Domingo, 10 de Março de 2013

Fixação administrativa do preço mínimo do trabalho

No mapa: Salário mensal médio na Europa (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_in_Europe_by_monthly_average_wage)

 

A Itália não tem salário mínimo nem se sente qualquer voz, à esquerda ou direita, a pedir a sua implementação. É o mercado a regular o pagamento do trabalho de modo totalmente livre. Olhando para o mapa acima, e para a tabela abaixo, pode constatar-se o óbvio: que o salário médio não depende da existência de um salário mínimo.

 

Lista de países europeus sem salário mínimo (via O Insurgente):

 

Olhando para a tabela do Eurostat que mostra como tem evoluído o coeficiente de Gini na Europa (http://appsso.eurostat.ec.europa.eu/nui/show.do?dataset=ilc_di12) também constatamos que a Itália é menos desigual que Portugal em termos de distribuição do rendimento. Nela, podemos ver que Portugal é o 3º país mais desigual da Europa na distribuição do rendimento, apenas superado pela Bulgária e Letónia. O país mais igualitário da Europa é a Noruega que também consta da tabela acima de países sem salário mínimo.

 

Ora, então porquê a nossa insistência no valor mítico de fixar uma remuneração mínima para o trabalho? Há ciência por detrás da sua defesa? Não me parece. Parece-me antes uma panaceia defendida por mitos. 


Um dos argumentos mais usados para defender a aplicação da fixação do preço é: "quem não quer um salário mínimo fixado pelo estado é a favor de baixos salários". Errado. - Qual empresário prefere ter uma estrutura de pouco valor e baixa produtividade, quando os lucros são maiores com mão de obra bem remunerada, motivada e produtiva? 


O nível de riqueza não está relacionado com a fixação do preço. Bem pelo contrário, tradicionalmente, quando o estado tende a fixar preços, a pobreza e a miséria são maiores. 


publicado por João Pereira da Silva às 06:04
link do post | comentar
Quinta-feira, 7 de Março de 2013

Vice-sem-versa

O Prof. António Borges terá dito hoje o seguinte:

 

"O responsável recorda que em 2009, quando o Governo de José Sócrates determinou um aumento do salário mínimo de 426 euros para 450 euros, Manuela Ferreira Leite, então líder do PSD, “teve o cuidado de dizer que as subidas dramáticas no salário mínimo que se fizeram nessa altura iam gerar muito desemprego mais tarde. Avisou e avisou bem e isso custou-lhe muito caro em termos de popularidade.”


Infelizmente, não parece que o contrário seja verdade, isto é: que uma diminuição do salário mínimo possa gerar muito emprego.


Veja-se aliás a correlação entre a queda dos salários reais (na casa dos 6%) e o aumento da taxa de desemprego (a rondar os 17%).


Por isso, esta outra declaração do mesmo Prof. - "O ideal até era que os salários descessem como aconteceu noutros países como solução imediata para resolver o problema do desemprego” é, no mínimo, argumentável, no máximo, escandalosa e, pessoalmente, chocante.

publicado por Ana Rita Bessa às 17:46
link do post | comentar

Pesquisar neste blog

 

Autores

Últimos comentários

«Porque os sistemas, a monitorização, as certifica...
Obrigado. Terá talvez faltado relembrar que em tem...
O último parágrafo vale tudo.
Em 1960 estive na Suécia com a Família. Em férias....
• As Offshores de Combustíveis para Grupos de Pre...

Arquivos

Agosto 2019

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Links

Tags

25 de abril

5dias

adse

ambiente

angola

antónio costa

arquitectura

austeridade

banca

banco de portugal

banif

be

bes

bloco de esquerda

blogs

brexit

carlos costa

cartão de cidadão

catarina martins

causas

cavaco silva

cds

censura

cgd

cgtp

comentadores

cortes

crise

cultura

daniel oliveira

deficit

desigualdade

dívida

educação

eleições europeias

ensino

esquerda

estado social

ética

euro

europa

férias

fernando leal da costa

fiscalidade

francisco louçã

gnr

grécia

greve

impostos

irs

itália

jornalismo

josé sócrates

justiça

lisboa

manifestação

marcelo

marcelo rebelo de sousa

mariana mortágua

mário centeno

mário nogueira

mário soares

mba

obama

oe 2017

orçamento

pacheco pereira

partido socialista

passos coelho

paulo portas

pcp

pedro passos coelho

populismo

portugal

ps

psd

público

quadratura do círculo

raquel varela

renzi

rtp

rui rio

salário mínimo

sampaio da nóvoa

saúde

sns

socialismo

socialista

sócrates

syriza

tabaco

tap

tribunal constitucional

trump

ue

união europeia

vasco pulido valente

venezuela

vital moreira

vítor gaspar

todas as tags

Gremlin Literário no facebook

blogs SAPO

subscrever feeds