Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018

Para acabar de uma vez por todas com os ricos.

2018-11-12 Caetano Veloso Paris.jpg

Acabados de ressuscitar e chegados directamente da caverna onde hibernavam desde os tempos da revolução dos capitães em que o Otelo queria acabar com os ricos, ao contrário do Olof Palme que queria acabar com os pobres, uns assanhados que defendem a revolução do capitão contra todos os inimigos andaram a espirrar nas redes sociais ódio ao cantor Caetano Veloso porque quando vai a Paris se hospeda num hotel e come foie-gras, sugerindo-lhe que para ser coerente "devia partilhar a riqueza com os pobres que defende".

Sendo que, com uma carreira profissional de sucesso em que ao longo de mais de 50 anos vendeu milhões de discos e actuou em milhares de concertos, o Caetano Veloso é um homem bastante rico.

E que "defender os pobres" não significa neste caso defender a revolução comunista, a expropriação colectiva dos meios de produção e a ditadura do proletariado, que nunca se lhe ouviu defender, não significa sequer "odiar os ricos", que nunca se lhe viu odiar, mas apenas não ter aderido à revolução do capitão Bolsonaro. Ser um reaccionário.

E não terá aderido, e aqui só posso especular, talvez por ter sido preso político e exilado da ditadura militar que o capitão Bolsonaro louvou genericamente e criticou especificamente por ter torturado e matado menos do que devia? Não sei dizer, mas parece-me um motivo atendível para ele considerar o capitão uma besta sem sentir necessidade de perder algum tempo a documentar-se sobre os discursos recentes e o programa eleitoral dele para perceber bem se é mais autoritário ou mais liberal.

Em todo o caso, a má notícia para estes comunistas ressuscitados é que no Brasil, como em Portugal, já há redistribuição de riqueza, através da fiscalidade, que apesar de ser governado por socialistas há 15 anos a taxa máxima do imposto sobre o rendimento, de 27,5%, é bastante moderada comparativamente com as da generalidade dos outros países, mesmo os capitalistas, e que há poucas esperanças de conseguirem redistribuir toda a riqueza dele sem primeiro levarem a cabo com sucesso uma revolução mais socialista do que a que levou a cabo o Partido dos Trabalhadores ao longo dos últimos 15 anos. No máximo podem ambicionar a que o novo governo aumente as taxas máximas de imposto para lhe ficar com metade, ou mais, do rendimento que aufere.

Como prémio de consolação deixo-lhes uma canção do Caetano Veloso. A obra dele, pelo menos, podem-na partilhar, ao contrário da riqueza acumulada, que tem dono.

 

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 08:56
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