
Saudades de Sócrates: o país tinha um homem forte e determinado ao leme, trabalhador incansável e orador notável. Num dia típico, ia de manhãzinha a Vila do Conde salvar a Qimonda, antes do almoço inaugurava um troço de autoestrada, de tarde esmagava a oposição apresentando luminosos projectos de desenvolvimento com TGVês, programas tecnológicos, energias renováveis, computadores para as escolas, elas própria remodeladas com gosto e luxo, e, à noite, não descurava a cultura, indo ver uma peça teatral, ou um filme que não se teria feito sem o patrocínio do Estado - bons tempos.
Não deve ter havido governante, desde os tempos de Fontes Pereira de Melo, que tantas primeiras pedras tivesse lançado de tanto investimento que nos iria tirar do nosso atávico atraso. E por isso, e porque as pedras ainda as temos todas ao pescoço, não conseguimos esquecê-lo.
Fez escola e deixou seguidores, e não apenas entre os seus correligionários. De quando em vez, vemos relampejar nos lugares mais inesperados o espírito Sócrates.
Por exemplo: os pescadores da Afurada estão desde sempre segregados dos esplendores da Foz, separados pelas revoltas e traiçoeiras águas do Douro? Há condutores que chegam, na Ponte da Arrábida ou do Freixo, em horas de ponta, a esperarem para cima de meia hora? As cidades do Porto e Vila Nova de Gaia estão incompreensivelmente separadas, quando, se estivessem juntas, qualquer delas ficava maior?
Nada que três pontes e um túnel não resolvam. Fallait y penser.
É o que Luís Filipe Meneses diz. Porém, a mim ocorreu-me, sem pôr em causa a necessidade ingente de unir as duas cidades, que haveria talvez um processo mais radical de conseguir aquele desiderato: bastaria encanar o Douro, entre a Foz e o Freixo, urbanizando o larguíssimo espaço por cima do cano e assim subtraindo a uma natureza hostil milhares de hectares. Ficaria talvez um pouco mais caro mas as boas ideias - não é verdade? - não têm preço.
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