Sexta-feira, 6 de Julho de 2018

As guerras das tarifas

O estilo errático dos anúncios, essencialmente através de tweets, do presidente Donald Trump não aconselha prognósticos antes do fim dos jogos, porque o que ele diz hoje não é parecido nem coerente com o que disse ontem, e certamente que amanhã dirá outra coisa diferente destas duas e eventualmente contraditória.

Os detratores do presidente americano atribuem esta variabilidade a falta de juízo, mas os apoiantes mais entusiastas acreditam que é pura estratégia negocial, e até é plausível que o seja, porque com quem não diz coisa com coisa ninguém gosta de discutir e as pessoas normais querem é distância, o que facilita os processos negociais por falta de comparência da outra parte, e pelo meio de um processo negocial pode ter havido tweets tão delirantes que qualquer proposta final que pareça minimamente razoável lhes pode parecer uma conquista inesperada da sensatez sobre a loucura, e aceitável, mesmo que não seja a desejada ou a ideal. E assim, simulando loucura, pode-se ganhar uma negociação.

Um dos domínios onde a sucessão de posições aparentemente erráticas tem sido evidente é no comércio internacional. Entre anúncios de ameaças de tarifas sobre os inimigos comerciais dos EUA, que incluem sempre a Europa e o Canada, as proposta de erradicação total das tarifas, as recusas em subscrever acordos que incluem compromissos de as reduzir, anúncios de novas ameaças de tarifas, e anúncios de intenção de afinal não as introduzir, nenhum dia é igual ao anterior e a única constante é a inconstância.

Um dos campos de batalha mais importantes é o da indústria automóvel, uma das que são comulativamente grandes e sexy. Saindo dos anúncios e das especulações sobre intenções que todos os dias há dados novos para ilustrar, e ficando pelos factos, a UE impõe uma taxa de 10% sobre a importação de automóveis americanos e os EUA impõem uma taxa de 2,5% sobre a importação de automóveis europeus, e uma taxa mais elevada sobre os pesados que não vale a pena discutir aqui. Outro facto, que não tenho quantificado mas que é tão evidente que não vale a pena googlar para quantificar, é que os americanos importam muito mais automóveis europeus, principalmente alemães, do que os europeus automóveis americanos. E outro ainda para baralhar as contas, mas que pode não valer a pena trazer à discussão, dois grandes produtores de automóveis na Europa, a Opel e a Ford, são americanos, e a fábrica que exporta mais automóveis dos EUA é europeia, da BMW.

Primeira constatação, a taxa é assimétrica, e a UE penaliza mais a importação de automóveis americanos que os EUA a de automóveis europeus, o que justifica inegavelmente algum desagrado do governo americano.

Segunda, que é provável que a desproporção nos volumes de importações cruzadas seja tão elevada que, apesar de a taxa ser de apenas um quarto da simétrica, é provável que o governo americano arrecade mais taxas pela importação de automóveis europeus do que os governos europeus pela de automóveis americanos.

Terceira, que as tarifas alfandegárias não são um imposto imposto aos exportadores para o país que o impõe, são um imposto pago pelos consumidores desse país que compram produtos importados, um acréscimo aos impostos ao consumo pagos por eles. Quando nos dizem que as exportações americanas vão pagar uma tarifa alfandegária estão-nos a dizer na realidade que os consumidores europeus vão pagar mais caro por essas importações, não que os exportadores americanos a vão pagar, e vice-versa. O que significa que a imposição de tarifas às importações, comulativamente com agradar aos produtores locais de bens concorrentes com os bens importados taxados que podem ser favorecidos pelo aumento dos preços de venda deles aumentando as suas quotas de mercado, também desagrada aos consumidores que vêem os preços dos produtos que preferem consumir aumentar por causa de um novo imposto.

Quarta, e decorre da anterior, a imposição de tarifas alfandegárias traz a uma sociedade ganhos, e até pode criar empregos, principalmente se não houver retaliação, mas também pode destruir empregos se houver, com um balanço final indeterminado, também lhe traz perdas, até políticas, por ser paga pelos consumidores do país que as impõe. Se eu tiver o sonho de possuir um BMW e tiver dinheiro para o comprar mas de repente, por o preço do BMW ter aumentado, me vir forçado a optar por um Chevrolet, posso ficar chateado com o governo que me estragou o sonho com o seu aumento de impostos.

A quinta, digo-a no fim.

Neste mundo de notícias todos os dias diferentes das do dia anterior e que não indiciam o que dirão as do dia seguinte torna-se quase impossível acompanhar para discutir informadamente o enredo do filme, mas podem-se analizar e discutir fotogramas. E o fotograma de hoje diz o quê? Diz "Bruxelas admite baixar tarifas às importações de eutomóveis para agradar a Trump", ou "Recuo de Trump impulsiona bolsas e BCE ajuda euro", adaptando a mesma notícia às preferências dos trumpistas por uma vitória negocial do Trump ou dos europeistas por um recuo do Trump.

2018-07-05 Guerra das tarifas.jpg

Traduzido em miúdos, que a UE vai reduzir a tarifa alfandegária de 10% sobre as importações de automóveis americanos, provavelmente para um valor idêntico ao aplicado às importações de automóveis europeus nos EUA, e que o governo americano vai desistir da intenção anunciada de aumentar as tarifas alfandegárias sobre os automóveis europeus para 20%. Ou mesmo que as vão anular, o que irá conduzir mais ou menos ao mesmo.

O que se segue não é aconselhável aos que olham para a política internacional como um combate de wrestling entre o Donald Trump e a Angela Merkel, nomeadamente aos que, por parecerem andar a tomar esteróides que lhes dão força, ou anfetaminas que lhes dão a sensação de força, distribuem murros metafóricos no ar traduzidos em insultos e ameaças enquanto assistem ao combate.

Deixar cair a taxa alfandegária actual de 10% sobre a importação de automóveis americanos em troca de o governo americano não lançar uma de 20% sobre os automóveis europeus parece uma medida inteligente, e até cínica, da UE. É que não é a taxa de 10%, e o consequente aumento de 10% no preço de venda, que desencoraja os consumidores europeus de comprarem automóveis americanos, mas o facto de acharem que eles não prestam, de modo que a eliminação desta taxa não vai certamente desencadear uma invasão de importações americanas que prejudique a indústria europeia. Não é a tarifa alfandegária que a protege, mas a diferença na qualidade percebida pelos consumidores europeus que justifica que os automóveis europeus, e principalmente os alemães, e principalmente os alemães de fabricantes europeus como a Mercedes, a BMW, a Audi, a VW ou a Porsche, sustentem um preço premium comparativamente com os americanos.

Já a taxa de 20% sobre os automóveis europeus importados nos EUA aumentaria o seu preço de venda de modo a afectar certamente as exportações da indústria automóvel europeia, mesmo que os consumidores americanos estejam dispostos, como estão, a pagar preços premium pelos automóveis europeus por considerarem que são melhores que os oferecidos pela indústria local.

O acordo registado no fotograma de hoje é pois favorável à indústria automóvel europeia que estava na iminência de ser prejudicada no mercado americano sem a penalizar no mercado europeu. Não é desfavorável à indústria americana comparativamente com a situação actual, se bem que possa ser aparentemente menos favorável que a imposição de tarifas mais elevadas às importações de automóveis europeus no mercado americano, mas também não a vai favorecer significativamente no mercado europeu, por não ser a tarifa de 10% que desincentiva os europeus de comprar automóveis americanos mas a sua falta de qualidade percebida comparativamente com a produção europeia. Dá aos adeptos do status quo europeu alguma estabilidade. E dá aos adeptos do Donald Trump um título de jornal vitorioso onde a UE cede para agradar a Trump. Em suma, todos ganham.

Todos menos os americanos de Detroit que tanto precisam dos american jobs que lhes foram prometidos pelo Donald Trump, não estou a falar dos que a conjuntura lhes oferece tal como os oferece aos portugueses governados pelo socialista António Costa, e pelos quais o Donald Trump parece estar a lutar com as suas guerras das tarifas, mas que não chegarão, sem tarifas ou com elas. É que não é com tarifas alfandegárias ou acordos comerciais que se resolve o desequilíbrio da balança comercial entre os EUA e a UE, mas com produtos bons e competitivos. E andar a discutir tarifas não é o caminho para a indústria americana os melhorar, é, pelo contrário, um bom pretexto para evitar reconhecer o problema e deixar tudo ficar na mesma à espera que a política o resolva.  O que está nos antípodas da american way, em que é tradicional ser a sociedade, e não a política, a tomar o seu destino nas mãos.

E esta foi a quinta constatação.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:31
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

Felizmente ainda há gente adulta na sala

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E o Donald Trump lá ganhou as eleições contra o voto unânime de todos os portugueses jornalistas, comentadores e pessoas politicamente correctas, e de todas as sondagens, mesmo as que eram encomendadas pela sua própria campanha, com a sua agenda populista que prometeu aos americanos make America great again através do proteccionismo que promete reorientar a procura para a produção nacional e criar american jobs, a expulsão de imigrantes que promete reverter o frequente an immigrant is taking my job, e a erradicação de imigrantes e refugiados oriundos de uma lista de países de onde se vai tornando tradição chegarem terroristas islâmicos para cometer atentados, que lhes promete make America safe again.

Essa e outras mais difíceis de perceber, e até de perceber como terão sido aprovadas pelo eleitorado supostamente conservador que o elegeu, como a ameaça de desinvestir na Nato, se bem que o desinvestimento tenha um prémio associado, a redução dos custos americanos para a financiar, o conformismo inédito na história americana com a Rússia, ainda por cima liderada por um facínora que assassina adversários políticos e jornalistas que o investigam e aos amigos e invade ostensivamente países para criar zonas tampão anti-Nato e anti-UE, e a sua substituição pela China como o principal inimigo dos EUA, e o desrespeito e mesmo insulto a heróis de guerra que suscitam nos EUA uma reverância que não tem comparação com a que suscitam na Europa e nem os políticos da geração do flower-power e dos draft-resisters alguma vez ousaram ofender publicamente, como o senador McCain.

Algumas das medidas desta agenda populista, como as políticas anti-imigração e anti-refugiados, não são nada surpreendentes e parecem decalcadas das medidas da agenda da direita populista europeia. Outras são partilhadas pelas agendas populistas da direita e da esquerda, como o proteccionismo ou a preferência pela desagregação da União Europeia. Algumas têm apenas afinidades com as da agenda do populismo de esquerda, como a neutralização da Nato. Na verdade, o populismo não tem lado, é apenas a invenção de explicações simplistas mas credíveis para fenómenos complexos para utilização na política evitando o seu confronto objectivo com os factos para manter intacta a sua credibilidade.

Como populista que é, orientou todo o discurso político para exacerbar emoções, e nesse domínio está a revelar-se completamente à altura das expectativas que criou. Nunca ninguém como ele suscitou tanto repúdio daquilo que se designa por pensamento politicamente correcto, que o vê agredir tudo aquilo que tem procurado impôr a outros e por isso vê nele nada menos que um novo Adolf Hitler, nem tanto entusiasmo que os que deitam o politicamente correcto pelos olhos e vêem nele um libertador da opressão a que os tem conseguido sujeitar crescentemente, e na América citizen é uma palavra neutra e eles nem sequer têm que aturar, como os portugueses, maluquinhos a lutar por substituir cidadão por cidadania no bilhete de identidade. É odiado pelo politicamente correcto, adulado pelos que odeiam o politicamente correcto, e essa batalha está ganha.

E, como populista que é, coloca todo o empenho naquilo que é simbólico, independentemente de depois se vir a revelar eficaz ou não para os objectivos que dão a cada símbolo a força que ele tem. Por isso, a urgência de, logo que tomou posse, desatar a publicar decretos assinados em cerimónia pública que põem em prática as suas promessas eleitorais mais emblemáticas, indicando aos eleitores que é diferente dos políticos que prometem mas não cumprem, como fez para a saída dos EUA do Tratado Trans-Pacífico ou a proibição de entrada nos EUA de nacionais de países exportadores de terroristas. E a utilização do Twitter para anunciar as suas intenções políticas imediatas mas ainda não decretadas, muitas vezes através de ameaças, normalmente relacionadas com o México, que parece ser considerada a grande ameaça ao objectivo prometido de fazer da América grande de novo, como as do recurso às tarifas alfandegárias para atingir as exportações mexicanas, se o México não lhe pagar o muro, ou as empresas americanas ou estrangeiras que têm fábricas de automóveis no México. E esta batalha pelo que é simbólico também parece estar a ser ganha, a fazer fé nos resultados das sondagens que se vão fazendo sobre a taxa de aprovação no eleitorado americano das medidas que tem tomado.

Outra coisa diferente é saber se estas medidas especificamente virão a ser eficazes para resolver os problemas que as justificam?

Proibir a entrada de sírios, de que alguns são terroristas mas outros não, e não proibir a de sauditas, de que também alguns são terroristas mas outros não, e parecem ser os principais instigadores e financiadores do terrorismo internacional na última década ou duas, vai ser eficaz para proteger os americanos do terrorismo? Não sendo perito no assunto, não sei responder, alguns peritos dizem que não, só o futuro o dirá. Mas, no plano emotivo, a medida está ganha, tanto pelos apoios como pelos repúdios que suscita.

Taxar as importações, mexicanas ou de outros países, sendo certo que prejudica seriamente as economias dos países que exportam para os EUA, o proteccionismo fará crescer a economia americana, e o emprego? Toda a história económica do mundo diz que não, mesmo que os populistas de direita e de esquerda prefiram reivindicar que a Economia não é uma ciência mas as suas mezinhas económicas são, e quem na Europa o defende mais são os saudosistas do socialismo que mostrou que não, mas no plano emotivo a medida está ganha, é o cumprimento de uma promessa eleitoral.

E mesmo que estas medidas e outras como elas afectem cidadãos e economias de outros países, elas são legítimas e soberanas, de modo que eles não podem fazer grande coisa para as influenciar, e se cumprem os objectivos que se propõem cumprir de fazer a América grande e segura de novo é problema dos americanos que o elegeram, e não dos outros países. 

Dito isto, o Donald Trump pode prejudicar seriamente os interesses da Europa? Pode, pode prejudicar a economa europeia com o proteccionismo que está a instalar, pode até, no limite, e em função do que vier a ser o seu desinvestimento na Nato, colocar em risco a sobrevivência da Europa face a uma Rússia imperialista, militarmente poderosa e sem qualquer tipo de respeito por mariquices como os direitos humanos ou o direito internacional.

E como está a reagir a Europa a esta ameaça? Manifestando-se contra o Donald Trump.

Manifestando-se contra as ameaças concretas do Donald Trump à economia europeia através da imposição de barreiras alfandegárias e à segurança europeia através da neutralização da Nato que foi essencial para garantir a sua sobrevivência depois da II Guerra, e à sua aposta declarada na desagregação da União Europeia? Não. Manifesta-se contra a ordinarice do Trump a falar de gajas nas conversas privadas de balneário com os amigos, contra a decisão soberana de os EUA determinarem de que países autorizam ou impedem a entrada de cidadãos, e contra a nomeação de juízes anti-aborto para o supremo tribunal. Ou seja, entra completamente no território de discussão para onde o populismo a atrai, limitando-se a discutir as questões simbólicas, que consolidam o populismo, em vez das substanciais, que o podem fragilizar.

Toda a Europa? Não. Felizmente ainda há na Europa quem reflicta, não no que gostaria que acontecesse se as circunstâncias não mudassem, mas no que pode fazer para enfrentar as circunstâncias quando elas mudam.

A Angela Merkel, percebendo bem onde está a ameaça da administração Trump à Europa e aos seus interesses, e respondendo até a ameaças explícitas de imposição de tarifas alfandegárias a empresas alemãs, como a BMW, por terem fábricas no México, e tendo a perfeita noção que uma guerra comercial prejudicará seriamente os interesses da indústria alemã que tem nos EUA o seu maior destino de exportações, independentemente de vir a beneficiar ou prejudicar os interesses americanos, em vez de lamentar ou criticar sem qualquer possibilidade de sucesso as intenções da nova administração americana, reagiu tão rápida e simbolicamente como ele tem actuado, estabelecendo um contacto com o primeiro-ministro Li Kegiang da China, o maior exportador mundial, declarado como o maior inimigo dos EUA pela equipa do Donald Trump, e o quarto maior destino de exportações alemãs, com o objectivo de se reunirem rapidamente numa visita dele à Alemanha para discutirem o aprofundamento das relações comerciais sino-europeias, criando deste modo uma alternativa que permita minorar as consequências para a indústria alemã, e para a indústria chinesa, de uma perda de mercado nos EUA.

Há uma Europa adulta que se adapta às ameaças externas em vez de as lamentar. Infelizmente não mora cá, onde a cultura vigente é usar as ameaças externas, não como o gatilho para as enfrentar, mas como a desculpa para os resultados desastrosos das asneiras que se fazem.

E a questão da segurança europeia? Não é fácil de resolver sem a Nato. O único país europeu realmente poderoso e capaz de declarar e vencer uma guerra quando é necessário é o Reino Unido, que está de brexit. Felizmente, o Reino Unido nunca se confundiu relativamente a quem são os seus amigos e inimigos militares, e nunca andou nem anda de namoro com a Rússia. A China também não namora a Rússia. Se Deus quiser, tudo se há-de resolver...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:11
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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2012

Die Inspektion

 

 

Olá. Adeus.

publicado por José Meireles Graça às 13:07
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

Dream on, baby

60% de dívida pública máxima, 3% de défice - anda por aí, algures, um estudo que demonstra que para 2 ou 3% de crescimento isto está muito bem.


Não o vou procurar, o estudo. Que estudos económicos demonstram preconceitos, e eu tenho outros (preconceitos, não estudos). Para mim, fora de guerras, calamidades, depressões e despesas de investimento sobre cujo retorno não haja a menor dúvida, o défice deve ser zero. E mais: como os cenários orçamentais devem ser pessimistas, a execução superavitária, se houver, é uma coisa boa: os mercados emprestam com tanta maior facilidade e tanto menor preço quanto menos se precisa.


Tudo isto é um raciocínio perigosamente fascista: estão a ver, de quando o País crescia a taxas asiáticas (quase o dobro do que se verificava no espaço que viria a ser o da UE), o equilíbrio era a regra e a despesa pública não chegava a 25%.


Este discurso, actualmente raro, costuma ser despachado com escárnio: e a miséria, hem? e o atraso? e os índices humilhantes, na educação, na saúde, nas vias de comunicação? e a ausência de globalização e a adesão à AECL, no início da década de 60? Hum?


Hum o caraças. Que as comparações estáticas entre o agora e o antes são um abuso de raciocínio: todo o Mundo cresceu e em todo o Mundo se registaram melhorias de índices. E mesmo que, como na saúde, haja não apenas progresso absoluto mas também relativo (isto é, subida no ranking comparativo dos países) está por perceber quanta marcha-atrás terá que ser feita até que se atinjam níveis sustentáveis de despesa pública, na saúde e no resto.


E antes que venham para aí bolsar nas caixas de comentários insultos de salazarista!, facho!, e coisas piores, esclareço que, ainda que a gestão económica do País tenha sido nos últimos 38 anos, como foi, uma litania de disparates - nem por isso deixei de pensar que a única legitimidade admissível para governar é ter sido escolhido livremente pelos governados.


Tudo isto para dizer que não preciso de ser convencido da bondade da disciplina nas contas e, portanto, que deveria talvez receber esta notícia com alegria.


Mas não. Ser democrata implica inclinarmo-nos perante a vontade da maioria, mesmo quando - e se calhar sobretudo quando - a maioria escolhe miragens e compra banha da cobra. Ser democrata é isso - e ser patriota implica partir do princípio que quando estrangeiros nos governam, por muito lúcidos que sejam, não somos mais do que cidadãos de segunda.


E, salvo melhor opinião, ainda está para nascer aquela sociedade onde quem parte e reparte não escolha a melhor parte.


Os europeístas de todos os bordos dirão: que tolice, esta é a maneira de termos uma voz numa União de iguais, e salvarmos o precioso Euro, qual colonização qual quê.


Dream on, baby.

publicado por José Meireles Graça às 23:34
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