Há uma canção portuguesa que rebenta as escalas do fastio. É aquela do "eles não sabem nem sonham, não sei quê, entre as mãos de uma criaaaaançaaaa". Mas há um estafermo canadiano que faz desta música um exito do funky: chama-se Leonard Cohen.
Este maduro, que já nos aborrece há mais de quarenta anos, goza agora de um regime de diuturnidades. O fenómeno é conhecido, mas pouco estudado: por cada cinco anos que passam, os artistas (se sobreviverem) vão ficando mais génios. É o chamado processo de genializamento do artista. Dá-se em paralelo com a fotossíntese, à medida que a tez dos atingidos, mortos de tédio, vai ficando mais verde.
Chegados a um certo ponto, estes "agentes culturais" desatam a "obter galardões". De toda a espécie de proveniências. Das mais às menos insuspeitas. E não há príncipe no planeta que não lhes atribua uma merda qualquer.
O processo intensifica-se com o aspecto torturado do artista e com a multiplicação das suas "valências"; no caso presente, temos para todas as inclinações. Depois forma-se uma unanimidade na apreciação das suas coisinhas e voilá: "O Leonard Cohen é um gajo genial".
O Leonard Cohen tem ziliões de cançonetas e puézias, composições, novelas e arranjatas. Qualquer delas dá dez a zero no "sonho da criança". É um feito difícil. Diria que é uma proeza olímpica. Se um dia me cruzar com ele, dou-lhe um franco aperto de mão.
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