Rui Rocha chama a atenção para o detalhe, que tem passado despercebido, de 72 virgens implicarem 72 sogras.
Não fiquei inteiramente convencido do rigor da observação, porquanto se tem de admitir a possibilidade de algumas das moças núbeis serem irmãs, caso em que o número de sogras se veria reduzido em extensão que não é possível precisar.
Mas, qualquer que seja o raciocínio probabilístico que se queira fazer, sempre se atingirão algumas dezenas daquelas parentes afins. E como não consta que haja falta de candidatos a bombistas suicidas, forçoso é concluir que a lavagem ao cérebro a que são submetidos implica o escamotear cuidadoso daquele facto incontornável, que só por si afastaria da negregada missão não poucos dos futuros terroristas.
Por outro lado, só a juventude e a ingenuidade podem explicar, a meu ver, a atracção pela ideia de deflorar algumas dezenas de raparigas tremebundas e inexperientes: homens maduros e normalmente constituídos, física e psicologicamente, recuariam com horror perante aquela perspectiva.
Gostaria que estas matérias fossem esclarecidas, perante a opinião pública interessada, por algum desses teólogos envolvidos nas pregações da guerra santa. Não podemos porém razoavelmente contar com nenhuma informação daquela fonte; e temos portanto que nos bastar com as nossas próprias conclusões.
As minhas, esboçadas embora, já as deixei entrever. Nada tendo de originais, não valeria a pena entrar nestas controversas matérias, não se desse o caso de ontem uma bombista se ter feito explodir.
Ora, se agora as mulheres também querem entrar no outro mundo com a credencial de terem rebentado com uns quantos infiéis neste, cabe perguntar o que lhes é dito que as espera do outro lado.
Estou disposto a aceitar que a perspectiva de um relacionamento amoroso com Colin Firth ou Hugh Grant pudesse funcionar como um poderoso incentivo; e, entendesse eu mais do assunto, alinharia aqui outros nomes igualmente apelativos, até atingir 72. Não me parece todavia que tal hipótese seja plausível, tendo em conta que esta perspectiva só poderia funcionar se as candidatas a terroristas tivessem pulsões de messalinas - o que nada permite supor.
Uma hipótese, atraente pela sua simplicidade lógica, seria que as mesmas 72 virgens tenham servido de isco também para a Hasna Aitboulahcen (assim se chamava a mártir). Não é preciso um delírio da imaginação para admitir que 72 alunas púberes do Agrupamento de Escolas C+S de Saint Denis Occidental pudessem exercer um compreensível fascínio na líbido de uma rapariga com inclinações, digamos assim, fracturantes.
Confesso aqui a minha perplexidade - a ignorância nunca me impediu de ter opiniões, suspeito até que tão mais seguras quanto menos informadas. Mas, desta vez, nada: já quando foi da polémica sobre a proibição do niqab em certos países, não compreendia que houvesse mulheres muçulmanas a favor do seu uso; como não compreendia que as esquerdas, de forma geral, fossem contra a proibição.
Pode ser que, à falta de melhor, a Esquerda explique - aquilo é gente do diabo, e de assuntos fracturantes costuma entender.
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