Esta semana foram publicados dois artigos muito engraçados. O primeiro de Pacheco Pereira que foi aqui mencionado e o segundo de Luís Aguiar Conraria (fazendo uma enorme confusão entre liberais, direitistas e conservadores católicos) publicado hoje no Observador. Artigos engraçados, porque - que diacho!, a direita liberal (eles "brincam" como se aquilo a que chamam direita liberal fosse do PSD e CDS e não apenas assumisse o mal menor na gestão do Estado) não está no poder nem é previsível que o venha a ocupar nos próximos anos mas mesmo assim os dois esquerdista militantes elegem-na como assunto dos tais artigos. Não acham estranho? A que se deve tão honrosa atenção?
Penso poder dar uma explicação. Quer Pacheco, quer Conraria, que são homens inteligentes da nossa esquerda lusitana vêem com antecedência de onde vem o risco para o seu quadrante político. Sim, porque ele vem daquilo a que ambos chamam direita liberal mas não está actualmente representado em qualquer partido do sistema, excepto em algumas pessoas liberais que fazem entrismo com muitas dificuldades. Perceberam-no muito bem. Porquê?
Porque os mesmos que, discretamente, andam há anos a alertar para os perigos, risco e erros do actual caminho, estão tranquilamente a verificar como a esquerda irá esbarrar inexoravelmente na realidade e à espera do momento para poder aparecer (Pacheco e Conraria intuíram-no bem). E, a realidade é que não há um, um único, país esquerdista europeu ou do resto do mundo que seja rico como a esquerda gostaria. O expoente europeu é a Grécia. A França luta com enormes dificuldades, a Espanha não faz geringonças, a Itália está nas mãos de um liberal centrista e a recuperar sofrivelmente de anos de esquerdismo militante (Berlusconi é um estatista e corporativista, Monti que evitou o colapso, um liberal europeísta). O que isto significa para Portugal? Que o tempo de alimentar os delírios estatistas da tal esquerda militante também aqui irá acabar, ou então o povo deixa-nos ir pelo caminho da Grécia com o objectivo Venezuela, mas devemos ter mais fé que isso nos portugueses, não acham?
Os exemplos de países bem sucedidos, onde a pobreza foi e está continuamente a ser reduzida são geridos por princípios liberais (Alemanha ordoliberalismo, Irlanda centro-direita, Reino Unido centro-direita e etc.) ou quando na alternância os partidos mais à esquerda ocupam o poder têm políticas que para o nosso burgo seriam da tal direita radical que Pacheco aponta.
Logo, caros Pacheco e Conraria, não tomem as nossas dores por vossas, que estamos bem e nos recomendamos, esperando tranquilamente a chegada do momento em que ficará óbvio, cristalino e límpido para todos os eleitores portugueses que o caminho da esquerda, sempre com a boca cheia dos pobres enquanto mantém as rendas de uma clique privilegiada, apenas leva a mais dívida e resgates, mais pobreza para todos e ausência de desenvolvimento sustentado.
Calma e tranquilamente.
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