Quarta-feira, 1 de Maio de 2019

Movimento 5.7

Ontem o Movimento 5.7 promoveu uma conferência no Porto com o tema “A Europa e o Futuro”.

 

Os participantes eram Rui Moreira, Rui Ramos e Miguel Morgado.

 

Para quem não saiba, este Movimento agrega quem, no espaço da direita democrática e não-socialista, queira discutir e ver discutir fora de peias partidárias assuntos de interesse colectivo. E corresponde a um sentimento difuso de que, no sufocante ambiente social e político da geringonça, há valores de direita que, nem que seja pela negativa – não somos socialistas – justificam encontros, palestras, debates, em suma, que nos conheçamos melhor, já que os adversários, e por que o são, conhecemos nós bem.

 

Como está a decorrer uma campanha eleitoral para as europeias, o assunto é oportuno.

 

Não está ainda disponível o podcast do encontro, por isso falo de memória. Mas vou já dizendo que, como esperava, os três palestrantes são europeístas convictos, e a moderadora (que, felizmente, não conhecia) da variedade militante, com, porém, diferenças de grau e de ângulo. E como eu acho a união europeia uma construção impossível e, se fosse possível, indesejável, digamos que o conjunto das intervenções não caiu particularmente bem na minha alma sensível.

 

Um ponto prévio: em Portugal toda a gente, com excepção dos comunistas, é europeísta. À Europa se atribuem as autoestradas, o SNS, a melhoria das condições de vida, o extraordinário benefício de podermos pagar com a mesma moeda dos alemães sem passar pela humilhação de a cambiar com uma local provavelmente cotada ao quilo, o Erasmus, as estrelas rock que incluem Portugal nos seus roteiros, os frequentes prémios internacionais no âmbito cultural, e todo o internacionalismo, e toda a modernidade, que conferem aos portugueses a enraizada convicção que Portugal é uma Dinamarca com ligeiramente menos dinheiro.

 

Tudo isto é falso, ou no mínimo uma verdade distorcida. Porque progresso houve em quase toda a parte, o que decorre da evolução da ciência e da tecnologia, e nada permite a certeza absoluta de que a famosa TINA da troica (There Is No Alternative) se aplique também ao caminho inelutável da integração europeia. E o progresso português recente é menor, nos últimos vinte anos, e não maior, do que o do resto do mundo e do que o do resto da Europa, cuja importância mundial não cessa ela própria de diminuir. Para utilizar uma linguagem cavaquista, a carruagem portuguesa no comboio da UE é cada vez mais próxima da última; e este vai mais devagar do que os outros.

 

Depois, o português que aqui não encontra emprego ou sequer uma remuneração condigna, vai, naturalmente, para a emigração, e esta é facilitada pela livre circulação; e, como disse com satisfação um dos conferencistas (creio que Rui Moreira) quase toda a gente tem hoje um filho que casa no estrangeiro, ou um parente que lá se radicou.

 

Este sentimento é tão esmagador que – Deus me perdoe – se houvesse um referendo em Portugal que perguntasse aos portugueses se queriam empandeirar as suas instituições estatais (presidência da república, assembleia da república, tribunais) por troca de um subsídio de 20.000 milhões de euros/ano, estes responderiam entusiasmados que sim, com a condição de o gauleiter ser louro, os juízes bebedores de cerveja morna e a legislação traduzida – como, em parte, já é.

 

Rui Ramos deteve-se longamente no Brexit, e confessou-se escandalizado por uma matéria de tanta transcendência ter sido decidida por uma maioria circunstancial de 4 pontos (52 contra 48%, num contexto em que a maioria dos jovens não votou, ou votou esmagadoramente a favor da permanência); e, se bem percebi, acha mal que escolhas desta complexidade possam ser feitas por uma opinião pública volátil, condenando a comunidade britânica a consequências gravosas que, por provocarem arrependimento, só podem ser sanadas com um novo referendo. Um que dê (suposição e conclusão minhas) um resultado inverso, caso em que a exiguidade da maioria já não terá verdadeiramente relevância, por o eleitorado ter finalmente feito a opção certa.

 

Rui Moreira também vê com maus olhos o Brexit, pelas mesmas razões, isto é, o Brexit é uma coisa que nos chateia, pá, os filhos da Ilha não são fiáveis nem sabem o que lhes convém (interpretação – muito – livre minha), e aproveitou para se lançar numa diatribe contra a disfuncionalidade do euro. Segundo Moreira (e eu, já agora) é uma moeda alemã que serve os interesse alemães, inconveniente para economias frágeis, mas a única maneira de a corrigir é aumentar massivamente as transferências para as economias periféricas, isto é, fazer crescer o orçamento da União para níveis americanos, exemplar federação onde estados como o Montana e o Wyoming recebem transferências significativas. Os outros dois intervenientes guardaram neste ponto um silêncio presumivelmente discordante, decerto porque um e outro entendem que a moeda única, por implicar uma gestão sã – isto é, sem défices – das contas públicas, já está mais do que suficientemente justificada.

 

Miguel Morgado, aparentemente o menos europeísta dos três, preferiu acentuar a importância do artº 50º do tratado de Lisboa, que consagrou o princípio de os Estados se poderem retirar da União, e que foi invocado pelo Reino Unido há dois anos, uma lembrança muitíssimo oportuna nas circunstâncias. Nas outras intervenções tinha perpassado uma sobranceria, para não dizer desprezo, em relação a esses malditos ingleses mais velhos, uma gente desconfiada de construções supranacionais e inconscientemente agarrada a nacionalismos obsoletos.

 

Na fase de perguntas, quis saber onde os conferencistas colocavam limites aos progressos da integração, agora que já se fala de “harmonização” fiscal e de exército europeu. Quase me fiquei pela pergunta porque a moderadora, incompreensivelmente com muito menos predisposição e gosto do que eu para me ouvir, me cortou nos prolegómenos, precaução que todavia não adoptou com o interpelante seguinte.

 

Rui Moreira confessou-se veementemente contra a competição fiscal, que acha desonesta; Miguel Morgado deu uma resposta algo críptica, mas na qual se podia perceber que, excepto quanto às implicações do euro, a Europa dele é a das nações, pelo que não vê com bons olhos um tal exército; e Rui Ramos disse nada.

 

Muito mais se disse, quem quiser que vá ver na página do Movimento.

 

Encerrada a sessão, fui a uma cervejaria na avenida da Boavista com alguns dos marcados reaccionários com que me dou. E, a páginas tantas, disse a um deles, que admiro pela acutilância da escrita e a independência das opiniões: Já viste que bom que seria se não houvesse a esquerda comunista e socialista? Sem sair da direita, já temos divergências que chegue.

 

Ele concordou com entusiasmo. Com o que a noite acabou numa nota de boa disposição.

publicado por José Meireles Graça às 19:14
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2019

Cavaquistão revisitado

Anteontem, por ocasião do lançamento de um livro de Joaquim Miranda Sarmento sobre finanças públicas, Cavaco Silva emergiu das catacumbas onde se entretém a redigir tomos ilegíveis sobre as maravilhas da sua pessoa e acção política, e falou.

 

Disse várias coisas, e das que disse saliento: "Como se tem vindo a verificar, a prática de 'jobs for the boys' é muito negativa para o país e para os portugueses”; “O actual leque salarial da função pública, que no passado se apelidava de albanês, é bem reflexo da hipocrisia e cobardia de boa parte da classe política portuguesa"; “O saldo das contas públicas tal como o das contas externas não é objeto da política económica em si próprio (...) Não faz qualquer sentido que o saldo das contas públicas continue a ser um tema dominante da política orçamental portuguesa"; "Não posso deixar de ligar a perda de receita com a descida do IVA da restauração à acentuada degradação da qualidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O benefício concedido ao setor da restauração está a ser pago pelos utentes do SNS sob forma de degradação da qualidade dos serviços que lhes são prestados, utentes que não dispõem de rendimentos para recorrer aos privados". “A esta medida, o antigo governante associou também a descida das 40 para as 35 horas de trabalho semanal para os trabalhadores do setor da saúde, para concluir: ‘É assim claro que a degradação dos serviços públicos da saúde se deve a decisões políticas erradas tomadas, provavelmente, com propósitos eleitoralistas"; e “Estas medidas de profunda injustiça, atingindo sobretudo cidadão de baixos rendimentos, foram aprovadas não só pelo PS, mas também pelo PCP e pelo BE, o que ilustra bem a hipocrisia de partidos que procuram iludir os portugueses com falsos discursos de defesa dos mais desfavorecidos".

 

Isto disse, e tenho-me divertido com o frenesim que tomou conta dos jornais e das redes sociais, os primeiros porque estão enxundiados de esquerdistas sortidos e as segundas porque lá mora gente que nutre pelo homem o mesmo ódio visceral que vota a Portas, a Passos Coelho, e a quem quer que seja que não reze no altar do abrilismo socialista, nas suas várias capelas, e que tenha tido o desplante contranatura de governar.

 

A máquina socialista mexeu-se. E hoje o Polígrafo (uma organização que, em números redondos, tem acertado no que já se sabia e omitido ou manipulado aquilo que mais interessava esclarecer), pressuroso, estadeia uma capa do Independente de 7 de Fevereiro de 1992 onde se denunciam as quinze mulheres que quando Cavaco era PM foram nomeadas para lugares de confiança política. E diz, com fina ironia: “Ora, se agora Cavaco repugna os ‘jobs for the boys’, no tempo em governou não se opunha aos ‘jobs for the girls”. Foi pena não acrescentar que a nomeação de todo este mulherio era bem o sintoma de fortes sentimentos feministas avant la lettre, que era para a gente se rir com vontade.

 

Claro que há uma diferença de grau e de essência entre o passado e o presente: quinze não são quarenta ou cinquenta; e ministros pai e filha, e marido e mulher, não são meras secretárias ou adjuntas de não sei quê. O PS de Sócrates, cujo pessoal foi quase integralmente recuperado pelo PS de Costa, é o partido corrupto por antonomásia, e esta colonização gargantuesca do aparelho de Estado é o corolário lógico da impunidade com que o eleitorado, anestesiado pela propaganda e por esmolas, brinda os abusos.

 

Hoje por hoje, Cavaco conta com a minha benevolência: quem põe a esquerda a rabiar, e denuncia o evidente oportunismo do PCP e do Bloco com a autoridade de quem ganhou e reganhou eleições, e além disso fez o que pôde para impedir o ascenso da camarilha golpista que acaparou o poder, tem direito a que eu ponha uma surdina nas reservas.

 

Porque, se não, tinha que dizer:

 

Só se poderia ligar a redução do IVA para a restauração à degradação do SNS se as receitas daquele imposto estivessem afectas àquele Serviço. Mas não estão, nem podem estar, porque isso ofenderia o princípio de não consignação de receitas fiscais. E mesmo que, na realidade, a medida de redução tenha sido demagógica, por corresponder apenas a uma promessa eleitoral para ganhar votos, e não se justificar a discriminação positiva do sector restaurador, nada impedia que houvesse cortes de despesas inúteis do Estado. Cavaco, nisso, não fala, nem pode: o seu magistério sempre assentou no pressuposto de que o Estado obeso, investidor, dirigista, dinamizador e visionário, é a pedra de toque do progresso.

 

Agora que o PS, por obediência aos ditames de Bruxelas e medo dos credores e da quarta falência, se reconciliou com a ideia do défice zero, talvez deixe de fazer sentido que o saldo das contas públicas continue a ser um tema da política orçamental. Mas é irrealista esperar que o único resultado realmente positivo que o PS pode apresentar – a redução do défice – deixe de ser objecto de propaganda. É certo que o país nunca crescerá mais do que aqueles que lhe estão mais próximos no PIB por cabeça sem reduções da carga fiscal; e estas só são possíveis com défice ou cortes. Mas ao défice Cavaco diz, e bem, t’arrenego; e dos cortes não fala, mas é pena.

 

Finalmente, e quanto “à hipocrisia e cobardia de boa parte da classe política portuguesa”, talvez Cavaco pudesse ter a bondade de explicar onde estão os recursos para pagar adequadamente aos seus estimados funcionários superiores sem emagrecer a máquina. Mas não explica: será por hipocrisia e cobardia?

publicado por José Meireles Graça às 22:28
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Segunda-feira, 1 de Abril de 2019

Eleitoralismos a brincar, eleitoralismos à séria

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Acham que a pantomina dos passes sociais baratos da Ericeira a Setúbal montada neste 1º de Abril pelo governo Antóno Costa e pelo presidente da CML é eleitoralista?

Vocês não viram nada, vocês não sabem o que é eleitoralismo.

Esperem pelo reembolso do IRS neste ano de eleições para verem o que é eleitoralismo.

Ao longo de 2018 as tabelas de retenção na fonte fizeram reter muito mais IRS do que era devido e mesmo do que é habitual, o que por um lado faz aumentar a receita fiscal e melhorar o deficit, uma das bandeiras para a campanha eleitoral socialista lá mais para a frente, e por outro fez aumentar brutalmente os reembolsos que serão pagos este ano até às eleições, uma notícia agradável para os contribuintes que receberão muito mais do que estão habituados a receber. Já vos disse que este é ano de eleições?

O outro lado destas boas notícias é que em 2018 os contribuintes receberam menos do que deveriam ter recebido se as tabelas de retenção na fonte estivessem minimamente ajustadas aos valores de facto devidos por eles que são os que são apurados quando o imposto é liquidado. Mas do que receberam a menos em 2018 a memória tratará de diluir, enquanto do que começaram a receber a mais no início de 2019 com tabelas de retenção mais amigas do contribuinte a memória guardará. Também não se lembrarão no momento do voto que os reembolsos em 2020 serão muito mais baixos que em 2019, porque será um facto futuro que a memória não alcança.

Se os eleitores forem na burla e pensarem que o governo lhes está a dar mais dinheiro em 2019 em vez de se aperceberem que o governo lhes tirou dinheiro a mais em 2018 para lho devolver sem juros agora,  as eleições estão no papo.

E se forem na burla merecem ser burlados.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:50
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Quinta-feira, 28 de Março de 2019

Marcelo e Cavaco, ou a porcelana moldada e a pedra esculpida

Quando na última remodelação do governo António Costa, e por causa da promoção a ministra da secretária de Estado e filha do ministro José Vieira da Silva, Mariana Vieira da Silva, se tornou evidente que a endogamia que é a marca do primeiro-ministro desde sempre só tem tendência para se agravar com a ascensão a posições com mais poder e a aproximação do fim da legislatura, o presidente Marcelo correu a branqueá-la, afirmando que a nomeação de pessoas das mesmas famílias no seio do governo se devia a razões de mérito.

Não foi a primeira vez, nem será a última, que se terá precipitado ao colocar a mão por baixo do primeiro-ministro amparando-o em trapalhadas, asneiras ou sacanices puras e duras sem antecipar que esse apoio lhe poderia vir a trazer a ele custos políticos. Mas a falta de vergonha e descaramento dos socialistas do costismo, talvez encorajados pelo branqueamento normalmente assegurado pelo mais alto magistrado da nação, transformaram em poucos dias o que pode ter parecido uma excentricidade, um sintoma de uma constipação passageira, num bacanal de nomeações de irmãos, filhos, mulheres e amigos uns dos outros, uma pandemia com todas as condições para se tornar mortífera.

Não para ele.

Quando se apercebeu que o branqueamento da endogamia no governo socialista António Costa lhe podia custar caro a ele, o presidente Macelo fez exactamente aquilo que se pode, com um já bom grau de confiança, esperar dele como nulidade política mais do que comprovada: salvar o coiro. Acobardou-se e escondeu-se por trás da sombra do presidente Cavaco, explicando que "...se limitou a aceitar a designação feita pelo Presidente Cavaco Silva, que foi a de nomear quatro membros do Governo com relações familiares, todos com assento no Conselho de Ministros ... partindo do princípio de que o Presidente Cavaco Silva, ao nomear aqueles governantes, tinha ponderado a qualidade das carreiras e o mérito para o exercício das funções".

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Escolheu mal o alvo. Ao contrário dele, o presidente Cavaco Silva não cresceu a fazer travessuras à avó nem partidas ao dono do jornal que lhe deu emprego desde jovem, cresceu, como explica nas suas memórias, e debaixo da responsabilidade de ser o primeiro da família em cuja educação os pais investiram as poupanças em vez de as investirem na compra de propriedades agrícolas como era hábito no mundo onde cresceu, a passar as férias grandes a trabalhar no campo no único ano em que chumbou. Ao contrário dele, que foi moldado em porcelana, foi esculpido na pedra. E não se costuma ficar, e não se ficou.

E respondeu, respeitando a fórmula tradicional "entendo que não devo fazer qualquer comentário porque já foi dito tudo ou quase tudo e eu não acrescentaria nada de novo", para disparar comentários letais a tudo o que já tinha sido dito como "...Nos últimos dias aprendi bastante sobre as relações familiares entre membros do Governo e confesso que era bastante ignorante em relação a quase tudo aquilo que foi revelado..." e "... não me recordo de ter conhecimento completo - já foi há muitos anos - entre relações familiares dentro do Governo, mas, por aquilo que li, não há comparação possível em relação ao Governo a que dei posse em 2015. E, segundo li também na comunicação social, parece que não há comparação em nenhum outro país democrático desenvolvido", e ainda que o presidente da república, nomeando embora os membros do governo, não pode interferir nas escolhas do primeiro-ministro para não correr o risco de vir a ser responsabilizado por qualquer coisa que corra mal na governação a pretexto de não ter deixado o primeiro-ministro escolher livremente os seus ministros. E aproveitou para esclarecer que, "por curiosidade fui verificar a composição dos meus três governos durante os dez anos em que fui primeiro-ministro e não detectei lá nenhuma ligação familiar". Poderia ter acrescentado que entre todas as pessoas que fizeram parte desses três governos, entre ministros e ajudantes de ministro, houve uma única que tratava por "tu", a colega de trabalho no Banco de Portugal e comadre Manuela Ferreira Leite. Não teve governos de família e amigos.

Traduzindo, esclareceu que quando indigitou o primeiro-ministro tinha esgotado todas as possibilidades legais de o evitar sem abrir uma crise política insustentável, que não fugiu a deixar claro na altura que não estava de acordo com a fórmula governativa montada pelo primeiro-ministro com o objectivo único de se salvar de uma morte política certa por ter perdido as eleições depois de prometer ao partido que as ganharia por muitos, que a escolha dos membros do governo é da responsabilidade do primeiro-ministro, e que ao dar-lhes posse não tinha feito, nem podia fazer, qualquer juízo de valor sobre a sua competência. E que no momento da tomada de posse não tinha qualquer informação factual que lhe permitisse antecipar o bacanal em que se transformou nos últimos meses, e descaradamente a partir da última remodelação, o jogo de nomeações de familiares e amigos e familiares de amigos como chefes de gabinete ou assessores para os gabinetes governamentais.

E escavacou o biombo atrás do qual se tinha escondido o presidente Marcelo, no argumento da nomeação porque não tinha legitimidade para intervir nas escolhas do primeiro-ministro, e no do mérito porque não lhes tinha avaliado mérito para lhes dar posse.

Pode ter dado ao presidente Marcelo uma lição útil, a de, nas troca-tintas e chico-espertices que vive a fazer e de que vive politicamente, se meter com quem tenha a estatura dele e evitar os de estatura maior. Que brinque com figurinhas de porcelana mas evite as estátuas de pedra, que se caem em cima das figurinhas as deixam em cacos.

É duvidoso que o presidente Marcelo tenha apreendido a lição.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:57
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019

Matemática macabra

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Depois de terem sido abandonados à sua sorte durante toda a legislatura por um governo que se dedicou a demoli-lo trocando o serviço aos utentes pela redução dos horários dos funcionários, a ministra da Saúde, que eu tenho apelidado, talvez não lhe conseguindo por defeito fazer justiça, de tonta fala-barato da extrema-esquerdaanunciou que até ao fim do ano de 2019, por coincidência um ano em que há duas eleições, todos os doentes à espera de consulta ou cirurgia há mais de um ano vão ser atendidos.

O que significa que não garante atendimento até ao fim de Dezembro aos que estão à espera há quase um ano, e que então estarão à espera há 21 meses.

Em Portugal morrem em média 7 doentes por dia à espera de consulta ou cirurgia. Quantos é que ela está a condenar à morte? É só fazer as contas. Mas passa dos 4 mil. Isto em ano de várias eleições. Agora imaginem em 2020, 2021 e 2022...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:15
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Terça-feira, 26 de Março de 2019

Lendas do sul

Uma lenda persistente corre em Lisboa: no Norte é que se come bem!

 

No Norte ninguém diz que em Lisboa é que se come bem. Mas não falta quem, no Norte, tenha pela cozinha alentejana um fraco, e o Alentejo, como é geralmente sabido, fica a sul – ao menos a sul de Lisboa, e, já se vê, do Norte.

 

Donde, não seria má ideia entendermo-nos sobre o que é “comer bem”, a ver se percebemos se isso tem ou não a ver com pontos cardeais.

 

Ponhamos de lado a cozinha gourmet. Não só no Minho, ou Trás-os-Montes, ou nas outras províncias a norte, os restaurantes gourmet são raros (não tanto como desejaria, mas não é o meu propósito entreter-me a cascar nessa cozinha para desnacionais metidos a besta) como em Lisboa não faltam. Não, não é de cozinha conceptual que está a falar, quem fala, quando gaba o que se come cá por cima.

 

Do que está a falar é de tradição. E é verdade que em Bragança, ou Fafe, ou Vila Real, ou Braga, ou Porto, inúmeros outros locais, se encontram restaurantes (mas não para quem apenas procura sem perguntar a quem saiba) onde se cozinha como se cozinhava dantes, sem estados de alma, sem teorias, sem marketing, sem recomendações de jornais e sem ambições de enriquecer, que o negócio só não é modesto precisamente para quem é levado no andor da publicidade dos gastrónomos com coluna nos semanários e, frequentemente, sem a outra coluna, a vertebral, o que os leva a aceitar a oferta da refeição a troco de crítica favorável.

 

O respeito da tradição, e o respeito das regras da arte, chegam se estivermos a falar de comer bem. Não chegam se estivermos a falar de templos da comida. Porque uma coisa é um cozido à portuguesa, dos vários que existem consoante as regiões, com, por exemplo, o muito sanitário porco do supermercado e outra o mesmo cozido com porco criado a lavadura ilegal e morto ilegalmente por processos que arrepiam os votantes do PAN e os apreciadores de animais fofos; uma coisa é uma comum salada com vinagre comum e outra a mesma salada com vinagre feito em casa; assim como o arroz de pica-no-chão criado em explorações, mesmo que com alimentação sã, não é  mesma coisa que o mesmo arroz com animal criado em semi-liberdade e cevado a farelo e couve. Ou seja, boa parte da alta cozinha não mora na cabeça de criadores, mas em práticas que a vida moderna tornou obsoletas, a legislação ilegais e as polícias do gosto higienizado clandestinas.

 

Mas – lamento desiludir os lisboetas – em Lisboa também se come bem. Não no sentido de restaurantes genuinamente de quinta, ou que lá se abastecem, que de todo o modo são raríssimos em qualquer lado e que naquelas partes suspeito que talvez existam mas não conheço. Mas no sentido de comida despretensiosa mas feita com competência e artigos frescos. Caro, é certo, mas em Lisboa a vida está cara.

 

No fim de semana passado fui a Lisboa para a apresentação do Movimento 5.7. Casa cheia, organização competente, discursos oportunos e bem engendrados de três declinações diferentes da direita, assistência entusiasta de gente cansada do socialismo sufocante em que vivemos.

 

Depois, fui a uma cervejaria. Ninguém em seu juízo se lembra de gabar as  cervejarias onde se come marisco decente e pratos de snack tradicional (tradicional sim, a cervejaria é o fast-food avant-la-lettre e é preciso ser adolescente, autêntico ou retardado, e ter acne, para lhe preferir as batatas fritas pré-congeladas e a carne mastigada que se serve nos McDonald’s do nosso descontentamento). As ostras eram excelentes. E o pica-pau (à antiga, dizia a lista) era feito com lombo macio e saboroso, com o molho que a casa recomenda e que, aposto, é o mesmo há décadas. Um lisboeta murmurou: não é como em Matosinhos, mas não está mal! Não estava mal, de facto, e ainda bem que em Matosinhos não é bem assim – não há nenhuma razão para que cada terra não cultive a sua diferença.

 

No dia seguinte, fui almoçar a um restaurante popular (popular na amesendação e na frequência – uma cliente estava vestida com o equipamento do Benfica, que Deus lhe perdoe – mas os preços eram um pouco salgados) e vieram para a mesa ostras, um arroz de lingueirão, linguadinhos fritos com açorda e jaquinzinhos fritos. Tudo fresquíssimo, confecção canónica.

 

Então, em que ficamos? Por que carga d’água os locais, que veem facilmente na cidade superioridades que não existem, e que tendem a ser, mais vezes sim do que não, terrivelmente paroquiais, desconfiam dos seus estabelecimentos?

 

A meu ver, a multiplicação absurda de restaurantes para servir o turista, servindo o lixo a que se convencionou chamar cozinha internacional; mais o falso rústico e o falso tradicional, fundado por gente empreendedora que de comer sabe pouco e de cozinhar ainda menos; as cadeias internacionais que chegam com conceitos;  a prodigiosa quantidade de textos, programas de televisão, notícias em torno do tema da restauração, opiniões de nutricionistas, entendidos, amadores e especialistas:

 

Tudo concorreu para este sentimento de que é necessário regressar à autenticidade. E como lá no Norte está o campo, e a gente que diz palavrões, e esse povo que não é moderno, nem cosmopolita, nem socialista, tem que estar, fatalmente, a boa cozinha.

 

Fantasias. Que de socialistas há avonde, isso é praga que aterrou no país todo, mas boas cozinhas nem por isso. Salvo se, já se vê, inquirirem junto deste vosso criado, que todavia também em Lisboa começa a estar habilitado a ministrar conselhos.

publicado por José Meireles Graça às 15:13
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Terça-feira, 19 de Março de 2019

Marcelo

A Marcelo chamei, no facebook, um “básico”. Uma boa amiga (feminista, das que me restam – algumas, mais radicais, já me puseram a um canto, sob a cominação de “machista”) discordou, achando que ele, de básico, não tem nada.

 

Não tem, de facto. O escrever à flor dos dedos nem sempre propicia a melhor escolha das palavras.

 

Pior: outras pessoas cuja opinião respeito, e que ademais conheceram o homem pessoalmente, descrevem-no como “brilhante”.

 

À minha amiga, que não me comprou o discurso, respondi como segue. E como ninguém duvida de que Marcelo se vai recandidatar, e que a recandidatura será um passeio, parece-me a altura boa para me repetir e explicar como vejo a peça. Razões por que, além de um perverso gosto meio masoquista de me ver isolado na opinião, aqui vai:

 

Marcelo sempre me pareceu um equívoco: não tem, numa vida de escrita e de magistrado da opinião, um dito original, uma frase ou pensamento que não seja uma cedência ao ar do tempo, uma recomendação de um livro que valha a pena porque provavelmente nunca leu senão badanas ou best-sellers; não tem sobre o país, a UE e o mundo senão ideias comuns a qualquer medíocre recém-licenciado em relações internacionais; e o brilhantismo que se lhe reconhece em táctica política decorre da manipulação, em que é mestre, e do faro político para lhe permitir cambalhotas com validade a seis meses. É brilhante - um brilho de lantejoulas. E a sua simpatia, que se toma por natural, não é mais do que um expediente de angariação da admiração de multidões beatas para lhe lisonjear o ego desmedido - quem gosta de toda a gente não gosta de ninguém. A ideia que tem da estabilidade é que é um fim em si e não um meio, porque não sabe para quê. Não é comunista, é crente (provavelmente para garantir a salvação, que aquela peça não dá ponto sem nó) e daria um bom rei constitucional. É um péssimo presidente e deixará, provavelmente, boa memória, como deixam frequentemente os bons vendedores de banha da cobra que não foram descobertos.

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publicado por José Meireles Graça às 21:14
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Quarta-feira, 13 de Março de 2019

In memoriam

Fui hoje à terra do meu avô paterno, para o enterro de uma filha dele. Morte devida há muito, que uma doença debilitante e dolorosa tinha transformado a vida num calvário, todavia suportado com um estoicismo, suspeito, alimentado a fé.

 

Era uma tia que tomou conta de mim num tempo que não lembro, por ser muito novinho. E contou-me, já muito doente e acamada, que o bebé, desde que lhe enchessem adequadamente o bandulho e estivesse seco, queria era dormir, embalado pela camioneta em que se fazia o traslado de uma aldeia para outra, cujas passageiras miravam com encanto o sossego do anjinho, espantadas, parece, com as longas pestanas que eram o enlevo dela.

 

Isto me disse de mão dada comigo, a voz já fraca, imensamente contente pela minha rara visita.

 

Não sei o que foi feito das pestanas e receio que o sono nem sempre seja tão descansado como, a acreditar na história, já foi.

 

Tivesse eu a mesma fé, e a mesma tranquila generosidade que a levou a servir os outros toda a vida – o marido, a filha, o irmão, meu Pai, que assistiu nos últimos meses de vida, e estaria certo de que do lado de lá encontraria as palavras certas para lhe agradecer, se do lado de lá ainda é preciso falar.

 

E daí talvez não, a não ser com uma licença especial. Que se no Além houver a justiça que neste falha, não estaríamos decerto no mesmo lugar.

 

Adeus, tia Fernanda.

publicado por José Meireles Graça às 16:44
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

E a taça por tirar mais combóios de circulação vai para...

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Com a meta das eleições à vista a CGTP está a colocar todas as suas fichas num forcing contestatário e grevista para ver se, num sprint final, o PCP consegue finalmente deixar para trás o lastro de se ter submetido ao PS durante toda a legislatura que lhe custou uma humilhação inédita nas últimas eleições autárquicas onde perdeu para os socialistas um terço das câmaras que ainda mantinha dos velhos tempos da tradicional implantação autárquica comunista. Até para actrizes queques que nunca tinham posto um pé na outra banda perdeu câmaras no coração da cintura industrial de Lisboa.

E há-que lhe reconhecer que tem conseguido impôr perturbações de serviço em todos os serviços, públicos, que no sector privado onde a falência na prestação dos serviços pode conduzir rapidamente à falência das empresas e à destruição dos empregos que elas sustentam as equações são outras, cuja prestação os sindicatos têm capacidade para perturbar. A perda de peso eleitoral do PCP não sido acompanhada por perdas evidentes na sua capacidade de prejudicar toda a gente paralizando os serviços públicos de que toda a gente, principalmente a que depende mais deles por falta de meios para recorrer a alternativas, os pobres, depende.

Será este forcing suficiente para recuperar o atraso com que o PCP entrou na recta da meta eleitoral?

O Público fez simpaticamente as contas e publicou um balanço dos últimos 2 anos, 2017 e 2018, os anos do miolo da legislatura. Citando, 

  • "Em 2017 e 2018, a CP suprimiu nas linhas do Oeste, Alentejo (Casa Branca – Évora) e Algarve 3322 comboios, dos quais 2411 devido a falta de material. As greves explicam a supressão de 855 comboios nestas linhas, tendo havido ainda 56 circulações que não se realizaram devido a ocorrências ligadas com a infra-estrutura. Estes números mostram que no conjunto destes 720 dias, circularam menos cinco comboios por dia do que estavam planeados, devido a este conjunto de circunstâncias."

A incompetência do governo António Costa para manter os comboios da CP em circulação foi responsável pela supressão de 2411 composições nestas linhas por falta de material circulante, que é a consequência das avarias a que o material envelhecido vai sendo crescentemente sujeito, da incapacidade de as reparar por falta de peças sobressalentes, que para ser suprida obriga por sua vez a imobilizar composições para as canibalizar retirando-lhes peças para substituir as peças avariadas nas composições que se tentam manter em funcionamento, da falta de pessoal nas oficinas, reclamam os sindicatos, do recurso ao aluguer de comboios à Renfe que se revelam ainda mais caquéticos que os da CP chegando a deixar cair o motor em plena linha, à absoluta falta de investimento, tanto na reposição como na aquisição de composições novas, tudo radicando na falta de dinheiro que o governo optou por canalizar, talvez com perspicácia eleitoralista, para aumentos salariais da função pública em vez de manter os serviços ao público em funcionamento. Talvez.

Já as greves devidas à competência da CGTP para paralizar os serviços públicos foram responsáveis pela supressão de apenas 855 composições nas mesmas linhas, um terço das supressões devidas à incompetência do governo para os manter a funcionar.

Com uma desvantagem de um para três é muito improvável que com a meta à vista o PCP consiga anular o atraso que que chegou a esta etapa final da legislatura.

Vai perder a corrida, e vai-se tornar até dispensável para apoiar o próximo governo António Costa a quem bastará o apoio do BE para continuar a governar. Quase cem anos de história delapidados no apoio a um vigarista incompetente. Merecidamente.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:28
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Domingo, 10 de Março de 2019

Feminismo. A teoria e a prática.

2019-03-10 Costa, Tadeu, Palla.jpg

A boleia que o primeiro-ministro António Costa apanhou das manifestações feministas do dia da Mulher pondo a render a militância feminista da mãe no seu roteiro meticuloso para pescar votos em todos os segmentos do eleitorado, desta vez lançando as redes ao eleitorado sensível aos direitos das mulheres, como recentemente as tinha lançado ao eleitorado sensível às questões raciais numa pergunta boçal à deputada Assunção Cristas, fez-me recordar a minha mãe.

A minha mãe nunca foi feminista, nem nada que se aproximasse.

Mas logo que acabou o liceu começou a trabalhar nos CTT onde ficou até se reformar, integrou concursos para cargos de chefia dos CTT onde pela primeira vez participaram mulheres, não complementou o apelido de nascença Vilarinho com o apelido Pires do meu pai, e cada um tinha a sua conta na Caixa Geral dos Depósitos.

Em casa tinhamos criada, pelo que na distribuição das tarefas domésticas não havia uma distinção assim tão evidente entre o papel da mulher e o papel do marido, a não ser na culinária, onde ela se dedicava a coisas mais de fundo, nomedamente na doçaria, e ele se limitava a petiscos ao sábado de manhã, que fazia com alguma arte, e ao arroz minhoto magistral, que tinha aprendido com a minha avó. E nenhum deles mandava claramente mais do que o outro.

As únicas coisas que talvez a pudessem associar aos estereótipos do binário de género heteropatriarcal eram nunca ter fumado, nunca ter usado calças, e nunca tirado a carta de condução por achar que conduzir lhe fazia nervos. E, vá lá, tricotar e fazer crochet.

Como eu não atribuía a nenhuma destas coisas uma conotação de submissão, e como a minha mãe toda a vida praticou sem pregar a igualdade de género, não tive a oportunidade de crescer num mundo heteropatriarcal sufocante nem de me formar nos valores da insubordinação contra as indignidades que impõe, principalmente às mulheres, por mais que alguns filósofos da moda insinuem que não, pelo contrário. Perda a minha.

E ao lembrar-me dela lembrei-me também de uma feminista encartada portuguesa, pioneira há décadas de causas igualitárias como a despenalização do aborto, e que pelo pioneirismo quase se pode reclamar titular do franchise em Portugal de Maio de 68 e do feminismo.

E lembrei-me porquê? Por semelhança com a prática da minha mãe? Não, por contraste com ela.

Como disse acima, a minha mãe manteve por toda a vida o apelido de solteira, nenhuma das duas mulheres com quem casei alterou o apelido por se ter casado comigo, e eu não tenho nada contra as pessoas que adoptam o apelido do cônjuge, nem contra o desequilíbrio estatístico abissal entre o número de mulheres e de homens que o fazem, que faz com que seja mais realista sem perder em rigor estatístico falar de mulheres que adoptam o apelido do marido do que de pessoas que adoptam o apelido do cônjuge. Apenas não foi assim que eu cresci e vivi. E, mesmo sem ter nada a criticar, não deixo de considerar, mesmo correndo o risco de cair na alçada dos vigilantes da ideologia do género, que também os há a par dos vigilantes da homofobia ou da misoginia, a adopção do apelido do marido um indício de uma submissão das mulheres aos homens em que não fui educado.

Já a tal feminista mítica casou três vezes e ficou para sempre com o apelido do segundo marido. Não o do primeiro, não o do terceiro, mas o do segundo. Não sei porquê, nem me interessa, nem tenho nada a ver com o assunto, nem tenho, como expliquei acima, nada a censurar ou sequer a criticar.

Mas não consigo deixar de pensar que, se a minha mãe praticou sem pregar a igualdade de género, há feministas que a pregam sem praticar.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:52
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