Nem é tanto pelo desatino de Martins. Desta vez declarou a sua preferência por Bernie Sanders, o candidato super sensível aos problemas sociais que um destes dias sossegou os americanos e o mundo garantindo que, se fosse presidente, cortava todo o comércio com os países que tivessem ordenados mais baixos do que os Estados Unidos; sobrava-lhe, talvez, a Alemanha, a Escandinávia, a Inglaterra, e uma ou outra extravagância asiática.
Para os outros países suponho que era assim: "São pobres? Morram no pardieiro, seus fascistas gananciosos, usurários sem consciência cívica. Fiquem ricos primeiro, até lá não vos abro a porta" - ou coisa que o valha. "Ultramontanos, fariseus", se em lugar de Bernardinho tivéssemos Martins na presidência dos Estados Unidos (quem sabe um dia, não é verdade?).
Deve ser a isto que Martins chama "carisma", e que o leva a dizer de Bernie (Bernardinho, em português) que está "do lado certo da história". No fim-de-semana passado exibiu a sua amizade por António Costa, uma coisa antiga, já do tempo dos calções, disse dele que era "cativante" e "um príncipe da política".
Mas não, volto ao princípio. Não é tanto por estas poses de presumido a dar para o curtinho de pernas, uma espécie de florentino da aldeia. O que me espanta é que Martins se apresente empoleirado nestas asneirinhas (também falo de Martins com afecto) convencido que cativa o eleitorado contra a "união das esquerdas", fazendo questão de apreciar em público tudo o que a direita detesta.
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Imagem daqui.
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