Sábado, 30 de Julho de 2016

Leitura matinal do "The_Portuguese_Crisis_and_the_IMF v2" - Relatório do IEO para o FMI

Matutinamente tive tempo para ler as 101 páginas do Relatório que a imprensa nacional e internacional tendenciosa diz ser uma grande crítica à intervenção do FMI em Portugal. Varoufakhis embadeirou em arco, os jornais portugueses falaram em "Mea Culpa do FMI", todos os nossos esquerdistas foram unânimes em referir o aspecto crítico para o FMI.

Ora bem, da leitura do texto e anexos, o que se revela é que o documento é, depois do programa da Troika para o PAEF, talvez o melhor documento elaborado sobre a situação de Portugal. Considera, com grande vantagem para o enquadramento, os anos que antecederam a necessidade do programa e explica muito bem os motivos para a não satisfação dos requisitos iniciais do PAEF.

Se é uma grande crítica, o Relatório, é-o sobretudo da forma como foi implementado o programa e das dificuldades que a cultura portuguesa e preparação das suas gentes criaram ao ajustamento. Por diversas vezes menciona o Tribunal Constitucional para o falhanço na redução da despesa.

Espero que todos os esquerdistas que até agora foram tão lestos a partilhar as notícias dos nossos paupérrimos media sejam igualmente velozes na leitura e interpretação do paper que deveria ser lido por todos quantos se interessam por Portugal. E não vale apenas pela história recente, mas também para percebermos que os riscos que nos levaram ao PAEF permanecem e estão aí de novo a agravar-se.

Fiz um resumo com screen-shots do relatório em 4 páginas com os aspectos que achei essenciais para poupar a leitura das 101 páginas. Está, aqui.

O link para o relatório completo, aqui

Boa leitura.

publicado por João Pereira da Silva às 09:28
link do post
De Miguel Madeira a 30 de Julho de 2016 às 13:47
Portanto o relatório diz que os efeitos recessivos foram subvalorizados, que o multiplicador era mais alto do que se pensava, e que os argumentos contra a reestruruação da dívida não são tão fortes como tudo isso, e que as uniões monetárias são mais frágeis do que se pensava. E...?

Sim, é verdade que o relatório também diz que há muita despesa com as empresas públicas e com as PPPs, que as decisões do TC levaram a que o ajustamento tivesse sido feito sobretudo pelo lado da receita e não da despesa, e que os salários são demasiado elevados (e que a TSU poderia ter reduzido-os ao nível de equilibrio) - mas esses pontos (defesa da redução da despesa pública e dos custos do trabalho) já faziam parte da doutrina do FMI; o que é relevante são as novidades.
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