Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

São nove da manhã. Sabe o que estão a ler os seus filhos?

Grocery-Boy-outdoor-psa-md.jpg

Se estão no smartphone a ver rabos e mamas na internet, a sua preocupação é compreeensível, mas escusa de entrar em pânico. Mais tarde ou mais cedo verão mesmo rabos e mamas, se é que não viram já, é uma coisa que eles gostam de ver e gostarão pela vida fora, e não é nada que os trumatize ou venha a fazer deles piores pessoas do que são.

Mas se estão nas aulas ou a estudar deve mesmo tomar precauções. Podem estar a ser sujeitos a lavagens ao cérebro através de manuais escolares cheios de propaganda política manhosa, nomeadamente comunista, risco que recomenda uma leitura atenta dos manuais para a sua detecção e eventual avaliação junto dos professores do modo como são ministrados os aspectos que se prestam à, ou constituem pura e simplesmente, propaganda política.

O facto de haver desde sempre estruturas no ministério que fazem a avaliação e certificação dos manuais escolares, evitando que a propaganda passe directamente das decisões tomadas no Comité Central do Partido Comunista Português ou nas estruturas de coordenação do Bloco de Esquerda para as mãos das crianças nos bancos da escola não é motivo de tranquilidade, é, pelo contrário, motivo para alarme dos pais, porque significa que toda a propaganda política que é vertida nos manuais escolares é previamente avaliada, aprovada e certificada pelo ministério por avaliadores incapazes, na melhor das hipóteses, ou saiba-se lá se mesmo encomendada por avaliadores manhosos que colonizam a administração pública para a utilizar a favor do seu activismo político, na pior?

Não tendo já crianças a frequentar o ensino básico, nas idades em que são mais moldáveis ao homem novo socialista ambicionado pelas lavagens ao cérebro que os comunistas persistem a fazer há um século, só circunstancialmente dei ontem por um exemplo, que publiquei aqui, tomando-o na altura por uma excepção. Foi-me de imediato chamada a atenção por alguns pais e educadores que o fenómeno não é isolado e está muito longe de ser raro, tendo-me relatado ou mesmo facultado exemplos de manuais utilizados pelos seus filhos em idade escolar.

Estando longe de ter material em quantidade suficiente para constituir uma ilustração significativa desta introdução de propaganda política comunista nos manuais escolares, esta publicação vai, por esse motivo, ser viva, significando que estou receptivo a que me façam chegar por comentário aqui ou ao meu perfil do Facebook imagens de exemplos de propaganda em manuais escolares, preferencialmente com a identificação do manual em causa ou a fotografia da capa, para os ir acrescentando a esta publicação.

Hoje começo com os dois que tenho.

 

Novo Viva a História 9, Cristina Maia, Cláudia Pinto Ribeiro, Isabel Afonso, Porto Editora:

  • Devido ao sistema económico instalado na URSS, fiel aos princípios socialistas, apenas este país saiu ileso da "crise de 1929".

2016-10-24 Viva a história.jpg

 

 

Manual de Português (ainda não tenho informação para identificar a edição):

  • Faça você mesmo o cartoon: recorte uma das figuras e cole-a no local assinalado com X [Aos infiéis! Vamos espalhar o bem!!!]. É fácil, só terá que escolher entre o século XVI [o catolicismo] e o século XXI [o imperialismo yankee].

2016-10-24 Infiéis.jpg

* Em construção

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:42
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De pequenino se torce o comunazinho

Apesar de, oficialmente, hoje já ser amanhã, podemos dizer que, tecnicamente, hoje ainda é ontem, porque ainda não me fui deitar, de modo que me desobrigo de me considerar já ao abrigo da convocatória de greve de autores do Gremlin Literário que eu próprio fiz ontem para entrar em vigor hoje. Vamos então despachar o assunto antes que me apareça o piquete de greve aqui em casa.

 

2016-10-24 Viva a história.jpg

 

A frase de hoje é esta:

  • Devido ao sistema económico instalado na URSS, fiel aos princípios socialistas, apenas este país saiu ileso da "crise de 1929".

A aprender História por livros como este, para que alguém conseguiu encontrar autores capazes de dizer frases como esta sem rebolar no chão nem molhar as calças a rir, não admira que o menino Tiaguinho delegue a condução dos assuntos da governação do ministério no comissário Mário Nogueira, um indefectível fiel aos princípios socialistas, tal como delega os da extinção do ensino particular para os pobres na secretária de estado Alexandra Leitão, outra fiel aos princípios socialistas, reservando para si próprio as funções de representação do estado português em finais de campeonatos europeus de futebol, olimpíadas em latitudes tropicais e efemérides e estopadas semelhantes, nem que não queira ver os jovens pioneiros em colégios privados e sujeitos à má influência de professores mal endoutrinados e pior intencionados que os possam confundir e afligir com dúvidas sobre grandes verdades como esta.

Vê-se também que entre os milhares de funcionários dos serviços centrais do ministério, as gorduras que nunca são eliminadas mesmo quando se corta a direito nos professores e nos assistentes, não há um único com um mínimo de cultura, bom senso e autoridade para erradicar dos manuais escolares asneiras como esta e meter na ordem os bandos de comunas que nunca desistem de tentar endoutrinar as criancinhas para as suas utopias delirantes em que mais ninguém consegue acreditar.

Entreguemos então as nossas crianças a estes educadores para moldarem nelas o novo homem soviético que tanta falta faz ao mundo.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:14
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Domingo, 23 de Outubro de 2016

Pré-aviso de greve

* Luta Popular, nº420, 18 de Outubro de 1976, gentilmente roubado a 1969 Revolução Ressaca

 

Camaradas, e camarados, pá!

Ao abrigo do artigo 57.º da Constituição da República Portuguesa e nos termos dos artigos 394.º a 396.º da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, aprovada pela Lei n.º 35/2014 de 20 de junho, convoca-se uma Greve Nacional de autores do Gremlin Literário para amanhã, juntemo-nos aos padeiros e aos trabalhadores do comércio grossista textil, do comércio retalhista, e da construção civil da Madeira, e aos electricistas do aeroporto, derivado a trabalharmos ao sol e à chuva, em dias úteis e fins de semana, de dia e de noite, sem receber os 3.550 euros por mês que recebem os nossos camaradas do Câmara Corporativa, nem um ajuste directo para uma unidade de missão, nem uma assessoria na Câmara de Lisboa, nós nem sequer recebemos o passe social, caraças, pá!

Pela igualdade, não há exploração do homem pelo homem, abaixo o patronato, pelos direitos dos trabalhadores!

De pé, ó vítimas da fome, trá lá lá, trá lá lá, trá lá lá...

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:03
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Sob suspeita

Clipboard01.jpgOntem o Sol noticiou que Sócrates, com o dinheiro que o amigo ganhou a fornecer o Estado do qual era primeiro-ministro Sócrates, pagava 3.550 euros/mês a uma alma para esta colocar opinião e construir factos na blogosfera a coberto da aura de independência e voluntarismo que caracterizavam originalmente os blogs.

Ora bem, para quem anda na blogosfera há anos a notícia é velha. Já se sabia da natureza do Corporações desde o início do blog. E houve bastantes outros blogs de todas as áreas políticas a aparecerem e a imporem-se espalhando opinião comprometida e interessada.

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Em Itália, a porca da política adoptou uma estratégia diferente com a blogosfera. Provavelmente porque os políticos italianos são os mais ricos da Europa (cerca de 250 mil euros/ano à cabeça para cada um dos 960 deputados ou senadores) e não estão para se chatear, põem os tribunais a tratar do assunto quando estes sentenciam que dada a elevada complexidade e responsabilidade do trabalho do jornalista, os bloggers ao escreverem estão também a fazer jornalismo e por isso devem pagar impostos correspondentes. Refinado, não é?

Naturalmente, a blogosfera italiana é muito pouco dinâmica relativamente à portuguesa. Há poucos blogs em comparação com Portugal e de qualidade geral baixa. Os cidadãos independentes e voluntaristas não estarão para se aborrecer e desistem de reportar, opinar e influenciar o podre e corrupto estado italiano.

Em Portugal vamos tendo mais sorte que não se pode dar como garantida. Ainda teremos mais trigo do que joio, mas todo o cuidado é pouco.

Boas leituras, e recordem-se de que mais vale um olho no burro e outro no cigano. 

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publicado por João Pereira da Silva às 07:52
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

E como vamos de desigualdade?

Sabemos, apesar da publicação de estudos de resultados mistificados por investigadores amigos da maioria de esquerda tentar afirmar o contrário, que a desigualdade diminuiu em Portugal durante a legislatura anterior, e nomeadamente durante a implementação do programa de assistência financeira da troika e da severa austeridade a que o país se viu forçado a submeter para conseguir sobreviver com os meios limitados de que dispunha.

2016-10-21 Gini Portugal 2006-2014.jpg

* Gráfico martelado pelo autor

 

Sabemos que as medidas mais significativas do governo actual que afectam a distribuição de rendimentos favoreceram em 2016 e continuarão a favorecer em 2017 os que têm rendimentos mais altos, e até muito altos, sem qualquer benefício para a esmagadora maioria dos que têm rendimentos mais baixos, ou até muito baixos, e que as alterações propostas à tributação do património também favorecem mais os que têm mais, e até muito mais, e até os evasores fiscais.

Não sabemos, infelizmente, o modo como esta política que, escondida por trás de uma retórica socialista de diminuição da desigualdade através da tributação da riqueza, parece concertada em voltar a aumentar a desigualdade a afecta, porque o índice de Gini é calculado com um recuo extenso, e ainda nem sequer existem publicadas estimativas para 2015. A este ritmo é natural que só lá para 2018 consigamos perceber o que aconteceu à desigualdade neste ano de devolução dos rendimentos aos portugueses de 2016, e em 2019 no da consolidação orçamentada dessa devolução de 2017.

Temos que esperar para ver.

Mas a conjugação de todos os factores enumerados acima aponta para um aumento da desigualdade, que só será compensado se a redução do desemprego, que reposiciona os desempregados que arranjam emprego da cauda da distribuição de rendimentos para zonas menos extremas, que tem sido reivindicada pelas estatísticas estiver a ser real, e não um mero artifício demagógico proporcionado pela manipulação das estatísticas reais. E os números de crescimento anémico que têm sido publicados não lhe dão grande sustentação.

É provável que a desigualdade esteja a crescer no Portugal governado por socialistas sustentados no poder por bloquistas e comunistas. É apenas um dos custos de mais uma tentativa de reciclar um marxismo cada vez mais retardado.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:08
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

Todo o burro come palha

As casas de valor patrimonial superior a um milhão de euros registadas em nome de entidades sedeadas em paraísos fiscais vão ter uma redução de impostos patrimonias que, à medida que o valor da casa aumenta, se aproxima tendencialmente de 48%.

Como é que se chegou aqui?

O governo do António Costa tem sido incitado publicamente pelo seu parceiro de coligação mais vivaço, o BE, a perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro, recomendação que o próprio tem simulado desvalorizar, dizendo que nem essa é a linguagem do PS, nem é essa a ordem de prioridade que temos, sem no entanto a renegar claramente, mas outras figuras notáveis do PS aparecem a confirmar dizendo coisas idênticas como um bom orçamento é aquele que vai buscar dinheiro onde os orçamentos anteriores não descobriram que ainda havia para tirar. Em português mais claro, diz-lhe o BE que tire aos ricos para dar aos pobres, ele responde que o PS não diz as coisas assim mas não nega que as faça, e o PS diz que tira mesmo.

Este jogo de retórica esquerdista contra os ricos protagonizado pelo António Costa e pelos partidos que apoiam o governo tem consequências boas, e consequências más. A consequência boa é que há mais pobres do que ricos e, se acreditam que o governo vai mesmo buscar ou tirar mais dinheiro aos ricos para distribuir por eles, mal não lhe deve fazer eleitoralmente. E as sondagens têm-lhe sido simpáticas. A consequência má é que os ricos se assustam e, em vez de investirem o dinheiro que têm para o multiplicar criando emprego e riqueza na economia, o levam para onde possa ficar a abrigo desta ameaça de voracidade socialista. E o investimento pifou.

Mas será o António Costa um socialista que vai buscar mesmo dinheiro a quem o acumula, ou isto é apenas um golpe de prestidigitação para alimentar a simpatia dos parceiros de coligação do PS e dos eleitorados mais radicais, ou meramente esperançados em lhes calhar a eles um quinhão da redistribuição de riqueza prometida por ele?

Olhando-lhe para a pinta, não convence muito como redistribuidor. O seu passado de planeamento fiscal pessoal e de habilidades para acumular rendimentos privados com salários públicos que exigiam dedicação exclusiva, o seu nível de vida ostentado sem vergonha, ainda que discretamente, sugerem que gosta suficientemente de dinheiro para não ser um redistribuidor de alma e coração, excepto na vertente de redistribuir por si próprio e, quiçá, pelos amigos.

E olhando-lhe para a governação também alguma dúvida se levanta, e com exemplos que, pelo número, estão longe de parecer insignificantes.

A trave-mestra da sua proposta governativa, a devolução de rendimentos aos portugueses, que era suposta justificar-se por motivos de justiça redistributiva e, para além disso, por impulsionar o crescimento económico, está fundada em três pilares:

  • A aceleração da reposição dos salários da função pública que tinham sido submetidos a cortes desde 2010, pelo governo socialista do José Sócrates. Estes cortes tinham isentado os salários mais baixos e, quando o António Costa chegou ao governo, iam de 2,8% para os salários a partir de 1.500 euros, um valor baixo mas, mesmo assim, muito acima da mediana de salários em Portugal, até 8% para os salários superiores a 4.156 euros, e estava em prática o plano do governo anterior de reduzir 1/4 dos cortes todos os anos até se extinguirem no início de 2019. Com a aceleração, extinguem-se amanhã, com o pagamento do salário de Outubro de 2016. Representando um aumento de 0% para os salários inferiores a 1.500 euros, de 2,9% para os de 1.500, e de 8,7% para os superiores a 4.156. A reposição favoreceu menos de metade dos funcionários, apenas os que ganhavam mais, e tanto mais quanto mais ganhavam.
  • A extinção da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, a CES, que, quando chegou ao governo, taxava a parte das pensões entre 4.611,22 e 7.126,74 euros por mês a 15%, e a parte que excedia os 7.126,74 euros em 40%, e estava na intenção do governo anterior reduzi-la para metade em 2016, o que acabou por ser aprovado por proposta do governo actual que teve o voto contra do BE e do PCP mas foi viabilizada pelo PSD e pelo CDS, fixando os valores para 2016 em 7,5% e 20%, e será, nos termos da proposta actual do OE 2017, completamente extinta em 2017. A extinção não beneficiará em nada as pensões de valor inferior a 4.611,22 euros, representará um aumento das pensões de 8,1% na parte que excede os 4.611,22 euros e de 25% na parte que excede os 7.126,74 euros. A extinção favorece uma ínfima minoria de pensionistas, e tanto mais quanto mais ganham.
  • A extinção da sobretaxa no IRS, que vai de 1% para rendimentos acima dos 801 euros por mês a 3,5% para rendimentos acima dos 5.786, que foi falsamente apresentada como uma extinção gradual, escalão de rendimento a escalão de rendimento, ao longo dos trimestres de 2017, mas em 2017 vai de facto ser uma redução de taxas para todos os escalões, de 0,29% a 3,21%, e será extinta para todos no início de 2018. Com a extinção, o aumento do rendimento líquido no início de 2018 face ao actual será crescente com  os rendimentos, de 1% para os rendimentos acima de 801 euros por mês a 3,6% para os acima de 5.786.  A extinção favorece apenas os contribuintes que pagam IRS, e tanto mais quanto mais ganham.

Todas as vertentes da devolução dos rendimentos aos portugueses ignoraram os mais pobres e favoreceram os menos pobres, tanto mais quanto mais ricos são.

O benefício da redução das taxas moderadoras também recaiu exclusivamente sobre a menos de metade da população que não está isenta por ter rendimentos acima do limiar de isenção, sem qualquer benefício para a mais de metade que está isenta por ter rendimentos mais baixos.

A opção determinante da política fiscal do governo do António Costa em transferir carga fiscal dos impostos directos, determinados pelo nível de rendimentos, para os indirectos, que afectam indiscriminadamente todos os contribuintes sujeitos a eles independentemente do seu nível de rendimentos, também penaliza mais os contribuintes pobres que os ricos.

E nos impostos sobre o património?

Aqui, a avaliar pelo alarido das últimas semanas entre os partidos da maioria de esquerda que competiram, entre si e com o governo, para avançar publicamente com os anúncios das propostas mais extorsionárias ou criativas para ir buscar aos que acumulam riqueza, determinando taxas, os limites do luxo, exposições solares e vistas, percorrendo todos os privilégios sem deixar um único por taxar, parecia que estavamos mesmo a chegar ao socialismo. Por momentos pareceu que finalmente se estava a cumprir o velho sonho socialista de, taxando os ricos, conseguir receita suficiente para oferecer uma vida boa aos pobres sem tocar na classe média. A última maravilha do socialismo do tempo novo.

E como é que a chegada do socialismo ao imobiliário se traduziu no OE 2017?

Através da chegada do IMI do tempo novo, que introduz um adicional sobre o IMI do tempo velho para todos os proprietários com património imobiliário de valor superior a, não um milhão de euros, como tinha sido admitido pelo PS na hipótese mais conservadora, mas, ainda mais penalizador, 600 mil euros, de 0,3% do que excede este valor. Agora é que os ricos vão pagar a crise!

E como era o IMI do tempo velho?

Os imóveis de valor patrimonial superior a um milhão de euros, as casas de luxo que o socialismo agora vai penalizar, pagavam, além do IMI, imposto de selo de 1% sobre o valor do imóvel.

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Ou seja, o novo IMI, que vai buscar a quem acumula riqueza, penaliza um bocadinho quem acumula um bocadinho mais que 600 mil euros, e beneficia muito quem acumula muito. Nada que não confirme a tendência verificada antes de penalizar os menos ricos para beneficiar os mais.

E se o imóvel estivesse registado em nome de entidades sedeadas em paraísos fiscais? A taxa de IMI era de 7,5%, e a do imposto de selo de outros 7,5%, num total de 15%. Agora a de IMI continua a ser de 7,5%, mas o imposto de selo de 7,5% vai ser substituído pelo adicional de IMI de 0,3% sobre o valor que excede 600 mil euros.

IMI 2017 offshores.jpg

Se o património imobiliário de luxo já era bem penalizado na tributação do imobiliário vai passar a ser tanto mais aliviado quanto mais luxuoso é, e o detido por offshores vai passar a pagar pouco mais de metade do que pagava antes. Os maiores beneficiários do OE 2017 vão ser as entidades sedeadas em paraísos fiscais que são proprietárias de imóveis nesta república socialista soviética, ainda mais que os pensionistas que se convencionou designar por "milionários".

E o que dizem as bloquistas, que participaram de alma e coração nesta pantomina de ir buscar a quem acumula dinheiro, e se sentiram transportadas nas nuvens pelo carinho com que foram recebidas pelo partido do governo, a esta formidável atenção do governo às offshores que tanta afeição lhes costumam suscitar no verbo?

Não dizem nada. Todo o bloquista come offshores. A questão é saber-lha dar.

E o segredo do António Costa não é tirar aos ricos para dar aos pobres, ganhando-lhes a simpatia. É tirar aos pobres para dar aos ricos, dando-lhes a impressão que tira as ricos para lhes dar a eles.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:55
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Melhoramentos

 

Trânsito-Lisboa-2016-10-19.jpg

 

O dr. Medina? Sim. Desfazia-lhe a cara com um martelo pneumático e arrancava-lhe o escalpe. Depois, com muito cuidado, semeava-lhe um jacarandá no lugar do nariz. Toda a área que, no tempo velho, estava ocupada com tufos de cabelo era substituída por um relvado.

 

Durante os trabalhos, executados a frio, o dr. Medina guinchava. E eu esclarecia: "É o progresso!". E ele impacientava-se, e respondia com pontapés. E eu sossegava-o: "Tenha paciência, dr. Medina, eu sei que isto agora custa um bocadinho, mas vai ver que vale a pena. No fim vai ficar muito bonito!".

 

Sim, mas não. Que eu não era pessoa para uma obra destas. Só pensei no projecto, e sobrou-me tempo para todos os requintes durante a hora e meia que demorei a atravessar a Av. da República.

 

__________

 

Imagem daqui.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 19:28
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Caixão Geral de Depósitos

Vai um escarcéu sobre os vencimentos da turma que vai descomandar a Caixa Geral de Depósitos. Compreende-se: aquele banco é nosso, não cessamos de meter lá dinheiro, e de cada vez que uma administração dá com os burros na água (todas dão, desde a crise de 2008) o governo do dia nomeia outra revoada de gente que lhe seja mais simpática, ou mais flexível por ficar grata pela nomeação. Esta vai custar, no mínimo, e só na parte da Comissão Executiva, 2.465 milhões de Euros por ano. Os inúteis não executivos, que se reunirão periodicamente para apreciar o café, comentar a actualidade, informar os restantes de como lhes corre a vidinha, e fingir que vigiam os executivos, custarão, cada um, 49 mil Euros - uma pechincha portanto, embora o seu número, ainda que desse para fazer uma equipa de futebol, corra o risco de sobrecarregar o serviço de catering.

 

Salvo por dois ou três casos, não faço ideia de quem sejam os novos milionários da parasitagem. O presidente apresenta-se com o cartão-de-visita de ter sido vice-presidente do BPI durante longos anos, uma contraindicação: o BPI foi salvo com empréstimos e garantias do Estado, já foi o grande banco que agora não é, e tem como única distinção ser presidido por um bancário de arribação que com frequência se alivia publicamente de opiniões surpreendentemente razoáveis, razoabilidade que todavia esteve sempre ausente da sua gestão. Do elenco faz parte Emídio Rui Vilar, uma rolha do regime especialista em consensos, banalidades e chulices várias e, se ainda não caiu fora, Leonor Beleza, que faria bem não se meter nestas alhadas que lhe deslustram o nome.

 

Sabemos o que vai suceder: ou o BCE cria condições para a banca recomeçar a ganhar dinheiro (o assalto aos depositantes e clientes cativos, com a conivência do Banco de Portugal, não chega) e à nova administração serão atribuídos os prémios previstos, que anularão os impostos que pagarão sobre estes salários, ou, daqui a uns anos, cá estaremos para novo aumento de capital. No intervalo, a natureza das coisas fará com que os balcões sejam cada vez menos, cada vez menos os funcionários, e cada vez mais impessoais os serviços. E isso acontecerá inelutavelmente, quer o saibam quer não estes gestores de aviário. Só não aconteceu ainda ao ritmo que sucederia naturalmente porque os mecanismos de selecção de empresas e de concorrência que regulam a actividade económica não estão presentes no sector bancário, nem a administração depende realmente dos clientes ou dos accionistas, nem a sua escolha se faz exclusivamente por critérios de mérito. Não é impossível que a actividade bancária venha a revestir formas inesperadas, nem que haja um regresso a formas caídas em desuso de relacionamento com as empresas, mas a inovação, a acontecer, não virá por um banco público, nem por gestores viciados na mesmice que conhecem.

 

Como deve então o cidadão que paga este forró, quer saiba quer não saiba que do que estamos aqui a falar não é de capitalismo mas da sua variedade crony, encarar este momentoso assunto?

 

Ponderei longamente. E com o intuito de indicar o caminho às massas anelantes, e de subtrair aos senhores deputados o trabalho de reflectirem, poupando-nos a nós o risco de tropeçarmos em mais um diploma redigido com os pés, elaborei uma proposta de lei que regula estas matérias de forma satisfatória.

 

Está aqui, mas levanto o véu: logo no artº 1º aparece a frase "... não podem perceber remuneração superior à atribuída aos Ministros de Estado".

publicado por José Meireles Graça às 12:17
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Crescimento ZE, não-ZE, e resposta que poderia ser dada em uma tese académica

Crescimento 2000-2015.pngO Romeu Monteiro em resposta ao post do gráfico acima, questionou se os países melhor colocados no gráfico não estariam fora da ZE. Assim, coloquei as datas de adesão à ZE antes do nome do país para a leitura ser mais clara nesse contexto.

Ora bem, a distribuição entre países ZE e não-ZE parece-me bastante não conclusiva. Ainda mais, se considerarmos que a inflacção nos países não-ZE terá sido mais alta que na ZE onde o BCE luta para obter 2% ao ano sem sucesso.

Na minha opinião, a análise da imagem acima daria tema para uma tese académica de economia ou de relações económicas internacionais. Questões a abordar academicamente:

1. Quanto de crescimento e inflação por país?

2. Evolução do poder de compra em PPC (Paridades Poder de Compra).

3. Dívida por país e sua evolução.

4. Evolução dos Saldos das Balança de Pagamentos.

5. Evolução da Taxa de Câmbio face ao dólar (com que se compra o petróleo).

6. Peso do sector-estado, sua evolução desde 2000.

7. Peso no PIB da Despesa e da Receita Pública .

8. Evolução por país no índice de liberdade económica.

9. Orientação política temporal dos governos de cada país correlacionada com o crescimento e restantes indicadores.

Aí, na conclusão da tese, poderíamos afirmar com propriedade se a participação na ZE Euro é o factor determinante na evolução do crescimento, ou se são mais responsáveis outros factores tais como: peso do Estado, liberdade Económica ou orientação política.

Se houver algum aluno do próximo curso em Economia Austríaca que queira pegar no tema, força. Darei umas dicas e haverá com certeza alguém mais capacitado do que eu para ajudar melhor. Parece-me que 15 anos já permitem obter dados para conclusões que podem ser interessantes.

publicado por João Pereira da Silva às 17:44
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Lá mais para o Verão

O Orçamento de Estado de 2017 é responsável e sustentável.

Em vez de cair na tentação populista de começar a distribuir aumentos e ofertas logo no início do ano, com custos insustentáveis para os contribuintes, resiste a essa tentação para os distribuir apenas lá mais para o Verão, em Agosto ou Setembro, reduzindo o seu peso no erário público aos últimos meses do ano. E dos anos seguintes, vá lá...

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É verdade que esta decisão responsável que contribui para, ao mesmo tempo, aliviar a carga fiscal que recai sobre os contribuintes, e garantir o cumprimento dos nossos compromissos financeiros com os parceiros comunitários, se deve a motivos de força maior ou circunstanciais, e não ao facto de haver Eleições Autárquicas em Outubro de 2017.

O aumento de 10 euros por mês nas pensões mais baixas só será possível em Agosto por causa das adaptações que será necessário fazer aos sistemas informáticos para o conseguir processar. E, não sendo possível dá-lo antes, não se podia dar antes, por mais generosa que fosse a intenção do governo. Ganham os contribuintes, que só têm esse sobrecusto durante 5 dos 12 meses do ano, pelo que o aumento de 10 euros lhes sai pelo custo a que sairia um aumento de 4,17 euros em Janeiro. É verdade que também que vão ficar de fora do aumento os pensionistas com pensões mínimas que já tinham sido aumentadas pelo governo anterior, medida mais do que justa porque, com pensões de 202, 201 ou mesmo 263 euros por mês, esses pensionistas não tinham propriamente necessidade de serem mais uma vez aumentados, nem seria desejável estimular-lhes ainda mais os maus hábitos consumistas cada vez mais prejudiciais à saúde. Outro ganho para os contribuintes. O governo insere ainda outra medida de salvaguarda dos contribuintes, ao deduzir aos 10 euros por mês o aumento para compensar a inflação que lhes vai dar em Janeiro, que não se pode habituar esses pensionistas a receberem aumentos sobre aumentos.

Mas tudo isto são mesquinhices e o que interessa mesmo é que os pensionistas vão receber em 2017 um aumento de 10 euros por mêsem Outubro estarão felizes por terem sido aumentados.

O desconto no passe social para os estudantes que não são abrangidos pelos dois primeiros escalões da Acção Social Escolar justificar-se-ia, se mais motivos não houvesse, pela possibilidade de encurtar frases como esta, reduzindo-as a desconto no passe social para estudantes. Mas tem outras virtudes, não sendo a menos importante a redução das desigualdades que proporciona, ao estender aos estudantes de famílias ricas o mesmo abatimento no preço que o governo anterior só reservava como um privilégio iníquo aos de famílias pobres. Redução das desigualdades que se sobreporá a qualquer preocupação mesquinha com o facto de os impostos pagos pelos pobres e pelos ricos serem usados também para transferir riqueza para os que já são ricos. Mas toda a gente sabe que seria uma aberração iniciar este desconto logo em Janeiro, perturbando, por lhe introduzir instabilidade, o ano lectivo que se deseja que corra estável e imperturbado. A circunstância própria para iniciar o desconto é pois o início do próximo ano lectivo, em Setembro. Assim se protegem os interesses dos contribuintes, que só suportarão este custo durante 4 meses em vez de 12, e dos estudantes.

Mas tudo isto são mesquinhices e o que interessa mesmo é que os estudantes vão ter em 2017 um desconto de 25% no passe social e em Outubro estarão felizes por terem tido esse desconto.

E assim se prova com argumentos cristalinos e indesmentíveis que os aumentos e ofertas do governo ao longo de 2017 obedecerão a uma calendarização rigorosa que defende os interesses dos contribuintes, dos pensionistas e dos estudantes e não tem nada a ver com o facto de haver Eleições Autárquicas em Outubro de 2017.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:16
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