Que o Senhor, na sua infinita misericórdia, me perdoe, mas eu estou de acordo com estas declarações: "O Estado não tem nada que se meter onde não é chamado" parece-me uma excelente palavra de ordem e faço votos de que Arménio e os seus camaradas a gritem a plenos pulmões, quando desfilarem no 25 de Abril deles.
Infelizmente, não se ficou por aquela nobre afirmação de princípios e resolveu dar-lhe conteúdo, clarificando que "a intromissão do Estado no sector privado é ilegal e abusiva nesta questão da contratação colectiva".
Dito assim, temos a burra nas couves. Porque realmente o que parece abusiva é a contratação colectiva em si: nem a CGTP representa os trabalhadores nem as confederações patronais representam os patrões; e mesmo que os sindicatos possam ter alguma representatividade, bem como as associações patronais, não está ela, nem nunca esteve, medida, nem se vê por que razão o Governo haveria de estar excluído de negociações cujo resultado tem força de lei, afectando todas as empresas, mesmo as que do associativismo querem distância, em matéria essencial como é a dos salários e regalias dos trabalhadores, sector a sector.
Mas isto, sendo muito, será ainda o menos, visto que com boas razões este evangelista do valor há muito grita que "existe mais variedade (no lucro, ou na produtividade) dentro de um sector económico, do que entre sectores económicos".
Temos então que a contratação colectiva na qual o Estado não se deve meter consiste num grupo de pessoas que se representam a si mesmas negociando com outras que acham, como Proudhon, que a propriedade é um roubo, para disporem do que não lhes pertence, vestindo o mesmo fato a corpos diferentes, fingindo acreditar que daí resultará um geral aprimoramento das toilettes.
É melhor estar o Estado, Arménio. Não está sempre, em quanta merda se faz?
Blogs
Adeptos da Concorrência Imperfeita
Com jornalismo assim, quem precisa de censura?
DêDêTê (Desconfia dele também...)
Momentos económicos... e não só
O MacGuffin (aka Contra a Corrente)
Os Três Dês do Acordo Ortográfico
Leituras
Ambrose Evans-Pritchard (The Telegraph)
Rodrigo Gurgel (até 4 Fev. 2015)
Jornais