Acho mal que se venda. Ninguém com juízo dará dinheiro que se veja pelo trambolho, a menos que o pudesse implodir, para utilizar o terreno, o que evidentemente não é permitido: Souto Moura tem prémios no estrangeiro e o estrangeiro tem um sentido estético apuradíssimo. De resto, a casota, como por exemplo as obras de Saramago e os filmes do ex-futuro habitante, é imensamente cultural, como se prova pelo Pritzker de um, o Nobel de outro e os 17 críticos franceses que, de óculos, cenho franzido e ar meditabundo, consideram o último um génio.
Se é difícil vender, e não se pode deitar abaixo, nem ocupar com gente de representação, nem arrendar para instalação de um ginásio, ou loja de reparação de telemóveis, por evidente desrespeito aos dois génios - o que projectou o abrigo e o que não se quis lá meter - que fazer?
Dou aqui, com humildade, duas - duas - sugestões:
1. Monumento ao socialismo: basta instalar uma placa com os originais dizeres "Monumento ao Socialismo" e o tempo se encarregará de lhe conferir um cunho hiper-realista e, em simultâneo, marcadamente simbólico - já neste momento se nota aqui e além alguma corrosão dos materiais, originada possivelmente por restrições dos mercados financistas;
2. Pelourinho: caiu injustificadamente em desuso esse poderoso símbolo do poder municipal. Seria uma excelente oportunidade para, com algum recato, restaurar as nossas vilipendiadas tradições, instalando o instrumento de justiça e justo castigo corporal na sala principal. A inauguração poderia ser feita com, por exemplo, cem chibatadas, com adequado acompanhamento do médico de família, nos lombos municipais de Nuno Cardoso e dos outros edis que nos esbulharam de mais de dois milhões de Euros. Justa retribuição e exemplo para edificação dos decisores na conveniência de respeitarem o contribuinte.
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