel Carvalho da Silva, coordenador do Observatório de Crises e Alternativas, em cujo âmbito as Oficinas sobre Políticas Alternativas desenvolveram nos anos de bruma da troika a solução política salvífica agora divulgada, e mais alguns ajudantes de escritor dos quais me permito salientar um tal de Manuel Pires para esclarecer que não sou eu. Sem esquecer o prefaciador, o presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues.

E como é que o resolveram? Fácil. Tivesse-se retirado a troika do caminho e o desemprego ter-se-ia reduzido automaticamente, e "Nós damos um exemplo no livro: se um em cada cinco dos desempregados e um em cada dois dos que saíram de Portugal durante a 'troika' estivessem a trabalhar cá, o défice português seria zero, porque se pagariam menos cinco mil milhões de euros de subsídio de desemprego e o aumento da receita da segurança social – por causa das pessoas que estariam a trabalhar – seria de 1.300 a 2.700 milhões de euros. Não teríamos défice simplesmente". Como diz o outro, só não vê quem não quer ver.

Encontrada a solução, e entendido que a solução se refere ao passado mas pode facilmente ser transposta para o futuro pela aplicação do princípio que menos austeridade resulta em mais emprego, e está de facto a ser usada para fazer crescer o investimento, o emprego e a economia com os resultados conhecidos através da devolução dos rendimentos aos portugueses, ainda pode haver mentes mesquinhas e economicistas que duvidem do princípio. Que desconfiam que, se a troika não tivesse vindo com o programa de austeridade, o desemprego teria na mesma aumentado em consequência da insustentabilidade dos desequilíbrios económicos e financeiros que a antecederam, e não da tentativa de os eliminar com o programa de assistência. Que desconfiam que o mal-estar do doente se deve, não à quimioterapia, mas aos cigarros que fumou até lhe ter sido diagnosticada a doença. Dúvidas mesquinhas de pessoas mesquinhas.

Tanto mais que a solução enunciada é realmente inovadora e formidável. Conseguir, reduzindo o desemprego em apenas um quinto, cortar cinco mil milhões de euros no subsídio de desemprego que custa menos de dois mil milhões para todos os cinco quintos é obra, já não do domínio da ciência económica, mas do domínio da alquimia, como dizia por aí um companheiro do Gremlin Literário. Ou, talvez, e para ser mais rigoroso, já que estamos a falar de cientistas sociais e não de vendedores da banha da cobra e eu sou mais dado às matemáticas que às ciências dos materiais, é a aplicação dos números imaginários à Economia para a libertar das grilhetas dos números reais.

OE 2016 - Segurança Social.jpg

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:00
link do post | comentar

Vive la France

 

Estava a preparar uma publicação definitiva para reflectirmos sobre os graves problemas que temos pela frente, mas outros valores mais altos se levantam.

Vergonhosamente, e ainda mais para um nacional do país cuja selecção acabou de conquistar o campeonato europeu de futebol, o hino que me emocionou mais na vida, e continua a emocionar, e se ninguém estiver a ler admito que ainda me faz verter uma lágrima, e isto com a idade vai piorando e este filme então é uma desgraça, e está longe de ser o pior, é este, de um realizador de filmes de capa e espada americano.

Verdade se diga que, em segundo lugar, vem uma Portuguesa tocada em Los Angeles na madrugada de 12 para 13 de Agosto de 1984, devia passar bem das 3 da manhã, vista na televisão em Cabanas de Tavira, e cantada em pé e em uníssono por mim e pelos familiares e namoradas e namorados que lá passavamos férias, assim como pelos dois casais franceses com um batalhão de filhos que passavam férias no rés-do-chão da mesma casa e com quem as meninas tinham metido conversa e, depois de terem obtido toda a informação que consideravam necessária para determinar a idoneidade, tinham convidado para jantar connosco no andar de cima. Um jantar de peixe bem regado com vinho alentejano que teve um contributo inestimável para a afinação do coro internacional que festejou a vitória do Carlos Lopes a cantar a Portuguesa, não sem, uns bons quilómetros antes de a corrida terminar, se terem fartado de gritar "Il a gagné, il a dejá gagné!".

Nem que fosse por eles, neste 14 de Julho eu canto a Marseillaise.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:08
link do post | comentar
Terça-feira, 12 de Julho de 2016

A Oração, do António Calvário

Os moucos que me perdoem, mas a Oração, do António Calvário, é a minha canção favorita vencedora de todos os festivais RTP da Canção.

Um poema sobre pecado, arrependimento e redenção, improvável num dos maiores cómicos (na época ainda não havia humoristas, eram meramente cómicos) portugueses da época, o Francisco Nicholson, mas capaz de fazer chorar as pedras da calçada, uma linha melódica soturna que poderia ter saído da pena de um Shostakovich, à época um moço mais novo do que eu sou agora, se bem que mais desgastado pelo terror vivido por quem viveu numa ditadura a sério, e eu vivia numa mera ditadura das bananas, e uma canção histórica, a primeira portuguesa no festival da Eurovisão. De onde saiu com zero pontos, na época explicavam-nos que por eles terem inveja das nossas possessões ultramarinas, como agora têm inveja do Euro 2016 e se querem vingar com sanções no festival do Eurogrupo, antes de passarem a ser derrotadas pelos interesses comerciais das multinacionais editoras luxemburguesas e israelitas. Mas uma bela canção.

O presidente Marcelo, o católico mais eficaz de Portugal, conseguiu, à força de rezar muitos terços, conquistar o Euro 2016. O seleccionador-engenheiro Fernando Santos ainda o acompanhou na fuga ao pelotão, mas ficou para trás quando o presidente prometeu uma ida a Fátima no seu sprint final. Vitória isolada do camisola amarela, não confundir com os colégios, onde ele vestiu a camisola rosa apesar de se ter declarado amarelo no coração.

E isto é uma faceta do problema mais geral do presidente. Há muito quem tenha votado nele devido ao "perjúrio de tantas promessas", e agora se sinta "maltratado" e "desprezado". Se, como ele deu a antender, "Este amor é mais puro que a jóia mais rara, que o mais puro amor", tem muito que fazer para reconquistar o coração de quem confiou nele e se sente enganado. Não basta pedir perdão ao Senhor numa oração, mesmo que o perdão seja reforçado com uma maratona de terços. Qualquer dia tem mesmo que dar uma satisfação aos seus eleitores.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:53
link do post | comentar

Pesquisar neste blog

 

Autores

Posts mais comentados

Últimos comentários

Que José Meireles Graça se tenha mudado para o DO ...
Como lhe escrevi em 5 de Agosto passado, o 'site' ...
Não sei que lhe diga, Gato, excepto que decidi pas...
O blog fechou? Aconteceu alguma fatalidade? Digam ...
Como me fiei em endereços do seu perfil, recebi a ...

Arquivos

Setembro 2019

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

adse

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

cds

censura

cgd

cgtp

comentadores

cortes

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desigualdade

dívida

educação

eleições europeias

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fiscalidade

francisco louçã

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

populismo

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

saúde

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vital moreira

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds