Quinta-feira, 8 de Novembro de 2018

Banco de estiramento IV

Exmo. Senhor Anónimo:

 

Notei a V/ carta de 23 de Outubro pºpº, recebida anteontem, sobre o assunto em epígrafe [Necessidade de actualização do Comprovativo de Identidade e Assinatura].

.

 

VV. Exªs têm o desplante de me notificar para comparecer num dos vossos balcões/lojas para o efeito de exibir o meu Cartão de Cidadão, que “se encontra expirado”. Ou seja, acham normal que vá perder tempo e dinheiro a um dos vossos estabelecimentos para o efeito de cumprir uma exigência meramente burocrática, ao abrigo de um diploma legal, a Lei 83/2017, cuja disposição pertinente não invocam (nem poderiam, tal disposição não existe).

 

Não se encontra o Cartão em apreço caducado, porque foi tempestivamente renovado. E do facto dei em devido tempo, porque me foi pedido, informação, esclarecendo que o número permanecia o mesmo. Acrescento agora que a minha assinatura continua igual, porque não fui entretanto vítima de qualquer acidente de índole vascular ou outra que me tivesse alterado a escrita, e que eu próprio guardo as feições com que tenho vivido desde a primeira e todas as várias vezes que perdi tempo com inutilidades no vosso balcão de Fafe.

 

Fui ler a lei que referem (em diagonal, que tem 191 artigos que só por si terão feito o ganha-pão de milhares de burocratas e parasitas sortidos), que se destina a combater o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo (o que bastava para considerar grotesca e até insultuosa a invocação de uma tal lei para me obrigar  a incomodar-me para exibir um documento a um funcionário cujo tempo decerto poderia ser destinado a actividades mais úteis), e apenas encontrei um artº, o 23º, que remotamente poderiam invocar, quando reza, na alínea d): “Existam dúvidas sobre a veracidade ou a adequação dos dados de identificação dos clientes previamente obtidos”.

 

Claro que VV. Exªs não têm dúvidas, nem razão para a as ter, apenas inventaram uma maneira cómoda para os vossos serviços, e incómoda para os clientes, de passarem a imagem, imagino que para a entidade de supervisão, de grande empenho no referido combate.

 

Mas como pudicamente solicitam que que me desloque a um vosso balcão, mas logo a seguir formulam ameaças, e portanto o que estão a fazer é exigir, informo o seguinte:

 

Estou disponível, em qualquer dia e hora, para receber um funcionário vosso, na minha residência ou no meu local de trabalho, para lhe exibir o meu Cartão de Cidadão actual, exactamente igual ao anterior que serviu para abertura da conta, salvo na data de validade, que é agora 25/09/2022.

 

Recebam VV. Exªs, como habitual, de cumprimentos, quanto baste.

 

José xxxxx xxxxxxxx xx Meireles Graça.

CC nº xxxxxxxx

Contribuinte nº xxxxxxxxx

Travessa xx xxxx xxxxx, nº xxx, xxxx-xxx Guimarães.

Tags:
publicado por José Meireles Graça às 19:26
link do post | comentar
Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018

Banco de estiramento (continuação da continuação)

Senhora xxxxx xxxxxxx:

 

Notei a carta de V. Exª da refª supra, com data de 12 de Outubro mas apenas hoje recebida, redigida na língua de pau a que já me habituou, e usando liberalmente da costumeira má-fé.

 

Com efeito:

 

  1. O “comerciante” junto do qual dizem ter diligenciado não sei quem é. Já anteriormente pedi que o identificassem, quando hipocritamente me sugeriram que o contactasse, mas nada feito, também agora. Tudo o que sei é o que consta do lançamento na conta-corrente relativa ao mês de Julho último, no dia 11, onde reza: PAYPAL CHERRYCHINA35314369001 – Terminal Internacional – Cartão 1473;
  2. Não estou nem nunca estive inscrito na PAYPAL, e nunca fiz ou recebi pagamentos através dessa organização;
  3. Existem denúncias na internet sobre esta moscambilha (suponho que já terá ouvido falar, trata-se de uma rede mundial de informação), por exemplo aqui: http://chargesure.com/c/paypal-cherrychina-on;
  4. A cláusula 10.6 das Condições Gerais que terei subscrito ignoro o que diz (ninguém em seu juízo perfeito perde tempo a ler contratos de adesão, redigidos normalmente por advogados manhosos para desequilibrarem a relação contratual, pondo todos os direitos de um lado, e as obrigações do outro). Porém, não há nenhuma redacção aceitável que ponha o banco ao abrigo dos seus deveres de diligência e correcção, e certamente nestas não se inclui a prodigiosa quantidade de palavreado que já me dirigiram para escamotear um facto simples:

 

O meu cartão de débito, que nunca perdi de vista, foi utilizado abusivamente, sem que a segurança que deve rodear a sua utilização a isso tenha obstado, por um “comerciante” que se recusam a identificar.

 

Donde eu concluo que VV. Exªs não contactaram verdadeiramente ninguém, não sabem do que estão a falar e tomam como prática normal da relação fornecedor/cliente a simples aldrabice.

 

Dos bancos antigos todos sabem o que pensar. Dos novos, pelo visto, é ingenuidade esperar que sejam um pouco melhores.

 

Passe V. Exª muito bem, que eu fico melhor graças a Deus.

Tags:
publicado por José Meireles Graça às 20:00
link do post | comentar
Terça-feira, 9 de Outubro de 2018

Banco de estiramento

Sou do tempo em que para meter gasolina se perdia pouco tempo, não se sujavam as mãos nem se poluía o ambiente com luvas de plástico jogadas fora. Bastava uma gorjeta modesta para o abastecedor, que fazia ele próprio o troco para contas que eram quase sempre redondas.

 

O salário mínimo eliminou os abastecedores; o dinheiro vivo foi substituído pelo plástico, em nome de uma comodidade o mais das vezes ilusória; e nas bombas o cidadão orgulhoso exibe a carteira com o estendal dos cartões com os quais o banco o esbulha e o Estado lhe controla os movimentos, enquanto entope a fila para declarar com cidadã satisfação o seu número de contribuinte e introduz o código na maquineta.

 

O sonho dos estatistas é aliás acabar com o dinheiro vivo. E tempos virão, e não estão longe, em que o funcionário enxerido saberá com rigor quantos cafés tomo pela manhã, e quantos maços de tabaco compro, até ao momento em que um fascista qualquer (pode ser o actual ministro da saúde, ou o anterior, ou o ominoso ex-secretário de Estado Leal da Costa, a liberdade tem poucos amigos) decida que o celebrado SNS não pode servir do mesmo modo quem cuida e quem não cuida adequadamente de si, por muito que os vícios já estejam carregados de impostos.

 

Na prática, não é possível viver sem um banco. Sei porque tentei. E até o pobre diabo que não tem mais do que a sua reforma acaba por ser forçado a ter uma conta, para não se expor a filas intermináveis para descontar o vale postal. Salvo se for cigano, caso em que as filas podem, como nos hospitais, ser ignoradas.

 

O Estado agradece. E o banco também, que pilha com naturalidade as contas à sua guarda sob os mais diversos pretextos, sob a atenta supervisão de farinha do mesmo saco, paga a peso de ouro.

 

Há poucos anos escolhi portanto um banco que não cobrasse comissões, no caso o banco CTT.

 

Até agora, não me cobrou nenhuma. E satisfeito estava até que um dia me apareceu um débito sob a designação PayPal Cherry China, portanto de uma organização que nunca usei, para pagar a uma firma que não conheço uma despesa que não fiz, com um cartão que nunca me saiu do bolso para aquele efeito.

 

O incidente deu origem a uma inacreditável saga. E amanhã, para este post não ficar demasiado longo, publicarei o último e-mail que, farto desta gente até aos olhos, dirigi à atrevida que me escreveu a recomendar-me que me dirigisse ao “comerciante em causa”, como se eu soubesse quem é.

Tags:
publicado por José Meireles Graça às 22:03
link do post | comentar

Pesquisar neste blog

 

Autores

Últimos comentários

Ficou, e com todo o mérito.
A gaita é quando um homenzinho só é conhecido por ...
A elisa ficou para as historietas da História quan...
1. «A liberdade de expressão é, se me perguntarem ...

Arquivos

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

adse

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

cds

censura

cgd

cgtp

comentadores

cortes

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desigualdade

dívida

educação

eleições europeias

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fiscalidade

francisco louçã

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

populismo

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

saúde

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vital moreira

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds