Quarta-feira, 2 de Outubro de 2013

All lose games

Por razões profissionais abri um processo de recrutamento para professores.

Tem sido como fazer pelo menos duas novas cadeiras neste infindável curso da Escola da Vida, a saber: "Mitos quebrados, mitos reforçados - ou como as generalizações são estúpidas" e "Teoria de Jogos revisitada: all-lose-games" (suspeito que, em ambos os casos, deva aplicar um "I" no final da designação...).

Atender-me-ei apenas à segunda porque sendo as generalizações estúpidas, o comentário sobre casos individuais é indiscrição.

 

O que tem sido então a matéria em "Teoria de Jogos revisitada: all-lose-games"? Tem sobretudo versado sobre a "contratação de escola" que é a possibilidade que as escolas têm de, segundo regras estabelecidas pela DGAE, contratar professores para completar horários ainda por preencher.

 

Então o que acontece?

Existe uma lista de professores de cada grupo disciplinar, seriedada por critérios complexos - baseados sobretudo em antiguidade - a que todas as escolas recorrem para recrutar professores. Podem chamar 5 de cada vez. Telefonam ao primeiro, chamam-no para entrevista - sendo que a escola pode ser em Lisboa e o candidato da Guarda - a entrevista acontece e o "colega" tem 48horas para decidir se quer ou não aceitar o horário. Durante esse tempo a escola espera. E por escola, entendam-se os alunos.

 

Se o "colega" aceita, então tem que apresentar-se na escola no dia a seguir. Se não aceita - porque teve uma proposta de outra escola mais próxima de casa, por exemplo - no final das 48 horas referidas, então a escola telefona ao segundo da lista e recomeça o processo. Isto repete-se até que a escola encontre alguém, algures na lista, que aceite aquele horário naquele local.

 

Ouve-se, numa sala da Escola da Vida, uma voz de genuína dúvida: "Então mas não seria possível abrir um recrutamento, aceitar CV, selecionar de acordo com as preferências da escola e começar em 5 dias no máximo, antes ainda do começo das aulas?"...Parece que não, por causa da seriação e das regras. Porque seria uma potencial  injustiça para os "colegas". "E os alunos sem aulas?", repete a mesma voz, mas já sem resposta...

 

Vejamos então, em jeito de síntese da matéria dada: estamos em outubro. Os alunos não têm professores e aguardam em ciclos de 48horas. As escolas não têm professores e têm a carga administrativa de uma empresa de seleção de RH sem ter o grau de liberdade da escolha - ah pois, a seriação tem destas coisas. Os professores da lista não sabem se vão ser chamados, de onde vão ser chamados e o que vão estar a fazer  e onde vão estar a viver no final do mês.

 

Pergunta-se: quem ganha neste jogo? Aprendi na cadeira acima mencionada que a resposta é "ninguém", todos perdem. Bem que a Ciência poderia revisitar a Teoria deste Jogo...

publicado por Ana Rita Bessa às 15:03
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Sábado, 17 de Agosto de 2013

Pagar ao estado sem contrapartida

 

Esta postura, cega, é a que vai vencer no debate sobre o cheque-ensino, fazendo esquecer que cada família paga nos seus impostos a escola pública e não pode reaver o dinheiro entregue se escolher uma escola privada. Vital Moreira que tantas vezes diz coisas sensatas, neste caso deixa-se dominar pela cegueira ideológica:

 

"o nosso sistema constitucional o compromisso político e financeiro do Estado é com a escola pública. Todos têm liberdade de frequentar escolas privadas -- incluindo escolas religiosas --, se assim o preferirem, mas ninguém tem o direito de ser financiado pelo Estado para esse efeito. O dinheiro público não pode ser usado para alimentar projectos de ensino confessional ou elitista."

 

Pena. Perderá Portugal. Com a decadência inexorável da escola pública e a não liberdade, condicionante das famílias que não se resignam, é o futuro que se compromete ainda mais.

publicado por João Pereira da Silva às 05:40
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013

Pseudo-palavras-por-minuto

Este post é escrito pela mãe de L.

A L é uma menina de 7 anos feliz e bem disposta, que estuda no 2.º ano de um colégio em Lisboa. É uma aluna regular, esforçada e que gosta de aprender.

Hoje foi dia de reunião de pais.

A professora - de quem muito gostamos por que sim, e também porque consegue um ótimo equlibrio entre exigência e suavidade, criatividade e disciplina - apresentou as metas curriculares para Lingua Portuguesa de 2.º ano. Que dizem assim (meus sublinhados):

 

"Ler em voz alta palavras, pseudo-palavras e textos:
1. Ler pelo menos 50 de uma lista de 60 pseudo-palavras monossilábicas, dissilábicas e trissilábicas (4 sessões de 15 palavras cada).
2. Ler corretamente, por minuto, no mínimo, 35 pseudo-palavras derivadas de palavras.
3. Ler quase todas as palavras monossilábicas, dissilábicas e trissilábicas regulares encontradas nos textos lidos na escola e pelo menos 12 de 15 palavras irregulares escolhidas pelo professor.
4. Decodificar palavras com fluência crescente: bom domínio na leitura das palavras dissilábicas de 4 a 6 letras e mais lentamente na das trissilábicas de 7 ou mais letras.
5. Ler corretamente, por minuto, no mínimo 65 palavras de uma lista de palavras de um texto apresentadas quase aleatoriamente.
6. Ler um texto com articulação e entoação razoavelmente corretas e uma velocidade de leitura de, no mínimo, 90 palavras por minuto."

 

Este post é escrito pela mãe da L. 

A L é uma menina de 7 anos que devia estar a aprender o gozo de aprender. Em quem devia estar a ser estimulado o interesse pelas palavras, pelo que elas permitem falar de nós, dos outros e do mundo. Que são muitas. Que se escrevem de uma determinada maneira. E, claro, que captar tudo isto, torná-lo seu, implica esforço e trabalho.

A professora - de quem muitos gostamos - não devia ter que usar um cronómetro como instrumento de medição do que L, de 7 anos, já aprendeu.

 

Hoje foi dia de reunião de pais. Aprendi que o mundo é um lugar estranho. E embora consiga dizer isto em breves segundos, o "eco" destas palavras perdura por muito mais do que o tal minuto.

publicado por Ana Rita Bessa às 22:51
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