Domingo, 19 de Janeiro de 2020

O discurso da derrota

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Filiei-me no PSD na semana a seguir às eleições legislativas de Outubro de 2015, quando percebi que não havia meios constitucionais para impedir a formação de um governo sustentado parlamentarmente numa frente de esquerda radical, mesmo que o presidente da república se opusesse, como opôs sem procurar disfarçar a oposição a coberto da equidistância a que se encontrava obrigado, a essa reviravolta constitucional inédita ao resultado das eleições.

E filiei-me para me colocar ao serviço do PSD no combate pelo projecto político que estava a travar e pelo qual eu combatia a título individual e autónomo com os meios que tinha disponíveis como frequentador das redes sociais, o projecto de libertar o país do peso excessivo do Estado que o imobiliza e sufoca e em inúmeras situações condena à mediocridade, uma mediocridade que chega a matar, de viabilizar um Estado Social solidário sustentado em critérios de eficiência económica que lhe permitam disponibilizar a quem precisa os melhores serviços ao menor custo e com menor sobrecarga para a sociedade, de remover obstáculos fiscais e regulatórios à actividade económica que limitam o crescimento económico sustentável, de aumentar a transparência na gestão do Estado para evitar a sua apropriação por interesses privados, nomeadamente os dos detentores de cargos políticos e respectivos séquitos, e o risco de voltar a ruir de surpresa depois de os factores da ruína terem sido criteriosamente escondidos em contas manipuladas, criar um ambiente que permita à sociedade prosperar.

Isto, que qualquer político não socialista com veia poética seria capaz de escrever, e o facto de este projecto do PSD ser liderado por alguém a quem uns anos antes eu não teria dado grande crédito, um jovem telegénico com alguma projecção mediática oriundo das juventudes partidárias mas que quando se viu à frente de um governo sem dinheiro nem soberania que não fosse para aplicar um programa de austeridade negociado entre o governo anterior e as instituições que financiaram um país arruinado e dependente de financiamento para manter o funcionamento mais básico que já não conseguia encontrar mais ninguém que o financiasse, em que a concessão de cada nova parcela de financiamento dependia da aprovação pelas instituições do modo como vinha a ser aplicado esse programa, em que quem governasse não tinha alternativa a aplicar medidas de austeridade que não deixariam ninguém satisfeito, apesar de tornarem possível vir a deixar todos melhores por devolver a viabilidade ao país, não apenas pela tutela das instituições mas porque não tinha dinheiro para gerir de modo menos austeritário, teve a coragem de sacrificar qualquer ambição de prosseguir uma carreira política baseada, como as carreiras políticas em democracia não podem deixar de ser, na popularidade e na empatia com a maioria dos eleitores.

Se qualquer canalha consegue encontrar citações de Francisco Sá Carneiro em que se reveja como se tivessem sido pensadas para o qualificar, há pelo menos duas que, sem ele ter chamado a si a inspiração para Sá Carneiro as ter proferido, retratam precisamente a obra de Pedro Passos Coelho enquanto foi primeiro-ministro:

  • Primeiro Portugal, depois o partido, por fim, a circunstância pessoal de cada um, no modo como sacrificou as suas ambições pessoais e o jogo partidário para fazer o que tinha que ser feito para salvar Portugal, como salvou, nomeadamente ao ter optado em diversas ciscunstâncias por passar além da troika, porque não era a obediência às exigências da troika, mas a aplicação das medidas de austeridade possíveis e necessárias, que resgatariam Portugal da situação de dependência financeira em que estava, e
  • A política sem risco é uma chatice e sem ética uma vergonha, no modo como, mesmo assim, se predispôs a tomar decisões que pareciam catastróficas para as suas ambições pessoais e as do partido, porque a única forma de resgatar o país era tomá-las. 

E não é indiferente que alguns dos que aproveitaram a necessidade de esse governo tomar medidas impopulares para se colocarem ostensivamente ao abrigo de qualquer consequência negativa dessas medidas comentando-as como desnecessárias, consequência da maldade ou incompetência do governo que as tomou, e mesmo uma traição à matriz ideológica social-democrata do PSD, terem sido conhecidos militantes e ex-dirigentes do PSD, e de um desses ter sido o próprio Rui Rio. 

Filiei-me, portanto, para contribuir melhor para lutar por completar, depois de ter conseguido gerir e inverter a crise catastrófica criada pelo governo socialista precedente, um projecto político capaz de colocar Portugal de novo num caminho de prosperidade e de erradicar o risco de futuramente uma crise semelhante voltar a ocorrer. Se quiserem, para combater como soldado ao lado de Pedro Passos Coelho na oposição a António Costa e aos socialistas que tinham mergulhado Portugal nessa crise. Se quiserem ainda, mais por uma questão de simbolismo do que propriamente com esperança de poder desempenhar um papel que ajudasse Passos Coelho e o PSD a regressarem ao poder.

Desde então tenho feito aquilo que qualquer militante deve fazer. Coloquei-me ao serviço do partido e da secção onde sou militante, prestei a minha colaboração sempre que me foi pedida na medida das minhas capacidades e competências, aceitei os convites para integrar a Comissão Política da secção e a lista de candidatos do partido a uma Assembleia de Freguesia em lugar de eleição garantida, e exerço consequentemente funções de Vogal nessa Assembleia de Freguesia. Nem menos nem mais do que isto.

Não vale a pena repetir aqui a história dos últimos anos, nomeadamente o sucesso aparente das políticas de reposição de rendimentos adoptadas pelo governo António Costa que um contexto económico mundial favorável disfarça quaisquer consequências adversas que virá a ter. Os governos populistas de todo o mundo, seja em Portugal, seja nos EUA, tratam de insinuar que sucessos em domínios como o crescimento económico ou a redução do desemprego se devem às suas opções políticas, mesmo que opções de política económica como o aumento do salário mínimo e da carga fiscal ou o proteccionismo reduzam, no imediato ou a prazo, o crescimento económico e o emprego. Um dia será visível, mesmo para quem agora se deixa levar pela dinâmica de sucesso dos populistas, que estas opções foram perniciosas, mas na circunstãncia actual é inútil denunciá-las. Nem a saída da política activa de Pedro Passos Coelho, que resulta também desta dinâmica de sucesso aparente.

A verdade é que a Pedro Passos Coelho e à sua visão e capacidade de liderar a continuação do projecto político libertador sucedeu no PSD Rui Rio, primeiro em eleições onde defrontou Pedro Santana Lopes, depois num desafio à liderança lançado por Luís Montenegro que Rui Rio não quis aceitar, e finalmente nas eleições deste fim de semana que o confirmaram como presidente do PSD nos próximos dois anos.

Rui Rio apresentou-se como candidato à liderança do PSD com uma proposta de estratégia política e de liderança com alguns equívocos graves.

Apresentou-se com uma proposta de impedir o PS de governar condicionado pela extrema-esquerda, não derrubando o governo socialista e substituindo-o por um governo liderado pelo PSD e por ele, mas oferecendo-lhe um apoio alternativo ao apoio oferecido pelos partidos da esquerda que o sustentavam (e sustentam), o BE e o PCP, na esperança que apoiado pelo PSD o governo socialista se possa tornar menos extremista do que apoiado por eles.

Isto é um equívoco grave por vários motivos. Primeiro, conforma o PSD a um papel que nunca ambicionou ocupar, o de maior partido da oposição com esperança de influenciar o partido do governo, em vez de ocupar o papel do partido do governo capaz de governar, reformar e liderar e fazer progredir e prosperar o país, que assumiu múltiplas vezes no passado.

Depois, assume que o primeiro-ministro possa ter algum interesse na disponibilização da possibilidade de apoio do PSD que na realidade não lhe interessa para nada, por ele, um equilibrista e negociante competente, ser perfeitamente capaz de gerir os equilíbrios entre os socialistas, os bloquistas e os comunistas sem precisar de governar com a rede do apoio do PSD por baixo.

Finalmente, assume que o PS corre o risco de ser puxado para a esquerda por ser condicionado pelos apoios do BE e do PCP quando o PS actual, que não é o de Mario Soares ou de António José Seguro, ser tão esquerdista como eles, ser controlado ou por dirigentes mais velhos que vieram do MES ou mais novos que ingressaram no PS em vez do BE porque o PS, um partido de poder, oferece melhores oportunidades de emprego às suas namoradas que partidos de protesto da esquerda radical, um partido que veta sempre que lhe é dado vetar qualquer celebração do 25 de Novembro de 1975, um partido do lado dos derrotados nesta circunstância determinante da evolução da revolução do 25 de Abril de 1974 para uma democracia liberal em vez de uma "democracia" popular.

Prescindir da ambição de liderança que sempre motivou o PSD para ajudar um governo socialista que não precisa de ajuda a aliviar a influência da esquerda radical quando ele tem a esquerda radical no seu núcleo duro não serve para nada.

Apresentou-se com uma proposta de liderança do PSD populista, nomeadamente ao pretender dar ao partido um "banho de ética" e ao insinuar a qualquer foco de oposição interna "interesses" na defesa de "lugarzinhos", ou seja, ao propor-se combater as elites instaladas. E, como é próprio dos populistas, a insinuar poderes obscuros a essas elites através de organizações secretas, no caso dos oponentes internos a Maçonaria.

Eu tenho desde sempre algum cepticismo relativamente aos políticos que se procuram afirmar mediaticamente através do combate à corrupção. Com algum cinismo coloco sempre a possibilidade de nunca a terem praticado por nunca terem tido a oportunidade de o fazer, por nunca terem exercido funções executivas que atraem, pela capacidade de tomar decisões que envolvem muito dinheiro, propostas de corrupção. Também tenho notado que alguns dos que assumem publicamente o papel de combate à corrupção exerceram funções executivas mas nunca denunciaram casos concretos com que tenham deparado no exercício dessas funções, de que seria mais fácil apresentar evidências sólidas do que as meras insinuações mediáticas de suspeitas de casos que lhes são longínquos. Eu não sou capaz de acreditar que alguém que foi ministro das Obras Públicas ou vereador numa grande Câmara Municipal não tenha um único caso vivido na primeira pessoa para denunciar com conhecimento de causa e mesmo evidências.

A primeira vítima de insinuações vagas como o banho de ética ou a defesa dos lugarzinhos é a reputação de todo o partido que é deitada pelo ralo com a água do banho. De todo o partido, para não dizer de todo o sistema democrático, como os populistas hard não se cansam de tentar. E o primeiro beneficiado é, espera o autor das insinuações, o autor das insinuações, que ao fazê-las espera ficar automaticamente ilibado das suspeitas que lança sobre todos os outros.

Mas a verdade é que a ética praticada pelos dirigentes actuais do PSD não parece ter estado à altura da exigência que se esperaria fundamentar a denúncia de Rui Rio. Desde casos de caciquismo, a negócios obscuros de autarcas, a casos de presenças falsas no parlamento, não se verificou nenhum padrão de exigência ética que distinguisse claramente esta direcção de qualquer direcção de qualquer partido de poder onde a ética nem sempre consegue resistir às tentações que o exercício do poder atrai. E por contrapondo relato aqui uma historieta que se passou comigo. Nos meus primeiros tempos de militante no final de 2015, ainda com Passos Coelho a liderar o seu segundo governo, um secretário de Estado foi à secção onde milito ter um encontro com militantes. Depois da reunião disse a um amigo deputado "os secretários de Estado andam de BMW série 3 e motorista", ao que ele esclareceu "O carro não era do governo, devia ser do partido, porque o Passos não deixa os governantes levarem o carro para essas reuniões".

E a eleição da ética dentro do PSD como tema nuclear da sua afirmação como dirigente e a falha em acompanhar as expectativas de exigência implícitas nessa escolha é especialmente penalizadora para o PSD e proveitosa para o governo, porque desviou o foco público das falhas de ética num governo cheio de casos de nepotismo e corrupção a níveis de que não há memória e que mereceram mesmo os títulos da imprensa internacional para pechas infantis como presenças falsas de deputados do PSD no parlamento.

Um terceiro equívoco é a tentativa de a actual direcção do PSD se desligar da "herança Passos".

O calculismo da opção é evidente, a tentativa de largar o lastro das medidas impopulares que o governo Passos foi forçado a adoptar para resgatar o país da dependência das instituições internacionais. A demagogia tembém, sem essas medidas impopulares, e sem a coragem para as assumir contra tudo e todos, a começar pela popularidade de quem as assumiu, não como a concessão a uma imposição de terceiros mas por serem necessárias, Portugal ainda andaria hoje de resgate em resgate como a Grécia andou em vez de se ter libertado definitivamente da dependência da troika em 2014, como estava planeado e parecia improvável a muitos, a quase todos. Sobra a estupidez de, ao assumir a falta de apoio e mesmo a oposição a essas medidas do governo Passos, a direcção do PSD deixar o governo socialista desligar-se também delas, que no entanto foram adoptadas maioritariamente ainda no tempo do governo socialista anterior, a estupidez de possibilitar aos socialistas designarem por "cortes do governo Passos" cortes que foram de facto deliberados e implementados pelo governo Sócrates.

E pior do que estes erros circunstanciais é renegar a herança reformista do PSD na história da democracia portuguesa que foi determinante para três libertações de Portugal: a libertação da tutela militar, iniciada pelos governos Sá Carneiro, a libertação da economia estatal, levada a cabo pelos governos Cavaco Silva, e a libertação da dependência externa, conseguida contra todas as expectativas pelo governo Passos Coelho. Sem esta memória o PSD é um partido dispensável.

Tudo junto, não é difícil de entender o apoio que, nos processos eleitorais internos do PSD, tem sido publicamente concedido a Rui Rio por socialistas como António Costa ou por comentadores esquerdistas e ferozes opositores de qualquer papel de liderança do PSD na evolução da sociedade portuguesa como Clara Ferreira Alves ou Daniel Oliveira. Eles podem ser intelectualmente desonestos mas sabem bem quem lhes serve os interesses e quem lhos contraria.

Mas apesar disto que acabei de dizer e das duas derrotas eleitorais em eleições nacionais em 2019, essencialmente a derrota nas eleições legislativas onde é escolhido o primeiro-ministro, e essencialmente devido às grandes distritais do Porto e de Aveiro, os militantes do PSD escolheram reconduzir Rui Rio na presidência do partido.

Eu não me revejo no PSD de Rui Rio e não vejo que ele precise de mim. Não estou e nunca estarei do mesmo lado de António Costa, Clara Ferreira Alves e Daniel Oliveira. O combate que me motivou a filiar-me no PSD já não está a ser travado pelo PSD.

Resta-me, como militante e como membro da Comissão Política da secção, continuar a colaborar como tenho colaborado sempre que me for solicitado pela secção da Amadora ou pelo seu presidente, o deputado Carlos Silva que estimo e admiro, e a procurar servir os eleitores da Freguesia da Venteira na Assembleia de Freguesia para onde fui eleito em 2017. E nas redes sociais continuarei a combater o socialismo como sempre combati, antes e depois de me filiar no PSD. Mas não vou colaborar numa secundarização do PSD face ao PS, não quero colaborar no que pode proporcionar uma mexicanização do regime. Quero combatê-la.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:51
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De gato a 23 de Janeiro de 2020 às 21:41
Manuel Vilarinho Pires,
Levei muitos dias a responder-lhe.
(aparte a máquina ter enguiçado)

Foram muitos dias 'úteis' pois me deram tempo para pensar. O texto é longo e nunca poderia ser curto contendo o que contém.
Foi útil, foi bom, lê-lo (a si) várias vezes.

Abraço de respeito e estima.
De Manuel Vilarinho Pires a 23 de Janeiro de 2020 às 23:07
Obrigado. Cumprimentos.
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