Que grande alegria, o relatório sobre Portugal não traz nada digno de nota. Pode-se, com facilidade, fazer o download, imprimir e pôr na mesinha de cabeceira para ler com vagar - o Grande Irmão Branco, desta vez, concede que estamos dentro das guidelines.
Outros não têm tanta sorte, como o Brasil - a Presidenta Dilma, tementa das consequências, deve estar, por estes dias, a benzodiazepinas.
Por curiosidade, fui procurar o relatório sobre os EUA, a ver se dizia alguma coisa sobre a pena de morte, a prisão perpétua, os abusos policiais, a guerra demencial contra os criminosos que consomem substâncias que as autoridades acham que não deviam consumir, os abusos dos tribunais e o sistema prisional. Sobre tudo isto e muito mais do que pode produzir uma sociedade obcecada com crime e castigo e onde a liberdade consiste cada vez mais em ser igual ao vizinho, há notícias todos os dias - só hoje li esta e esta.
Nada, deve ser outro responsável - o Secretário Kerry tem o pelouro de espetar o dedo patronizing nos peitos contristados dos países relapsos; a introspecção pertence possivelmente a um departamento diferente, que não pude identificar.
Pergunta: É possível num país democrático a polícia, o Ministério Público e médicos comportarem-se, sem estarem a obedecer ordens, sem receio de represálias e sem ofenderem a Lei positiva, de forma claramente ofensiva dos direitos humanos, e fazerem isso rotineiramente?
É, se esse país for os EUA. Terra da Liberdade my ass, é o que se conclui desta história. Abusos policiais de todos os tipos, incluindo mortos por erros de avaliação das circunstâncias ou excesso de reação, já não causam escândalo, por já não serem novidade. Tal como penas demenciais e cadeias superlotadas se tornaram correntes.
Tudo isto em nome de uma guerra, a Guerra à Droga. Que como nunca foi, nem esteve perto de ser, nem pode ser, ganha, induziu a escalada de meios, numa espiral que se auto-alimenta.
Não tinha, nem tem, que ser assim, e no país da Lei Seca, que fez gangsters milionários, cadáveres a esmo, e filmes às resmas, mas não acabou com o consumo do álcool, they should know better.
Mas não, não sabem.
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