Garanto que não vi, mas parece que a dra. Carla aproveitou mais uma aberta no programa de variedades em que semanalmente participa para, citando Vergílio Ferreira (cuja "obra literária" é, de resto, infrequentável), chamar a este governo "um grupo de nítidos nulos".
A dra. Carla fala com a descontracção própria dos membros de uma tribo que se reconhecem. Mas a dra. Carla nunca se fica pelo fenómeno mediano: com a tenacidade que distingue os gloriosos, vai sempre mais longe.
No laboratório de "Ciências Sociais" aqui do Gremlin, temos uma cobaia do sexo masculino chamada Q28-7B/64 cujo comportamento observamos desde a década de 80, tomando notas. Não morde. E o fiel de armazém que toma conta dela desde o dia em que, recolhida num barco da Transtejo, foi conduzida às nossas instalações, tendo-se-lhe afeiçoado trata-a carinhosamente por Carlão.
A cobaia Carlão diz do Adérito que "ai filha, uma bichona!", e do Sérgio, e do Fernando, e do Rodrigo, e o mesmo diz Carlão de todas as outras cobaias que se encontram na sua "organização social". E se não forem é porque "ainda não sabem", e se não parecerem é porque "disfarçam muito bem". Sem hesitar, afirma que "essa Rodrigueta é uma bichona ordinária e intriguista", e "vê-se logo pela maneira como trinca a mortandéla" (Carlão diz "mortandéla"), e "essa mulher nunca me enganou, filha", porque "eu já levo uma longa carreira na bichice, pá". Regra geral, a cobaia Carlão remata o seu argumento de autoridade com uma observação do tipo: "acha-se uma grande machona mas tem ancas de parideira", por isso é que "até lhe chamam a Rodrigueta da Rabeta".
Tal como na cobaia Carlão, observo na dra. Carla um comportamento curioso: não se limita a reconhecer os elementos da mesma tribo. A dra. Carla, comentarista nitidamente nula, atribui aos outros as características próprias dos membros da sua tribo - estalando limites, exibindo a plumagem com orgulho triunfante.
Só não percebo porque é que à dra. Carla se lhe avolumam tanto as cordoveias do pescoço quando diz estas coisas. Parece zangada.
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