Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

Se fosse pública em vez de privada era limpinho: os BMW seriam às paletes

2017-12-15 BMW série 5 tablier.jpg

O país da exigência ética sem concessões sobressalta-se com uma IPSS, com P de privada, que paga um bom salário à fundadora e presidente, lhe faculta cartão de crédito e BMW de serviço, e agora já nem se fala nisso mas certamente que também telemóvel, lhe emprega o marido e o filho e ainda dá avenças em dinheiro ou em espécie a políticos para a ajudarem a fazer lobbying para sacar guito para a instituição. Para além de ser apoiada pro bono por outros políticos ou figuras públicas que, com o seu nome, lhe dão projecção mediática que também a ajuda a sacar guito.

Instituição que ela criou e construiu, há-que o reconhecer, fazendo das tripas coração para fazer face a um drama pessoal de proporções inimagináveis para muita gente que não é obrigada a passar por dramas semelhantes e que, também há-que o reconhecer, teria deitado muita mãe abaixo em vez de mover mundos e fundos para tentar resolver o problema da sua criança, e que colocou ao serviço de dezenas de famílias de crianças com doenças raras que, sem ela, a instituição, e sem ela, a fundadora, estariam mais ou menos abandonadas à sua sorte.

E os abutres do estatismo levantaram logo o pescoço para defender que o terceiro sector devia ser exclusivamente público, porque privado consegue fugir ao rigor do controlo público, ou mesmo, na boca de socialites socialistas mais articulados no discurso, que os donativos mais eficazes são os impostos progressivos, por acaso esses mesmos que o socialismo que nos governa tem reduzido em favor dos impostos cegos, que estão nas etiquetas de preço mas não estorvam os recibos de vencimento onde muitos contribuintes aferem o que o fisco lhes saca. Em resumo, se o P das IPSS fosse de pública, se a associação fosse um qualquer organismo das administrações públicas sujeito ao controlo de gestão a que elas estão sujeitas, o nepotismo dos privados que a geriram não teria acontecido.

Não teria acontecido, o tanas!

Ontem foram publicados na comunicação social e nas redes sociais dois exercícios de tentativa de identificação da extensão da colonização do Governo da República, dos orgãos de soberania, das administrações públicas e de empresas privadas que dependem delas ou de decisões políticas por familiares, amigos, familiares de amigos e amigos de familiares do primeiro-ministro António Costa. É um exercício meritório mas impossível de completar, tamanho o alcance e dinâmica da colonização. Pelo jornalista José Manuel Fernandes, no Observador, e a socielite política Joana Amaral Dias, no Facebook. Não vou enumerar aqui as listas que eles conseguiram reunir, mas deixo o exercício de as ler a quem estiver interessado, com o aviso que contêm cenas eventualmente chocantes, e bem mais do que um passeio de namorados em Copacabana, e envolvendo verbas com muitos mais zeros, também debitadas aos contribuintes.

Pelo que posso dizer com toda a certeza que se a Raríssimas fosse, não uma associação de direito privado gerida por privados e sujeita à ganância e ao nepotismo dos privados que a controlam, mas uma associação de direito público sujeita ao rigoroso controlo a que a gestão dos organismos públicos está sempre sujeita, em vez de um BMW, um cartão de crédito, um marido e um filho, mais um político avençado para fazer lobbying e mais alguns levados a passear por esse mundo fora, haveria dezenas de BMW, de cartões de crédito, de maridos e de filhos de amigos, e de amigos de maridos e de filhos, todos equipados de modernos iPhone do último modelo para poderem colocar de modo ainda mais eficiente os meios públicos geridos por eles ao serviço dos utentes.

E, se fosse gerida com ainda mais um bocadinho de rigor, ainda poderia talvez acrescentar ao serviço público que já presta o de informar devidamente o público sobre as grandes realizações do governo socialista através da contratação como assessores de trolls para espalhar pelas redes sociais. A cumprir este desígnio, o PS tem uma boa equipa de militantes de experiência comprovada que poderiam ser excelentes aquisições para a equipa da associação, de que vale a pena salientar o economista João Galamba e o funcionário público reformado Miguel Abrantes.

Tudo em nome do superior interesse das crianças, claro.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:15
link do post | comentar

Pesquisar neste blog

 

Autores

Posts mais comentados

Últimos comentários

Apesar de se esconder por trás do anonimato reconh...
Os amigos que o Manuel Vilarinho Pires protege vol...
Não é controlo no sentido de corrigir comportament...
... e também, quanto ao primeiro ponto ("O primeir...
Mais um artigo interessante. Contudo, quanto ao te...

Arquivos

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

censura

cgd

comentadores

cortes

crescimento

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desemprego

desigualdade

dívida

donald trump

educação

eleições autárquicas

emigração

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fernando ulrich

fiscalidade

francisco louçã

futebol

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds