Sábado, 3 de Agosto de 2019

Perguntas ao Estado Socialista

Pode o Fisco, num curto espaço de tempo, e baseado em presunções delirantes, sem um único resquício de prova:

 

i) Penhorar os créditos sobre clientes nacionais, intimando estes, sob ameaça de raios e coriscos, a pagar ao Fisco o que devem à empresa sob ataque?

ii) Penhorar todos os veículos automóveis, impedindo o transporte de pessoal e mercadorias?

iii) Penhorar as matérias primas e componentes existentes no ano anterior, já consumidas, e o recebido de fornecedores, semana a semana, impedindo a transformação em produtos acabados?

iv) Cativar a restituição de IRC pago a mais no ano anterior?

v)  Cativar o acerto de contas do IVA, por a empresa exportar cerca de 90% da produção, e não poder debitar IVA a estrangeiros mas suportá-lo nas compras, o que cria permanentemente créditos sobre o Estado? Mais:

vi) Pode a empresa recorrer aos tribunais, sem pagar a fortuna que lhe é exigida ou apresentar garantias, que não tem? E,  

vii) Finalmente, pode o tribunal decretar a insolvência, a requerimento de um sindicato (mas podia ser qualquer fornecedor ou banco credor), ignorando os factos acima, denunciados no processo?

 

A resposta a todas estas perguntas, já se vê, é sim, excepto para a penúltima.

 

Sobram algumas perguntas novas e uma dúvida. As perguntas:

 

1. Que acontece às simpáticas duas inspectoras que estão na origem do processo, e a quem nelas superintende?

2. Que acontece aos trabalhadores?

3. Que acontece aos credores?

4. Que acontece às máquinas, às existências e ao edifício?

5. Que acontece aos sócios?

 

Esclareço, com o louvável propósito de satisfazer a incontrolável curiosidade dos leitores: 1) Ficam com uma nota positiva no currículo, e talvez gratificação – o desempenho dos funcionários do Fisco mede-se pelo combate à evasão fiscal, e portanto pela quantidade de autos de notícia que levantam; 2) Vão para o desemprego, primeiro, e a seguir para a reforma ou um novo emprego; 3) Ficam a arder e, se andarem da perna com as papeladas e reclamarem a tempo, poderão vir a considerar as perdas como custo, não pagando portanto IRC sobre o que nunca receberam; 4) Será tudo vendido ao preço da uva mijona, como é normal em insolvências, e é improvável que o produto da venda chegue para os credores, salvo os trabalhadores e, talvez, parte da dívida bancária; 5) Perdem a empresa e o capital e ficam com a responsabilidade da parte da dívida titulada por garantias pessoais – no caso, muito significativa.

 

A dúvida: Não há ligação nenhuma entre estes abusos, que configuram claríssima negação do Estado de Direito, e a condição de público inimigo da escumalha infecta que nos governa, que é a do discreto autor?

 

Não sei.

publicado por José Meireles Graça às 17:36
link do post | comentar
3 comentários:
De gato a 5 de Agosto de 2019 às 13:00
Pronto! Encheu-se-me o reservatório da paciência.

José Meireles Graça, escrevo-lhe aquilo que lhe deveria ter escrito há mais de um mês:
Está a ser utilizado pelo dono do 'delito de opinião'.
Tem feito bem em deixar que lá se publique, ou coisas antigas, ou cópias do que agora escreve no 'Gremlin'.
A última dose de manteiga é ser 'O pensamento da semana'...

O homem é jornalista e fraquito. Conheço o tal blog há anos e o homem não aguenta uma opinião que não seja favorável ou amabilíssima. O blog anda fraquinho, repetindo textos antigos (há 10 anos).

Nada terei com as suas escolhas mas, a prosseguir, 'tenho pena'...

Com a minha estima
ao

PS: não desejo resposta sua. Eu posso estar errado.
De José Meireles Graça a 5 de Agosto de 2019 às 14:14
Por partes, gato: i) Aqui e noutros lugares sou “utilizado” apenas pelos meus leitores, quer apreciem quer detestem: ii) Não publiquei até agora nenhuma “coisa antiga”. A rubrica que existe no blogue para esse efeito, coisas antigas, de há dez anos, existe há muito e nada tem a ver comigo; iii) O “pensamento da semana” não é um privilégio de a ou b, circula entre todos os autores do blogue, se estiverem para aí virados; iv) Conheço o dono do blogue há anos (desde os tempos do “Forte Apache”, onde escrevi até que o blogue se finou), não subscrevo a sua opinião, e nunca, mas mesmo nunca, lhe ouvi a mais leve referência negativa, ou insinuação, e menos ainda jamais teve lugar qualquer tentativa de interferência no sentido ou na forma do que escrevo; v) Do “Gremlin” sou co-fundador, razão porque lhe sou fiel. Mas nem lá, nem aqui, nem em nenhum dos outros blogues por onde passei (“Rua Direita” e “Senatus”) houve qualquer tentativa de interferência nos meus escritos, nem eu próprio jamais me preocupei com qualquer tipo de alinhamento dos blogues, quer existisse quer não; vi) Agradeço as suas palavras, mas acredite que são, em relação ao Pedro Correia, injustas em vários sentidos.
De gato a 5 de Agosto de 2019 às 18:48
Agradeço, com estima.

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