Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

Verdadeira oposição

 

Museu de Arte Antiga-03.jpg

 

Se o Estado fechasse 4 ou 5 desses pseudo-museus que ornamentam os panfletos "culturais" do país sem absolutamente nada para mostrar, pegava em 18 inúteis e dava-lhes préstimo no Museu de Arte Antiga. Um por sala aberta ao público, a juntar aos 64 que já lá trabalham. E outros tantos para ajudar a manter, limpar, programar, tratar da burocracia (que é muita), e cuidar de um dos poucos museus nacionais com toda a razão de existir.

 

Mais: o Museu de Arte Antiga tem (ou tinha?) um excelente departamento de restauro (ou laboratório, não sei como lhe chamam), com óptimos profissionais, que podia não só ocupar-se das peças do próprio museu como vender os serviços a coleccionadores, antiquários, e particulares que têm (como vi em Agosto) quadros espantosos de autores respeitáveis (não são Mirós) a estalar escurecidos nos solares portugueses.

 

Ainda que tivesse de lá meter uns milhares para actualização do equipamento; ainda que tivesse de fechar outras tantas "fundações" para arranjar os milhares, e vendesse os edifícios ao McDonalds - para gáudio do povo e desmaio da Catarina Portas. Governar é conhecer os assuntos e fazer escolhas.

 

Há um par de semanas, a direita chocou-se a propósito da ex-ministra Rodrigues; agora chega-nos este Pimentel. O CDS está imparável no combate às esquerdas, crescendo como um fenómeno na consideração do eleitorado, a acertar em cheio nos seus convidados.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 16:54
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Domingo, 19 de Junho de 2016

Não somos sequer parecidos

 

NYC-Vago-640.jpg 

A direita "dos negócios" deixou cair Ricardo Salgado e o grupo Espírito Santo. A esquerda da "transparência" limpou o BANIF com dinheiros públicos e tratou de o entregar ao Santander.

 

A direita "trauliteira" quer saber como e quem estoirou a Caixa Geral de Depósitos. A esquerda "unida" levanta obstáculos à comissão de inquérito, em nome da "estabilidade" do sistema financeiro e da "reputação" do banco do Estado. E assim mesmo, às escuras, subiu para 19 o número de administradores, aumentou-lhes os ordenados, e prepara-se para lá meter mais 4 mil milhões dos nossos euros.

 

A direita "determinista" quer que as crianças pobres tenham escolas com qualidade. A esquerda "das pessoas" quer ter os seus filhos nos colégios privados e atirar com os pobres para a bagunça do sistema público. E argumenta: “a liberdade existe", quem quer melhor "que pague do seu bolso".

 

A direita "autoritária" quer dar às famílias pobres o direito a escolher o ensino dos filhos, laico ou religioso, público ou privado, comunista, clássico ou experimental. A esquerda da “diversidade” quer as crianças pobres “protegidas” da Igreja e do “lado errado da história”, impondo a FENPROF, o sr. Nogueira, o Plano Nacional de Leitura (uma lista de livros “certos”), e as matérias politicamente correctas escritas com os pés. Explicando que a liberdade de ensino deve ser distribuída com precaução, reservada aos esclarecidos, uma vez que nem todos estão “filosoficamente preparados”.

 

Curiosamente a Igreja, que devia ter neste assunto uma posição oficial, pede licença para vir aos jornais gemer baixinho a sua perda de influência.

 

A esquerda chega ao poder aos encontrões e faz o que quer, com uma cartilha infantil. A direita espera quieta pelo resultado. Ou apresenta a sua cordura, a sua “moderação”, sem perceber que escolhe o caminho mais curto para se diminuir; a “moderação” não é um plano nem uma identidade, é uma maneira secundarizada de reconhecer a virtude da esquerda.

 

A natureza de uns e outros é hoje visível, talvez mais do que alguma vez foi nos últimos 40 anos. Quando a direita apanhar os restos da sua decepção tem de interpretar o país, descrever o arranjo que está a mandar nisto, explicar os riscos, fabricar uma proposta clara e construir uma retórica para se definir. Não existe “centro” (nem “moderação”) quando as pessoas estão aflitas e precisam de escolher a quem entregar os seus sacrifícios.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 13:51
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Simplex menos

 

Duque de Loulé-2015-09-04 (500x333).jpg

 

Sobre o "Simplex+", das duzentas e cinquenta e tal medidas:

 

Suponhamos: criação de galinhas. Suponhamos outra vez: estão lá 3 medidas. Dá um certo trabalho a avaliar; é preciso estudar com atenção cada uma daquelas 3 medidas. Se é ou não vantajoso calcular o volume em metros cúbicos da crista do reprodutor; se cacarejam antes ou depois de ouvir as músicas do Vasco Palmeirim; se as penas junto ao pescoço obedecem ou não a um intervalo cromático estabelecido em edital, disponível na plataforma online "Deixa Aqui o Teu Có-coró-cocó".

 

Suponhamos agora outro assunto. Por exemplo, cultura. Não é preciso supor mais nada, porque na verdade estão lá medidas até vir a mulher da fava rica (no pun intended). Mas não dá trabalho nenhum a avaliar, porque são todas magníficas e todas dirigidas ao financiamento simplificado de "obras" de "arte", sempre de excessiva irreverência e rebeldia, com que os nossos Leonardos se bajulam a si mesmos e aos governantes do PS.

 

Por fim, suponhamos: reabilitação. Mais especificamente, no capítulo dos licenciamentos urbanísticos. Ainda pensei encontrar por lá umas fraudezinhas cosméticas, umas decisões espantosas de substituir papelinhos por assinaturas electrónicas. Mas não. As medidas simplificadoras dos processos urbanísticos ascendem a zero. Li o relambório de uma ponta à outra e confirmei que ("palavra dada, palavra honrada") o dr. António Costa está apostado em simular que faz reabilitação com "investimento" público. Lá facilitar, simplificar, encurtar os prazos de resposta, compatibilizar regulamentos, confiar nos cidadãos para reabilitar as suas casas com dinheiros dos seus próprios bolsos, pagando ao Estado quantias régias em taxas de apreciação de projectos e alvarás de licença de obras - nem uma medida. Zero.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 20:02
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Lições de hipocrisia

 

Graffiti-01.jpg

 

Ontem foram muito claros: os senhores comentadores da Quadratura do Círculo não se ocupam de tudo, nem escolhem os assuntos ao calhas. Há assuntos comentáveis; e há, por outro lado, motivos de tumulto inconsequente, não vale a pena gastar com eles tempo e prestígio. Uns e outros distinguem-se de acordo com uma escala de importância medida pela probabilidade de acabarem (ou não) por derrubar ministros. Um bom critério.

 

Sucede que na semana passada caíu um ministro, e caíu com estrépito. À excepção de Lobo Xavier, que mencionou a coisa pela superfície (e meio de lado, como quem passa por um embrulho num corredor estreito), ninguém abriu a boca. Deixemos as “bofetadas”, que importam mas pouco. E deixemos também de parte a rudeza da prosa que o Ministro da Cultura, sem medo do ridículo, classificou de “queirosiana”. Nenhum dos comentadores teve o juízo de explicar ao povo que o pensamento (ou a ciência, e em rigor “a cultura”) não evolui sem irreverência e até, muitas vezes, sem uma certa dose de brutalidade. Faltou-lhes em matéria o que lhes sobrou em cobardia.

 

O senhor Ministro mostrou que a crítica lhe era insuportável, que a encarava como um insulto pessoal, e lhe fazia saltar uma mola de incapacidade e desorientação. Decidiu exibir-se em público neste estado de alma, fazendo o que as elites portuguesas (sobretudo do PS) fazem melhor sempre que são contrariadas pela opinião dos outros: atribuem a crítica a motivos exteriores. O problema nunca está no comportamento deles, nem nos seus erros, abusos, ou prepotências, mas sim nas circunstâncias dos autores, que estão “bêbados”, ou “dementes”, sofrem “degradação cerebral”, ou “foram pagos” para dizer o que dizem. A crítica, nas cabeças inseguras dos ministros socialistas, cuja dignidade vem exclusivamente do cargo e se liberta deles ao mais pequeno pretexto, nunca é legítima nem salutar. Este queria uma cultura mansa e reverente. E há quem diga que “não houve um problema político”.

 

Acima deste estardalhaço está a maneira como o Primeiro-Ministro despediu o indigente, começando por desautorizá-lo na televisão, dizendo dele que não sabia comportar-se “nem à mesa do café” (toda a gente percebeu que “à mesa do café” foi uma elegância de António Costa para não dizer “na taberna”). No dia seguinte, surpreendido com a demissão, agradeceu-lhe os serviços e louvou-lhe os talentos, “lamentando” que o ministro “não tivesse tido a oportunidade” de cumprir o mandato até ao fim. Tal como disse, quando inviabilizou as negociações com o PSD e o CDS, que Passos Coelho “não foi capaz” de se entender com o PS. São os processos de Costa, de quem a hipocrisia tem muito a aprender.

 

Restam os ministros que andam agora a agitar o conformismo do povo. A Defesa dá pretextos magníficos, desrespeitando os oficiais do Exército; e a Educação, tutelada por um rústico fanático, promete festa com fogo-de-artifício. Para mencionar os que se alinham na primeira fila. Em matéria de sarilhos Costa já tem abundância: quando se levanta tem sarilhos à espera dele, de manhã com a extrema-esquerda no Parlamento, à tarde com a “Europa”, todas as horas de todos os dias desde que armou esta espécie de governo. Quando o próximo ministro se expandir Costa terá para ele o mesmo tratamento, com o mesmo molho de lisonja e desconsideração, e o infeliz vai voltar para casa com as orelhas baixas e a latir a indignidade de ter sido um instrumento descartável na “união das esquerdas”.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 22:55
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