Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Desventuras de Segismundo

Se eu fosse uma personagem de banda desenhada o autor desenhava-me com ar de guarda-livros, de óculos, careca, um pouco sobre o gordo e de meia-idade.

 

Se a acção se iniciasse de manhã com a personagem, chamemos-lhe Segismundo, a sair de casa, aparecia com os olhos inchados e meio fechados, em particular o esquerdo; e sobre a cabeça uma nuvem escurenta pairava, cheia de raios e coriscos.

 

Segismundo guiava, sem pôr o cinto de segurança, até à bomba de gasolina distante aí uns 500 metros, parava à porta da casinha, por onde irrompia resmungando um bom dia! pouco convincente, para ouvir a funcionária dizer, como diz sempre: Bom dia sr. Segismundo. Dois e um?

 

Isto é um código, e destina-se a confirmar um laço de cumplicidade criativo de uma barreira contra outros clientes que porventura estejam no estabelecimento, carentes do privilégio de a empregada saber antecipadamente o que querem, no caso dois maços de tabaco e um café.

 

Na televisão, ligada todo o santo dia demasiado alto, Gouxa àquela hora grasnava e Cristina não-sei-quê gania; e Segismundo sabia de ciência certa que no outro café, na vilória de destino, onde dentro de meia hora emalaria mais três cafés de enfiada, veria ao cabo deles as mesmas duas personagens numa televisão igual, mas com olhos de respeito por quem tanto trabalha, espanto pelo novo fato de Manuel Luís, que o muda todos os dias, distraída admiração pelas coxas de Cristina, que graças a Deus as conserva sempre iguais, e compreensão pelos milhares de donas-de-casa a quem aqueles chilreios inanes aliviam a maçada das tarefas matutinas.

 

O dia de anteontem foi porém diferente para Segismundo. Porque na rotunda 200 metros acima estavam dois cobradores de impostos na versão guardas nacionais republicanos, e um deles mandou-o encostar, evidenciando alguma suspeita excitação. Segismundo preparou a carta de condução e o cartão de cidadão e abriu o porta-luvas e o vidro para ouvir um simpático jovem dizer, ao mesmo tempo que pegava nos documentos já disponíveis: Bom dia sr. condutor, posso ver os documentos da viatura?

 

Aberta a pasta onde se encontravam, quis apenas o documento único, que era aliás o primeiro. E com ele foi conferir os selos que estão no para-brisas, após o que regressou para dizer com bons modos e usando o sobrenome de Segismundo, ao contrário do que os seus colegas costumam fazer, que havia um problema.

 

Havia, ai.  E após demorado exame dos vidros e dos números que lá se encontram gravados, Segismundo foi confrontado com a informação de que aqueles estavam recobertos por uma película escurecedora que não estava homologada, coisa que aliás o senhor condutor podia confirmar na viatura da GNR onde um ominoso PC atestava com uma série de números incompreensíveis que, de facto, aquela alteração não constava da ficha de não sei quê. Razão pela qual era devida uma multa de 250 euros.

 

Segismundo não conta nas suas numerosas qualidades a de um excessivo respeito pelas cominações das autoridades. E mansamente inteirou o agente da sua perplexidade: se as coisas eram assim, como se compreendia que ainda há poucas semanas a inspecção periódica obrigatória tivesse, a troco de uns modestos trinta e poucos euros, certificado o mais completo respeito do veículo pela legislação aplicável? Tanto mais que a própria GNR, na falta do selozinho que certificava aquela conformidade, aplicava uma multa de 250 euros? Não não, Segismundo não pagava, ia reclamar.

 

O agente declarou com desgosto que realmente aquelas entidades que fazem a inspecção deixavam a desejar, parecendo ignorar a legislação; e que ele, agente, discordava que fossem entidades privadas com aquela missão porque não tinham interesse em afugentar o inspecionado que, se incomodado, da próxima ia a outro centro. Isto não obstante, informou melancolicamente, também lhe parecer que, se fossem públicas, se calhar o resultado não seria muito melhor.

 

A Segismundo neste ponto começou a parecer que o agente, com o qual já estava favoravelmente impressionado, destoava bastante do ordinário dos seus colegas, que tendem a lembrar por demais a digna enxada que nunca deveriam ter largado. E por isso lançou-se numa amena troca de impressões, com o fito de apurar até onde ia a lucidez do moço.

 

Não ia muito longe: confrontado com a informação de que, em países como os Estados Unidos, os vidros fumados eram usados frequentemente e muito mais escurecidos sem que isso fosse considerado uma grave quebra de segurança, retorquiu que os polícias americanos tinham muito mais poder, num salto de raciocínio lógico que não pôde acompanhar. E como o senhor condutor tinha a declarada intenção de não pagar mas discutir, informou o diligente militar, teria que apreender a viatura.

 

Seguiu-se a emissão do auto de contraordenação, do auto de apreensão do veículo e da guia de substituição de documentos, esta válida por 24 horas.

 

Segismundo, com a manhã quase esgotada com estas actividades, foi trabalhar como de costume; e, a seguir ao almoço, levou o automóvel ao concessionário para efeitos de remover as películas em questão.

 

Foi um trabalhão, e o solícito mecânico informou prescientemente que o veículo iria ficar a cheirar a diluente, por causa da remoção da cola. Ficou. E quando o cheiro desaparecesse haveria ainda que desmontar o vidro de trás, visto que o serviço não tinha ficado perfeito por causa da resistência eléctrica – fumado já o vidro não estava mas tinha uns teimosos restos de cola.

 

A operação custou a ninharia de 102,09 euros.

 

Restava portanto ir levantar os apreendidos documentos a Braga, ao IMTT, se aquele prestigiado departamento os entregasse sem o pagamento da multa, pormenor sobre o qual os extensos textos das notificações, redigidos em legalês de funcionário, deixavam pairar uma dúvida angustiante.

 

Entretanto o concessionário em pessoa, inteirado destes sucessos, achou toda a história obscura. E, inquiridos os serviços por causa da falha que de algum modo lhes era imputável, veio o esclarecimento de que não apenas os vidros em questão estavam perfeitamente legais como inclusive dispunham do respectivo certificado de homologação.

 

Como porém a viatura já não pudesse circular, sendo Segismundo fiel depositário e guardando-a em nome do Estado na sua residência, pessoa amiga prontificou-se a inquirir junto do organismo como proceder.

 

Bem, uma coisa ficou certa, e essa é a de que os documentos lá não estão, só talvez para a próxima terça-feira.

 

Neste ponto da história o autor não sabe bem que saída haverá de dar à embrulhada em que Segismundo se meteu e requer o concurso dos leitores pacientes. Pergunta-se:

 

Deve Segismundo pagar a multa?

 

Se sim, e se mesmo assim reclamar, pode ter alguma esperança de recuperar o que pagou?

 

Se o concessionário tiver, como parece, razão, a remoção das películas tornou o veículo desconforme com a homologação. Não implica isso que um outro zeloso agente autue e apreenda por os vidros terem ficado brancos?

 

Nestes dias em que Segismundo usa um veículo emprestado, quem o indemniza pelo favor que fica a dever e pelo transtorno de se deslocar num desportivo que lhe dá cabo das costas? E quem o vai ressarcir das despesas na oficina, das perdas de tempo e dos transtornos escusados?

 

Deve Segismundo, que tem o vício de escrever, fazer doravante textos acerbos sobre o estado a que o Estado chegou no seu afã de angariar receitas de qualquer maneira por processos desonestos e abusivos que o desprestigiam, apoucam os agentes da autoridade que têm que agir como esbirros de uma quadrilha de ladrões, e degradam a cidadania?

 

Estas as dúvidas excruciantes do autor.

publicado por José Meireles Graça às 20:34
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Sábado, 5 de Março de 2016

Vícios privados, públicas virtudes

"O objetivo é reduzir a sinistralidade".

Então não é? A prova do amor a este nobre objectivo é que "o sector inspeciona uma média de 5,7 milhões de veículos anualmente e factura cerca de 170 milhões. O dirigente associativo diz que todos os centros fizeram reconfigurações de zonas específicas que estarão concluídas neste 1º semestre".

 

Um sector dinâmico, portanto. Mas nem tudo são rosas: há casos em que “temos dois centros no mesmo local e isso não é vantajoso para a actividade e vamos manifestar preocupação à tutela”, diz ainda Paulo Areal.

 

Realmente, Paulo mede, com louvável contenção, as palavras - que, se eu fosse proprietário de um desses locais onde teoricamente se verificam as condições de segurança dos veículos, veria com indignação a circunstância de ter um concorrente por perto, por a dignidade do estabelecimento se ver atingida: quem leva a sério um serviço obrigatório num estabelecimento sem filas de espera, sem marcações, e que o cidadão pode trocar por outro se achar que lá é mais bem servido?

 

O número elevado de aberturas previstas para novos centros, embora as margens do sector tenham descido substancialmente, vai criar "instabilidade", acrescenta o presidente da ANCIA (Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel), que nos interpela, na fotografia que ilustra o artigo, com olhos argutos e inegável distinção. E, também aqui, tem razão - uma manifestação dos trabalhadores, armados de chaves inglesas, contra o encerramento de um Centro, é uma perspectiva aterradora, que deve ser evitada aumentando as margens do negócio. Previdente, adianta soluções: "Todos os motociclos acima dos 50 cm3 deveriam ser sujeitos a inspeção periódica. O objetivo é reduzir a sinistralidade".

 

Está coberto de razão. Porque se o legislador decidiu que "os motociclos acima dos 250 cm3 vão passar a ser sujeitos a inspeção obrigatória, tal com os ligeiros e os pesados na atualidade" não se percebe por que razão os motociclos com cubicagem inferior ficarão isentos - um veículo de duas rodas circulando a 20, ou 40, ou 80 km à hora é igualmente perigoso qualquer que seja a cilindrada.

 

Daí que Paulo, não lhe tendo escapado o escândalo dos reboques abaixo dos 3500 Kg e ainda os triciclos e quadriciclos acima dos 250 cm3, os tratores agrícolas e as máquinas industriais, tudo equipamentos que continuam isentos, deixou passar as bicicletas, que se estão tornando uma verdadeira praga e podem, no caso de os proprietários não conservarem os travões e os pneus nas adequadas condições, causar grandes danos à segurança rodoviária.

 

O caso das máquinas industriais é particularmente gritante: se não estiverem em boas condições podem não produzir os resultados que delas se esperam, facto do qual os responsáveis dos estaleiros não se apercebem, ao contrário dos inspectores da ANCIA, com a devida formação em retroescavadoras e martelos vibratórios.

 

Claro que, de longe em longe, algum estudo independente demonstra que não há qualquer garantia de que defeitos graves sejam detectados nas inspecções; que o estado de conservação dos veículos tem muito mais a ver com condições económicas dos proprietários do que com inspecções; e que não há nenhuma demonstração de que haja um ganho significativo para a segurança rodoviária em inspecções que têm uma componente marcadamente fiscal e obedecem a normas por vezes arbitrárias, quando não simplesmente cretinas.

 

Mas lá que Paulo faz bem o seu papel, que é defender o interesse dos seus associados a expensas dos cidadãos, embrulhando esse interesse na retórica da defesa de bens públicos - faz. E que o governo de Costa é o interlocutor ideal para este género de golpada - é.

 

publicado por José Meireles Graça às 13:14
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Psico-lérias

Há uns condutores masoquistas que se deslocam voluntariamente em automóveis velhos ou com manutenção defeituosa. Não é que lhes falte o dinheiro para adquirirem novos ou para fazerem reparações, é que têm um grande amor às antiguidades, uns; e não dispõem de vagar para ir à oficina, outros. E como são todos burros de nascença, e com tais omissões e descasos poderiam pôr em risco as próprias vidas, e as de terceiros, e este grave problema já estava solucionado lá fora, o Estado resolveu há anos copiar as soluções que nações notoriamente mais adiantadas e lúcidas haviam posto em prática.

 

Daí vieram, com grande aplauso, as inspecções periódicas. Podia ter sido criado mais um serviço público, igual a tantos outros e igualmente daninho, mas a coisa deve ter sido decidida por alguém com inclinações para o mercado, a eficiência, a competitividade e assim - não há nunca falta de imaginação para embrulhar ideias parvas em roupagem moderna - pelo que os centros de inspecção são privados.

 

Foi uma corrida: quem é que não quer um negócio com clientes cativos, margens garantidas e obstáculos à entrada? E hoje o país está felizmente coberto de pavilhões onde, uma vez por ano, o condutor vai rezar para que o inútil de serviço não note a avaria que sabe perfeitamente existir, e que não corrige porque, entre outras razões, os recursos lhe são sugados para alimentar um Estado insaciável que encara o cidadão, sobretudo, como contribuinte, se este tiver algo de seu, e o automóvel como uma vaca leiteira em qualquer caso.

 

Claro que essa benemérita associação de consumidores que dá pelo nome de DECO resolveu há anos levar um veículo com avarias ocultas à inspecção, e foram muitos os centros que as não detectaram; e claro que, com o tempo, os Centros evoluíram para departamentos do Fisco, como aqui candidamente se relata: há multas para quem deixar o amarelo das matrículas desmaiar.

 

Entrou nos usos e não se discute. Se todos os centros fechassem, por a inspecção deixar de ser obrigatória, teríamos manifestações em defesa dos postos de trabalho; gente indignada nas televisões e na opinião, a defender o que imaginam ser segurança rodoviária; e técnicos a brandirem estatísticas, demonstrando que, sem inspecção, uma percentagem significativa dos condutores, afectados de pulsões suicidárias, não cuidaria dos seus veículos.

 

Pois bem: uns quantos velhos, de longe em longe, circulam na autoestrada em contramão, e nas notícias entre sorrisos de comiseração; em geral andam muito devagar; e já não é o primeiro que se esquece do chapéu, ou de mudar de velocidade.

 

Isto não pode ser. E esta senhora vê aqui uma excelente oportunidade de emprego, para ela e as ilustres colegas. Para nos sossegar, adianta que o impacto de perder a carta de condução é, no caso dos idosos "mais uma perda das muitas que vão tendo, de forma natural, ao longo da vida".

 

Já estou daqui a ver o tipo de conforto que esta doutorada pode oferecer a uma mulher que tenha perdido o marido: ai sim? Mas olhe que ele estava num caco; ou a um senhor que tenha perdido o pai velhíssimo: olhe que ele já estava todo fodido.

 

Siga. E já agora, que está com a mão na massa (enfim, quase), conviria que não esquecesse que os novos também precisam de exames da sua especialidade: não têm eles notoriamente mais acidentes, e mais graves, do que os condutores de meia-idade? E as senhoras, na crise da menopausa, não verão as suas capacidades cognitivas um tanto perturbadas, com aqueles desarranjos hormonais todos? E os senhores de meia-idade, com frequência inclinados a suprirem, com a aquisição de potentes descapotáveis, o vigor físico que vai faltando?

 

Bem vistas as coisas, além do exame médico, acaba por ser necessário o exame psicológico, para ter carta de condução. E um e outro com pequenos prazos de validade, que hoje está-se na plena posse das faculdades mentais e físicas, e amanhã concorda-se com estes disparates.  

publicado por José Meireles Graça às 00:37
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

O atestado com reservas

Recebi no telemóvel uma mensagem informando-me que até ao dia xis o meu carro teria que ir à inspecção periódica.

 

Embirro com esta modernice pateta: a ideia de que os automóveis podem ter condições deficientes das quais os condutores não se apercebem mas um mecânico apressado e distraído, cuja consulta é obrigatória, sim. Excluo o caso de uma minoria de senhoras e cavalheiros de idade provecta, em geral portadores de chapéu, que regra geral não fazem a menor ideia de condução, segundo análises empíricas que o tempo consagrou.

 

Há por certo automóveis que circulam com pneus em condições deficientes ou os travões em mau estado. Mas isso tem que ver com a idade dos veículos e a falta de recursos dos proprietários, não com a falta de desvelo do Estado a impôr inspecções, fiscalizações, conselhos e multas. E o que custa toda essa parafernália de controlos, papeletas e inspecções teria melhor uso no bolso dos contribuintes, que não são nem suicidas nem tão estúpidos quanto o legislador e as associações de consumidores os fazem.

 

Cidadão moderadamente cumpridor, sobretudo em havendo a perspectiva de multas terroristas, pedi a um colaborador (cujas funções nada têm que ver com automóveis, numa pequena manifestação concreta daquela gestão abusiva que é a marca d'água de alguns pequenos gestores) que levasse à cerimónia da revisão o veículo em questão.

 

Assim foi. Mas - ó desgosto! - no regresso o funcionário vinha pávido, e disse-me cavamente, ao mesmo tempo que me apontava uma linha num papel verde: pode circular mas puseram reservas.

 

Baixei os olhos para os dizeres e lá vinha, como uma condenação ao degredo: Código 840 - Matrículas - Materiais deformados ou deteriorados.

 

Mas que p. de merda é esta? - berrou a minha costela popular do Vale do Ave. E a resposta veio, cortante: o fundo amarelo na indicação do ano na matrícula está descolorido. Se não substituir as matrículas e for apanhado parece que a multa não é pequena.

 

A indicação do ano de registo nas matrículas serve apenas para denunciar aqueles que importam carros usados, protegendo abusivamente os concessionários locais; o fundo amarelo não é mais do que a manifestação do gosto piroso de um qualquer legislador com a mania que é designer; e o fundo azul e as estrelinhas na outra ponta são propaganda europeísta.

 

São grandes, as matrículas portuguesas. E precisam: para nelas caber tanta asneira.

publicado por José Meireles Graça às 19:02
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