Quarta-feira, 19 de Setembro de 2012

Sensibilidades de uma puitisa

 

 

Nem tudo o que se escreve (ou se publica) é literatura. Maria Teresa Horta, depois de um papel folclórico na "denúncia" e "combate" às situações discriminatórias relacionadas com a "condição feminina", pôs um ar torturado e dedicou-se a perpetrar uns versos que ela considera "eróticos". São umas linhas banais, aguadas, com as "noites" do costume, a menção padronizada às "dobras do lençol", à "entrega", aos "dedos" e à "língua".

 

As metáforas são débeis, quase infantis. A senhora descreve aquelas coisas que lhe acontecem "docemente", no "silêncio". Dirige-se ao cavalheiro com quem imagina que se deita com expressões como "tu dentro de mim" e "vais descobrindo vales". Possivelmente convencida que dá algum esqueleto àquelas cantiguinhas, polvilha a sua puézia com verbos do tipo "vergar" e uma ou outra palava esdrúxula como "bússola" - talvez aqui na franqueza de um "grito" em busca da orientação que, na verdade, visivelmente lhe falta.

 

Isto terá sido o suficiente para garantir o estatuto de "artista", que a esquerda distribui aos seus autores sem qualquer espécie de critério e, de resto, para prejuízo de autores bons que a esquerda teve. Com o estatuto vêm os respectivos prémios, e com a idade o posto de "artista" passa ao de "génio". Para isto não fazem falta mais do que a mecânica e a naturalidade que o processo estipulou. E porque é que Maria Teresa Horta é um génio? Porque sim, porque "é evidente".

 

Nos programas que a RTP emite durante o período da manhã, aposto que já é apresentada como "uma grande senhora das letras". E se ainda não foi, é um lapso que ainda não tenha sido entrevistada pela Mortícia Moura Pinheiro no "Câmara Clara" - apogeu da consagração em Portugal para qualquer personagem "da cultura".

 

Desta vez, "o júri" decidiu atribuir-lhe o Prémio D. Diniz. E a senhora, "por uma questão de coerência" recusou receber esse prémio das mãos do primeiro-ministro porque entendeu que este "está empenhado em destruir o país".

 

Sartre, pelas suas razões, recusou o prémio Nobel. E o respectivo valor pecuniário.

 

Não foi isso que fez esta senhora. Na página da Fundação Casa de Mateus, na internet, somos informados que "a sessão solene de entrega do prémio será agendada brevemente".

 

Talvez esperem por trocar de primeiro-ministro. Se eu presidisse à Casa de Mateus, resolvia este problema amanhã de manhã; o que não falta por aí são puitisas.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 02:15
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