Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

As falácias das liberdades

É sempre esclarecedor ver os socialistas da nova geração explicarem que as liberdades, aqui a de escolha, por aí a de imprensa (ou , ou , ou , ou , ou , ou ) ou a de manifestação (mas não aqui, e muito menos aqui), alguns vão ensaiando a de opinião, e na cabeça deles só Deus sabe quantas mais, são falácias incompatíveis com a ideia de sociedade que eles têm para nós.

Mas não é nenhuma novidade. Desde o tempo das amplas liberdades que já se sabia que as outras liberdades são incompatíveis com a ideia de sociedade que eles trazem na cabeça.

Novidade é serem socialistas do Partido Socialista a virem para a rua fazer a denúncia das liberdades burguesas que, antes, ficava por conta dos comunistas e da esquerda radical, barbuda ou engraçadinha, que agora se auto-intitula social-democrata.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 16:24
link do post | comentar
Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Uma certa visão elitista e socialista do estado social."Se querem colégios particulares, paguem-nos"

"Se querem colégios particulares, paguem-nos" é uma frase tão elitista e sociopata como "Se querem bifes, paguem-nos".

Curiosamente, anda hoje em dia na boca de muitos que, em plena crise social causada pela bancarrota do governo socialista anterior, se exaltaram e trataram como genocida uma anti-Maria Antonieta que, à época, sugeriu "se não têm dinheiro para comer bifes, comam frango". Percebe-se porquê. Para quem aspira a uma hecatombe social que acenda o rastilho de uma revolução, uma frase como "se não têm pão, comam brioche" faz maravilhas a incitar o ódio ao estabelecimento, mas uma alternativa à fome acessível a quem não tem dinheiro para comer bifes aborta a sonhada revolução antes de ela nascer. Sem gente a morrer de fome, não há pachorra para revoluções.

A frase podia ter uma formulação infeliz, mas uma fundamentação económica. O dinheiro dos contribuintes é finito, se bem que, com os socialistas a gerir, bastante elástico, e se saísse mais caro ao estado social pagar o ensino em colégios particulares do que em estabelecimentos oficiais, seria um desperdício de recursos preciosos para acudir a outras necessidades, nem que fosse a de reduzir os impostos para estimular a actividade económica. Mas o assunto já foi alvo de múltiplos estudos, que estão longe de ser conclusivos. Não está provado que pagar a um colégio para abrir uma turma seja mais caro que abrir essa turma numa escola oficial, mesmo que seja a poucos metros do colégio, nem o seu contrário. Se essa possibilidade é negada aos pais dos alunos não é por motivos económicos, ou economicistas, como gostam de dizer os zelotas do estado social.

O que parece ir-se provando é que, quando têm possibilidade de escolha apesar de não terem dinheiro para a sustentar pessoalmente, quando o estado social lhes oferece essa possibilidade, muitos pais preferem pôr os filhos a estudar em colégios particulares a pô-los na escola oficial da área de residência.

Mas se os beneficiários do estado social preferem, e não sai fundamentalmente mais caro aos contribuintes, porquê a guerra aberta, declarada por todos, desde a esquerda radical ao socialismo chamado "democrático" instalado no governo, aos contratos de associação? Por motivos ideológicos, como está na moda explicar agora.

Uma das hipóteses para a explicar é o ódio genético do socialismo à liberdade de escolha, ou à liberdade genericamente, e a confusão entre a construção de um estado social, que oferece a todos os cidadãos, independentemente da sua capacidade económica, um conjunto essencial de direitos que, de outro modo, só seriam acessíveis aos que têm capacidade económica, e a construção de um estado socialista, em que todos os aspectos da vida devem ser determinados pelo estado e pelos burocratas que o controlam, e que qualquer liberdade de escolha ou iniciativa privada pode abalar.

Outra, é a preservação da estratificação social existente, reservando aos que têm dinheiro a escolha das melhores escolas negada aos que não têm, de modo a que os filhos de família que frequentam os colégios caros que ajudam a fabricar médias não se vejam ultrapassados no acesso a Medicina por filhos do povo que, além de serem mais inteligentes e diligentes que eles, também tenham sido educados em escolas que os preparam para os exames. Esta é detectável nos defensores do estado social exclusivamente público que, tendo capacidade económica para o fazer, recorrem aos colégios privados para os seus filhos.

Outra ainda, com que não vale a pena perder muito tempo, é um reflexo condicionado derivado da estupidez de presumir que colégios privados são privilégio de ricos, pelo que os contratos de associação servem apenas para financiar aos ricos a educação dos seus filhos que eles próprios podiam pagar.

Frases como "Se querem colégios particulares, paguem-nos" revelam mais da sociopatia da segunda hipótese ou da estupidez da terceira que do fundamentalismo ideológico da primeira. Mas todas são inimigas da liberdade, do progresso e "das pessoas".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:48
link do post | comentar | ver comentários (2)

Pesquisar neste blog

 

Autores

Posts mais comentados

Últimos comentários

Não sei precisar o valor total porque foi suportad...
Estou numa situação terrível e adiaram-me a consul...
URGE TRABALHAR PARA O SEPARATISMO-50-50: O PLANETA...
E a que título é que os filhos dos imigrantes são ...
Este texto é apenas fruto de ignorância ou é supos...

Arquivos

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

adse

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

cds

censura

cgd

cgtp

comentadores

cortes

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desigualdade

dívida

educação

eleições europeias

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fiscalidade

francisco louçã

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

populismo

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

saúde

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vital moreira

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds