É com um enorme prazer que estamos, finalmente, em condições de divulgar o resultado do concurso literário "Um homem feliz". Por isso vamos proceder à cerimónia de entrega do prémio, que foi disputadíssimo.
As participações foram inúmeras. Houve acotovelamentos, tropeções, e os concorrentes aproveitaram para conversar: "Ó bacano, essa merda aí por baixo do teu téne é o pé da minha bicicleta", e diz o outro, sem pressa, subindo o olhar pelo rabo da rapariga, "Deves pensar que é alguma chóper..", e vai a rapariga, "Opá, Adérito, não lhe respondas que ele não me aleijou", e volta o primeiro, "Levas mazé um bilhete que ficas a turpeçar nos dentes", e o dono do téne, "Mando cá vir a tua mãe para os limpar com a (não me lembro da palavra, mas rimava com esfregona)", e a rapaziada esteve bem.
Recebemos muitas respostas diferentes. A do Sérgio Rodrigues, de Esposende, foi "Currupção". A do Vítor Parente, da Donalda, foi "Querrupeção". A da Cristina Raquel, de São Pedro da Cadeira, foi "Fácil: corrupção". Já a do Jorge Miguel Bracinho, de Ponta Delgada, foi "São todos iguais, querem é táxo, ladrões, CHUPISTAS!!! Isso na minha terra chama-se CORRUPÇÃO!!!!!! VÃO TODOS MAZÉ LEVAR (não sei quê, não sei que mais)". A do Uóxinton Sadã de Lemos, de Bocaiúva do Sul, estado do Paraná, foi "Oi?", e a do Regino Peixe, de Ponta Delgada, foi "Deves tár a brincar comigo. Toda a gente sabe que é corrupção".
Infelizmente, as candidaturas que citámos foram desclassificadas. Apesar das subtilezas, o júri entendeu que a ideia subjacente a estas respostas se referia a uma prática que é ilegal na República Portuguesa. O que não se verifica no caso apresentado, uma vez que todos os especialistas são unânimes em afirmar que José Luis Arnaut, e o respectivo escritório de advogados, actuaram dentro da lei. Para os referidos concorrentes, deixamos uma palavra de agradecimento.
Ganhou, portanto, o prémio "Um homem feliz - edição 2012" o concorrente Nelson Mendes, de Cousas Liberaes, porque foi o único que deu a resposta acertada. Na verdade, e em bom português, ao conjunto das práticas que apresentámos no enunciado chama-se "Amakudari".
Tal como estipulado no regulamento, endereçamos a fotografia deste post ao simpático premiado. Fica, desde já, autorizado a dar-lhe o destino que entender. Mas sugerimos, por exemplo, a possibilidade de forrar com ela o fundo de um alguidar. E passar o resto do verão a tentar acertar-lhe, desde a mesa das refeições, com as cascas dos burriés.
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