Sábado, 16 de Dezembro de 2017

Jurisprudência trabalhista

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E quando finalmente cumprirmos Abril, ou mais prosaicamente quando chegarmos ao socialismo cujo caminho andamos a percorrer desde 1976 guiados pela Constituição e fiscalizados agora pelo Tribunal Constitucional para garantir que a cumprimos, como é que vai ser trabalhar no paraíso que será o Portugal Socialista?

No domínio do trabalhismo a autoridade suprema em Portugal é o PCTP/MRPP, o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses, e como é o dos trabalhadores é a ele mesmo que devemos ir beber a jurisprudência que um dia regulará as condições de trabalho em Portugal.

E no PCTP/MRPP a doutrina laboral é clara,

  • "...quando o camarada Espártaco suspendeu o seu trabalho profissional para dedicar-se a ajudar o Partido a tempo inteiro, foi deslocada pelo comité central para assessorá-lo a sandrinha do Bulhão. O seu trabalho de assessora consistia na gestão da agenda, na gestão do escritório e no processamento de textos manuscritos do camarada. Quando a sandrinha do Bulhão entrou na assessoria de Espártaco foi-lhe explicado qual era o horário de trabalho, atendendo a que a regressada de França foi apresentada como militante do Partido: entrada às 07H30 e sem hora de saída, pois trabalhar-se-ia enquanto houvesse trabalho para fazer, aos sábados e aos domingos também. Fosse como fosse, nunca se saía antes das 20H00".

[Para os poucos que não são leitores regulares do Luta Popular devo fazer uma breve apresentação dos personagens: o camarada Espártaco, é uma figura em ascensão no partido desde a queda em desgraça do renegado anti-marxista e anti-comunista primário Garcia Pereira, o Bulhão é outro renegado da laia deste último, e a sandrinha do Bulhão é sobrinha dele.]

Porém, os comunistas também têm períodos de coração mole,

  • "...atendendo a que a sandrinha do Bulhão vivia com um companheiro – que se veio a saber ser um responsável da organização do PSD em Benfica!... – foi dispensada do trabalho nas tardes de sábado e nos dias de domingo".

Mesmo assim nem todos os trabalhadores têm pedalada para desempenhar as tarefas que lhes são distribuídas pelo Partido e,

  • "...a sandrinha do Bulhão não aguentou duas semanas de trabalho!... Saiu numa sexta-feira, alegando que precisava de levar o companheiro ao médico, e nunca mais voltou, desertando do trabalho e do Partido… Foi um alívio para Espártaco, que deixou de ter uma agente do PSD no controlo directo do seu escritório".

O Partido lá teve que continuar, que há vida para além da sandrinha do Bulhão. Para atalhar razões,

  • "...são muito duras as tarefas de um comunista. Um comunista não tem, para o seu Partido e para a luta proletária, horário de trabalho. Trabalha a qualquer hora, noite e dia, e não tem muita hipótese de saber o que são férias".

Mais nada! Venham eles, que cá os esperamos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:42
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