Segunda-feira, 1 de Abril de 2019

Eleitoralismos a brincar, eleitoralismos à séria

2019-04-01 Passe social.jpg

Acham que a pantomina dos passes sociais baratos da Ericeira a Setúbal montada neste 1º de Abril pelo governo Antóno Costa e pelo presidente da CML é eleitoralista?

Vocês não viram nada, vocês não sabem o que é eleitoralismo.

Esperem pelo reembolso do IRS neste ano de eleições para verem o que é eleitoralismo.

Ao longo de 2018 as tabelas de retenção na fonte fizeram reter muito mais IRS do que era devido e mesmo do que é habitual, o que por um lado faz aumentar a receita fiscal e melhorar o deficit, uma das bandeiras para a campanha eleitoral socialista lá mais para a frente, e por outro fez aumentar brutalmente os reembolsos que serão pagos este ano até às eleições, uma notícia agradável para os contribuintes que receberão muito mais do que estão habituados a receber. Já vos disse que este é ano de eleições?

O outro lado destas boas notícias é que em 2018 os contribuintes receberam menos do que deveriam ter recebido se as tabelas de retenção na fonte estivessem minimamente ajustadas aos valores de facto devidos por eles que são os que são apurados quando o imposto é liquidado. Mas do que receberam a menos em 2018 a memória tratará de diluir, enquanto do que começaram a receber a mais no início de 2019 com tabelas de retenção mais amigas do contribuinte a memória guardará. Também não se lembrarão no momento do voto que os reembolsos em 2020 serão muito mais baixos que em 2019, porque será um facto futuro que a memória não alcança.

Se os eleitores forem na burla e pensarem que o governo lhes está a dar mais dinheiro em 2019 em vez de se aperceberem que o governo lhes tirou dinheiro a mais em 2018 para lho devolver sem juros agora,  as eleições estão no papo.

E se forem na burla merecem ser burlados.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:50
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Quinta-feira, 28 de Março de 2019

Marcelo e Cavaco, ou a porcelana moldada e a pedra esculpida

Quando na última remodelação do governo António Costa, e por causa da promoção a ministra da secretária de Estado e filha do ministro José Vieira da Silva, Mariana Vieira da Silva, se tornou evidente que a endogamia que é a marca do primeiro-ministro desde sempre só tem tendência para se agravar com a ascensão a posições com mais poder e a aproximação do fim da legislatura, o presidente Marcelo correu a branqueá-la, afirmando que a nomeação de pessoas das mesmas famílias no seio do governo se devia a razões de mérito.

Não foi a primeira vez, nem será a última, que se terá precipitado ao colocar a mão por baixo do primeiro-ministro amparando-o em trapalhadas, asneiras ou sacanices puras e duras sem antecipar que esse apoio lhe poderia vir a trazer a ele custos políticos. Mas a falta de vergonha e descaramento dos socialistas do costismo, talvez encorajados pelo branqueamento normalmente assegurado pelo mais alto magistrado da nação, transformaram em poucos dias o que pode ter parecido uma excentricidade, um sintoma de uma constipação passageira, num bacanal de nomeações de irmãos, filhos, mulheres e amigos uns dos outros, uma pandemia com todas as condições para se tornar mortífera.

Não para ele.

Quando se apercebeu que o branqueamento da endogamia no governo socialista António Costa lhe podia custar caro a ele, o presidente Macelo fez exactamente aquilo que se pode, com um já bom grau de confiança, esperar dele como nulidade política mais do que comprovada: salvar o coiro. Acobardou-se e escondeu-se por trás da sombra do presidente Cavaco, explicando que "...se limitou a aceitar a designação feita pelo Presidente Cavaco Silva, que foi a de nomear quatro membros do Governo com relações familiares, todos com assento no Conselho de Ministros ... partindo do princípio de que o Presidente Cavaco Silva, ao nomear aqueles governantes, tinha ponderado a qualidade das carreiras e o mérito para o exercício das funções".

2019-03-27 Aníbal e Maria.jpg

Escolheu mal o alvo. Ao contrário dele, o presidente Cavaco Silva não cresceu a fazer travessuras à avó nem partidas ao dono do jornal que lhe deu emprego desde jovem, cresceu, como explica nas suas memórias, e debaixo da responsabilidade de ser o primeiro da família em cuja educação os pais investiram as poupanças em vez de as investirem na compra de propriedades agrícolas como era hábito no mundo onde cresceu, a passar as férias grandes a trabalhar no campo no único ano em que chumbou. Ao contrário dele, que foi moldado em porcelana, foi esculpido na pedra. E não se costuma ficar, e não se ficou.

E respondeu, respeitando a fórmula tradicional "entendo que não devo fazer qualquer comentário porque já foi dito tudo ou quase tudo e eu não acrescentaria nada de novo", para disparar comentários letais a tudo o que já tinha sido dito como "...Nos últimos dias aprendi bastante sobre as relações familiares entre membros do Governo e confesso que era bastante ignorante em relação a quase tudo aquilo que foi revelado..." e "... não me recordo de ter conhecimento completo - já foi há muitos anos - entre relações familiares dentro do Governo, mas, por aquilo que li, não há comparação possível em relação ao Governo a que dei posse em 2015. E, segundo li também na comunicação social, parece que não há comparação em nenhum outro país democrático desenvolvido", e ainda que o presidente da república, nomeando embora os membros do governo, não pode interferir nas escolhas do primeiro-ministro para não correr o risco de vir a ser responsabilizado por qualquer coisa que corra mal na governação a pretexto de não ter deixado o primeiro-ministro escolher livremente os seus ministros. E aproveitou para esclarecer que, "por curiosidade fui verificar a composição dos meus três governos durante os dez anos em que fui primeiro-ministro e não detectei lá nenhuma ligação familiar". Poderia ter acrescentado que entre todas as pessoas que fizeram parte desses três governos, entre ministros e ajudantes de ministro, houve uma única que tratava por "tu", a colega de trabalho no Banco de Portugal e comadre Manuela Ferreira Leite. Não teve governos de família e amigos.

Traduzindo, esclareceu que quando indigitou o primeiro-ministro tinha esgotado todas as possibilidades legais de o evitar sem abrir uma crise política insustentável, que não fugiu a deixar claro na altura que não estava de acordo com a fórmula governativa montada pelo primeiro-ministro com o objectivo único de se salvar de uma morte política certa por ter perdido as eleições depois de prometer ao partido que as ganharia por muitos, que a escolha dos membros do governo é da responsabilidade do primeiro-ministro, e que ao dar-lhes posse não tinha feito, nem podia fazer, qualquer juízo de valor sobre a sua competência. E que no momento da tomada de posse não tinha qualquer informação factual que lhe permitisse antecipar o bacanal em que se transformou nos últimos meses, e descaradamente a partir da última remodelação, o jogo de nomeações de familiares e amigos e familiares de amigos como chefes de gabinete ou assessores para os gabinetes governamentais.

E escavacou o biombo atrás do qual se tinha escondido o presidente Marcelo, no argumento da nomeação porque não tinha legitimidade para intervir nas escolhas do primeiro-ministro, e no do mérito porque não lhes tinha avaliado mérito para lhes dar posse.

Pode ter dado ao presidente Marcelo uma lição útil, a de, nas troca-tintas e chico-espertices que vive a fazer e de que vive politicamente, se meter com quem tenha a estatura dele e evitar os de estatura maior. Que brinque com figurinhas de porcelana mas evite as estátuas de pedra, que se caem em cima das figurinhas as deixam em cacos.

É duvidoso que o presidente Marcelo tenha apreendido a lição.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:57
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Quarta-feira, 27 de Março de 2019

Matemática macabra

2019-03-27 Marta Temido.jpg

Depois de terem sido abandonados à sua sorte durante toda a legislatura por um governo que se dedicou a demoli-lo trocando o serviço aos utentes pela redução dos horários dos funcionários, a ministra da Saúde, que eu tenho apelidado, talvez não lhe conseguindo por defeito fazer justiça, de tonta fala-barato da extrema-esquerdaanunciou que até ao fim do ano de 2019, por coincidência um ano em que há duas eleições, todos os doentes à espera de consulta ou cirurgia há mais de um ano vão ser atendidos.

O que significa que não garante atendimento até ao fim de Dezembro aos que estão à espera há quase um ano, e que então estarão à espera há 21 meses.

Em Portugal morrem em média 7 doentes por dia à espera de consulta ou cirurgia. Quantos é que ela está a condenar à morte? É só fazer as contas. Mas passa dos 4 mil. Isto em ano de várias eleições. Agora imaginem em 2020, 2021 e 2022...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:15
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Segunda-feira, 11 de Março de 2019

E a taça por tirar mais combóios de circulação vai para...

2019-03-11 CP descarrilamento.jpg

Com a meta das eleições à vista a CGTP está a colocar todas as suas fichas num forcing contestatário e grevista para ver se, num sprint final, o PCP consegue finalmente deixar para trás o lastro de se ter submetido ao PS durante toda a legislatura que lhe custou uma humilhação inédita nas últimas eleições autárquicas onde perdeu para os socialistas um terço das câmaras que ainda mantinha dos velhos tempos da tradicional implantação autárquica comunista. Até para actrizes queques que nunca tinham posto um pé na outra banda perdeu câmaras no coração da cintura industrial de Lisboa.

E há-que lhe reconhecer que tem conseguido impôr perturbações de serviço em todos os serviços, públicos, que no sector privado onde a falência na prestação dos serviços pode conduzir rapidamente à falência das empresas e à destruição dos empregos que elas sustentam as equações são outras, cuja prestação os sindicatos têm capacidade para perturbar. A perda de peso eleitoral do PCP não sido acompanhada por perdas evidentes na sua capacidade de prejudicar toda a gente paralizando os serviços públicos de que toda a gente, principalmente a que depende mais deles por falta de meios para recorrer a alternativas, os pobres, depende.

Será este forcing suficiente para recuperar o atraso com que o PCP entrou na recta da meta eleitoral?

O Público fez simpaticamente as contas e publicou um balanço dos últimos 2 anos, 2017 e 2018, os anos do miolo da legislatura. Citando, 

  • "Em 2017 e 2018, a CP suprimiu nas linhas do Oeste, Alentejo (Casa Branca – Évora) e Algarve 3322 comboios, dos quais 2411 devido a falta de material. As greves explicam a supressão de 855 comboios nestas linhas, tendo havido ainda 56 circulações que não se realizaram devido a ocorrências ligadas com a infra-estrutura. Estes números mostram que no conjunto destes 720 dias, circularam menos cinco comboios por dia do que estavam planeados, devido a este conjunto de circunstâncias."

A incompetência do governo António Costa para manter os comboios da CP em circulação foi responsável pela supressão de 2411 composições nestas linhas por falta de material circulante, que é a consequência das avarias a que o material envelhecido vai sendo crescentemente sujeito, da incapacidade de as reparar por falta de peças sobressalentes, que para ser suprida obriga por sua vez a imobilizar composições para as canibalizar retirando-lhes peças para substituir as peças avariadas nas composições que se tentam manter em funcionamento, da falta de pessoal nas oficinas, reclamam os sindicatos, do recurso ao aluguer de comboios à Renfe que se revelam ainda mais caquéticos que os da CP chegando a deixar cair o motor em plena linha, à absoluta falta de investimento, tanto na reposição como na aquisição de composições novas, tudo radicando na falta de dinheiro que o governo optou por canalizar, talvez com perspicácia eleitoralista, para aumentos salariais da função pública em vez de manter os serviços ao público em funcionamento. Talvez.

Já as greves devidas à competência da CGTP para paralizar os serviços públicos foram responsáveis pela supressão de apenas 855 composições nas mesmas linhas, um terço das supressões devidas à incompetência do governo para os manter a funcionar.

Com uma desvantagem de um para três é muito improvável que com a meta à vista o PCP consiga anular o atraso que que chegou a esta etapa final da legislatura.

Vai perder a corrida, e vai-se tornar até dispensável para apoiar o próximo governo António Costa a quem bastará o apoio do BE para continuar a governar. Quase cem anos de história delapidados no apoio a um vigarista incompetente. Merecidamente.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:28
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Domingo, 10 de Março de 2019

Feminismo. A teoria e a prática.

2019-03-10 Costa, Tadeu, Palla.jpg

A boleia que o primeiro-ministro António Costa apanhou das manifestações feministas do dia da Mulher pondo a render a militância feminista da mãe no seu roteiro meticuloso para pescar votos em todos os segmentos do eleitorado, desta vez lançando as redes ao eleitorado sensível aos direitos das mulheres, como recentemente as tinha lançado ao eleitorado sensível às questões raciais numa pergunta boçal à deputada Assunção Cristas, fez-me recordar a minha mãe.

A minha mãe nunca foi feminista, nem nada que se aproximasse.

Mas logo que acabou o liceu começou a trabalhar nos CTT onde ficou até se reformar, integrou concursos para cargos de chefia dos CTT onde pela primeira vez participaram mulheres, não complementou o apelido de nascença Vilarinho com o apelido Pires do meu pai, e cada um tinha a sua conta na Caixa Geral dos Depósitos.

Em casa tinhamos criada, pelo que na distribuição das tarefas domésticas não havia uma distinção assim tão evidente entre o papel da mulher e o papel do marido, a não ser na culinária, onde ela se dedicava a coisas mais de fundo, nomedamente na doçaria, e ele se limitava a petiscos ao sábado de manhã, que fazia com alguma arte, e ao arroz minhoto magistral, que tinha aprendido com a minha avó. E nenhum deles mandava claramente mais do que o outro.

As únicas coisas que talvez a pudessem associar aos estereótipos do binário de género heteropatriarcal eram nunca ter fumado, nunca ter usado calças, e nunca tirado a carta de condução por achar que conduzir lhe fazia nervos. E, vá lá, tricotar e fazer crochet.

Como eu não atribuía a nenhuma destas coisas uma conotação de submissão, e como a minha mãe toda a vida praticou sem pregar a igualdade de género, não tive a oportunidade de crescer num mundo heteropatriarcal sufocante nem de me formar nos valores da insubordinação contra as indignidades que impõe, principalmente às mulheres, por mais que alguns filósofos da moda insinuem que não, pelo contrário. Perda a minha.

E ao lembrar-me dela lembrei-me também de uma feminista encartada portuguesa, pioneira há décadas de causas igualitárias como a despenalização do aborto, e que pelo pioneirismo quase se pode reclamar titular do franchise em Portugal de Maio de 68 e do feminismo.

E lembrei-me porquê? Por semelhança com a prática da minha mãe? Não, por contraste com ela.

Como disse acima, a minha mãe manteve por toda a vida o apelido de solteira, nenhuma das duas mulheres com quem casei alterou o apelido por se ter casado comigo, e eu não tenho nada contra as pessoas que adoptam o apelido do cônjuge, nem contra o desequilíbrio estatístico abissal entre o número de mulheres e de homens que o fazem, que faz com que seja mais realista sem perder em rigor estatístico falar de mulheres que adoptam o apelido do marido do que de pessoas que adoptam o apelido do cônjuge. Apenas não foi assim que eu cresci e vivi. E, mesmo sem ter nada a criticar, não deixo de considerar, mesmo correndo o risco de cair na alçada dos vigilantes da ideologia do género, que também os há a par dos vigilantes da homofobia ou da misoginia, a adopção do apelido do marido um indício de uma submissão das mulheres aos homens em que não fui educado.

Já a tal feminista mítica casou três vezes e ficou para sempre com o apelido do segundo marido. Não o do primeiro, não o do terceiro, mas o do segundo. Não sei porquê, nem me interessa, nem tenho nada a ver com o assunto, nem tenho, como expliquei acima, nada a censurar ou sequer a criticar.

Mas não consigo deixar de pensar que, se a minha mãe praticou sem pregar a igualdade de género, há feministas que a pregam sem praticar.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:52
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Terça-feira, 5 de Março de 2019

Agressões domésticas e o juiz Neto de Moura

2019-03-05 Neto de Moura.jpg

A discussão que se levantou sobre o juiz Neto de Moura é toda ao lado do problema.

O problema real que existe é a falta de protecção do Estado às vítimas de violência doméstica referenciadas, que constituem uma parte muito significativa das vítimas de feminicídeo (também há vítimas homens mas a desproporção é tão grande que lhe podemos chamar feminicídio correndo o risco de ser politicamente incorrecto mas sem correr grande risco de erro estatístico).

O problema é a desvalorização do risco que as mulheres queixosas com precedentes de ameaças ou agressões correm quando vencem a inércia e a vergonha e apresentam queixa, a abstenção de usar medidas de protecção eficazes que legalmente poderiam ser usadas, como a prisão preventiva ou meios electrónicos de vigilância da localização dos agressores e das vítimas, a anulação de decisões prévias com base em tecnicalidades sem compensar as decisões anuladas por outras de eficácia de protecção da vítima pelo menos equivalente, como por exemplo a substituição de pulseira electrónica recusada pelo agressor por prisão preventiva, a suspensão de penas, e muitas outras haverá que os que vivem o problema por dentro conhecerão, todas contribuindo para criar uma circunstância em que a reincidência evitável é a norma e a grande maioria dos casos que culminam no assassinato da vítima poderia ter sido evitada.

O problema são todos os que as deviam proteger e não as protegem, polícias, ministério público e juízes, e até legisladores, se for necessário acrescentar legislação à que já existe, o que normalmente não é o caso porque normalmente a legislação existente é suficiente para resolver os problemas desde que haja determinação em resolvê-los.

O problema não se resolve apontando um juíz ridículo por fazer e escrever nos acordãos afirmações arcaicas e ridicularizando-o ou defendendo o seu direito ao bom nome, que é para onde a discussão pública sobre o juiz Neto de Moura derivou.

Resolve-se identificando e responsabilizando todos os que, podendo tê-lo resolvido em circunstâncias em que intervieram e tinham meios para o resolver, não o resolveram. O juiz Neto de Moura, mas também todos os outros juízes do colectivo que participaram na decisão com ele, e de outros que participaram em decisões como a dele, os magistrados do Ministério Público que desqualificaram os crimes que lhes foram reportados e, desqualificando-os, abrandaram as obrigações de protecção das vítimas queixosas, fazem todos parte do problema.

E é isto que devia andar a ser discutido, e não as citações do juiz Neto de Moura e o seu direito ao bom nome.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:46
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Sábado, 2 de Março de 2019

O teste do algodão da justiça portuguesa

2019-03-02 Críticos Neto de Moura.jpg

Pessoalmente considero o juiz que faz acordãos a citar a Bíblia um distúrbio social, não por citar a Bíblia nem por ter uma visão troglodita do papel dos homens e das mulheres na sociedade, mas por citá-la e usar as citações para oferecer a agressores domésticos uma imunidade que a lei não lhes oferece e que com frequência tem sido usada por eles para escalar as agressões até ao assassinato das mulheres queixosas. Penso que não sou o único a pensar assim.

Mas ao ameaçar processar criminalmente todos os que o criticam ele está afinal a assumir uma utilidade social: está a revelar que em Portugal a liberdade de opinião é limitada quando o alvo da opinião são magistrados judiciais que, ao contrário do que acontece quando os criticados são políticos ou polícias ou outros cidadãos quaisquer e as críticas que lhes fazem são julgadas por magistrados que não fazem parte da sua classe, julgam dentro da classe as críticas que lhes fazem. Ou da casta.

E está também a dar-lhes uma (última?) oportunidade para mostrar que estão na Justiça para servirem a justiça e não para se servirem a si próprios protegendo-se uns aos outros. Será o teste de algodão.

Veremos se estão à altura do desafio.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:25
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2019

Prova de vida para garantir um lugar no governo Costa

2019-02-22 Garrafas água.jpg

A água em garrafa vai duplicar de preço.

O anúncio recente de dar um prémio a quem devolvesse garrafas de plástico não reutilizáveis usadas era uma burla, mais uma burla do governo Costa que é um desperdício de competências não se dedicar ao negócia das cartas da Nigéria, que prometem prémios futuros a quem lhes der dinheiro à cabeça, porque a intenção real afinal é de cobrar depósito de vasilhame, também conhecido por tara, à cabeça quando elas se compram.

Recomendação do Grupo de Trabalho do Plástico, que também se podia chamar talvez com mais propriedade Grupo de Trabalho do Lixo. Como ainda não têm o valor do depósito de vasilhame definido mas citam o da Alemanha, de 15 cêntimos, o mais certo será as garrafas de água passarem a custar mais 15 cêntimos, o que duplica exactamente o preço actual de uma garrafa de 50 cl de água das Caldas de Penacova no Continente, que aconselho vivamente pela qualidade e pelo preço.

A actual prática ambientalmente responsável de separar o lixo e colocar as garrafas de plástico no contentor para embalagem perto de casa terá que ser substituída por levá-las a uma das 50 máquinas de recolha que serão instalados no território nacional e que reembolsam as garrafas devolvidas com um talão de compra, de Tesla, para quem tiver um, ou de carro a gasóleo para os outros, porque não há soluções geométricas que permitam espalhar 50 pontos de recolha num território de 89 mil quilómetros quadrados sem haver locais a menos do que várias dezenas de quilómetros do ponto mais próximo.

Isto podia ser mais uma das provas de vida de tontice desbocada esquerdista, em que se tem destacado claramente a ministra da Saúde mas a que até os governantes mais discretos e anóminos até agora andam a aderir, como foi o caso da secretária de Estado da Justiça ontem ao anunciar com poucas horas de intervalo a erradicação do género do Cartão de Cidadão e a sua reposição, que os membros do governo Costa parecem estar obrigados a fazer neste ano de eleições para garantirem o seu lugar no governo de tontos desbocados esquerdistas.

Podia, mesmo se o Ministro do Ambiente não tinha a necessidade de o fazer, porque já mais do que tem cumprida a sua obrigação de dizer tontices desbocadas esquerdistas. Mas sem saber quem vende e gere as máquinas de recolha de garrafas não ponho as mãos pelo fogo, que os socialistas deste Tempo Novo perdem-se por tontices desbocadas esquerdistas mas gostam ainda mais de dinheiro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:48
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2019

As dúvidas de Marcelo

2019-02-19 Marcelo com dúvidas.jpg

Marcelo promulgou com dúvidas o aumento do salário mínimo na função pública para 635 Euros, por ser superior ao salário mínimo em vigor para o sector privado, de 600 Euros.

É sempre bom ter dúvidas, porque a dúvida aguça o engenho. Mas neste caso são desnecessárias, porque a diferenciação faz todo o sentido.

No privado, se o negócio não sustentar salários mais altos esgota-se o dinheiro dos fregueses, depois o dinheiro que os sócios estão dispostos a colocar na empresa, e por fim esgota-se tudo e a empresa fecha e os empregados ficam desempregados.

Na função pública, quando os salários aumentam mais do que a conta certa há sempre dinheiro dos contribuintes, e quando os governos receiam espremer demais os contribuintes por causa das eleições haverá o dinheiro dos contribuintes futuros para pagarem a dívida que é contraída para pagar estes salários, de modo que o dinheiro nunca se esgota e os empregados nunca ficam desempregados.

Simples, não é? Ó senhor presidente, deixe-se de dúvidas e assine lá essa merda para não fazer esperar o senhor primeiro-ministro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:23
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2019

E isto sou eu, que não acredito em bruxas

2019-02-18 Lacerda Machado.jpg

Os negócios em Portugal dos sócios do patrão do melhor amigo do primeiro-ministro seguem de vento em popa.

E isto sou eu, que não acredito em bruxas.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:34
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