Terça-feira, 17 de Março de 2015

Subir Lall, vai até lá ao topo

Olhai, ó bardamerdas do FMI e parasitas do Banco de Portugal: há cursos de gestão avonde, que despejam todos os anos dezenas de licenciados no mercado de call-centers e na emigração; a indústria exportadora não cessa de dar lições de inovação, sobrevivência e progresso, mas os patrões dessas indústrias, se fordes ver de perto, ou não passaram pelos bancos das universidades, ou de pouco lhes serviram as tretas obsoletas que lá se ministram, debitadas por quem, por não saber fazer, e julgar que o meio conta pouco e a teoria americana muito, ensina; e os melhores gestores não se decretam, menos ainda por pataratas que nem uma mercearia de bairro fundaram - ou há condições para que existam ou não.

 

Este gestor ignoto, que não se toma por bom mas ao menos sabe o que lhe falta a ele e ao País, viu recentemente dois processos de investimento recusados porque, num caso, o Estado diz que há uma dívida fiscal que todavia a empresa, com boas razões, não reconhece nem aceita, e, no outro, porque seria necessário um reforço dos capitais próprios com o qual, se tivesse lugar, o apoio se tornaria inútil.

 

Não é que os "apoios" sejam uma boa ideia: terão o mesmo destino de todos os programas que, desde a adesão à CEE, se propunham melhorar a formação profissional e reforçar o investimento - algum investimento, alguma formação e uma gigantesca malbaratação do dinheiro do contribuinte europeu. O empresário só precisa que o Estado o ajude para compensar uma parte do muito que o atrapalha, com a agravante de os apoios serem para alguns e o atrapalhanço para todos.

 

Agora, melhorar o plantel de gestores, Subir Lall? Vai mazé comer umas tripas ou um bucho recheado - tens aspecto de seres menino para te atochares de tais petiscos, embora não te passe pela cabeça que a razão por que em Portugal se tratam tão bem as vísceras é a fome tradicional de uma terra pobre, que tudo aproveita.

 

E, no fim da refeição, podes ir para o caralho, que é, como toda a gente sabe, uma pequena cesta no topo do mastro principal. Ajuda-te à digestão, alarga-te as vistas e, se disseres alguma coisa, ninguém ouve: só vantagens.

publicado por José Meireles Graça às 16:50
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

Tetra-buraco

O caso é pior, Subir: nem novas nem velhas iniciativas. O que vias, e deixaste de ver, foram cortes - reformas que se vissem, nem agora nem antes.

Culpa dos teus colegas que, aquando da negociação do Manifesto, deviam ter tido o cuidado de, antes de falar com o ministro Teixeira e o ex-ministro Catroga, terem vindo ter comigo. Ter-lhes-ia dito: ora bem, seja lá qual for o acordo a que cheguemos, não vai ser cumprido; a intransigência da troica resulta do choque da realidade do calote e da crise, da maioria que circunstancialmente está no Poder nos países do Norte, das ilusões do BCE, que se imagina independente, e da novidade de tudo isto. Mas tudo isso pode mudar e mudará, antes, muito antes, de acabar o Programa. E acrescentaria:

Portugal é socialista, da variedade em que a maior parte do eleitorado depende, directa ou indirectamente, do Orçamento de Estado, e em que parte gorda da classe dirigente ou está nele empregada ou só nominalmente é privada, em ambos os casos tendo como certo que não há forças criativas no País para nenhuma espécie de verdadeiro progresso. E portanto basta que no horizonte apareça algum módico de alívio nas contas de cá, e algum baixar de guarda nas exigências de lá, para as coisas regressarem ao status quo ante, que é o de, com dirigismos sortidos, se preparar uma nova falência.

Portanto, man, se queres fazer obra de mérito, não te limites a traçar objectivos: tens que dizer como lá chegar, e em pouco tempo. Porque a dependência da opinião pública que os políticos têm que ter levará a que tentem agradar, ao mesmo tempo que pisam os calos a toda a gente; e que, com eleições à vista, alarguem o cinto, pelo que a reforma ou se faz já ou não se fará nunca. Se queres que se reforme o Estado, vai pelas Páginas Amarelas e, em topando com algum serviço público ou organismo de capitais total ou parcialmente públicos (Agência, Autoridade, Câmara, Direcção, Fundação, Instituto, Observatório, etc. etc.) obriga os responsáveis a responder a meia dúzia de perguntas: i) Precisamos mesmo disto?; ii) Não há outro serviço que faça a mesma coisa?; iii) Que acontece se extinguirmos? iv) Não pode ser feito por privados, desde que em concorrência?; v) Se não pode desaparecer, nem ser privatizado, como pode viver com menos? E vi) No caso de o estaminé fechar, quanto seria preciso para o pessoal ser indemnizado de modo a que não se criasse um exército de revoltados?

Isto não foi feito, e pelo contrário aumentaram os tropeços à vida das empresas; cresceu a punção fiscal; e o Governo, que começou por fazer uma diminuição ao número de pastas, com valor simbólico - mas os símbolos importam - ostenta hoje com orgulho um Ministério do Ambiente, uma entidade daninha que já começou a fazer estragos e a lançar as bases para mais um nó górdio de burocracias metediças, serviços pletóricos e palavreado demagógico e pedante, mesmo quando os responsáveis acreditam no que dizem.

Não se fez, ponto. E aqueles que, como eu, veem o copo meio vazio (há a parte meio cheia, mas essa guardo-a para mais perto das eleições, que corremos o risco de escolher, em vez do medíocre que temos, o péssimo que poderemos ter) assistem com desgosto ao levantar da cabeça da retórica nebulosa, ou das formulações de intelectual profundo da esquerda afrancesada ("A partir daqui podemos partir para coisas mais importantes: a economia pública, a igualdade, mas já com rituais de conflito e assertividade, de que a esquerda precisa como de pão para a boca"), ambas tendo como consequência o escaqueirar da nova cornucópia de fundos da UE que começarão a chegar.

Mais valera que eles, os fundos, abatessem à dívida pública. Sempre os socialistas, se ganharem, teriam menos tempo para dar com os burros na água - pela quarta vez.

publicado por José Meireles Graça às 23:17
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