Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Grandes filmes: Love Story

2016-12-10 Marcelo Costa.jpg

Apesar de, como Romeu e Julieta, virem de famílias políticas diferentes e até antagónicas, o presidente da república e o primeiro ministro têm protagonizado uma belíssima história de amor, chegando a ser difícil perceber qual deles é Capuleto, e qual é Montecchio. São mesmo um casal muito avançado e aberto a novas experiências para apimentar a relação, e não se ralavam nada de receber no seu ninho de amor, onde negam terminantemente a entrada ao azedo Passos, o simpático Rio. Marotos!

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:29
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2016

Grandes actrizes: Catarina Martins

2016-12-08 Catarina Martins - 667 o vizinho da bes

Se à Maria Schneider foi preciso o Bernardo Bertolucci e o Marlon Brando enganarem-na para sentir mesmo humilhação e raiva na famosa cena do pau com manteiga de O último Tango em Paris em vez de meramente interpretar humilhação e raiva, o que teria resultado menos convincente, à Catarina Martins ninguém precisou de enganar para interpretar na perfeição o coelhinho palerma na famosa cena do pequeno almoço de 667 - O Vizinho da Besta [a partir do minuto 9:43]: a Catarina Martins é aquilo a que se chama uma natural a interpretar coelhinhos palermas, e a excelência como actriz só é ultrapassada pela excelência como política.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 16:24
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016

Renzi jogou bem

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Renzi fez a jogada da sua vida.Aquela que o legitima. E sim, porque ele tinha falta de legitimidade ao nunca ter sido eleito primeiro-ministro de Itália.

Para se entender a necessidade da reforma, que versava vários aspectos, não apenas o prémio de maioria, é preciso olhar para os 60 governos italianos em 70 anos de república. 70 anos de fragmentação multipolar partidária em que a governabilidade foi sempre uma miragem.

Com o Euro, a Itália enfrenta o maior desafio económico-estatal da sua história recente. O país da inflação e desvalorização crónica deve viver em equilíbrio orçamental e reduzir a sua dívida com imprescindível saldo orçamental suficiente. Ora, o sistema partidário impede qualquer reforma num país que todas as semanas anuncia novas reformas.

Renzi é apoiado pela juventude liberal pragmática do centro. A juventude que leu "Il liberismo è di sinistra" e que acredita que a Itália precisa de se modernizar liberalizando uma sociedade desde sempre dominada pelos mais velhos, pela esquerda oriunda do velho comunismo italiano, e pela hierarquia católica mais retrógrada.

Fazer eleições agora é mais difícil do que não as fazer. O mais provável é que a nomenclatura do velho PD se organize em torno de uma figura consensual e protele ao máximo o voto. Entretanto, o PIB a crescer 1%, com estabilidade política, estagnação e crescimento zero a 15 anos, 8 bancos à beira da resolução, crise na segurança social e na organização do Estado tremendamente burocrático, irão deteriorando cada vez mais a situação até ao ponto insustentável.

Então, quando as inevitáveis eleições tornarem evidente que o futuro irá pertencer ao Movimentos 5 Estrelas e à Liga Norte (nem os qualifico) o PD entrará em agonia e, ou Renzi é escolhido, como reserva única do PD para reformar, ou Renzi funda novo partido e será mais um para o pântano.

De duas coisas podem ter a certeza: a Itália 'boa' está com Renzi e a Itália má está contra Renzi.

Pena que a lição de maturidade para Renzi tenha sido tão cara. Poderia ter lançado o referendo sem o tornar numa guerra de vai ou racha. Mas, sem quebrar, também não seriam possíveis as reformas.

Fez bem e rachou. Quanto à Itália? Está aí para se ir partindo segura e inexoravelmente. 

 

publicado por João Pereira da Silva às 17:38
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Bom dia, Marcelo

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A não ser que o António Costa consiga encontrar outra aberração da categoria do Sampaio da Nóvoa para concorrer às eleições presidenciais, o sentido de emergência decorrente da percepção do risco de regresso às loucuras do PREC pela mão dos loucos do PREC, que levou todos os que tinham algum sentido de normalidade a, mesmo com o seu exotismo, votar no Dr. Rebelo de Sousa, não se vai repetir.

Deus lhe dê discernimento suficiente para conseguir compensar com votos dos que o acham um burro, e ele tem feito por deleitar, os que já alienou dos eleitores que votaram nele e o elegeram naquela circunstância provavelmente única e irrepetível, mas já o deitam pelos olhos.

 

 

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:02
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016

Os professores

Coisa surpreendente entre nós são aquelas pessoas que circulam no espaço público opinativo e que, não obstante a tenaz repetição da vacuidade das suas ideias, e a periódica revisão dos seus pontos de vista para os adequar aos ares do tempo, disfrutam de um geral apreço.

 

O exemplo por antonomásia desta variedade de notabilidades é Marcelo: não deixa obra jurídica que valha, nunca ninguém lhe ouviu uma opinião que não fosse uma banalidade, um dito que ficasse pela sua originalidade ou justeza, uma análise que o futuro tivesse revelado clarividente, uma escolha política que fosse além das jogadas florentinas em que toda a vida se desdobrou... nada. E tendo chegado pacificamente a presidente da República, e dando todos os dias o espectáculo torpe de lisonjear a costela portuguesa choramingona, pedinchona e sentimental, dá a sua caução a uma provável débâcle do país, que depois não saberá explicar - Marcelo do futuro não sabe nada, e do passado pouco mais.

 

É caso único, no sentido de sempre ter tido uma vasta corte que lhe bebeu as charlas hebdomadárias, e hoje se deslumbra com a sua hiperactividade. Mas com plateias mais restritas há outros inexplicáveis exemplos de carreiras de sucesso: Adriano Moreira é tido por especialista de direito internacional, analista da política planetária e depositário de um saber feito de cultura, estudo, reflexão e experiência de vida.

 

Sucede porém que - caso estranho - nem escrever sabe. E debalde se procurará no emaranhado dos seus textos algum fio condutor que nos conforte numa ideia clara sobre qual é exactamente o problema de que está a falar, e qual a solução que defende. A gente percebe que há ali um problema e que são necessárias reformas. Mas qual o problema e quais as reformas, isso, Adriano nunca se dá à vulgaridade de explicar claramente.

 

Exagero? Consideremos a frase inicial deste artigo: "O desaparecimento de Fidel Castro produziu os juízos sobre a intervenção na vida do seu país e sobre as consequências que respeitam às relações internacionais que são baseadas na inegável importância dos efeitos e marcas deixados na época em que assumiu o poder, e o exerceu longamente, em Cuba".

 

O que é que esta merda quer dizer, Nossa Senhora? Que Fidel morreu e que a sua vida teve importância, é isso? Ah bom, e daí? Daí, continua Adriano: "Quando era esperado que na chamada Pequena Cuba, a comunidade de cubanos que habitam, trabalham e encontraram futuro pessoal em Miami, se manifestassem, até com maior excitação do que mostraram quando abandonou o poder, o que os noticiários acentuaram é a moderação dos ajuntamentos de exilados, e dos seus descendentes já americanos, e que estes foram já conhecendo maiores liberdades de ir e voltar à ilha pátria".

 

Temos portanto que em Miami não se fez tanto barulho como se poderia esperar, e que os noticiários não assinalaram o barulho que não houve, além da novidade de os descendentes dos foragidos de Cuba serem americanos. Imagina-se que este facto extraordinário nos deva ser caro ao coração, visto que a mesma coisa sucedeu aos descendentes dos nossos compatriotas que para lá emigraram, e já agora a todos os outros descendentes de todos os outros emigrantes de todos os outros países.

 

E vão dois parágrafos sem dizer absolutamente nada, o que possivelmente aguçaria o apetite para os restantes.

 

Não saímos defraudados, porque na continuação temos direito ao prato de resistência. Reza assim: "A serenidade, com firmeza, é recomendável nas circunstâncias desafiantes de mudança, e a morte de Fidel é sem dúvida, do ponto de vista das emoções, mais desafiante, porque não é sobretudo o passado que se extingue, é o desafio de construir um futuro ocidental que será exigente, requerendo criatividade, ativa política de reconciliação entre as fações, um trabalho que vai exigir generosidade, aos que sentiram a recusa de cidadania e humanidade, e sobretudo aos que assumiram a necessidade de salvaguardar outros valores, que pareceu lembrada na histórica visita de João Paulo II, em que vimos, nos documentários, um Fidel Castro que parecia lembrado da circunstância galega de origem, e da reverência em relação ao pontífice".

 

A serenidade com firmeza é de facto recomendável para navegar, não nas "circunstâncias desafiantes da mudança" mas neste amontoado de lugares-comuns pedantes: O "desafio de construir um futuro ocidental"? Mas qual desafio qual quê? Ou Cuba se torna numa democracia ou não. Se sim, não será decerto por evolução do regime; se não, talvez possa imitar o capitalismo chinês ou vietnamita, numa versão adaptada. Ou poderá tentar ficar na mesma, até que alguma coisa suceda que faça cair o regime - as ditaduras não são eternas. Haverá decerto quem sobre isto tenha algumas ideias e as defenda com argumentos. Mas não haverá quem se lembre de ver na visita do Papa, e na reacção do velho farsante Fidel, outra coisa mais do que uma habilidade de um regime decrépito para concitar apoios. E a "circunstância galega" de Fidel é de rir: eu também tenho uma devoção especial pelo deus Larouco, decerto pelas minhas origens célticas.

 

Depois, vêm as citações de autores obscuros para fundamentar um bosquejo histórico onde os americanos são, como era de prever, os maus da fita. E, a fechar, numa arrojada invocação do abade Correia da Serra: "O próprio abade Correia da Serra, tão esperançoso da evolução futura do continente, teria dificuldade em enfrentar o processo em curso, e encaminhá-lo, como é exigido pela justiça e pela paz, para o regresso geral ao aceitamento dos princípios da ONU, em pousio, dos princípios da Declaração Universal de Deveres, nunca aprovada, e para a contenção do complexo militar-industrial, que angustiou o diálogo de Eisenhower com o presidente Juscelino, este que teria hoje outras patrióticas preocupações".

 

Quanto ao aceitamento dos princípios da ONU (não sabemos se por parte das autoridades americanas se das cubanas, Adriano deixa-nos nessa dúvida excruciante), esse organismo fatal pelo qual imagina passarem todas as soluções, estou em condições de sossegá-lo: agora que Guterres vai estar ao leme, aquelas nações que tripudiarem em cima dos princípios encontrarão adversário à altura; e quanto ao complexo militar-industrial também podemos ter alguma esperança - afinal o complexo em questão nunca colocou obstáculos a que ditaduras comunistas evoluíssem para outros regimes.

 

Desejo sinceramente que Adriano Moreira continue por muito tempo a brindar-nos com as suas análises. E tenho nisso um interesse egoísta porque, na ordem natural das coisas, é de prever que abandone o número dos vivos antes de mim. E tremo só de pensar no que dirão, ao longo de uma semana, os que lhe fingem entender os artigos e subscrever as ideias. Marcelo, ao menos, percebe-se o que diz, além de ter a enorme superioridade de para liquidar os seus inimigos, e promover a sua imagenzinha, não invocar a ONU.

publicado por José Meireles Graça às 01:47
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Em defesa da língua portuguesa, pela destruição das escutas do António Costa

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Eu, por acaso, concordo com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de ordenar a destruição imediata das escutas em que foi apanhado o primeiro-ministro António Costa. Por duas ordens de razões.

A primeira, e a mais importante de todas, é a defesa da língua portuguesa, que seria seriamente ameaçada se a programação da CMTV, o canal de televisão por cabo com maior audiência em Portugal e o que se entrega com mais determinação à divulgação de escândalos judiciais, começasse a emitir de cinco em cinco minutos a gravação das escutas do António Costa com o seu português macarrónico em que come quase metade das sílabas. Juntando à passagem repetitiva das gravações ao longo de vários dias o risco de fenómenos de mimetismo que ocorrem quando a juventude imita criminosos mediáticos, poderiamos acabar por ter toda uma geração a falar Português como o António Costa, causando danos irreversíveis, ou que consumiriam várias gerações a reverter, à língua pátria.

A segunda é ainda mais importante, e é a defesa do próprio regime democrático português. É que, a avaliar pelo exemplo que se conhece de participação passada do António Costa em escutas judiciais a organizar uma conspiração entre ele, que é actualmente primeiro-ministro, o actual presidente do parlamento, o então presidente da república e o então procurador-geral da república, para evitar que um processo envolvendo um amigo e camarada de partido chegasse a entrar no tribunal, é quase inimaginável que ele consiga ter conversas privadas que não sejam dedicadas a elaborar esquemas, negociatas e conspirações, tanto mais potenciadas quanto maior é o seu poder actual de primeiro-ministro comparativamente com o de mero dirigente de um partido da oposição nessa época. Pelo que a divulgação de qualquer escuta em que ele intervenha corre o risco de provocar no país reacções de repúdio pelos políticos eleitos e de predisposição para entregar o poder a populistas demagogos, como ele próprio é, aliás, que conduzam à extinção da democracia.

Comparativamente com estes riscos letais para a língua e para o regime democrático portugueses, o risco que se corre com a destruição das escutas que envolvam o António Costa, o de poder prejudicar a administração da justiça por destruir matéria probatória relativa a outros crimes que não os que estavam a ser investigados, porque se fosse relativa aos que estavam a ser investigados o andamento do processo seria outro que não a mera destruição das escutas, é de segunda ordem e a decisão de destruição imediata foi uma medida sensata.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 02:34
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