Sábado, 18 de Outubro de 2014

Educando Paulo

 

Paulo Morais-01-PB2.jpg

 

Quem achou que o estupendíssimo Paulo Morais não vinha peritar as inundações, apontando as culpas à "especulação imobiliária" e à "corrupção urbanística", é um ovo podre – para estabelecermos o tom.

 

Por partes: “manutenção”, dr. Morais, a sério? Usar “10% do orçamento” anual dos municípios a aplicar remendos em cima de colectores velhos, deteriorados, e com o diâmetro insuficiente, como o senhor sugere fazer, entregando boa parte dos recursos públicos a empresas e a “técnicos” que não vão (nem podem) resolver o problema, tem outro nome. Incúria? Irresponsabilidade? Amadorismo? Descaramento? Escolha o que o senhor preferir. Eu sei o que lhe chamava.

 

Muito resumidamente, estimado estudioso: "manutenção" é o capítulo correcto, por exemplo, para o dinheiro e o esforço que o senhor reserva para podar a sua cabeleira.

 

De resto, dr. Morais, esqueça as redes hidráulicas. Se não sabe, não sabe, a Pátria está disposta a perdoar-lhe. Mas se insiste em arrastar o seu fanatismo e a sua madraçaria pelas páginas dos jornais, reveja a sua prosa, o vocabulário, as graçolas e os trocadilhos. O seu pensamento tem qualidades espantosas, convém que isto fique esclarecido. É uma pena que as mostre tão frágeis, empardecidas em calão. O senhor repete-se, usa expressões infantis e frases próprias de um menor de 11 anos que leva chapadas dos amigos no recreio. “Boys”, “tachos”, “apaniguados”, “cacicar”, e “vingança da natureza sobre a má gestão urbana” – não falta nada, Deus o ajude. Chamar “nabos” (a medo, com aspas e tudo) aos responsáveis autárquicos, para chamar “nabal” às autarquias, e assim forçar o chavão do título (Chuva no Nabal) é o remate da sua miséria linguística, dr. Morais, e da imaturidade que não se recomenda a um professor universitário.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 20:01
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Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

No barbeiro com Savonarola

 

O nosso Savonarola da corrupção também, pelos vistos, entende de fogos. Infelizmente, utiliza a mesma receita simplista (sou caridoso - na realidade é simplória) que consiste numa mistura de intuição (o mais traiçoeiro dos sentimentos), populismo, traduzido num apontar de dedo tremente de indignação aos "políticos", ignorância, vertida em análises superficiais e generalizações abusivas, e justicialismo, que se declina em soluções castigadoras dos maus.

 

Paulo Morais acha que, se não houvesse corrupção, não seriam necessários nem impostos altos nem austeridade; que o principal antro da corrupção é o Parlamento; e que, fosse ele o legislador, ai!, varria a testada.

 

Não lhe ocorre que a principal fonte da corrupção é a presença sufocante do Estado regulador e interventivo na Economia; que a nossa tradição no relacionamento dos cidadãos com o Estado é uma de dependência, público desprezo e privada subserviência, abuso do Poder com os fracos e consideração servil perante os poderes fácticos; um caldo cultural de tolerância realista, impotente e videirinha; e que nada disto se resolve em definitivo a golpes de decretos-lei feitos por iluminados com nós de gravata tão grossos como as ideias.

 

Isto sobre o que Paulo diz da corrupção. O que adianta sobre os incêndios releva da ignorância suficiente, que é a sua marca-d'água. Curiosamente, no Público de hoje, saiu um artigo que, sobre a matéria, ensina a pensar. O autor, aliás, tem um blogue, onde costuma falar destas coisas. Não é obrigatório concordar com tudo, nem sempre, mas é obrigatório discordar com boas e pesadas razões, se as houver.

 

Para despachar assuntos em três penadas, quem quiser, toma um táxi ou vai ao barbeiro. Para conversa séria convém algum critério na escolha dos interlocutores.

 

publicado por José Meireles Graça às 20:11
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Sábado, 4 de Maio de 2013

Cato hodiernus

Estou farto, refarto deste tipo e deste paleio. Tem um fonds de commerce, que é a corrupção: Portugal tem há séculos um atraso relativo, em numerosos domínios, em relação à maior parte dos países com os quais partilha o continente? Corrupção. As dívidas privada e pública não têm precedentes, pelo seu montante? Corrupção. O País não cresce, mas cresce o desemprego, a emigração e o desespero? Corrupção.

 

Tem costas largas, a corrupção. E que bom seria que o Mundo fosse tão simples: contratava-se o Dr. Paulo Morais para inteirar a Assembleia de Republica, entretanto depurada de gente fortemente suspeita, das medidas legislativas que esta devia tomar; refundiam-se as leis penais, incluindo processuais, eliminando truques, obstáculos e alçapões; davam-se meios e poderes aos magistrados do Ministério Público, que entretanto também sofreria uma varredela justiceira. E o País floresceria, finalmente liberto desta cáfila que o sufoca.

 

É que os partidos, a administração pública, as instituições, tudo está minado de corruptos. Tanto que o próprio Morais, que já andou pela política militante, se afastou com nojo. E fez mal, porque o eleitorado (ao menos a parte do eleitorado que entope indignada as caixas de comentários dos jornais on-line) não deixaria certamente de lhe confiar o voto, dando-lhe a oportunidade de expulsar do templo, democraticamente, os vendilhões.

 

Claro que os vendilhões se haveriam de defender, exigindo-lhe um mínimo de prova ou consistência. Por exemplo, quando Paulo destaca "o peso do caso BPN e das Parcerias Público-Privadas (PPP), entre outros, na dívida pública", acrescentando que "68% da dívida privada é resultante da especulação imobiliária", e salientando que "só cerca de 15% da divida privada se pode atribuir aos alegados excessos dos portugueses", conviria porventura fazer a demonstração.

 

É que, no caso BPN, haverá decerto quem devesse ter feito companhia ao Dr. Oliveira e Costa; e a nacionalização foi manifestamente um erro (num juízo ex post facto, porque durante o processo não faltaram vozes isentas a defendê-la), assim como ainda hoje não se compreende que a SLN tenha sido deixada de fora. Mas eram corruptos todos os envolvidos? Teixeira dos Santos, porventura o principal responsável pela decisão, também? E é esta história lamentável, cujo custo total será, supõe-se, de aí uns 6,5 mil milhões, que explica a dívida pública, que já vai aí nuns 200 mil milhões?

 

No caso das PPPs, o que se vai sabendo das blindagens dos contratos e do desequilíbrio dos direitos e obrigações das partes desperta (mais: impõe) suspeitas. Mas o problema será fácil de resolver, isto é, é fácil fazer a prova da corrupção, e renegociar os contratos com base nisso? Entendamo-nos: eu sou pela renegociação, e acho que ela só tardou e deu poucos resultados por causa do medo pânico de abalar interesses da União, da banca internacional e da nossa - mas isto nada tem directamente a ver com corrupção.

 

68% da dívida privada resulta de especulação imobiliária?! 68%? Não será 68,04%? Aqui este paisano estava convencido que aquela dívida resultava, na sua maior parte, do crédito à habitação; que este era concedido com garantias sobre os imóveis (garantias mais garantidas não há); que a procura de imóveis resultou do juro baixo que o Euro permitiu e das leis do arrendamento salazaro/comunista. Morais vê aqui "especulação" e sonha com os especuladores na cadeia - afinal os especuladores são uma subcategoria de corruptos.

 

Com Paulo Morais temos sempre direito ao dedo em riste, ao olhar indignado, aos lábios trementes, e às acusações descabeladas. Boa parte do que diz não dá matéria para queixas-crime, excepto contra incertos. E no único caso que lhe ouvi a acusar uma pessoa concreta, a acusação não tinha fundamento.

 

Paulo Morais faz mal à luta contra a corrupção. Esta é para gente com poucas ilusões e muito conhecimento sobre os homens, o Estado e a tradição. E implica trabalho, paciência, frieza e realismo. Não implica discursos moralistas de Catões de aldeia. 

publicado por José Meireles Graça às 00:57
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Saliência e irresponsabilidade

 

 

Paulo Morais é o vice presidente de uma "associação cívica" cujo objectivo é combater a corrupção. Repetidamente, tem insistido em "denunciar" a "falta de transparência" nas privatizações. Considera que o governo "errou por ter nomeado uma comissão de acompanhamento interna" (presidida por Daniel Bessa), em lugar de abrir essa entidade à "sociedade civil" (presumo que presidida por ele).

 

Assegura também que o parlamento "não está isento de culpas", havendo "deputados coniventes" na CEAMPAFP (comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal). Especifica que Miguel Frasquilho (PSD), Pedro Pinto (PSD) e Adolfo Mesquita Nunes (CDS-PP) integram esta comissão "em real conflito de interesses". O primeiro devido à sua ligação ao BES (que agora estará a ser investigado), o segundo por estar ligado a empresas que fazem consultoria para a EDP e o último por colaborar no escritório de advogados que assessorou o Governo e a EDP no processo. Diz que estes senhores foram "contratados como consultores porque são deputados". E conclui que "isto já é mais que promiscuidade absoluta, é simples identidade", uma vez que "as pessoas das empresas e os parlamentares são exactamente os mesmos".

 

Estas afirmações fizeram as delícias dos vivaços mais activos das redes sociais, que as partilharam sem parar. É sabido que os opinadores das caixas de comentários têm grande apreço por notícias que confirmam as suas suspeitas. As suas suspeitas são, regra geral, circunscritas à ideia de que "eles querem é tacho". E as soluções são, invariavelmente, oferecidas em tonalidades de indignação que o pudor me impede de reproduzir, mas que passam sempre pela introdução dos mais variados items nos orifícios dos políticos, das mães dos políticos e das tias dos políticos.

 

Já o mesmo não aconteceu com o esclarecimento público em que Vieira da Silva, deputado do PS e presidente da CEAMPAFP, veio desmentir esta longa série de desabafos de Paulo Morais. De resto, a intervenção de Vieira da Silva não seria necessária se os jornalistas que dão tempo de antena a Paulo Morais se ocupassem (como deviam) de verificar o que ele diz. As competências das comissões parlamentares são públicas, e o currículum dos deputados, quando não é inteiramente público, é muito fácil de verificar. Adolfo Mesquita Nunes, por exemplo, não foi "contratado como consultor" por ser deputado. Isto é falso. Adolfo Mesquita Nunes já trabalhava para aquele escritório de advogados quando foi eleito deputado, o que aconteceu pela primeira vez na presente legislatura. Tal como consta do registo de interesses que se pode ler na página da Assembleia da República na internet.

 

Paulo Morais, de quem se espera competência e seriedade, orgulha-se de acusar de "mais do que promiscuidade absoluta" três deputados a quem atribui as actividades mais vis. Não se pode orgulhar de saber do que fala porque, sobre este assunto, mostra a sua total ignorância.

 

Paulo Morais usa o lugar que ocupa para dar livre expressão às suas obsessões. Com saliência e irresponsabilidade.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 00:09
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