Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Isto são muitos anos de experiência a arruinar Portugal (2)

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Quando se quer arruinar um país, deve-se fundamentar a missão nas estratégias comprovadas. E o investimento estratégico anda nisto, e soma sucessos, há muitos anos. Sem ele, um governo não é genuinamente socialista. Com ele, o sucesso das políticas socialistas é garantido.

Investimento estratégico socratista no quinquénio 2005-2010:

  • Ministério Público chama PJ para investigar créditos da CGD

Investimento estratégico costista a partir de 2019:

  • Pedro Marques: Obras para o novo aeroporto de Lisboa vão estar no terreno em 2019
publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:42
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Sábado, 17 de Dezembro de 2016

Isto são muitos anos de experiência a arruinar Portugal

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Quando se quer arruinar um país, deve-se confiar a missão às mãos dos melhores especialistas com créditos firmados na praça. E o José António Vieira da Silva anda nisto, e soma sucessos, há muitos anos. Sem ele, um governo não é genuinamente socialista. Com ele, o sucesso das políticas socialistas é garantido.

Ministro costista enquanto ministro socratista em Novembro de 2010 (acompanhado de emplastro):

  • Vieira da Silva diz que atingir os 7% de juros na dívida pública não obriga à entrada do FMI

Ministro socratista enquanto ministro costista em Dezembro de 2016:

  • Vieira da Silva: Portugal deve acelerar a renegociação da dívida

* Com um agradecimento à Vanda Pereira, que descobriu a relíquia.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:46
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A quantos lobis consegue o Antonio Costa abrir as pernas (as nossas) num único decreto?

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Eu vou ser sincero: o Arnaldo Matos foi o grande educador da classe operária mas já deixou de ser. Primeiro, porque a classe operária acha que não precisa de mais educação do que tem, principalmente desde que a CM TV chegou ao cabo, e quer que os pretendentes a educá-la se fodam. Segundo, porque a moda actual para a educação da classe operária é mais à base de engraçadinhas, ou de evangelizadores de Coimbra, e ele de engraçadinha nunca teve nada, e de evangelizador já deixou de ter há décadas. Em todo o caso, grande educador da classe operária em Portugal é apenas o Arnaldo Matos, e mais nenhum.

Assente isto, passemos ao que interessa. Um dos problemas mais apaixonantes que se colocam ao cientista político actual é a compreensão da relação entre as duas alegadamente mais velhas profissões do mundo, a prostituição e a política. Os avanços na investigação empírica sugerem que a chave da reposta está no lobbying, que vou passar a designar por lobismo para poupar nos b e nos y, mecanismo através do qual políticos que é suposto servirem o interesse público se colocam ao serviço de interesses privados organizados que nem sempre são coincidentes com ele, onde alguns detectam analogias com a prestação de favores sexuais a troco de favores materiais no exercício da prostituição. Há sistemas políticos em que o lobismo é legal, por exemplo no sistema político americano onde é permitido e os lobistas registados exercem uma profissão altamente regulada em que todos os contactos que mantém com políticos, desde o pequeno-almoço de negócios, à mensagem de correio electrónico, à reunião formal, são registados e tornados públicos, assim como todos os donativos e doadores aos políticos e aos partidos, tornando possível cruzar a informação sobre a eventual prestação de favores políticos com a da eventual retribuição através de favores materiais, e sistemas onde o lobismo, por ser moralmente condenável, não tem existência legal nem regulamentação, como é o caso de Portugal, pelo que não há contactos entre lobistas, que não existem, e políticos, e as retribuições, a existirem, têm de ser feitas de modo informal.

Dado isto, vamos recorrer a um estudo de caso para ver se conseguimos responder à pergunta: 

  • A quantos lobis consegue o Antonio Costa abrir as pernas (as nossas) num único decreto?

A reposta teórica é fácil: a nenhum.

Em Portugal não há lobismo. Ponto final. E, mesmo que houvesse, os governos de esquerda distinguem-se dos de direita por, ao contrário destes, que têm no seu ADN o benefício dos interesses dos ricos e dos poderosos em detrimento dos das classes trabalhadoras, e o lobismo ser o mecanismo ideal para eles manifestarem os seus interesses para serem servidos pelos governos, os renegarem para defender o bem comum que coincide com os interesses destas. Duplamente nenhum.

E a resposta real? Vamos confirmar empiricamente.

Ao calhas sorteamos uma notícia do Público, jornal insuspeito de pretender denegrir o governo socialista, sobre um processo legislativo do governo. Por exemplo, uma notícia sobre a legalização e regulamentação até ao final do ano da UBER. E vamos lá procurar cedências, que já sabemos que não existem, a lobis. Para simplificar a análise vamos ignorar que a legalização da UBER sujeita a regulação possa ser ela própria uma cedência ao lobi da UBER, e iniciar a leitura anotada da notícia.

  • "...todo o operador de TVDE [transporte em veículos descaracterizados] tem de ser uma pessoa colectiva ... há mais garantias de que a transparência e as obrigações laborais e perante a segurança social são cumpridas"

Os motoristas da UBER têm que se constituir como pessoas colectivas e, por isso, ter contabilidade organizada. Uma cedência ao lobi dos Técnicos Oficias de Contas.

  • "...as horas de formação exigidas aos motoristas, que no diploma preliminar eram 30 e passarão agora a 50 ... Só com esta formação – que será dada por escolas de condução – e com o título habilitante, os motoristas da Uber ou da Cabify poderão prestar o serviço de transporte de passageiros"

Os motoristas da UBER que, toda a gente percebeu, tinham lacunas graves na formação comparativamente com os motoristas de taxis, têm que ir para a escola de condução aprender. Uma cedência ao lobi das escolas de condução, que aliás se junta à recém anunciada obrigatoriedade da frequência de uma escola de condução para se poder revalidar a carta aos 65 anos. Duas para a escolas de condução.

  • "Independentemente do contrato que o operador estabeleça com o seu motorista, não pode haver períodos de condução superiores a seis horas ... É algo que já decorre do Código do Trabalho, mas que também é importante do ponto de vista da protecção do consumidor"

Os governantes, que têm tipicamente jornadas de trabalho de pelo menos 16 horas, impedem os motoristas, mesmo que trabalhem por conta própria formalmente em nome da sua própria empresa unipessoal, de trabalhar mais de 6 horas seguidas. Para a protecção dos consumidores, porque já se sabe que motoristas da UBER cansados significa consumidores mal servidos e, se levantarem a bola, injuriados e agredidos. It happens all the time. Uma cedência ao lobi dos sindicatos.

  • "...as empresas passam a ter de aderir previamente aos centros de arbitragem dos conflitos de consumo"

Uma cedência ao lobi da DECO, associação fundada pelo secretário geral da ONU e por camaradas seus de partido, e gerida pendularmente por socialistas ou bloquistas, que impulsionou e é sócia fundadora dos centros de arbitragem de conflitos de consumo. Que acresce à obrigatoriedade recente de todos os comerciantes, prestadores de serviços e instituições financeiras aderirem aos mesmos centros. Duas para a DECO.

  • "Os veículos utilizados no serviço ... não poderão ter mais de sete anos"

Uma cedência ao lobi da ACAP. Carros novos, nada de usar o Bentley clássico para transportar turistas, nada de reconverter o velho fogareiro para o usar ao serviço da UBER, nada de dar ao cliente da UBER a possibilidade de escolher o modelo de carro que pretende requisitar para o transportar.

  • "Os veículos utilizados no serviço ...deverão estar identificados com um dístico"

Deste modo será mais fácil aos taxistas identificarem os carros ao serviço da UBER para os poderem vandalizar sem correrem o risco de vandalizar carros de particulares que não têm nada a ver com o negócio e que tanta impopularidade lhes têm trazido. Uma cedência ao lobi dos taxistas.

  • "Os veículos utilizados no serviço ... ficam obrigados a ter um seguro igual ao dos táxis"

Uma cedência ao lobi das companhias de seguros.

  • "Os veículos utilizados no serviço ... estar sujeitos a uma inspecção anual"

Uma cedência ao lobi dos centros de inspecção.

Assim à primeira vista não conseguimos detectar neste decreto cedências do governo do António Costa a mais do que oito lobis, coisa pouca que comprova indubitavelmente que os socialistas defendem ferozmente os interesses dos cidadãos contra os interesses instalados.

Mesmo assim, pode haver quem, malevolamente, veja nestas raras e insignificantes cedências alguma prestação de favores a estes interesses instalados, apesar de serem desconhecidas quaisquer retribuições aos autores do decreto na forma de favores materiais, por exemplo, cedências de apartamentos no edifício Heron Castilho.

Temos portanto um dilema, e para resolver dilemas não há como recorrer aos clássicos, e o Arnaldo Matos, apesar de ter deixado de ser o grande educador da classe operária, nunca deixará de ser um clássico. E o que disse o Arnaldo Matos logo na primeira hora da formação deste governo e da maioria de esquerda que o sustenta? Disse "Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!".

O Arnaldo Matos sabe-a toda e topou-os à légua. Depois não digam que ele não os avisou.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:28
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016

Devagar se vai ao longe, porque a meta é mais adiante

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Esta fotografia é histórica, mesmo que não pareça. Foi tirada na partida para as 24 Horas de le Mans de 1969, uma corrida de automóveis, e repito corrida, em que o objectivo dos pilotos é correrem o mais que podem para chegarem antes dos outros. Pouco mais de um minuto depois de ela ser tirada, já havia carros a correr a mais de 300 quilómetros por hora na recta das Hunaudières.

À partida desta corrida, o espectacular método de partida que passou para a história como partida tipo le Mans, os carros estavam alinhados em diagonal para arrancarem num dos lados da pista, e os pilotos do outro, e quando era dado o sinal de partida os pilotos encaminhavam-se para os carros, instalavam-se neles e arrancavam, tudo o mais depressa que conseguiam. E, como seria de esperar, atravessavam a pista a correr e instalavam-se o mais rapidamente que podiam para arrancarem mais cedo. Mas o jovem de 24 anos marcado na fotografia, de seu nome Jacky Ickx, a correr as suas primeiras 24 horas de le Mans, atravessou a pista a caminhar em vez de correr como os outros. Quando chegou ao carro demorou o tempo que foi preciso para se instalar bem e com o cinto de segurança solidamente apertado, e foi o último a arrancar.

Porquê?

Para protestar individualmente contra este método de partida, que decincentivava os pilotos de se instalarem com toda a segurança no carro e de apertarem cuidadosamente o cinto de segurança antes de arrancarem, só o fazendo mais tarde quando conseguissem desocupar as mãos da condução. Aliás, nesta mesma primeira volta morreu o piloto John Woolfe por, por não ter o cinto apertado, ter sido projectado do seu carro que se despistou. Mais tarde, quando lhe pediram explicações da sua partida bizarra, o Jacky Ickx explicou que as 24 horas de le Mans eram uma corrida de automóveis, e não de pilotos, e que numa corrida tão longa não tinha nenhum sentido correr riscos para ganhar uns segundos ou fracções de segundo na partida.

Quem acabou por ganhar a corrida no dia seguinte?

O Jacky Ickx. Não ganhava as 24 horas de le Mans quem chegasse primeiro ao carro, mas quem andasse uma distância maior em 24 horas, e as 24 horas de corrida foram suficientes para recuperar o atraso na partida. Foi a chegada mais cerrada da história das 24 horas de Le Mans até aí, e ganhou com apenas cerca de um segundo de avanço. Se, além de caminhar e de se instalar cuidadosamente no carro com toda a segurança, tivesse perdido mais tempo para se pentear ao espelho, até podia ter perdido. Mas ganhou.

E teve uma vitória dupla. O protesto dele e a morte do John Woolfe na primeira volta foram suficientes para abolir para sempre a espectacular mas perigosa partida tipo le Mans.

E o que é que nós temos a ver com isso?

Anda meio mundo aflito, e outro eufórico, por determinado partido ainda não ter apresentado o seu candidato a determinada Câmara Municipal para as eleições que terão lugar daqui a nove ou dez meses. A euforia dos eufóricos, aliás, deve-se mais à aflição dos aflitos do que a motivos ponderosos para ver no facto um prenúncio de vitória dos partidos deles, um dos quais foi o primeiro a apresentar o seu candidato, sobre o que ainda não apresentou candidato, porque são eles que lhes estimulam, e estão a ter algum sucesso no estímulo em que os outros se estão a deixar enrolar, essa aflição.

Mas convém não perder de vista uma coisa. O objectivo de estar na política é ganhar eleições, não é ser o primeiro que apresenta os seus candidatos nem o que ganha mais sondagens. E o estímulo dos eufóricos aos aflitos para que tenham dúvidas sobre a capacidade da sua liderança para ganhar eleições e ponderem mudar de liderança não é um gesto de filantropia, ajudá-los a encontrar o caminho para ganharem eleições, é um gesto de misantropia, convencê-los a cometerem erros para as perder.

Se cairem nessa, o António Costa merece estar onde está e eles merecem-no a governá-los. Se não cairem, correm facilmente com ele nas eleições.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:38
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

In illo tempore

Lê-se e o coração dos verdadeiros democratas freme de indignação pela maldade dos avoengos, orgulho pelo muito que se fez, e preocupação por não se poder - talvez - continuar, porque a hidra fascista sempre levanta uma das suas hediondas cabeças, ao lado da outra que se acabou de cortar há bocadinho.

 

É que as novas gerações não sabem que no tempo dos seus avós não havia nada, "era tudo uma expectativa". O deserto era de tal ordem que "ainda não havia leis", declara Abílio Fernandes, o comunista que ganhou a câmara de Évora oito vezes. Uma falha gritante felizmente colmatada de forma tão completamente satisfatória que a abundância de leis e regulamentos faz com que, hoje, o Diário da República, se encadernado, ocupe em cada ano uma área não inferior à de dois estádios de futebol.

 

Não havia leis e não havia nem água canalizada nem candeeiros à porta. E isto ainda não era nada, que para ir à fonte, de cântaro à cabeça, só não se pisava a lama porque "cortava-se mato e punha-se nas ruas", confessa Jaime Marta Soares, um social-democrata de Vila Nova de Poiares que foi eleito não pelos munícipes para ser presidente mas sim pelos presidentes para ser munícipe, segundo o próprio.

 

Eufrásio Filipe, do PCP, que em 76 ganhou o Seixal, sublinha o mesmo: "Havia grande proximidade com as populações e uma grande participação popular. Antes de fazer um plano de atividades da câmara reuníamos com os párocos".

 

Custa um bocado acreditar em ti, Eufrásio. Que a gente que viveu aquele tempo tem mais a ideia de que os párocos tinham, em relação ao PCP, algumas, digamos assim, reservas, do que é prova o facto de que o senhor Dom Januário Ferreira, conhecido clérigo vermelho, ainda teria que esperar mais treze anos para ser ordenado bispo - e mesmo assim de Gaudiaba, só o diabo deve saber onde isso fica.

 

Foram tempos heróicos. "Hoje as autarquias estão totalmente dependentes dos governos", lamenta o reformado Abílio.

 

Totalmente dependentes é como quem diz, que as receitas próprias dos municípios são maiores do que alguma vez foram. Mas não chegam, nem chegarão nunca, porque entretanto as câmaras municipais se transformaram em agências de empregos, conglomerados de empresas municipais e centros de negocismo e corrupção. E como o eleitor que dantes queria o candeeiro e a água, e entretanto ganhou além disso o pavilhão multiusos e a piscina, continua a querer coisas, mas não faz a ligação entre o que paga de impostos e o que custam os bens públicos, porque os impostos são nacionais e subreptícios e os bens locais e publicitados, resulta que o autarca deve ser hoje, como se não bastasse a designação abominável, um pedinte. Abílio, o recordista das eleições, tem neste ponto razão.

 

O Estado Central, porém, está falido. Tão falido que se vai devagar espalhando a convicção de que a dívida pública não pode ser paga, que os mais de oito mil milhões de Euros de juros anuais têm que ser reduzidos, que a dívida tem que ser renegociada e que (mas esta última parte fica reservada para socialistas moderados, como confirmei há pouco com deleite ouvindo Miguel Sousa Tavares a preopinar na televisão), em troca, não se podem ter défices para futuro. Em suma, há que dizer aos credores: até agora não valeu, a gente estava a reinar; mas pronto, passem lá uma esponja que os socialistas vão fazer um enxerto de instintos de contenção aos seus fígados despesistas, e os comunistas uma ablação das suas pulsões revolucionárias; e, já agora, a parte da dívida que está nas mãos de bancos portugueses esqueçam - a bem dizer o BCE bem pode arranjar uma solução, que mais trilião menos trilião é tudo igual ao litro.

 

Que este programa tenha pernas para andar seria milagre, mas já fui mais incréu - a União Europeia tem vindo a mostrar ser capaz de tudo, e ainda o seu contrário, para adiar a ruina do edifício.

 

Capaz de tudo mas não de nos fazer voltar aos saudosos tempos da revolução. Desde logo porque vivi esses tempos, no antes em que os municípios não tinham, nem podiam ter, défices, e por isso não levavam o saneamento, a água, e a electrificação a todos os lugares, senão ao ritmo das suas capacidades financeiras, e o depois, em que o céu foi o limite, com isso criando dívidas gigantescas, câmaras pletóricas, clientelas infindáveis, e aldeolas e lugarejos inviáveis que nem por terem chegado a estar servidos de quase tudo conservaram os seus habitantes, que emigraram para onde havia empregos ao mesmo tempo que o crescimento económico estiolou e os serviços foram fechando por um esforço de racionalização.

 

O Poder Local é uma metáfora do país; e que estes esforçados autarcas não percebam ainda hoje que a festa foi bonita, pá, mas acabou, ajuda a perceber por que razão o governo do dia, fiado na tolerância alvar do BCE, no preço do petróleo, em Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, e na benevolência do pateta contumaz que elegemos para presidente de República, tem ainda tão altas taxas de popularidade.

publicado por José Meireles Graça às 22:32
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Uma desgraça nunca vem só

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Conta a lenda que um primeiro ministro sem melhores amigos terá desabafado "Era só o que faltava, dar dinheiro dos contribuintes a esse vigarista" quando o Dono Disto Tudo lhe foi pedir algum para juntar as pontas no fim do mês e pagar as contas, e nesse dia, ao Dono Disto Tudo, os negócios ruiram e passou de DDT para CDC, ou Criminoso de Delito Comum.

Até aí tinha acumulado um património pessoal e familiar catita, mas muito longe de ser suficiente para cobrir sequer o fundo das crateras que tinha aberto no banco familiar e nas empresas geridas por amigos para tentar tapar a cratera ainda maior que tinham aberto no empreendedor grupo familiar as aventuras no mundo dos negócios que tinham dado para o torto.

Nunca tinha sido incomodado nessas aventuras pelos erradamente chamados reguladores da banca e do mercado de capitais, tal como os seus negócios desenvolvidos em diversos sectores de actividade, e a construção civil em áreas de paisagem protegida é um negócio como outro qualquer, nunca tinham sido beliscados pela burocracia que, a outros, infernizava há décadas a vida à mais pequena pretensão de substituir uma telha partida ou o vidro de uma janela numa casa de propriedade privada mas sujeita ao controlo da comunidade quando estava localizada numa zona onde a paisagem era protegida para mais tarde ele, e poucos como ele, poderem construir resorts que não tivessem a vista perturbada por casas de vizinhos pindéricas com marquises de alumínio. Nem por estes reguladores todos, nem pela justiça. Um cavalheiro de outros tempos, em que a palavra e um passou-bem de um cavalheiro era garantia suficiente da idoneidade de qualquer negócio e lhe abria todas as portas. Todas até à desse primeiro ministro que, pela primeira vez, não lhe abriu a porta nem lhe colocou à disposição a chave dos nossos cofres.

O colapso do grupo familiar e, em cascata, do banco familiar, fez vítimas. Empresas geridas por amigos que lhe tinham confiado pequenas fortunas, que é um eufemismo de grandes fortunas, amigos que lhe tinham confiado as suas poupanças, e ele tendia a ter amigos de bastante poupança, mas também anónimos a quem, sem os tais reguladores tugirem nem mugirem, o banco tinha vendido gato por lebre. Todos ficaram a arder.

Para resumir e isto não ficar demasiado longo com detalhes, a justiça, que nunca o tinha incomodado enquanto foi o DDT, correu a tratá-lo como um CDC e arrestou os bens dele e da família, entre os quais a belíssima casa da Comporta que ilustra esta publicação, para garantir uma pequena fracção, a que era possível cobrir pelo valor dos bens arrestados, das indemnizações que um dia a justiça tratará de mandar pagar aos credores do banco e aos lesados.

Chegados aqui, acabaram de chegar duas notícias excelentes para os contribuintes.

A primeira é que o melhor amigo do primeiro ministro, que tem negociado em nome do Estado a procura de soluções para problemas onde estão em jogo interesses de outros amigos do primeiro ministro, além do interesse público, sendo que, normalmente, quando mais se puxa a manta para um dos lados, o dos amigos, mais o outro, o dos contribuintes, fica ao frio, acabou de chegar a acordo com os lesados do BES para uma solução que lhes vai garantir a recuperação de uma parte do dinheiro que perderam. Recupera o emigrante e o dono do minimercado que perderam as poupanças de uma vida enganados pelos seus gestores de conta, que as televisões nos mostram de vez em quando, recuperam os amigos e familiares como o Ricardo Araújo Pereira ou o Miguel Sousa Tavares que tinham perdido bastante, mas não tudo, devido a praticarem estratégias de investimento diversificado e espalharem as poupanças por várias instituições e até, talvez? por várias praças financeiras. Quem vai pagar? A massa falida, os bens arrestados à família, etc, etc, etc.., a conversa habitual. Quem vai realmente pagar, uma vez que isto não chega a ser próximo de suficiente? Os contribuintes.

Bem hajam, António Costa e o seu melhor amigo, por nos darem a oportunidade de resolvermos com o nosso dinheiro os problemas destas pessoas.

Mas há mais uma boa notícia. A casita de Comporta, a tal que foi arrestada e vale mais de um milhão de euros, não sei se em valor se mercado, se em valor patrimonial e nesse caso vale ainda mais em valor de mercado, construída entre 2008 e 2011 sem grandes obstáculos da Câmara Municipal de Grândola gerida pela vereação, quem mais? socialista, nem das diversas entidades licenciadoras do governo, quem mais? socialista do José Sócrates, afinal parece que é ilegal. E a justiça, a mesma que nunca o incomodou enquanto foi o DDT mas, mal caiu em desgraça, correu a zurzir nele para nos demonstrar que para a justiça não há DDTs e somos todos iguais, pediu a demolição da casita. É verdade que, se a casa for demolida, o milhão ou mais de euros da receita da sua venda futura, que contribuiria para pagar as indemnizações aos lesados do BES, se evapora, e essa parte da indemnização ficará também por conta dos contribuintes. Mas é por uma boa causa, a protecção do ambiente.

Bem haja, justiça portuguesa, por nos dar a oportunidade de resolvermos com o nosso próprio dinheiro os problemas do ambiente.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:01
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

Absolver o ladrão, condenar o polícia

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Convidada a comentar mais um episódio mediático da novela da Caixa Geral dos Depósitos, a ex-ministra das finanças Maria Luís Albuquerque do governo que resgatou Portugal, o estado social e os portugueses da falência e da miséria, afirmou que...

  • "Costa repetiu uma mentira certamente na convicção de que uma mentira repetida muitas vezes passa a ser verdade. Repetiu que o anterior governo ocultou a verdadeira situação do sistema financeiro, incluindo da CGD, para assegurar a saída limpa. Ao fazer uma acusação festa gravidade, mesmo se falsa, não põe em causa apenas anterior governo, mas também administração anterior da CGD (...) e coloca em causa reguladores e supervisores incluindo a DGCom e auditores a quem diz agora que confia"

...e rematou com o sound byte...

  • "António Costa procura desviar atenções da incompetência da sua gestão no processo da Caixa repetindo acusações falsas de forma irresponsável".

Mas a história destes dias não se pode resumir neste sound byte, ainda que seja verdadeiro.

A barragem de revelações sobre supostas ocultações da situação real da CGD durante a legislatura anterior, umas vezes explicadas com o objectivo de "maquilhar uma situação que permitisse anunciar uma saída limpa", mesmo que a saída limpa tenha precedido de um ano a "ocultação" agora revelada, outras com o objectivo eleitoralista de "esconder problemas na CGD antes das eleições", ainda que a "ocultação" agora revelada tenha sido desocultada antes das eleições, outras ainda com a explicação mais sofisticada estatisticamente de a ocultação se limitar a "seguir padrão" [do governo anterior], revelações que suscitam reacções de reflexo condicionado mesmo nas pessoas, que são quase todas, que não percebem os mecanismos de regulação nem se os factos revelados constituem mesmo uma violação dos mesmos, tem obviamente como objectivo circunstancial criar uma barreira de ruído que faça desviar as atenções do público da trapalhada incomensurável que constituiu desde o início a gestão do dossier da CGD pelo governo actual, e que vai continuar a constituir porque, como é notório, o governo ainda não sabe como vai desorçamentar o dinheiro da injecção de capital que anunciou há um ano que era urgente e essencial para a sobrevivência do banco mas que ainda não fez.

Mas, além deste objectivo circunstancial, a campanha tem um objectivo estrutural mais importante.

Exactamente como fez durante a crise mediática dos swaps, que não foi desencadeada quando o governo socialista anterior ordenou a celebração de contratos de swap ruinosos a uma série de empresas públicas, não com o objectivo de cobrir os seus riscos de negócio, a real utilidade dos swaps, mas com o de desorçamentar despesa pública e simular uma execução orçamental que não correspondia à real, que se veio posteriormente a verificar ser várias vezes mais deficitária que a simulada, mas quando o governo que se lhe seguiu teve que gerir à posteriori os danos avultados dessa decisão, a máquina de propaganda socialista está agora em acção com o objectivo claro de centrar a discussão dos problemas da CGD nas questões processuais dos governos que os herdaram, para esconder o que, e quem, os originou, o envolvimento da CGD em negócios ruinosos para cumprir determinações da estratégia de política económica da tutela, na esmagadora maioria deles do mesmo governo socialista anterior.

A crise mediática dos swaps comprovou coisas notáveis e inesperadas, e de grande valor para o exercício do populismo demagógico. A opinião pública, desde que seja bem orientada, desinteressa-se facilmente do roubo em si, no caso da CGD os negócios ruinosos, e do ladrão, no caso da GCD o governo que os encomendou e a gestão que os concretizou, o lado criminal da questão. Desinteressa-se ainda mais da relação entre a circunstência de as empresas (de transportes no caso dos swaps, e a CGD no caso da CGD) serem públicas e por essa condição estarem à disposição da tutela para as forçar a entrar em negócios ruinosos, o lado político da questão. Mas deixa-se enrolar facilmente nos aspectos processuais da contabilização do roubo, no caso da CGD o registo das imparidades, e da tentativa de lhe dar solução, que lhe são servidos em cachão e de modo ininteligível pela comunicação social e o comentariado, que também tendem a não os perceber, pelo que a ininteligibilidade lhes deve ser perdoada, mas sempre com uma sugestão de interpretação que, não percebendo bem o problema, não têm como recusar: a culpa do roubo nunca é do ladrão, é sempre do polícia. O lado contabilístico da questão.

E é assim. Quanto mais atenção se dedicar a discutir quanto tempo esteve o relatório na secretaria de estado antes de ser despachado, e quanto tempo deveria ter demorado a ser despachado, ou sequer de devia ter sido despachado, e qual a importância do relatório para o problema da CGD, menos se dedica a reconhecer que o problema da CGD se resume a um punhado de maus negócios que lhe foram impostos por governos, a esmagadora maioria por governos socialistas, a esmagadora maioria pelo do José Sócrates, de que uma boa parte dos membros que entretanto não foram presos regressaram ao governo actual, e que os de maior dimensão e que cobrem a maior parte do buraco até são do domínio público.

É preciso confessar que o governo e a maioria anteriores têm a sua quota de reponsabilidade neste surto de demagogia por, numa postura institucionalista, se terem dedicado a trabalhar para tentar resolver os problemas que os socialistas lhes tinham deixado, e estes estavam longe de ser os mais graves, em vez de, como este governo e esta maioria fizeram mal entraram em funções, terem colocado um bando de facínoras a denunciar à opinião pública os casos antes de serem denunciados, como ainda estão agora, por terem tentado resolvê-los. Verdade se diga que pode não ser fácil arranjar facínoras do calibre de um João Galamba ou de uma Ana Gomes para o fazer. Mas podiam ter-se esforçado, e estes problemas teriam sido explicados e os seus autores devidamente identificados.

O populismo demagógico que governa e sustenta o governo aprendeu rapidamente a lição. Oxalá a oposição também a aprenda.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:11
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Domingo, 11 de Dezembro de 2016

Guerras do passado

Num texto confuso Pacheco Pereira pinta a traço grosso uma história superficial das ideias políticas nas democracias europeias nas últimas décadas, para concluir com desgosto que as condições materiais de vida não estão actualmente a melhorar. Nas palavras dele:

 

"Foi isso que permitiu um aprofundamento e melhoria da democracia e é isso que hoje emperrou e nos faz voltar para trás. É porque o melhorismo que é intrínseco ao objecto das democracias, o bem comum, está em crise, que estamos a voltar para trás. O mundo novo que está a vir é um recuo no modo de pensar, nas palavras e infelizmente nas acções. Lá vou eu ter que voltar a falar de esquerda e de direita, o que bem atravessado me está. Mas se o mundo se tornou cavernícola, não posso agora pedir-lhe que pare às cinco horas para tomar chá".

 

Temos portanto que o mundo actual está ficando "cavernícola" mas, felizmente, Pacheco, e presumivelmente um exército de Pachecos que se erguerão do Atlântico aos Urais, moverá uma incansável guerra, reeditando as gloriosas lutas esquerda/direita, que culminarão no assalto ao Palácio de Inverno ou, vá lá, entre nós, ao Quartel do Carmo ou ao Regimento de Lanceiros 2.

 

Como programa para a terceira idade não está mal; e vejo decerto com muito melhores olhos Pacheco a contribuir com o seu verbo inflamado e a sua juba marxiana do que o veria montado numa bicicleta TT com um equipamento de lycra a oprimir-lhe as adiposidades, que é o que costuma fazer quem quer recuperar os verdores da juventude.

 

Sucede que o retrocesso a que Pacheco assiste, pasmado, decorre de consultas eleitorais recentes e outras que se adivinham, todas levando ao Poder gente que não está no centro - esse centro que aprecia e que, segundo ele, foi responsável pelo "melhorismo" que dantes havia e agora não há. E como não consta que tenha havido falsificações de resultados, ou falta de democraticidade nos processos, resulta que são os eleitorados que estão a perpetrar estes atentados ao "bem comum".

 

Os eleitorados estão, portanto, cegos, ou são vítimas de circunstâncias novas cujas causas não percebem. E seria talvez o papel dos intelectuais identificar essas causas, primeiro, e, se fossem atrevidos ou ambiciosos, indicar soluções novas para problemas que são, possivelmente, novos.

 

É defensável, por exemplo, dizer-se que a União Europeia é um cadáver adiado, ferida de morte pelo Brexit, e que a fuga para a frente, que as burocracias europeias ensaiam, e a opinião europeísta defende, apenas acelerará o óbito; que a Europa tem um problema demográfico e que, portanto, ou o corrige ou reforma os seus estados sociais escleróticos, que sufocam a economia com o peso de impostos confiscatórios; que a política de portas abertas à imigração muçulmana é um suicídio civilizacional porque nem os muçulmanos são integráveis nas nossas sociedades laicas nem deixarão, logo que atinjam uma proporção relevante do total da população que as suas superiores taxas de natalidade entre nós lhes garantem, de entrar em choque com valores que rejeitam; e que a globalização (que, de resto, já ultrapassou o seu pico), combinada com a automatização dos processos produtivos, cria desemprego que talvez venha a ser, ou não, reabsorvido, mas que entretanto obriga a conviver com exércitos de desempregados.

 

A estes problemas podemos acrescentar outros, e hierarquizá-los de forma diferente. E decerto sem os resolver não regressaremos ao "melhorismo", assim como os eleitorados não deixarão de testar soluções novas que o supermercado da política lhes oferecerá, se novos actores falharem.

 

O que não podemos é julgar que estas múmias do pensamento conseguem melhor do que aqueles generais que combatem sempre numa guerra anterior; e pior se nem em qualquer guerra anterior jamais tiveram um desempenho que fosse convincente.

publicado por José Meireles Graça às 20:18
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Grandes combatentes pela Liberdade(!?): José Saramago

pilar e antonio costa fjs.jpg

O primeiro-ministro António Costa, que está sempre com um olho no burro e outro no cigano, disse a propósito da doação do espólio do escritor José Saramago à Biblioteca Nacional:

  • "José Saramago pertenceu a uma geração a quem a escrita foi muitas vezes reprimida, a quem o Estado quis calar e censurar, libertar o espólio, doando-o à Biblioteca Nacional, é uma última homenagem à liberdade".

A primeira parte da frase, "José Saramago pertenceu a uma geração a quem a escrita foi muitas vezes reprimida, a quem o Estado quis calar e censurar...", é inteiramente verdade. Tal como Benito Mussolini pertenceu a uma geração de antifascistas, os que tinham a idade dele e que ele mandava regularmente perseguir, sovar, prender, torturar e matar, José Saramago pertenceu a uma geração de escritores censurada e, nalguns casos, perseguida pelo regime salazarista. O que não foi o caso dele, no entanto, que nunca teve obras censuradas. Mesmo na autobiografia publicada no site da sua fundação verifica-se uma única ocorrência da palavra censura, não para qualificar uma recusa do regime salazarista em publicar de uma obra dele ou a sujeição do seu conteúdo a alterações forçadas para permitir a publicação, mas a opção do governo Cavaco Silva de não a indicar para um prémio literário internacional, o que terá atentado mais contra a vaidade do que contra a liberdade do escritor.

Sublinhar esta pertença deste escritor a esta geração de escritores censurados é, por assim dizer, uma boleia gratuita, ou free ride, como dizem os ingleses. Hábil e até compreensível num político manhoso que sempre soube arregimentar apoiantes e pagar-lhes bem, em honras, prebendas ou em contado, mas verdadeira, em boa verdade.

A última parte da frase, "...é uma última homenagem à liberdade", é que já é mais discutível. Misturar na mesma frase uma das mais nobres palavras, liberdade, com o nome de um facínora esbirro do estalinismo que, quando lhe foi dado algum poder e teve a sua oportunidade de mostrar a fibra de que era feito, durante a tentativa de tomada do poder pela força pelo partido onde militava, que falhou mas esteve muito perto de ter sucesso, censurou, saneou e violentou jornalistas, o que não apenas não define um defensor da liberdade, mas comprova mesmo a acção de um carrasco da liberdade, é uma disfuncionalidade cognitiva.

É que, se houve algum contributo do José Saramago para a liberdade em Portugal, foi justamente o de, durante o PREC, ter exemplificado como poucos outros ao que vinha exactamente o PCP, o que tinha na manga para oferecer aos portugueses nos domínios da liberdade e da democracia, e, exactamente por isso, ter desempenhado um papel preponderante de estímulo e encorajamento à contra-revolução com que, nos últimos meses do PREC, e depois de se terem contado os votos das primeiras eleições e percebido a real representatividade das diversas forças políticas que era diametralmente diferente da aparente na rua e nos jornais, o país retribuiu aos comunistas com alguma violência o amor que eles dedicavam à sua liberdade.

Se a disfuncionalidade cognitiva do António Costa é genuína, se ele acredita mesmo nela, ou simulada, se ele não acredita mas recorre a ela para recompensar os bons serviços de quem o apoiou em combates eleitorais, está por se saber? A segunda hipótese parece mais plausível, dado o comprovado sentido ético do primeiro ministro e a sua velha e vasta tradição de premiar os seus apoiantes políticos, e a primeira chega a parecer aberrante. Mas só surpreende quem nunca viu o modo como ele lida com os jornalistas, em público ou em privado. O modelo de gestão Saramago é bem capaz de corresponder ao seu sentido de liberdade de opinião e de imprensa.

Cabe-nos a nós permanecermos atentos e deixarmos claro que a liberdade não precisa de homenagens de facínoras esbirros de ditaduras, e muito menos de homenagens a eles.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:25
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Grandes canções: Feelings

2016-12-11 Wiranto Feelings.jpg

O popular duo de cantores românticos Marcelo & António Luís, que, tal como os Beatles no bom tempo, andam sempre juntos e fazem-se fotografar em situações de grande cumplicidade, acaba de lançar o seu single para conquistar o coração e a carteira dos consumidores neste Natal, com uma interpretação muito pessoal do inesquecível sucesso de vendas Feelings, do grande compositor brasileiro Morris Albert, que adaptaram ao cenário macroeconómico.

Na parte mais intimista da canção, Marcelo revela que tem um sentimento que as exportações vão crescer, e António Luís confessa que quando o Marcelo tem sentimentos não lhe consegue dizer que não. Um momento que merece ser eternizado no MEO Arena repleto de ouvintes elevando isqueiros acesos e de lágrimas a rolar pelas faces ruborizadas pela comoção. Absolutamente sublime.

A composição não merece menos. Apesar de ter sido interpretada por grandes cançonetistas como Ella Fitzgerald, Nina Simone, Frank Sinatra, Engelbert Humperdinck, Shirley Bassey, ou Sarah Vaughan, a versão definitiva foi gravada pelo general Wiranto que, num momento igualmente comovente, dedicou os seus sentimentos ao sofrimento do povo de Timor acrescentando-lhe a estrofe:

No shooting,

No burning,

Getting happy.

A redacção do Gremlin Literário deseja aos populares Marcelo & António Luís os maiores sucessos de vendas.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:45
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