Quarta-feira, 16 de Novembro de 2016

Ética, da republicana e socialista

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A definição de ética mais simples e clara de todas as que fui conhecendo ao longo da vida é fazer em privado o mesmo que se faria se fosse tornado público. Por outras palavras, fazer sempre o que não nos envergonha.

Tem limitações. Uma pessoa totalmente destituída de valores, e há-as, não se envergonha de fazer em público coisas que embaraçariam a generalidade das pessoas normais, pelo que, para ela, tudo o que faça é ético no sentido que esta definição dá à ética. Só é aplicável a quem tem vergonha na cara. Mas a generalidade das pessoas têm, pelo menos, alguma. Se cuspirem no chão, dão previamente uma olhadela em redor a ver se ninguém as está a ver. Se lhes for perguntado se cospem no chão numa sondagem de opinião, respondem que não. Um provável, mas não o único, motivo para determinadas sondagens tenderem a fazer previsões que não se confirmam.

Tem ainda uma vantagem não negligenciável para uma definição teórica: é verificável. Quando se altera por ter sido tornada pública uma coisa que se tinha feito em privado verifica-se uma desconformidade a esta definição de ética.

Ontem soube-se pelo Correio da Manhã, é sempre pelo Correio da Manhã, jornal de leitura tão proibida ao leitor sofisticado, informado e progressista quanto O Crime do Padre Amaro ao jovem leigo da Opus Dei, que são tornadas públicas as pequenas misérias humanas com que os jornais mais sofisticados evitam incomodar os seus leitores ocupados a resolver os grandes problemas do mundo, como por exemplo distingir a fumarola da escarreta, que o turco Mustafa Kartal que em Abril enfrentou sozinho com uma faca de kebab o bando de mais de vinte jovens arruaceiros armados que lhe invadiu o restaurante no Cais do Sodré para o desfazer, ao restaurante e ao turco, andava há quatro meses a ser levado pelos serviços da embaixada portuguesa em Ancara com o clássico "Pedem-me um documento, eu entrego e depois dizem-me para esperar. Depois pedem-me outro papel qualquer e a situação repete-se" com que os burocratas desarmam qualquer turco, mesmo dos que enfrentam sozinhos bandos de arruaceiros armados, depois de ter ido à Turquia visitar a família que não lhe cabe no visto.

De manhã foi anunciado pelo Correio da Manhã e, ainda não se tinha posto o Sol, o turco já tinha o visto para regressar a Portugal e ao restaurante cuja gestão estava entregue ao único empregado aflito com a responsabilidade inesperada.

O Ministério dos Negócos estrangeiros teve vergonha. E corrigiu quando foi tornado público aquilo que vinha fazendo em privado. Não teve ética. Mas teve vergonha.

Também há dúvidas sobre a conformidade com a ética do processo de nomeação da administração da Caixa Geral dos Depósitos em que governantes socialistas fizeram em privado aos gestores promessas sem fundamento legal, que depois tentaram sustentar com uma lei à medida, que o presidente promulgou.

Quando o esquema foi tornado público, o presidente descartou para os outros resolverem, o primeiro ministro descartou para os outros resolverem, o Partido Socialista descartou para os outros resolverem, o ministro das finanças descartou para os outros resolverem, toda a gente envolvida descartou para os outros resolverem. Envolvendo os outros sempre o Tribunal Constitucional, para além de alguns dos outros que cada um deixa para trás na corrida para apanhar um lugar no salva-vidas do navio a naufragar. Não houve falta de ética. Simplesmente porque nenhum dos envolvidos tem o nível de vergonha mínimo para a ética ser chamada a participar nas suas decisões. Sem vergonha não há falta de ética, apenas falta de vergonha.

Não se tendo provado desconformidade com a ética, os réus podem seguir em paz. Custas pelo autor.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:26
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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

A incrível e triste história do banqueiro Domingues e da sua consultora desalmada

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Quando foi convidado pelo nosso querido governo para vir um dia no futuro a ocupar o lugar de presidente dos conselhos de administração, o executivo e o completo, da Caixa Geral dos Depósitos, logo fossem removidos pelo ministro das finanças e com a nossa ajuda pecuniária todos os obstáculos que se erguiam entre os desafios do empreendimento e as exigências dele para os enfrentar, nomeadamente de ter à sua disposição cofres cheios, os da CGD e os dele, acumular o lugar de presidente do CA com o de presidente executivo, para poupar ao presidente executivo a humilhação de ter alguém acima dele a fiscalizá-lo, e de poder manter discreção sobre o seu património para evitar o incómodo de ser vasculhado como os políticos são, a McKinsey foi convidada para fazer um plano de negócios e capitalização para a CGD, recomendando, nomeadamente, as necessidades de reforço de capital que nós gentilmente lhe devemos proporcionar, o modelo estratégico e organizativo, em suma, as coisas do costume.

Quem a contratou?

Ninguém. A administração da CGD corrida para lhe vagar o lugar, certamente que não. O Ministério das Finanças, népia!

Quem lhe vai pagar?

Os otários do costume. Eu e os meus amigos e leitores. Três milhões de euros, nada de especial. O banqueiro chegou ao banco e a primeira coisa que fez com a sua nova autoridade foi mandar o banco pagar a conta.

A questão é que é surpreendente a McKinsey aceitar uma encomenda informal de 3 milhões que não foi encomendada por ninguém. Se o António Domingues desistisse a meio do processo de admissão, nomeadamente por o esforço e diligência incansáveis do ministro Mário Centeno não serem mesmo assim suficientes para atingir os objectivos que lhe estabeleceu de remuneração e opacidade, e ainda não é garantido que venham a ser, assim como os de nível enchimento dos cofres, que também não é,

a) seria ele a pagar à McKinsey?

b) a McKinsey arriscou um eventual calote, uma encomenda de alguém que podia não a pagar?

c) algum governante se atravessou como fiador clandestino do negócio com o nosso dinheiro?

Eu cá não sei ao certo, mas tendo a acreditar na hipótese c).

 

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:26
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Gente de posição

 

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O Ministério das Finanças não quer mostrar todos os números que permitem avaliar o Orçamento. Só o fará contrariado, sabe Deus em que condições, depois de a UTAO dizer que isto assim é ilegal.

 

No gabinete do primeiro-ministro há mais um doutor (ou engenheiro?) da mula russa. Não se percebe o motivo: para exercer cargos políticos não é obrigatório ter um título académico. Ou percebe: esta gente sem experiência nem currículo não tem outra maneira de se fazer respeitar socialmente. E assim arranja uma licenciatura falsa, que dura até ser descoberta, para forçar um estatuto e fingir uma superioridade igual à de qualquer um. Verdadeira ou de fancaria, quem é que hoje em Portugal não tem uma licenciatura?

 

Os senhores administradores do banco do Estado são deixados em sossego, dispensados de entregar declarações de rendimentos e de interesses; quem recebe as pensões mínimas prepara-se para ficar sujeito a "condição de recursos", que o mesmo é dizer que o Estado não lhes dá uma moeda sem antes lhes virar a vida do avesso. Talvez levem uma sopa em troca da privacidade.

 

Bruxelas, incompreensivelmente, não acredita nas contas do governo. Exige informação adicional para decidir se lhes aprova o papel ou nos corta os víveres.

 

Ao princípio, quando as esquerdas se entenderam nesta “posição”, parecia que íamos ficar entregues a um comando de oportunistas desmoralizados. Pouco a pouco as dúvidas desaparecem.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 13:32
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Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Tudo o que sempre quis saber sobre economia especulativa de casino *

* mas teve vergonha de perguntar.

Mais um complemento ao MBA rápido para jovens socialistas que pretendam vir a assumir a pasta da Finanças em governos socialistas. Nunca deixamos os nossos alumni ao Deus dará.

Do Mário Soares ao Francisco Louçã, da Catarina Martins e das manas Mortágua ao João Galamba, à Ana Catarina Mendes, ao Pedro Nuno Santos, os socialistas do Tempo Novo, até os comunistas da velha guarda tão resistentes a aderir ao folclore da moda, toda a gente que conta fala de economia especulativa de casino.

Mas afinal o que é economia especulativa de casino? Sabe? Não sabe e passa pela vergonha de não perceber bem o que é que eles lhe dizem com tanta convicção ou vê-se mesmo forçado a evitar meter-se em discussões para disfarçar a sua ignorância? Tenho a resposta para si!

Economia especulativa de casino é vender títulos de dívida de alto risco de não virem a ser remunerados e reembolsados nos termos contratualizados, e compensar esse risco com a promessa de juros altos para aliciar os investidores com maior preferência pelo risco ou os mais aversos ao risco mas incautos.

Por exemplo? As obrigações subordinadas que o governo socialista vai mandar a CGD emitir para vender a investidores privados no âmbito do seu processo de recapitalização.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:11
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Sábado, 2 de Julho de 2016

Give me three good reasons why CGD should be a government owned bank

Parafraseando a Rainha Isabel, "Give me three good reasons why CGD should be a government owned bank".

Eu consigo, de memória, enumerar uma série de razões para manter a Caixa Geral dos Depósitos como um banco público. Mas serão boas razões? Vamoláver.

  • "...trata-se de uma grande instituição que todos acham que deve continuar uma instituição portuguesa, pública e forte...", como afirmou o presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

A razão seria inegavelmente boa, em democracia, se fosse verdadeira. Se todos querem, deve ser assim. Só que não é verdadeira. Há pelo menos um português que fica feliz da vida se a CGD continuar a ser um banco forte, admitindo que actualmente é forte, o que pode estar longe de estar provado, lhe é mais ou menos indiferente que seja portuguesa ou não, mas admitamos que no contexto da selecção a bater-se pelo Euro 2016 o brio nacionalista até o sensibiliza para a preferir portuguesa, mais por afecto do que por razão, e prefere declaradamente que não continue a ser uma instituição pública. Eu. E, como eu, tenho a impressão que há mais. Em resumo, não são todos.

  • "...um país sem um banco público forte não é um país...", como afirmou o senador socialista Jorge Coelho.

Esta razão também parece boa, puxa pelo brio dos portugueses, pela auto-estima que tanta falta lhes dizem que lhes faz. Mas, infelizmente, é falsa. Há evidência empírica que sustenta que há países que são mesmo "países" que não têm bancos públicos, como por exemplo os Estados Unidos da América. Para não falar na evidência que todos os países "de opereta" os têm, pelo que não é a existência de um banco público que nos garante termos um "país", nem é garantido que hoje em dia o tenhamos, apesar do banco público.

  • "...entre 1998 e 2008, a Caixa Geral de Depósitos pagou 2.7 mil milhões em dividendos ao Estado. Todos os outros bancos pagaram zero...", como disse o deputado socialista João Galamba.

Está bem visto. Os contribuintes são chamados a financiar, em menor (BES) ou maior (BPN, Banif) grau, o resgate de bancos cuja falência poderia implicar o risco de desencadear uma hecatombe na economia nacional, e, do mal o menos, antes gastem o dinheiro do resgate em bancos públicos que, quando o negócio lhes corre bem, pagam dividendos ao Estado. Só que, azar dos azares, o balanço entre os dividendos pagos pela CGD ao Estado e o dinheiro que a CGD recebeu ou receberá a breve prazo através de injecções de capital ou pela alienação de activos desde o início do século XXI é deficitário em mais de um milhão de euros por dia. E já lá vão muitos dias.

  • "Um banco público forte pode intruduzir no mercado alguma regulação que contrarie eventuais abusos da banca comercial sobre os consumidores", como digo eu, que também quero ajudar a manter a CGD pública.

A banca é uma indústria altamente concentrada com um número muito reduzido de instituições de grande dimensão e poder negocial, que servem milhões de pequenos clientes sem nenhum poder negocial, condição que, qualquer almanaque de micro-economia esclarece, propicia a formação de cartéis no seio dos quais as instituições prescindem de concorrer entre si à custa da exploração dos consumidores (lá está a minha faceta de esquerda) mas também do crescimento económico (e aqui, a minha faceta neoliberal), por exemplo, concertando preços. Claro que a CGD é muito útil para quebrar eventuais concertações entre os bancos para, por exemplo, cobrarem comissões aos pequenos depositantes. Azar dos azares, uma prospecção de mercado recente para abrir uma conta para um pequeno condomínio revelou-me que a CGD, não apenas não é o banco que impõe aos pequenos depositantes tarifas mais baixas, como é exactamente o que lhes impõe tarifas mais altas. Lá se vai a minha ambição de banqueiro de esquerda...

  • "...importância da CGD como instituição de referência no sistema financeiro, e parceiro de desenvolvimento na economia...", como diz o ministro das Finanças Mário Centeno.

Esta razão parece apelativa, quem não quer ter um parceiro para ajudar o governo no desenvolvimento da economia? Eu não quero. Esta é, infelizmente, é a melhor razão para privatizar a CGD, não apenas para a defesa dos contribuintes, mas para a defesa da instituição, que foi sangrada ao longo da história por sucessivos governos que a obrigaram a apoiar negócios estratégicos e emblemáticos, mas ruinosos, sendo que, curiosamente, todos os negócios ruinosos que vêm à memória de quem puxa por ela parecem ter sido da iniciativa de governos socialistas, os que têm, por motivos ideológicos, mais apetência por intervir na economia, e intervieram e continuam a intervir.

Chegado aqui, com cinco razões para manter a CGD na esfera pública enumeradas, mas sem ter ainda descoberto uma única que fosse boa, deixo o meu apelo aos leitores para que me ajudem a encontrar: dêem-me três boas razões para manter a CGD como um banco público? Duas, ou mesmo uma, já seria uma boa ajuda...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:56
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2016

There is no such thing as public money, it's your money

Como é que vão ser pagos os cinco mil milhões de euros que o governo português vai injectar na Caixa Geral dos Depósitos para cobrir as imparidades resultantes da utilização do banco público como porta-moedas dos governos socialistas para financiar a economia e projectos estratégicos, reforçar os rácios de capital do banco e, porque não, deixar lá um ou dois mil milhões de sobra para gastar com os amigos financiar a economia?

  1. Por um aumento de impostos?
  2. Pelo que resta da almofada financeira constituída pelo governo anterior para fazer face a adversidades imprevisíveis que afectassem o acesso aos mercados?
  3. Por novas emissões de dívida pública?
  4. Passando pelo OE e contribuindo para o cálculo do deficit público?
  5. Passando por baixo da mesa e não afectanto o deficit publicado?

A resposta certa é "Vão ser pagos com o vosso dinheiro".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 13:00
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Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Três macacos sábios

O governo tenciona injectar, se Bruxelas lhe permitir, quatro mil milhões de euros dos contribuintes na Caixa Geral dos Depósitos para tapar a cratera aberta por sucessivos governos que, sempre que quiseram brincar aos capitalistas, o fizeram com o dinheiro da CGD. Coisa insignificante, cerca de 400 euros por português, 1.200 por cada agregado familiar de 3 pessoas, como o meu.

Sem pretender ser exaustivo, vêm-me à memória algumas dessas brincadeiras com expressão sonante:

  • O take-over hostil do BCP pelo Partido Socialista através de um sindicato de voto informal, de modo a contornar as limitações de voto dos estatutos do banco, formado por testas de ferro financiados a fundo perdido pela CGD para comprar lotes de acções, oferecendo como garantia apenas as acções compradas com o financiamento, e era só o que faltava que os testas de ferro tivessem que dar garantias pessoais para participar num plano montado pelo mandante, sob a batuta do primeiro-ministro José Sócrates e do governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio, que resultou na conquista da presidência e da vice-presidência do conselho de administração do BCP pelo presidente e pelo vice-presidente da CGD, Santos Ferreira e Armando Vara. Como as centenas de milhões de acções foram compradas a cerca de 4 euros cada e ontem valiam 4 escudos, toda a operação resultou em buraco que pode ter perto de mil milhões de euros de extensão.
  • A nacionalização do BPN, deliberada pelo governo do José Sócrates, e a cobertura do respectivo buraco, com uma dimensão da ordem dos 5 mil milhões de euros, com o dinheiro da CGD, para variar.
  • A recusa do governo actual em vender em leilão, tapando uma parte, ainda que pequena em termos relativos, do buraco do BPN aberto na CGD, parte do património adquirido pela administração do BPN, que o ajudou a abrir, nomeadamente a colecção de Mirós que esteve para ser alienada por um valor próximo dos 100 milhões de euros mas cuja alienação foi protelada por providências cautelares de, entre outros, deputadas do grupo parlamentar do PS, até ser definitivamente anulada pelo novo governo que os ofereceu ao Pacheco Pereira para mostrar ao povo.

O que têm em comum todos estes buracos tapados pela CGD à custa de uma cratera na própria CGD? Foram todos deliberados pela tutela, sendo a tutela governos do PS. Terá havido certamente mais buracos, e provavelmente da responsabilidade de outros governos, e de governos de outros partidos, mas os que me vêm à memória a partir da informação pública são estes. A quem conhecer outros exemplo, agradeço a enumeração.

A esquerda parlamentar tem, no que já é quase uma tradição, montado comissões de inquérito parlamentares para tudo e mais alguma coisa relacionado com problemas de gestão de bancos privados, que funcionam como autênticos circos mediáticos onde as estrelas, frágeis jovens domadoras bloquistas, comunistas e socialistas, enfrentam as feras, banqueiros que antes eram os donos disto tudo mas agora são submetidos ao respeitoso "senhora deputada para aqui, senhor deputado para ali", e nem podem responder com um "cresce e aparece".

Tinha agora uma oportunidade ímpar de montar uma comissão de inquérito à CGD para, juntando todos os buracos privados, discutir a cratera pública que resultou deles. Mas não lhe está a apetecer. O macaco Tiago não quer ouvir, o macaco Galamba não quer falar e a macaca Mortágua não quer ver. A CGD não lhes interessa.

Já se lhes levantam acusações de incoerência, admitindo que eles gostam de ir até ao fundo na denúncia de casos de má gestão privada de bancos, mas não se entusiasmam por aí além por expôr e aprofundar casos de má gestão pública de bancos, pelo que não querem investigar os problemas da CGD.

Mas não, não se trata de incoerência. Trata-se simplesmente de um gesto de cumplicidade com a quadrilha que abriu a cratera na CGD para esconder o roubo que esteve por trás do rombo. Não são macacos sábios, são apenas macacos aldrabões a proteger o macaco ladrão e permitir-lhe a continuação da actividade criminosa.

Que, aliás, reconhecendo que a mama da CGD secou de tanto espremida, já tratou de diversificar, e se prepara para fazer o próximo grande rombo nos fundos da Segurança Social para financiar operações de especulação imobiliária reabilitação urbana. É preciso pôr o dinheiro dos reformados a circular, e nada melhor do que entregá-lo aos amigos da construção civil para o reciclar. Se o dinheiro se perder, algum governo neoliberal tratará de fazer as reformas no sistema de pensões para ele não colapsar. Os neoliberais são suficientemente cruéis para isso.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:13
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Quinta-feira, 2 de Agosto de 2012

Medalha de ouro em tiro nos pés

 

 

Já não conto as excepções aos cortes aplicados aos vencimentos dos trabalhadores do Estado.

 

Entendamo-nos: se não houvesse excepção nenhuma, nem por isso as contas do Estado ficariam significativamente melhores - estamos a falar, em relação à dimensão do problema das contas públicas, de peanuts; em alguns casos haverá gestores que poderiam ser tentados a pegar nas malas e passar-se para a concorrência ou sair da função pública. E até pode ser que a concorrência queira um ou outro, e que a saída deste ou daquele causasse um dano de valor muito superior ao da poupança; há, já agora, quem tenha recusado funções públicas por não aceitar o que o Estado paga, e isto ainda antes das reduções.

 

Mas: i) Suspeita-se que as empresas públicas (e as privadas, quando vivam em conúbio com o Estado) estão inçadas de gestores e consultores de aviário, e tais suspeitas são legítimas face aos casos que se conhecem e ao peso absurdo que o Estado tem na vida económica; ii) Os brilhantes gestores pagos a peso de ouro no banco público (nos privados também, mas isso só é da nossa conta porque somos chamados a empréstimos e garantias forçadas a que os restantes sectores da economia não têm acesso) deram com os burros na água de uma forma de tal modo gritante que conceder-lhes qualquer benefício da dúvida já é muito; iii) A política é a arte do possível, e não é possível esperar compreensão de quem sofreu reduções e assiste pávido às excepções de que são objecto alguns ungidos cujo principal mérito é terem passado e números de telefone. Para já não falar do Banco de Portugal, que, parece, vive em regime de extraterritorialidade para efeitos de nos vir ao bolso.

 

O passado, em muitos casos, não se recomenda; e fora melhor que toda esta gente se limitasse a ter os números de telefone de fornecedores e clientes.

 

Deve haver quem no Governo ache que ganha com isto; e que zangar-se com quem conhece é muito pior do que zangar-se com quem não conhece. Faz mal: quem conhece são meia dúzia de gatos de fatos às riscas e com egos do tamanho da estupidez; e quem não conhece é o resto.

 

São milhões. E nem a paciência é tão grande como se imagina, nem a memória tão curta como se supõe.

 

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publicado por José Meireles Graça às 15:24
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