Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Falemos de sexo

Cinquenta anos depois da revolução sexual chegou a contra-revolução sexual e, num mundo em que a esquerda tomou as rédeas da fiscalização da moral pública e dos bons costumes, o puritanismo ganhou.

Hoje em dia o problema mais sério que qualquer humano sexuado tem para resolver deixou de ser conceber formas de manifestar o interesse sexual por uma parceira ou um parceiro com sucesso, ou seja, de modo a suscitar reciprocidade no interesse, mas como pode manifestá-lo dentro da lei, ou seja, de modo a não arriscar a exposição à censura ou ao ridículo social, ou mesmo uma pena de prisão. Para um encontro em que se deposite alguma esperança deve-se levar, não uma embalagem de preservativos, mas o Código Penal.

Não admira nada a afluência aos acampamentos do BE onde os meninos podem ver meninas nuas no duche ou são organizados combóios onde podem aproveitar, e até são incitados a fazê-lo, para se apalparem uns aos outros, tudo em ambiente controlado como gosta a nova moral esquerdista para autorizar o exercício do pecado em qualquer das suas vertentes, seja a do sexo, a de consumir substâncias ilegais, ou a do exercício de qualquer actividade económica. É legal, e é o que há.

2017-12-10 Reiser Vivent les femmes.jpg

Mas as acusações de assédio sexual com mais de trinta anos que se andam a relevar quase diariamente, sempre envolvendo figuras públicas, começam a meter nojo.

Em caso de assédio sexual, digno de mulher com M grande, ou de homem com H quando é o caso, é dar uma bofetada ou uma joelhada nos tomates ao autor do assédio. Em não o avaliando possível ou aconselhável por qualquer motivo, por exemplo pelo ascendente físico do autor sobre a vítima, apresentar denúncia pública ou mesmo queixa policial na primeira oportunidade. Em havendo em jogo interesses, por exemplo profissionais, que as tornassem demasiado penalizadoras para a vítima, esperar para as apresentar quando o assédio em local de trabalho começasse a ser social e criminalmente penalizado e as vítimas protegidas de retaliações, e em Portugal já começou há mais de vinte anos.

Quem não aproveitou todas as oportunidades que teve para o fazer e faz agora, passados mais de trinta anos, revelações sobre alegadas tentativas de assédio sexual, todas tendo como autores figuras públicas, chega a parecer que os anónimos e os pobres não as faziam, a surfar a crista de uma onda de denúncias quase todas impossíveis de provar por ser a palavra das vítimas contra a dos agressores mas de que também é impossível aos acusados ilibarem-se por ser a palavra dos agressores contra a das vítimas, parece-me motivado por outros objectivos que já não são o de obter justiça e reparação para uma situação de que se foi vítima. Não acredito em nenhuma, e acho que merecem ser tratadas como injúria e difamação. Por mim, podem meter as denúncias num sítio que eu cá sei. E que não revelo para não cometer nenhum atentado à moral vigente, ou mesmo uma ilegalidade.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:31
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1 comentário:
De José Domingos a 10 de Dezembro de 2017 às 22:34
Os novos inquisidores, a justificar a (miserável) existência

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